quarta-feira, 10 de março de 2010

Tecnologia - Nokia e Samsung - Exemplos para o Brasil

Chegamos mais uma vez a período eleitoral nacional e entramos no debate sobre projetos políticos, ideológicos, agora muito mais com a dupla queda dos muros:Berlim x Washington, abre-se uma oportunidade impar de discutirmos o futuro para nosso país. Gostaria de introduzir aqui uma reflexão que fiz em 2002,mas que vejo que está bem atualizada, sobre tecnologia e como o Brasil pode se inserir neste novo marco mundial, superando as mazelas de nosso passado recente.
Trago dois casos  na área de Telecomunicações, em que tenho mais familiaridade.Para tentarmos entender como países extremamente "secundário" no mercado mundial, conseguiram ter empresas tão importantes, tornando-se marcas vencedoras em determinados campos que olhando a bem pouco tempo nem se imaginaria ocuparem este espaço.


Nokia – A Finlândia no mundo





No início dos anos 90, a Nokia não passava de uma empresa secular de papel e celulose da fria e
distante Finlândia. Nem o país , muito menos esta empresa seria notícia em qualquer jornal de tecnologia. Como em poucos mais de 6 anos eles mudaram de foco e viraram a verdadeira força motriz deste país? A primeira sem dúvida foi a decisão estratégica do governo finlandês de focar boa parte do seu dinheiro de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, numa área que se
expandiria como nenhum outra na história da humanidade em tão pouco tempo,como foram a Telefonia Celular e a Internet. Com esta visão eles concentraram todo seu aporte na Nokia, com incentivos fiscais, ajuda logística e científica e transformou-a na empresa que todos nós conhecemos e admiramos, no caso onde governo e iniciativa privada, mudaram a realidade
de um país e de um povo em tão pouco tempo. Hoje a Finlândia e a Nokia são sinônimos de tecnologia, inovação, modernidade, esquecemos até o quanto é fria a realidade deles, eles estão presentes em praticamente em todo o mundo. Neste aspecto o GSM como padrão majoritário internacionalmente foi fundamental, mas principal lição é esta: O Governo Finlandês apostou no novo e transformou o país.

Samsung – A Coréia do Sul

O segundo caso é o da Samsung, mais precisamente o caso Coréia do Sul, este país dividido, em semi-ocupação, vindo de uma guerra terrível, subjugado seguidamente por vários séculos, ou por ocupação chinesa ou japonesa, consegue finalmente ser "livre", porém logo a seguir mergulha em nova guerra e se divide, surgindo duas Coreias. A do sul entra num modelo de acumulação de capital e desenvolvimento seguindo a "proteção" americana, porém com uma
profunda consciência nacional, de que só com a resolução de suas mazelas (fome, miséria extrema, pais atrasadíssimo, cuja única importância era localização geográfica, nas disputas geopolíticas de outrora), fizeram uma verdadeira revolução. Ao contrário da Finlândia, lá eles não tinham desenvolvimento econômico que pudessem fazer aquela "virada" deles.

Aqui eles construiram passo-a-passo o seu modelo, gastaram todas as suas economias na educação, com suas jornadas de até 10 horas por dia de aula e 300 dias letivos. Os vários governos priorizaram os 10 maiores conglomerados econômicos do país e lá fundiram iniciativas públicas e privadas, para que a Coréia superasse a sua defasagem histórica em pouco mais de 20 anos eles hoje têm uma vida mais digna. Calma pessoal, estou dando o panorama geral
coreano, porque muito nos lembra do nosso, estou chegando no caso Samsung.

Em 1993 houve uma profunda crise nos tigres asiáticos que quase abateu a experiência coreana, após grande ajuste o Governo e iniciativa privada voltam-se para escolher onde investir e com certeza de retorno para o país.

A Samsung é um dos Players eleita para esta nova fase, a empresa passa de apenas produção de manufaturados à grande desenvolvedora de chips e componentes. Sua virada mais significa se dará nas telecomunicações, a ação que o GSM teve para Nokia, o CDMA foi o motor para Samsung, eles rapidamente desenvolveram infraestrutura, e investiram em Aparelhos, com sofisticação e sempre à frente de todos os outros concorrente(CDMA), todo e qualquer novo chipset Qualcomn encontraram vida e função nos aparelhos da Samsung. O design ousado
a inventividade, a tecnologia com olhos no futuro, lembro que 2002 eles colocaram em funcionamento o EVDO(3G modelo americano), antes da copa do mundo, e foi uma jogada de mestre, porque eles foram vistos por todo o mundo como povo inovador, criativo, superando a imagem de produto "segunda linha" do Japão, e hoje com a perspectiva do CDMA (WCDMA, CDMA2000) ser a tecnologia da telefonia obviamente eles estão com um pé à frente.
Brasil: Qual caminho?



Apresentei dois casos apenas para mostrar  que o Brasil pode também mudar sua realidade,nós juntamos num mesmo país características da Finlândia e da Coréia, temos que dar um "salto" para que possamos chegar no mesmo estágio deles, como???

Arriscaria umas 4 áreas de tecnologia de ponta:
  1. Área de Telecomunicações ( TV Digital, Software aplicado);
  2. Área química ( exploração e refino de petróleo);
  3. Área de pesquisas Genéticas ( Projeto Genoma, medicina ortomulecular, células tronco,Biodiversidade);
  4. Área ambiental (novamente a biodiversidade, água potável, turismo ecológico, produção agrícola com                       proteção ambienta)

Por fim vejo que sempre podemos ter lições mais profundas de fenômenos e se tivermos a ousadia de fazer diferente, em 20 anos este será um país muito mais desenvolvido e mais justo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Rearmamento Teórico

Pós-muro de Berlim: a grande melancolia da Esquerda

As imagens da queda do muro de Berlim, mostradas e reprisadas à exaustão foi um baque imenso na Esquerda mundial, havia dois sentimentos nas principais correntes de pensamento:

1)       Estupor: Por parte dos grupos que tinham vínculos históricos político-afetivos com a URSS, em particular correntes Stalinistas e não-trotskistas em geral. Aquele profundo desanimo de repensar a vida e valores morais, culturais, fé e utopia;

2)      Euforia: Por parte das correntes Trotskista, que viram na queda a justeza de que sempre tiveram razão de que lá não era Socialismo e mais ainda que uma nova revolução estava em curso, os trabalhadores não aceitariam à volta do “capitalismo”.

Sabemos as profundas conseqüências deste comportamento. Na parte não-trotskista e stalinista, muitos companheiros se quebraram, moralmente abatidos, era uma paulada atrás da outra, todos os sonhos ruíram de forma rápida e inequívoca, praticamente Todos os projetos de esquerda no mundo foram desarticulados, a vitória histórica foi acachapante.

Do lado trotskista a ficha demorou a cair se é que efetivamente caiu para alguns, de que eles também não teriam público para continuar a revolução, a própria análise de que o leste não era Socialista, mas mesmo assim os trabalhadores de lá não iam aceitar o Capitalismo é uma flagrante contradição.

Houve uma tentativa meio “tateado às cegas” de fazer balanços históricos de se entender o que passara nos 72 anos de URSS, os grandes erros, o que levar de lição da revolução. Porém faltaram “audiência” e disposição moral para ir até o fim.

Na metade dos anos 90 a atomização da esquerda revolucionária era fato, com a integração do PT ao regime, as experiências de PSTU e mais recente PSOL, ainda não tem dimensão de massas e não conseguiram discutir um programa capaz de empolgar o ideário revolucionário. Permanecendo assim o PT ainda dentro de um campo de debates de idéias e suas de experiências de administrações dentro dos marcos burgueses são referência para o conjunto da classe.

Pós-queda de Wall Street: a grande melancolia da Direita

Setembro de 2008 é o marco da queda do castelo Neoliberal, a bancarrota de toda a lógica de acumulação de capital dominante da última do Século XX e a década inicial deste século tem efeito político-ideológico similar à queda do muro de Berlim.

Ruiu a visão de que a História tinha acabado, de que o Estado não era mais necessário, de as organizações coletivas eram peças de museu. Todo arcabouço ideológico foi “triturado” pela crise.

As ações dos frágeis Governos nacionais foram em busca do receituário do passado, ninguém propôs menos estado, por que será? O estado virou a salvação de todos os pecados, aquele mesmo que fora “demonizado” nos áureos tempos Reagan, veio como o Salvador, não deve passar despercebido que a mídia fechou os olhos para esta heresia.

Óbvio que o desmonte feito no Estado em alguns países foi de uma violência tamanha, que nem a possibilidade de uma ação mínima foi tentada. Nações inteiras faliram, exemplos piores na periferia foi México, Argentina e Turquia. Nas economias centrais os seus déficits públicos e endividamento estatal foram ao espaço, noticias de hoje dão conta de que: Grécia, Espanha, Portugal e Itália estão na completa insolvência. Caricato é Dubai ilha artificial da burguesia de mau gosto também faliu.

Hoje lendo o Blog do Luis Nassif me deparei com um artigo do Bresser Pereira e José Luis Oreiro:  “Keynesianismo vulgar e o novo desenvolvimento “(http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/02/05/keynesianismo-vulgar-e-novo-desenvolvimentismo/) que me chamou a atenção para o fato de que a Direita está sem rumo, não sabe em que se pegar, revive velhas políticas, está parecida conosco nos anos 90, a diferença é que não alternativa ao Neoliberalismo nem à Esquerda nem à Direita.

Interessante debate, mas buraco é mais embaixo, no post anterior do Blog "Apogeu e queda do Neoliberalismo" (http://arnobiorocha.wordpress.com/2010/02/04/apogeu-e-queda-do-neoliberalismo/ ) busquei mostrar que, assim como a Esquerda ficou desarmada pós-muro, vejo que a Direita agora está sem terra sob os seus pés.A saída da esquerda foi buscar seus teóricos(Marx,Lenin) agora a Direita busca keynes assombradamente, como uma miragem.



Um novo debate de projeto de mundo

Este jogo de projetos alternativos volta ao mundo depois de 19 anos de massacre e pensamento único, a Direita tinha seu projeto e era incontestável, hoje ela não tem projeto, apenas administra (mal e porcamente) a crise gigantesca, mas ainda não achou um novo cabedal político e ideológico a ancorar.

A esquerda na sua longa crise letargia ainda não forjou um novo paradigma na luta contra o capital, aqueles(trostkistas) que achavam que a revolução se abria não conseguiu encontrar seus "novos/velhos Soviets" nem a Direita achará seu "Estado de Bem estar Social".

A questão é complexa para os dois lados, buscar teoria já testada é necessário, porém mundo não é o mesmo de 1917 e nem anos pós-guerra. Este é desafio da Direita e o nosso da Esquerda: entender o mundo parece secundário, mas ambos (direita e esquerda) dão respostas com receituário velho para novas doenças. Agora empatamos o jogo, estamos sem armas e certezas absolutas

Claro que a situação é melhor já não sofremos o massacre político-ideológico destes últimos 20 anos, mas também não nos conforta saber que fomos incapazes de repensar nossos conceitos, nem o velho Marx conseguimos entender. Neste tempo todo não termos feito nada de concreto, alternativo, apenas resistir é muito pouco.

A Direita tem tempo, dinheiro, quadros, controle da conjuntura para se repensar, cooptar alguns dos nossos, torná-los dóceis e usáveis, mas não demonstrou nada global que substitua o modelo Reagan.

É um mundo novo cheio de significados e mistérios, propício às novas idéias será que somos capazes de conquistá-lo?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Apogeu e queda do Neoliberalismo

Mistificação de Números da Crise Mundial



Apogeu e queda do Neoliberalismo

A grande crise que estourou no mundo em Setembro de 2008 ainda repercute gravemente na Economia, na Política e claro na vida do cidadão comum. A maior conseqüência sem dúvida foi que o canto do cisne soou alto para a visão Neoliberal de mundo.

Rebobinando a fita, lembremos que antes do dia 15 de Setembro de 2008 fomos massacrados por 20 anos de ofensiva ideológica neoliberal, não havia qualquer possibilidade de “tatear” um contexto de ação econômica ou política fora desta ordem. Mesmo governos claramente identificados com políticas de esquerda sucumbiram ao marasmo deste Tsunami interminável. Nunca uma ideologia capitalista perdurou tanto como esta Neoliberal, que teve seu inicio com a derrota dos mineiros ingleses no Governo Thatcher, amplificado por 8 anos Reagan, que culminou com a queda do muro de Berlim, 30 anos ao todo,sendo os últimos 19 anos(89 a 2008) sem qualquer combate global ideológico.

Particularmente a defensiva política pela qual passamos com a queda do muro de Berlim, desarmou a esquerda ideológica que foi reduzida a pequenos círculos sem efetivo contato e produção política que oferecesse qualquer combate sistemático e global ao neoliberalismo. Em todos os campos sociais e políticos. A situação ficou tão ruim que Francis Fukuyama chegou a prever o fim da “história”.



Massacre Midiático

Grosso modo a perspectiva Neoliberal tinha os seguintes comandos lógicos:

1)       Fim da intervenção do Estado na economia;

2)      Estado apenas regula as disputas econômicas;

3)       Diminuição dos direitos sociais, fim da previdência pública e sistema de saúde privado;

4)      Fim da educação pública gratuita, prestação do serviço por entidades privadas;

5)      Sindicatos apenas “formais”, sendo diluído aos interesses das empresas privadas;

6)      Representação pública sem qualquer poder decisório, poder apenas formal, o real fica com as grandes corporações;

7)      Poder executivo vira uma espécie de tecnocrata que representa formalmente os interesses “nacionais”;

8)      Poder Judiciário capturado pelas demandas privadas, legalista e sem preocupação coletiva, no limite: apenas legitimar os interesses privados;

9)      Ideologia do extremo individualismo, “só apenas você interessa”, o importante é seus status e nenhum compromisso social;

10)   Qualquer iniciativa coletiva é tolhida, taxada de atitude velha e ultrapassada;

11)    História é apenas a nomeação de fatos isolados e datados, sem vinculação de classes e poder;

12)   Consumismo desenfreado, culto ao corpo, ao modismo, relações pessoais apenas as de interesse;

Os arautos midiáticos nos lobomotizaram longamente, reações esporádicas de vozes isoladas foram caladas, intelectuais identificados com a esquerda foram seletivamente ou cooptados ou jogados no limbo, as noções mínimas de jornalismo foram abandonadas.

Nas escolas e universidades a ideologia e o culto ao individualismo é a norma do dia, a necessida de de  que o importante é se dar bem, nem a mínima ética foi respeitada, percebe-se isto claramente no ambiente de trabalho em que colegas recém saídos das escolas com seus MBAs  chegam pisando em qualquer um, pois o objetivo é “crescer”.

A queda do muro de Wall Street

A lógica de produzir fortunas a qualquer custo, em particular as alavancagens bancárias, foram criando ondas especulativas em a “riqueza virtual” superava em até 10 vezes a riqueza real. A necessidade crescente de guerras e conflitos para revigorar a produção de capital a emissão de moedas e o endividamento do USA, combinado com a inversão de fluxo de capital dos países periféricos para o centro criou o caldo de cultura para a futura crise.

A redistribuição da produção, privilegiando China e Índia, com a visão de barateamento ao extremo dos custos, leva conseqüentemente à desindustrialização dos grandes centros, começa um ciclo de sobrevivência das famílias através de empréstimos bancários cada vez mais “generosos”, uma bolha de consumo nunca vista na história ameaça todo o sistema. Grandes corporações americanas passam a ter mais “lucros” com atividades interbancárias de empréstimos do que com o produto vendido, caso exemplar da GM, Ford.

Os bancos como bombeadores do sistema com seus imensos créditos sem lastro vão à bancarrota de forma inacreditável, no espaço de 45 dias as maiores instituições bancárias do mundo falem sincronizadamente.

Socorro neoliberal pelo Velho ESTADO

Seria cômico se não fosse trágico, mas o Estado vilipendiado pelo neoliberalismo virou o socorro às estas almas carentes de fé na sua ideologia, todas as práticas e discursos foram esquecidos e como na música do Chico a fila para Geni salvar tinham todos os personagens.

Em poucos dias o USA elegeu Obama, quase 30% da economia americana foi formalmente estatizada, no quadro abaixo publicado por Celso Ming no Estadão no dia 31/01/2010 mostra claramente o esforço estatal nos países centrais, para salvar a economia:







A dívida líquida e o déficit público as jóias da coroa neoliberal foram enfiadas no saco, a prova cabal de que a ideologia e a política não resistem a dinâmica de crise econômica produzida pelo capital.

O Brasil e o neoliberalismo

Limitarei a falar sobre o período Lula, pois é mais que evidente que Collor/Itamar e mais ainda FHC abraçaram felizes o Neoliberalismo sem menor divergência com suas diretrizes.

Como falamos acima nenhum projeto político ficou imune a lógica Neoliberal, o do PT de Lula se adaptou a este mundo, mas por uma condição particular de extrema miséria e às doses cavalares do receituário neoliberal aplicados aqui, já se começava a gestar iniciativas tímidas de tentativas de fazer algo diferente à política dominante.

Dois fatores, para mim foram fundamentais:

1)       Diminuição da dependência americana, busca de novos parceiros comerciais;

2)      Rompimento com a política de privatizações, que preservou o Banco do Brasil a CEF e a Petrobras;

Mesmo sob críticas ferozes Lula buscou desde 2003 remar lentamente contra a maré, fez um excelente política externa coordenada por Celso Amorim, aproximando da China, da África e uma aliança estratégica com a Europa, em particular com a França.

Impulsionou o G20 grupo que passou a ter voz ativa na OMC e fazer frente às demandas  dos países centrais de maior exploração dos recursos destas nações e imposição de seus interesses de privatização e invasão de seus produtos.

A segunda política, a de parar as privatizações salvou um pouco do patrimônio público e deu margem de manobra para impulsionar uma política de desenvolvimento incentivado pelo Estado.

A Petrobrás que quase fora privatizada por US$ 3 bilhões em 1999, em janeiro 2003 tinha seu patrimônio em US$ 20 Bilhões, em janeiro de 2010 ela vale US$ 200 Bilhões e movimenta cerca de 10% do PIB, sendo hoje a quarta maior petroleira do mundo. Os ganhos do Pré-Sal podem definitivamente tirar o Brasil da miséria endêmica.

O Brasil e a grande crise

Aos primeiros sinais da crise Lula, falou que ela seria uma “marolinha”, quase foi massacrado pela mídia e seus acólitos no parlamento. Porém ele jogou todo seu patrimônio político no combate a crise, enfrentou-a de peito aberto, com o significativo pronunciamento no natal de 2008.

Lula jogou todas as suas forças e recursos do Estado para que o Brasil fosse pouco atingido pelos efeitos da crise, importante lembrar os coveiros (Miriam Leitão, Sardenberg, PSDB e DEM) que torciam entusiasmados com a possibilidade de derrotar o governo, todo dia eles comemoravam um n;úmero ruim que saiam, em abril chegaram a dizer que o desemprego iria explodir em 2009, que a geração de novos empregos seriam nulas. No parlamento a ‘“marolinha” era motivo de chacota, os programas eleitorais do DEM/PSDB/PPS repetiam as piadas sobre a crise.

Logo em junho a situação se reverteu, o pior passara, o crescimento seria ZERO, mas o mundo todo em média seria de -4%, ou seja estávamos no Lucro. A previsão de geração de emprego foi de 1 milhão.

Lula passou a ser visto no mundo como o “CARA” nas palavras de Obama, sua rapidez de agir, firmeza e principalmente a confiança de que só nós podíamos vencer a crise convenceu a população de que era possível.

A mídia e os resultados de 2009

Olhando a tabela acima sobre os números da economia mundial e comparando com os do Brasil abaixo:

Dívida Publica x PIB

Em Dez/2008 = 37,3 % do

Em Dez/2009 = 42,96%

Supervit da Contas Públicas X PIB

Em 1999 = 3,26%

Em 2000 = 3,46%

Em 2001 = 3,64%

Em 2002 = 3,89%

Em 2003 = 4,32%

Em 2005 = 4,85%

Em 2008 = 3,54%

Em 2009 = 2,06

Mesmo com toda crise nossos números são extremamente favoráveis, mas lógico que donas Miriam, Sardenberg da vida e PSDB/DEM acham que estamos no casos pois geramos so 995 mil empregos(5 mil a menos do que previsto), que nossa dívida publica aumento e o superávit caiu.

Como há muitos incautos é bom comparar com o mundo e ver o porquê Lula foi agraciado em Davos e nossos brilhantes “economistas”(não seria apenas torcedores?) não entendem nada de nada. Ademais a oposição entra em pânico ante os números das pesquisas.

Vendo isto hoje, vejo que  precisamos urgente de um filme “Adeus, Reagan”, duro é saber quem faria o papel da velhinha Neoliberal, sugestões?

domingo, 10 de janeiro de 2010

Educação:Ensino Técnico - Lula X FHC

Lula e as mudanças que não se enxergam

Devemos lembrar-nos do ano de 2002, para entendermos o Governo Lula e o exato contexto de mudanças:

Situação Política e Econômica pré Lula:
  1. Janeiro de 1999 uma desastrada maxi-desavalorização do real elevou de 1, 12 para 2,17 em apenas uma semana;
  2. O governo privatista FHC se esgotou em 15 dias após a posse;
  3. Os três anos seguintes foram de extrema letargia, baixo crescimento e todos os “ganhos” das grandes privatizações foram consumidos no imenso déficit das contas públicas;
  4. Iniciado o ano da sucessão a oposição comandada por Lula era amplamente favorita;
  5. Apesar da melhoria da economia em 2001 o governo politicamente estava derrotado;
  6. Abril de 2002 o Dólar estava no cambio flutuante no valor de R$ 2,32. O risco país em torno de 800 pontos (dados do BC);
  7. A candidatura governista e da imprensa e dos empresários o Sr José Serra não alça vôo é uma candidatura que ruma ao fracasso;
  8. Em meados de abril/2002 o Sr Luiz Fernando Figueiredo Diretor de Política Monetária do Banco Central modifica a política de prefixação de rendimentos dos fundos de investimentos. Antecipando os vencimentos dos títulos públicos fixados em dólar;
  9. A medida, aparentemente técnica, na verdade revela-se uma tentativa de golpear a oposição, pois com ela todos os índices econômicos são alterados radicalmente;
  10. Em um mês o dólar salta pra três reais, o risco país vai a 1500 pontos. A imprensa pró-FHC e seu candidato espalham boatos que a culpa deste desarranjo é a expectativa de Lula ser Presidente;
  11. Este clima de terror eleitoral foi maligno para o país entre o primeiro e o segundo turno o dólar chegará a 4,04 e o risco pais a 2500 pontos, o IGPM que remunera alugueis e tarifas publicas vai a 30%;

Lula recebe a "herança maldita"

O país acaba pedindo 25 bilhões de dólar ao FMI em Dezembro de 2002 e aumenta a taxa de juros para 23,5% ao ano. O novo governo tem de lidar com um país saqueado, política de terra arrasada.

Todos os planos de mudanças urgentes e estruturais serão adiados, pois se precisa primeiro não deixar o país falir de vez. Todo o esforço de Lula foi convencer aos empresários e investidores estrangeiros que ele não porá fogo ao país, não dará calote, não deixará de cumprir os contratos mesmo àqueles que foram draconianamente elaborados.
"herança maldita" na Educação



Óbvio que em todos os setores foram sacrificados, os ministérios sociais (Saúde, Educação) não ficaram imunes a este tempo bicudo. A educação foi entregue ao Sr. Cristovam Buarque, conhecido como grande produtor de idéias, mas se revela um gestor ineficaz, que mesmo com as restrições impostas pela política de poucos recursos foi incapaz de inovar na gestão.Sua gestão foi marcada praticamente uma continuidade da desastrosa gestão Paulo Renato, talvez o pior Ministro da Educação do Brasil.

Pouco também diferiu a gestão “tampão” de Tarso Genro, uma acomodação política às forças governamentais.

Fernando Haddad o grande salto

A grande mudança no governo Lula em relação à educação dar-se-á na gestão Haddad.

Seu grande mérito é a valorização da Educação pública de qualidade, em contraposição as políticas de diminuição da presença do estado na educação, com a imensa profusão de faculdades particulares.

O desmonte das universidades e escolas técnicas foi visível, o fechamento de concurso para contratação de novos professores, servidores, diminuição de vagas de novos alunos, a desmotivação por salários que ficaram oito anos sem reajuste, a defasagem de equipamentos quase levaram a total falência destes centros de educação.

Desde 1998, no auge das privatizações o Sr Paulo Renato intui que poderia dar o golpe fatal na educação federal proibindo a criação de novas escolas técnica e centro tecnológicos, numa visão de que a estadualização e municipalização cobririam este vácuo, mas no fundo a idéia era que a iniciativa privada, assim como nas universidades particulares que proliferavam, também cuidaria de abrir estas escolas. Provou-se infrutífera esta tentativa e as conseqüências é a falta desta mão de obra qualificada altamente necessária a economia de um país que pretende desenvolver-se.

O novo modelo de desenvolvimento experimentado iniciado em 2005 revelou a grande defasagem da formação técnica no Brasil virou uma contradição que no momento que o país passa a crescer de forma consistente tem-se a falta de profissionais, em particular os de nível médio.

A firme decisão de investir em novas escolas e centro tecnológicos está mudando um pouco esta realidade, porém ainda há muito há o que se fazer, pois a educação de base ainda é muito ruim, os novos esforços de melhorar a qualificação dos professores, bem como a conquista de um piso nacional salarial mais digno é o começo desta virada.

Sem dúvida há uma política diferenciada em relação ao governo anterior:

Governo anterior

a)                 Visão privatista;

b)                 Privilegiava a iniciativa privada;

c)                  Desmonte da educação federal de referência;

d)                 Qualidade medida sob parâmetros de Mercado;

e)                 Desvalorização do funcionário publico;

Governo atual

I)                     Visão Pública

II)                  Privilegiar a educação publica;

III)                 Novas escolas e universidades federais;

IV)                Revalorização dos funcionários públicos;

V)                   Qualidade medida sob parâmetros sociais;

Problemas comuns

A lógica do mercado capturou muitos gestores públicos levando a uma falsa visão de que o que é público é ruim, de péssima qualidade, criando uma baixa auto-estima terrível e uma condição de debate político e ideológico extremamente desfavorável.

Agora com a queda do “muro” de Wall Streat, abre-se uma vaga para uma discussão mais justa sobre gestão pública x gestão privada.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Prometeu Acorrentado - Resenha e Análise

O Prometeu Acorrentado

Ésquilo




Tema: Tragédia. Traição. Autoritarismo e Esperança

Resumo: O Titã Prometeu, ajudou  Zeus a subir ao Trono dos deuses, porém será traído por Zeus quer destruir a humanidade.

Passado Anterior (Titanomaquia)


Com a velhice Cronos, Deus dos Deuses primevos, avisado que será destronado por um de seus filhos, ele passa a devorá-los, Zeus o mais novo com a ajuda da mãe Réia consegue sobreviver. Com o passar dos anos o jovem Zeus cresce longe dos olhos paternos e cumprindo seu destino, liberta seus irmãos e tios Titãs e  começa uma luta contra seu pai, ajudado princpalmente por Prome teu, depois de renhida luta consegue aprisionar Cronos no interior dos montes Cáucaso. Porém Zeus ao se tornar Senhor absoluto do Olimpo planeja aniquilar com a humanidade terrestre. Eis que Prometeu o desaconse lha e não sendo ouvido por Zeus, rouba-lhe o fogo e dá aos humanos o acesso a Ciência, a matemática, as letras e os ensina a serem senhores da natureza. Zeus irritado manda que Hefesto, O Deus ferreiro prenda Prometeu em um rochedo onde ele não possa se soltar.


O Livro




Começa justamente quando Hefesto prepara correntes para prender Prometeu seu irmão, o Deus ferreiro vacila, se o prende ou não. Porém, o poder e a violência o obrigam que cumpra a missão de Zeus. Já preso,  Prometeu recebe solidariedade do Deus Oceano, que se propõe a pedir pela sua soltura, Prometeu recusa, sabendo que Zeus não o perdoará, nem a ele e nem a Oceano por defendê-lo.

No seu martírio, Prometeu recebe ainda a visita de Io, uma linda jovem por quem Zeus, se apaixonara, sendo ela castigada por Hera, a mulher de Zeus. Io vive mudando de pais sendo perseguida e molestada por uma espécie de besouro, que não a deixa ficar em qualquer lugar. A conversa entre Io e Prometeu é uma das passagens mais belas da literatura vitima do poder tirano eles se lamentam, mas ainda tem esperança

Por fim o diálogo entre o Prometeu e Hermes, que fora enviado por Zeus. Este debate é fundamental para ver o combate de idéias e ideais, entre a liberdade de falar de prometeu, mesmo preso ao rochedo e o aprisionamento da liberdade de quem está solto (Hermes). São trechos maravilhosos em que Prometeu rechaça qualquer aliança com Zeus e prediz o fim do próprio tirano.

Pequeno Comentário

Este livro é muito pequeno, com cerca de vinte e poucas folhas, mas se constitui em grandioso no combate ao autoritarismo, na necessidade em ser firme naquilo em que se pensa, no caráter libertador, pois mesmo Prometeu preso, sua mente não cede diante da tortura do tirano. É uma aula de prática, mesmo sozinho a esperança de que seu ideal será alcançado e de que sua teses são justas. Não ceder em seus princípios e ir até ao fim naquilo em que se acredita.

Segue o Link do Livro para ler em PDF


Sobre Ésquilo


Poeta grego. Viveu por volta de quatrocentos e oitenta A.C. É um dos precursores da tragédia grega. São poucos os livros dele que chega ram até nós. Muitos dos seus escritos se perderam por completo, outras apenas partes. Temos acesso aos seguintes: a TRILOGIA DE ORESTES e o PROMETEU - que é uma trilogia, mas que se conhece apenas o primeiro volume.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Teogonia x Tecnologia

Deuses Primevos



A grande Teogonia Grega pode ser grosso modo, dividida em dois momentos bastante distintos a fase um, que tem a haver com a criação propriamente dita: Caos, Terra (de amplos seios), Tártaro e Eros, são deuses primevos, vinculados a idéia de forças da natureza, nada elaborado, crus, com a força bruta e sem grandes elaborações estéticas e intelectuais. Ainda desta primeira geração temos, Cronos, os Titãs, o Mar, a Noite e a mais elaborada das criações desta fase, Afrodite. A segunda fase é a consolidação dos novos deuses, que conquistaram o Olimpo e farão de Zeus, seu soberano, aqui esta nova geração luta contra a anterior e domina a "Natureza", e já constrói para si morada e têm um modo de vida já mais elaborado, intelectualmente superior e esteticamente lançará bases de toda cultura ocidental. Também aqui teremos duas fases internas bem definidas do ponto de vista estético e intelectual: a fase Apolínea e a Dionisíaca.



Apolo




Obviamente que cada "tempo" corresponde ao grau de desenvolvimento do mundo grego, a geração primeira são as fabulosas criações do homem que se fixa na terra e tenta entender os fenômenos a ela associados: as estações do ano, a terra "grávida", a época da colheita, as lutas ferozes com animais selvagens, a luta pela vida, ou seja, os sentimentos mais elementares se refletem diretamente nos deuses por eles cultivados. A segunda geração vem justamente do domínio da natureza hostil e vencida esta batalha novos desejos objetivos e subjetivos surgem, o tempo outrora gasto para fugir dos males que os atingia, hoje se gastará com coisas mais criativas, como: construção de cidades, esgotos, sistemas de água, armas de guerras mais sofisticadas, a ciência mais elaborada, a experimentação, o cálculo matemático, a nomeação das estrelas, a construção de casas melhores e maiores, os templos, as belíssimas estátuas, vasos, os códigos rudes e leis e justiça, os governos ditatoriais, esta é a fase Apolínea, do Deus Apolo, o grande engenheiro, arquiteto, matemático, o moralista e justiceiro autoritário, a fase do pensamento exato e calculado.

Dionísio




Entramos enfim no apogeu grego com o advento do "ócio criativo", todas as conquistas do período Apolíneo se refletirão no surgimento da alta cultura, que é consolidada com a fase Dionisíaca, que terá na filosofia, no pensamento elaborado, no Teatro trágico e orgiástico, o grande Ditirambo, e seus mistérios, sua cártase, seu êxtase, o novo padrão de cultura e liberdade. Na fase Dionisíaca já não temos o poder das curvas e formas exatas, mas a ampla liberdade de criar esteticamente livre, a adoção da democracia, dos códigos de leis mais justos, dos debates públicos é que muitos chamam da cultura Dionísio, o Deus da Festa, do mel, vinho, e líquidos. Com Dioniso teremos a consolidação do poder da imagem, da linguagem, da beleza, da comunicação de massa, o apogeu da cultura grega, a preocupação de formar ideologia e sem dúvida até hoje bebemos daquela infindável fonte.

Educação Formal


Alguns devem ter desistido de ler, o que é uma pena, mas àqueles que perseveraram, vem o elo com o presente e o futuro, lógico no meu ponto de vista, tudo que escrevi acima é uma reflexão e uma metáfora que construi para simbolizar o que somos hoje, nós que trabalhamos com engenharia e tecnologia. Tudo o que não sabíamos e construímos no pós-guerra (o Caos, a Terra, o Tártaro e Eros), passando pelo surgimento da moderna Engenharia e Ciência (Apolo) vem desembocar no hoje livre, democrático, criativo, linguagem cifrada (Marketing e Inovação)

Será que nós, que fomos educados na cultura Apolínea, já demos nossa virada? Nossas cabeças estão prontas a aceitar a nova estética? Será que nosso desemprego ou subemprego é por que não nos adaptamos aos novos tempos? Sem dúvida não é uma questão de idade, basta lembrar que Eurípedes tinha mais de 40 anos quando escreveu "As Bacantes", e é nela que temos o principal rito dionisíaco, ou seja, os fundamentos da modernidade grega.

Para mim, nunca tivemos tantas chances de fazer tanto como agora, parece louco o que estou escrevendo, mas é que o resultado de toda esta contradição que vivemos (desemprego x Inovação, Marketing x Engenharia) é um profundo processo criativo, informativo, qualidade de vida, estético. Nunca na história tivemos tantas oportunidades de construirmos um mundo melhor como agora, o que nos falta? Começar a fazer… A única coisa que devemos consolidar neste momento é nosso compromisso com a ética (nos negócios, na política, na vida privada), a solidariedade (construir um mundo melhor para si e para todos) e igualdade (para ser justo temos que ter direitos iguais e acesso ao direito igualmente). Com este três valores, com a gama de informação, com nossa inteligência vamos mudar o mundo, primeiro mudando nossa vida, estudando, debatendo, ouvindo, ensinando e aprendendo.

Análise de Ilíada/Odisséia - Visão Política

Depois de publicar os apontamentos dos meus resumos da Ilíada e da Odisséia sou instado a tentar analisar o significado destas obras. Aqui começa a grande dificuldade: a multiplicidade de visões que as obras apontam. Tentarei cercar , didaticamente em 3 visões, que se interpolam: Política, Educação e Psicologia.

A visão de Educação, está diretamente ligada a monumental obra de Werner Jaeger, a Paidéia. A visão Psicológica meu guia será o Junguiano Junito de Souza Brandão e suas obras sobre Mitologia Grega e Romana. As observações políticas fazem parte de uma junção de leitura e estudos pessoais que tentam extrair lições próprias destes livros.

A dimensão Política


Cidades Estados em busca de Estado Nacional

As cidades gregas, denomição genérica dada aos povos que habitavam a região dos balcãs, em particular sua parte sul, se constituiu das várias migrações tanto européias quanto asiáticas. Vários povos formaram estas cidades e trouxeram seus valores e culturas, mas não havia uma identidade "nacional" até aproximadamente o Século IX  e VIII A.C.

Estas cidades formadas por tribos de genes comuns, com economia baseada na agropecuária com mão de obra escrava, conquistados em pequenas guerras regionais ou tribais, suas instituições políticas vão se sofisticar paulatinamente nos séculos seguinte e serão referência de exercício de poder democrático.

Com o predomínio dos Dórios começa lentamente a se ter um maior e mais intenso contato entre estas cidades estados, sem dúvida o comércio e trocas entre elas ajudou a aproxima-las, neste aspecto a religião com seus deuses comuns ajudam a formar uma identidade comum. Mesmo assim elas permanecem "autônomas".

A Ilíada nos traz o pano de fundo da Guerra Internacional os povos "gregos" em coalizão invadem a Capadócia. Esta união nacional é germe do estado grego confederado, os chefes locais unem-se aparentemente para defender um dos seus que havia sido ultrajado pelo estrangeiro que roubara-lhe a esposa(rapto ou sedução de Helena por Páris, príncipe troiano).

Cada povo representado na armada grega tem seu príncipe como instância máxima de poder decisório. Os doze principais reunidos têm em Agamenon seu comandante em chefe, mesmo ele não tem todo o poder para si as principais decisões são amplamente decididas pelo colegiado dos príncipes.

A questão da guerra, muito além do rapto é a tentativa de formatar o Pan-helenismo o estado nacional grego, o combate é a forma mais rápida e eficaz de dar unidade a esta idéia. O próprio funcionamento dos órgãos decisórios também demonstra a futura formação política do estado grego.

A poesia de Ilíada e Odisséia está carregada de ideologia política, de leis, códigos, que escritas ou não serão seguidos por todos, a coerção, o caráter obrigatório que elas assumiram. Estas cidades estados, com suas leis locais, vão se moldando ao "espírito grego nacional", as principais cidades, Atenas e Esparta darão a dinâmica político-militar ao estado grego.

Esta inovação marcará definitivamente a história ocidental, desta fonte original primeiro beberão os Romanos, quando da formação política do seu estado, que em muito ultrapassará o grego por seu caráter imperialista. Este caráter, se inspirará em Alexandre Magno, o Macedônio, que conquista a Grécia, e eu seu nome se expande ao Oriente, sem no entanto reter este império.

As instituições políticas, as assembléias, as leis de estado, a democracia é o legado grego para o ocidente. Todas estas questões estão presentes nas duas obras.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Odisséia - Resumo

Odisséia




Autor: Possivelmente Homero

Resumo: Retorno do Herói Grego Odisseus  à Grécia, após sua participação na Guerra de Tróia

Acontecimentos anteriores

Após a morte de Heitor e Aquiles, os maiores expoentes da Guerra de Tróia, depois de 10 anos de cerco grego, há um grande impasse na armada grega, muitos homens já cansados da guerra e longe de suas casas, sem perspectiva de queda das muralhas invencíveis de Tróia, querem o retorno imediato. Odisseus e Diomendes tem a idéia genial de ludibriar os troianos dando-lhes o famoso "presente de grego", o Cavalo de Tróia. Com o sucesso no invento, destruída a cidade e em posse de seus espólios de guerra, começa o retorno à Grécia.


O Livro




Telamaquia


A história começa com o filho de Odisseus, o jovem Telâmaco indo aos reinos vizinhos à Ítaca, Pilio e Lacedomia, para saber notícias do de seu pai que decorrido quase 10 anos do fim da guerra ainda não voltara para casa. Também vai pedira ajuda aos reis amigos pois seu palácio fora invadido por 108 pretendentes à mão de Penélope, pois passado 20 anos ela deveria casar-se novamente e Ítaca deveria ter um novo rei.(esta parte do canto I a V, é conhecida como Telamaquia e parece desconectada da história em geral,provavelmente escrita por outro autor, mas inserida como parte da Odisséia)

Neste momento, apartir do cantoVI, Odisseus consegue finalmente  sair de Ogígia numa pequena jangada, que infelizmente naufraga e ele acaba no reino do Feácios, salvo por uma filha do Rei Alcinoo ele não se revela, apenas na presença do Aedo Demodoco (Homero representado por si), quando este começa cantar as aventuras dos gregos em Tróia. Emocionado Odisseus se revela e passa a narrar todas as suas desventuras até o último naufrágio.


Aedo Demodoco


Conta que após o saque de Tróia ele foi amaldiçoado pelo deuses por sua artimanha em criar o cavalo, um embuste imperdoável. Para complicar ele furou o olho do Gigante Cíclope, Polifemo, filho de Poseidon, senhor dos mares, que por vigança faz com que as naves  de Odisseus naufraguem, apenas ele sobrevive.

Circe e Calipso


(Circe)


(calipso)

Ele fica um ano ao lado da Ninfa Circe e só depois de visitar o Hades, e saber por Tirésias do que tem fazer é que ele parte de volta na viagem. Ele consegue sobreviver ao canto das Sereias, a passagem dos monstros marinhos, mas Poseidon o persegue, ele acaba indo parar na Ilha de Hélio, seus marinheiros o desobedecem e matam as vacas do deus Sol, o castigo é que ao embarcarem ele voltam a naufrgar, Odisseus sobrevive e passa a viver com a musa Calipso, ficando com ela por volta de 7 anos.


(Odisseus e as Sereias)


Angustiado com o sofrimento do amado, Calipso pede a Palas Atena que liberte Odisseus do seu castigo, ele é finalmente enviado a Ítaca numa janganda, mas Poseidon ainda o persegue e ele acaba ali no reino dos feácios.


A volta a Ítaca


A última parte relata a sua chegada a Ítaca, seu palácio invadido pelos pretendentes à mão de Penélope, Odisseus disfarça-se de velho e entra no palácio finalmente. A pressão sob Penélope torna-se insuportável e os pretendentes exigem que ela escolha um entre eles imediatamente. A solução encontrada foi simples, aquele que conseguisse disparar com o arco de Odisseus seria o escolhido.

Um a um dos pretendentes foram tentando curvar o arco, até que o "velho" pede para tentar, foi motivo de troça, mas deixam-no, para surpresa geral ele manipula o arco e com a ajuda de Telemaco mata a todos os pretendente.

Depois de 20 anos, 10 de ida e 10 de volta, Odisseus finalmente retoma o trono de Ítaca ao lado de Penélope, que lhe fora fiel neste longo tempo.