quarta-feira, 21 de julho de 2010

Os doze trabalhos de Hércules,digo Serra







Depois de ler sobre tantas coisas “by Serra” resolvi pesquisar no Google e na imprensa isenta do Brasil e descobri a imensa e imortal obra deste cidadão, espanta-me sua modéstia em querer ser apenas Presidente do Brasil, com tão vasto currículo o céu não seria o limite, senão vejamos:

1) Criou e idealizou as Pirâmides do Egito, o Pathernon, os templos Maias;

2) Ensinou: Lógica, Álgebra aos filósofos gregos,alunos diretos - Sócrates,Platão e Aristóteles;

3) Preparou e treinou nas artes das guerras e política: Alexandre Magno e Júlio César;

4) Anunciou a vinda de Jesus a Maria e deu umas aulinhas de milagres ao infante,inclusive aquela parte de andar sobre as águas;

5) Derrubou o Império Romano, sozinho;

6) Foi o grande mecenas do Renascentismo e dava aulas a Dante,Galileu,Da Vinci, deixando que estes assinasse as obras,mesmo sendo TODAS by Serra;

7) Em Portugal fundou a escola de Sagres e incentivou a construção de caravelas, conheceu um tal Camões e por amizade deu os originais dos "Lusíadas"(by Serra,claro);

8 ) Para comprovar o funcionamento das caravelas veio ensinando a Cabral como chegar ao Brasil celebrou a primeira missa e ainda converteu o primeiro Indio,não era o "Da Costa";

9) Criou as capitanias hereditária, descobriu a cana de açúcar, comercializou o Pau Brasil e descobriu o Ouro;

10) Foi a maior figura imperial,tendo atuação destacada no parlamento, são de sua modesta lavras:lei do ventre livre,dos Sexagenários e por fim a lei Áurea;

11) Fez de tudo na República: deu aulas ao Rui Barbosa,ensinou política externa ao Rio Branco, deu a Getúlio os projetos: CLT, CSN, Petrobrás. Foi dele a idéia de construir Brasília cedida à JK. Por fim deu umas viajadas ,mas voltou firme ao Brasil criando e doutrinando figuras de proa do tucanato, suas crias: FHC, Montoro, Covas. E não satisfeito criou o capítulo dos direitos sociais da CF de 1988. Fez os genéricos, o real e criou o Governo Lula;

12) Por fim cunhou a maior das frase para afastar qualquer questionamento: "o Trololó Petista"

Cheguei a conclusão que tudo foi :Serra que fez, papai quero meu DNA

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ser ou não ser...pequena reflexão sobre nós mesmos

I -  Cronos de curvo pensar: A força da natureza



Na teogonia Grega, Cronos de “curvo pensar” numa ação refletida decepa o pênis do pai maldito, Urano, o pai do céu, tomando-lhe o poder, tornando-se o senhor dos deuses. Ao decepar pênis este se ejacula e no mar nascem as ondas e no meio destas Afrodite, que em grego significa “amor-do-pênis”.


De um mesmo ato, psicologicamente, Cronos livra-se da opressão paterna, sucedendo-o simbolicamente com a nova energia criadora que se estabelece e ainda dar, no âmbito da psique, a separação do amor fraternal, representado por Eros, e o amor sexual, agora personificado em Afrodite.

Este deus(Cronos), ou homem desta época histórica é ligado à fúria à força da natureza primeva, desprovido de sofisticação, toda as suas demandas são revolvidas pelo ethos da hybris. Medir forças e o mais forte vencer é uma imposição da natureza adversa em que se vivia, não havia tempo para reflexões filosóficas da necessidade de mediar à disputa de forma a debater-se e decidir-se de forma pacífica os conflitos. Mais ainda a definição daquele que deve liderar o grupo não pode haver dúvida de seu poder, inclusive o sexual de dar a reprodução não apenas às mulheres, mas o exemplo à natureza.

II - Hamelet - O príncepe Filósofo



Com Hamelet teremos a oportunidade de acompanhar uma sucessão traumática de duplo caráter, o jovem tem de matar não somente o pai(morto, mas insepulto, um fantasma a lhe assombrar), rei velho, mas também aquele que o matou, seu tio e corrompeu sua mãe.


O duplo fantasma: do pai que lhe exige vingança e do “novo” pai(seu tio Claudio) que lhe exige fidelidade ao seu reinado. Nesta confusão de sentimentos o príncipe filósofo, posto numa rude Dinamarca, solta talvez a mais crua e forte reflexão sobre as dúvidas que mais assolam a alma humana:

“Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes?

Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se.

Morrer.., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando ao fim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos.

É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados?

De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem.…” (ATO III , Cena I)





Muitos de nós conhecemos os trechos iniciais do ..ser ou não ser... Raramente sabemos o momento em que são pronunciadas e as fatais conseqüências. O monólogo dar-se no momento crítico do livro, Hamelet já sabedor de que seu pai fora morto, sabe que seu novo “pai” é o assassino, mas a inação lhe consume e tira este longo debate de seu ser. No fundo o homem que aparece agora é o do renascimento que carrega o saber grego da alta cultura, mas agora é irresoluto, domina sua hybris, mas se revolta por não ser mais primitivo e dar cabo aos seus sofrimentos, que no fundo é o mesmo de Cronos, que de forma simplificada resolveu seus traumas em relação ao pai.

Porém este novo homem, mesmo vivendo na Dinamarca, já não “mata” o pai, ou os pais no caso, de forma literal, a sofisticação lhe impede de um simples ato morte, é mais complexo e sutil, agora ele reflete, pondera, tem medo dos seus atos e de suas conseqüências funestas, mas ao mesmo tempo lhe enche de ódio e revolta não dar cabo a sua angústia. Deste longo debate da consciência moral x consciência primitiva, nascerá o novo homem, que guerreia disputa poder, mas não é mais produto da natureza irracional.

Neste momento de tormenta que passo, lembrei vivamente deste monólogo, foi uma forma que encontrei de voltar a escrever, me abstrair das coisas que vivo intensamente. Estas reflexões que Hamelet fez, martelam na minha cabeça diariamente, tem coisa mais atual do isto?

Aos que querem conhecer mais profundamente a obra segue o link para baixá-la gratuitamente:


As análises mais interessantes que conheço são as de Harold Bloom, ele analisou o Hamelet em duas obras: Shakespeare - A Invenção do HumanoHamlet - Poema Ilimitado.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mundo Novo x Velhos Conflitos

Conflitos externos dos EUA: a tensão necessária



Este texto tenta apenas elencar elementos para entendimento da crescente onda de conflitos e tensões no mundo. Este fato é fundamental para vermos onde o Brasil se localiza na atual conjuntura e que política pode aplicar para este momento. As questões que desejo pontuar são:

1)    Quem realmente manda no Governo Americano Obama ou Hillary?

2)    Quais os desacordos entre eles?

3)    Qual a importância da indústria bélica americana para alavancar o crescimento do país?

4)    Por que é importante manter o tensionamento externo, em particular com o Irã?

5)    Qual papel do Brasil?

Pequeno recuo histórico



1)    Reagan e a vitória neoliberal



O ciclo neoliberal mais forte e ideológico americano deu-se durante o duro governo Reagan, que foi amplamente vitorioso na luta ideológico ao império soviético, como diz  Macbeth depois das revelações das bruxas”tudo que nos parecia sólido sumiu ao ventos como nossos anelos”.

Reagan conseguiu eleger seu vice, Bush Pai, respaldado pela vitória anti-comunista, sem inimigos claros no mundo. A base da economia americana no pós-guerra era a indústria bélica, bilhões de orçamento público era gasto para deter o inimigo vermelho, com seu fim ela em si perderia a razão lógica de existir. Se não havia contraponto no mundo para que manter algo surreal como ela?

Ledo engano, a pretexto de proteger suas posições no Golfo Pérsico, em 1991, Bush invadi o Iraque, seus leiais aliados de combate anti-iraniano. A mal sucedida invasão, do ponto de vista militar, pois não derrubou Sadam Hussein, reanimou a economia, não o suficiente para garantir um segundo mandato a Bush.

2)    Clinton e os anos dourados do neoliberalismo



Uma surpresa total para EUA foi a vitória de Clinton, ex-governador de Arkansas, estado pequeno e secundário nos EUA. Com uma trajetória de militância política em causas sociais, Clinton chega a Casa Branca e lidera por 8 longos anos um dos maiores crescimentos da economia americana, sem que houvesse um grande conflito externo. Favorecido pela liderança única americana no cenário mundial impôs uma política de expansão das empresas e influência americana baseada no dólar e no mercado financeiro.

Caminhava para garantir um terceiro mandato com Al Gore, seu vice, mas foi atingindo pelo escândalos sexuais, a direita americana pudica até uma tentativa de impedimento cogitou, safando-se por muito pouco. Esta perda de confiança fez com que não tivesse a coragem suficiente de enfrentar a fraude da família Bush na Flórida.

3)    Bush Filho a volta dos senhores da guerra



O episódio de vencer, sem ganhar, levou a uma mudança completa de atitude do Governo Americano, que experimentou uma defensiva externa, questionamento e foi atacado pela primeira vez em seu solo. Os episódios do 11 de Setembro de 2001 foi uma dura resposta tardia a presença americana no oriente médio.

Novo recrudescimento interno e externo deu uma nova guerra ao Iraque a família Bush, detentora de petróleo e amplamente financiada pelos lobbies da indústria bélica. O medo extremo imposto ao estilo de vida americano deu ao Bush Filho seu segundo mandato. Este porém foi um fiasco total, atolados numa guerra sem saída, a economia sem responder, foram 4 anos penosos, um novo “inimigo” crescendo silenciosamente(China) a financiar seu crescente déficit fiscal, culmina com um novo quase 11 de Setembro, 15/09, a quebra de todo o sistema financeiro americano.

4)    Obama o herdeiro do império

Obama surge do nada, ganha da favorita Hillary a indicação do Partido Democrata. Uma hipótese pouco cogitada leva um negro à presidência. Vitória de um outsider total. Sem um pé na máquina partidária, dominada pelos Clintons, Obama faz um acordo cruel, entrega a Secretária de Estado, ministério mais importante americano, a sua adversária Hillary.

Enfrentando uma crise sem precedentes, Obama mais ou menos dividiu seu Governo em dois, no front interno liderado por ele, tenta aprovar reformas na saúde e recompor a economia em frangalhos. No front externo entregue a Hillary e os falcões mais reacionários, como boa conhecedora da máquina de guerra, Hillary tem seu desempenho facilitada pelos crescentes conflitos advindo da ampla crise financeira mundial.

A dura visão do Departamento de Estado, dominado pela Direita dos democratas, escolhe seus “inimigos”, o principal deles o Irã, mesmo com o refluxo no Iraque a aventura no oriente médio ainda é prioritária, atende a demanda da indústria bélica, do setor petrolífero, do militares e dos falcões de Israel.

5)    Os novos atores



A crise mundial atingiu em cheio o coração das economias centrais, numa proporção ainda não medida totalmente, o fantasma de que a crise não passou e ameaça mais fica evidente com a quebra seqüencial de Grécia, provavelmente Espanha, Portugal e Irlanda. A Zona do Euro enfraquecia, abriu uma janela para que país como o Brasil com uma política externa agressiva brilhe no cenário mundial.

O mundo mudou rapidamente nestes dois anos, era inimaginável que um país absolutamente secundário no tabuleiro internacional como o Brasil, agora tenha um papel de protagonista, virou uma espécie de terceira via, diante de EUA, com sua visível débâcle e a China de amplo crescimento, sustentáculo da produção de base mundial.

Esta busca por um pólo democrático longe dos impérios pode e deve ser aproveitado pelo Brasil, até o momento tem sido muito bem ocupado este espaço, aparecendo na questão do Irã e sendo referência nas relações com seus parceiros mais pobres tanto na América Latina como na África.

6)    O que pode vir?



Desenha-se um conflito cada vez mais próximo, não com armas, mas com bastantes tensões entre nações como as coréias, conflitos internos fortes como na Grécia pela não aceitação dos ajustes econômicos impostos pelo Euro. A questão palestina hoje virou mais uma vez assunto devido a agressão do estado de Israel com a devida conivência americana.

Cada vez mais a presença destes novos atores ganhará importância se eles efetivamente apresentarem solução para crise e para crescimento, não adianta apenas belas palavras, tem que ter saída econômica efetivamente, nova base de produção e troca de mercadorias.

Engana-se quem acha que só o campo diplomático está em jogo, o Brasil não foi ao Irã apenas pelo acordo nuclear, aproveitou e fechou parcerias econômicas com Turquia e Irã, esta deve ser a dinâmica a ser adotada pelo Brasil se realmente quiser ser ator importante no novo mundo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Édipo Rei ou a maldição dos Labdacidas

Édipo Rei ou a maldição dos Labdacidas



Cadmo e os Dentes do dragão




(Cadmo e o Dragão)

O Rei de Tebas Laio descende de uma família amaldiçoada, desde seu bisavô, Cadmo, fundador da cidade/estado, que matara um dragão de Ares (Deus da Guerra). Dos dentes do dragão plantados por Cadmo, nasceram gigantes chamados Spartói , os “semeados”. Espertamente Cadmo colocou-os em luta sobrevivendo apenas 5 de quem se torna amigo e juntos fundam a cidade.

O primeiro “pecado” da família cometido por Cadmo, morte do Dragão, foi expiado quando fez-se escravo de Ares por 8 anos(miticamente é um Rito Iniciático do Guerreiro). Casa-se com Harmonia e tem quatro filhos: Ino, Agave, Sêmele e Polidoro. Sua filja Agave casa-se com o Gigante Equíon, sendo mãe de Penteu, que seria o sucessor de Cadmo, porém sua hybrys contra Dionísio(Baco) foi sua desgraça, ao mandar aprisionar o Deus do Vinho, este faz com que Agave uma de suas bacantes mate o prórpio filho.

Polidoro irmão de Agave tem um filho, Lábdaco, que será o candidato ao trono do avô, mas como era muito jovem, seu tio Nicteu assume o trono, mas pouco depois se mata, sendo substituído pelo jovem Lábdaco. Este ao assumir trono também se rebela contra o culto a Dionísio e suas Bacantes, mais uma vez o deus faz com que suas seguidoras despedacem um Rei que não lhe era fiel.


(As bacantes)

Novamente o trono fica à deriva e Lico, um tio de Lábdaco assume interinamente até o Laio, possa tomar às rédeas da cidade. Um guerra entre Lico e os filhos de Nicteu (Anfião e Zeto) fez com que Laio foi exilado em  na corte de Pélops, o amaldiçoado filho de Tântalo.

Laio herda as mazelas de caráter religioso de seus antepassados, em especial de Cadmo que matara o Dragão de Ares e de Lábdaco que opôs ao culto do Deus do êxtase e do entusiasmo, mas para complicar mais ainda ofende a Pélops quando lhe rapta o filho Crísipo e o seduz, de uma só vez atariu a ira de Zeus deus da hospitalidade e a Hera dos amores “legítmos”.(inaugura miticamente a pederastia na Grécia).

Édipo, de pés inchados


(Laio e Jocasta)

Laio volta à Tebas e assume o trono casando-se com Jocasta, mas desde logo sabendo que carrega contra si as maldições, manda consultar o oráculo de Delfos sobre seu futuro a resposta é direta, se tiver filhos com Jocasta, este o matara e desposará a mãe. Mesmo ciente disto Laio e Jocasta têm um filho,a quem renegam, entregando-o a um escravo para que o abandonasse nas montanhas com pés atados, segundo outras versões ele é colocado dentro de um cofre e jogado ao mar.

O escravo condoído com o destino da pobre criança leva-o a monte Citerão e o dá a um outro escravo da cidade de Corinto. Este leva a criança e o entrega a Mérope, rainha da cidade, esposa do Rei Pólibo, que não tinha filhos. Ao  recebê-lo dão-lhe o nome de  Édipo (Oidípus – Pés Inchados).

Édipo cresce feliz em Corinto e próximo a completar maioridade resolve consultar o oráculo de Delfos e lá a pitonisa o amaldiçoa dizendo que ele matará o pai e desposará a mãe. Diante de  terrível vaticínio resolve fugir para longe de Corinto, para não cumpri seu destino.


(A morte de Laio por Édipo)

Próximo a Tebas o jovem é interpelado por uma parelha dirigido por um senhor que tentar agredir-lhe, ele se defende e na luta mata o homem e seus escravos que o seguia. Ao chegar na entrada da cidade uma terrível Esfinge interpõe-lhe o caminho anunciando um enigma, que é completado com a frase : “Decifra-me ou devoro-te”. Édipo decifra e mata a esfinge.


Ao entrar na cidade é saudado como libertador. É levado a presença da Rainha, que perdera tragicamente o marido, morto segundo se comenta por salteadores fora da cidade. Rapidamente o jovem é feito esposo da rainha e do seu enlace, nascem quatro filhos(Polinices,Eteócles,Ismênia e  Antígone). Vivem felizes até aparecer novo mal à cidade de Tebas. Uma terrível peste assola a cidade e nada do que se planta consegue-se colher. Édipo manda consultar o oráculo de Delfos.

Leva a presença de Édipo, Tirésias o adivinho dos mistérios de Delfos, tem como resposta de que o assassínio de Laio não fora vingado e a cidade estava corrompida pelo incesto. Provocado pelo Rei ele diz que Édipo é o pecador. Este não lhe dá crédito. Chega um mensageiro de Corinto anunciando a morte de Pólibo e que Édipo deve assumir-lhe o trono. Satisfeito por não ter matado o pai e triste por sua morte, Édipo pergunta ao mensageiro sobre seu passado em Corinto, este conta-lhe que fora ele quem o tinha encontrado bebê no monte Citerão.


Desesperado, Édipo chama os antigos escravos que lhe confirmam a desgraça. Jocasta que a tudo assistia se mata. Édipo fura os olhos e exila-se na cidade sagrada de Colono, cercanias de Atenas, pois ele lá não podia entrar.

Comentários sobre a Tragédia das tragédias



Apesar se tema muito corrente e popularizado pelo que Freud denominou: Complexo de Édipo, esta tragédia tem ângulos muito maiores e mais densos, não podendo ser entendido apenas por esta interpretação.

Uma primeira visão é entender que o teatro, poesia grega, era largamente usado para dar amalgama a cultura, laços e identidade da civilização helênica. Portanto esta função de educar, passar valores é fundamental como bem observa Jagger na Paidéia.

Depois o teatro servia como forma de disseminar as leis e práticas toleradas pelas cidades-estado. A condenação ao parricídio e crimes de sangue bem como o combate às relações incestuosas foram leis publicadas por Solón. Os escritores eram convocados a escreverem para o estado sobre temas de interesses da sociedade.

Freud foi brilhante na identificação do conflito estabelecido, partindo de uma visão dos desejos sexuais primevos que a criança tem com a mãe e o ódio em relação o pai. Destes dois vetores chegaremos ao âmago da tragédia edipiana.

Já Jung, não despreza os elementos da libido, porém acha que esta quando represada vai refluir para outros canais (o tempo fático de mais de 20 anos entre o nascimento e as primeiras relações sexuais entre Jocasta e Édipo, dar-lhe razão). Em passant, a ruptura entre ambos esta calcada nesta diferença de interpretação.

Cabe lembrar ainda que a luta entre o Rei velho, que já não tem energia para “fecundar” a natureza, contra o jovem príncipe, para que a “força mágica”, vigor sexual, esteja acesa e mantenha o progresso da sociedade são coisas ainda hoje observadas largamente. Aqui também deve se salientar a mudança da sociedade matriarcal para uma de clara orientação patriarcal. A disputa pelo poder dar-se-á de forma violenta e fratricida.

O mais interessante é que 2500 anos depois nos pegamos a discutir uma tragédia tão magnificamente escrita, que traz muito do que somos, de como fomos educados, em quais elementos culturais nos baseamos, nossos valores, éticos, políticos e religiosos.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Será que você é mesmo Alice?


A estória de Alice no país das maravilhas, ou melhor, a versão desta feita por Tim Burton tem suscitado polêmica sobre a qualidade do filme, da decepção causada devida à grande expectativa criada, desde quando se anunciou o filme. Gostei muito do filme, contrariando opiniões de amigos que viram e acharam-no fraco, sem roteiro, sem nexo e para algum enfadonho. Resolvi escrever algumas idéias sobre a obra.

A pergunta que se repete em todo o filme é esta: "Será que você é mesmo Alice?" é sem dúvida o caminho para ver com outros olhos a pequena grande ousadia do filme: fazer Alice sem ser Alice, usar os elementos de Alice e fazer outra Alice. Esta jogada de frases e imagens que constroem e desconstroem a obra de Alice é mensagem fundamental que consegui tirar do filme.

Para mim há três níveis em no filme sobre Alice:

(1) Rito iniciático clássico;

(2) Psique Menina/Mulher;

(3) Produção onírica;

Este conjunto é extremamente bem desenhado nas imagens de 3D, muito bem encaixadas para cada nível, o jogo das cores, as mudanças de conduta e atitude dos personagens e a variação das cores formam um todo que, a meu ver são grandiosos. Entrando em cada nível teremos a compreensão da obra:
  1. Rito iniciático clássico


Alice tem sua Catábase, ou catábasis (κατὰ do grego, "para baixo" βαίνω "ir") é uma descida de algum tipo. Catábase pode ser um movimento para baixo, um afundamento de ventos, um recuo militar, ou uma viagem ao submundo. Pode significar também uma viagem do interior de um país ao longo da costa, e tem significados relacionados com a poesia, a retórica e a psicologia moderna(Definição Wikipédia baseada na psicologia).

Nos ritos iniciáticos gregos antigos a necessidade de se descer a outro mundo é compreendido como a necessidade de romper com um estágio de vida, não apenas na idade, mas fundamentalmente psicológica. Os ritos de Eleusis que foram sufocados pela religião cristã, era exatamente esta passagem. Notadamente estes ritos são relacionados aos homens, mas os mistérios de Eleusis eram compreendidos também às mulheres. O que nos sobra são os fragmentos destes ritos na peças "As Bacantes".

Em outras culturas, como na judaica, homens têm seu Bar-Mitsvá aos 13 anos, passando de criança à Homem. As meninas se comprometem com Mitsvot aos 12 anos, relacionado com a Menarca (primeira menstruação), deixando de ser criança e virando Mulher.

Parece claro que a descida que Alice faz antes de aceitar ou não seu pedido de casamento com o rico asqueroso que lhe "compraria" a garantia de não ficar solteira, para ser apenas titia. Neste momento, ela, aos 19 anos, é posta à prova quando deve romper com seu mundo infanto-juvenil e virar mulher. Sua descida ao infernum (termo latim para mundo inferior) é um ato claro de revisão de vida.

As imagens são a combinação de alegria e apreensão, medo e felicidade, revisitar personagens que convivem com ela desde a tenra idade, e este sempre a lhe perguntar: Será que você é mesmo Alice?

2. Psique Menina/Mulher




Aqui entra a segunda parte do mesmo mito, a psique feminina. Tim Burton faz um filme de um universo feminino com grande sensibilidade, Alice vai oscilar entre A rainha vermelha e a branca, entre o Sexo, luxúria (vermelha) e a inocência, candura (branca). Por ambas ela será querida, a porção menina fala mais alto, a principio. Mas ambas propõe que ela mate seu dragão, a vermelha tenta lhe seduzir na convivência, porque ela detém o dragão, é mais sutil, pois tem certeza que logo ela será Mulher.

Já a rainha branca deixa-lhe claro, ela tem que matar seu dragão, libertar a si mesma. Alice vacila, tem repulsa a matar, questiona-se por que deve fazê-lo. Mas intimamente sabe que deve ser assim, e na última hora tem o significativo encontro com Absalem, a lagartixa, esta em transformação e mostra-lhe que TODOS deixam um corpo para ser outro, é a metamorfose natural da vida e da cabeça.

A luta é saída natural, a frágil menina é posta frente a frente com o dragão e tem que descobrir dentro de si como matá-lo, por mais improvável que seja ela o mata, a imagem é grandiosa, muito didática, bem construída.

A reflexão anterior à luta, os propósitos de menina, e depois o amadurecimento de mulher são evidentes, mais ainda o diálogo final dela com o chapeleiro, sua última reminiscência, pergunta-lhe se não quer ficar neste “mundo”? Óbvio que depois de matar o dragão não há mais volta

3. Produção onírica;


Talvez a grande crítica ao filme seja a questão do roteiro, que não há humor ou ação, que o andamento é caótico, não tem lógica e por ai desfiam-se as reclamações. Para esta questão, caberia perguntar: existe ordem nos sonhos? Controla-se o que se deve sonhar, como acontecer cada coisa?

O filme é baseado em Alice, mas não é Alice, está claro desde o início é um sonho, uma produção onírica, que o compromisso com a “realidade” é puramente circunstancial. As imagens, as viagens ao submundo da psique de Alice, seus monstros e seus objetos de desejos estão lá, envoltas em névoas psicodélicas.

A dificuldade de entender esta dinâmica do filme, talvez nos leve a menosprezar a grandeza da obra, ou nos contentarmos apenas com um ou outro aspecto da produção.

As fantásticas imagens em 3D nos levam ao mundo dos sonhos, diretamente à mente daquela jovem, que por acaso se chama Alice, mas que pode ser que não seja Alice.

sábado, 17 de abril de 2010

Institutos de Pesquisas,ou:onde estão os suíços

“Toda teoria é cinza, verde e frondosa é a árvore da vida" (Goethe)

Durante as duas grandes guerras a pequena Suíça manteve-se na posição de "neutralidade". Isso se deu pelo fato deste país ter em sua formação influência das principais culturas européias: França, Itália, Alemanha. Tornando impossível assumir um lado, bem, é assim que aprendemos romanticamente nos livros de história explicando a neutralidade suíça.

Dito isto passo ao assunto quente da semana, a Guerra de Pesquisas eleitorais. Alguns fatos para lembrarmos:

1) Em 1982 Globo e Ibope trabalharam intensamente pela derrota de Brizola ao Governo do RJ, isto levou a uma profunda perda de credibilidade do Ibope, que ficou marcado pela manipulação;

2) Em 1985 a menos de 10 dias da eleição, morava em Fortaleza na época, Maria Luíza Fontenelle, candidata do PT a prefeitura de Fortaleza aparecia com 4%, em quarto lugar, enquanto Paes de Andrade, Lucio Alcântara estava respectivamente com 35% e 27%. Sabemos quem ganhou a eleição;

3) Em 1988 Luiza Erundina aparecia apenas em terceiro lugar a uma semana da eleição e não ameaçava a vitória tranqüila de Maluf, sendo secundado por João Leiva candidato do Quércia;

4) Em 1989 Lula era quarto colocado e dificilmente chegaria ao segundo turno, de acordo com as pesquisas;

Poderia citar mais e mais exemplos para fundamentar minha pouca fé, para não dizer nenhuma em pesquisas. Mas elas são importantes na arena política, são supervalorizadas por partidos e candidatos e influem numa gama da população que decide o voto quase na hora de digitar.

Vindo para os dias atuais tivemos um quase consenso entre analistas políticos e dos grandes institutos de pesquisas de que a candidata do PT, Dilma Roussef, a Presidência, era uma total desconhecida e que perderia fácil as eleições. O Senhor Carlos Augusto Montenegro chegou a declarar em abril de 2009 de que ela mesma com apoio de Lula, o Presidente mais bem avaliado da história, segundo os institutos de pesquisas, não ultrapassaria os 15% e que a eleição estava decidida, Serra venceria no primeiro turno. Opinião não muito diferente dos arautos do DataFolha. Os institutos menores Sensus e Vox Populi não demonstraram esta "certeza" acaciana.

De janeiro de 2010 para cá explodiram pesquisas quase semanais, olhando de novembro de 2009 invarialvemente temos alguns pontos comuns:

1) Serra varia sempre em torno de 32% a 38%;

2) Dilma cresceu de 8% para ficar em torno de 28% a 32%;

Este fulgurante crescimento de Dilma tem atormentado não só a campanha de Serra, mas principalmente os pitonistas dos grandes institutos de pesquisas, sua credibilidade começam a ser questionada.

Luis Nassif publicou no seu site um pequeno post: "Para entender o caso DataFolha" ( http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/04/15/para-entender-o-caso-datafolha/ ) que fundamentalmente diz que houve um interesse muito grande em reinflar a candidatura Serra, pois pela tendência de todas as pesquisas Dilma ultrapassá-lo-ia, isto poderia lhe custar apoios na sua convenção que se aproximava.

Em conversa com um amigo  publicitário que trabalha em campanhas eleitorais, ele relata que existe muitas vezes uma necessidade de represar uma tendência de crescimento para não acabar a campanha do outro, e de que já fora vítima de algumas destas manipulações. Quando saí o resultado da eleição vem à famosa desculpa de que houve uma mudança de rumo "não capturada" pelo instituto.

No entanto houve um recrudescimento desta disputa, PSDB processa a tudo e a todos, mesmo espalhando aos quatro ventos que Serra esmagará Dilma nos debates, eles tem procurado judicalizar em demasia a eleição. Resolveu processar Sindicatos (Professores e Metarlúgicos), Centrais Sindicais e, insuflado pela Folha de SP, entrou com representação contra Sensus mostrou empate real entre Serra e Dilma e  que pôs em Xeque a pesquisa do DataFolha com aumento de vantagem de Serra.

TSE concedeu acesso às planilhas do Instituto Sensus, que acabou liberando para quem quiser ver. Será que teremos oportunidade de ver as do DataFolhas?

Por fim saiu mais uma pesquisa do DataFolha que "captura"  todo o bom momento de Serra, a saber:

1) Transmissão ao vivo da convenção do PSDB em todos os canais de TV;

2) Corte Stalinista da foto de FHC com Serra;

3) Beijo de Serra em Aécio e discurso deste em apoio;

4) Exploração da fala de Dilma sobre não fugir da luta, transformado em "fugir do Brasil"(saiu um " erramos 4 dias depois minúsculo interno), para este fato indico o post de Maurício Caleiros no seu excelente blog bastante crítico a fala: "Dilma e os fujões" (http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/2010/04/dilma-e-teimosia-burra.html

5) A aparente malograda viagem de Lula à cúpula atômica, Estadão e Folha publicaram uma incrível mesma manchete de capa dizendo que Obama ignorou Lula, fato desmentido depois, mas a capa já estava divulgada e repercutida;

6) Associação de Lula à tragédia das chuvas no RJ e ampla manipulação desta, esquecendo tudo o que foi escondido nas chuvas de SP,tratada como fato da natureza, enquanto nas  dos RJ foi omissão dos políticos em particular Lula. Chegaram a mandar Fátima Bernardes para Morro em Niterói, enquanto Jardim Pantanal em SP ficou alagado por 60 dias sem que eles o mostrassem;

7) Globo reforçando a posição da Folha e do PSDB diz que só dará números do DataFolha e Ibope, reforçando a tese de que Sensus e Vox Populi não têm credibilidade;

8 ) Notícia de ampla geração de emprego(657 mil em 3 meses) e crescimento da economia em torno de 6 a 7% foram preventivamente escondidas em cadernos e matérias secundárias;

Mesmo com todas estas boas notícias pró-Serra ele cresceu 1 ponto, se dermos crédito à pesquisa anterior. Estranho muito estranho.

Apenas para lembrar os suíços ficaram "neutros”, mas nunca se recusaram a legalizar as fortunas dos nazistas roubadas e pilhadas dos judeus mortos no holocausto... ou seja, neutralidade boa é a que beneficia alguém...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Futebol: Ronaldinho ou Messi do Barcelona?

Este é o título da coluna de Juca Kfouri no seu blog (http://blogdojuca.uol.com.br/2010/04/ronaldinho-ou-messi-do-barcelona/) , hoje no twitter escrevi alguns tópicos sobre este debate, que acho interessantíssimo, resolvi transformá-lo em post, apenas jogando as teses para localizar a polêmica:

1) Messi é o atual supercraque do Barcelona,time moldado para que ele brilhe plenamente. Talvez Messi seja maior do que Ronaldinho Gaúcho de 2004 a 2006;

2) Messi é tão artista como foi Maradona,mas parece mais consistente,emocionalmente mais equilibrado, decisivo, palavra "atual": focado;

3)No período, 2004-2006 Ronaldinho foi tudo o que Messi é hoje, mas o argentino parece superior no Barcelona,  mais agregador e menos estrela, interage melhor com o time, além do time de 2008/2010 do Barcelona é superior ao outro;

4) Para lembrar: 2002 Ronaldinho foi campeão do mundo,não brilhou como Ronaldo e Rivaldo, mas jogou mto naquela copa que foi a do Ronaldo Fenômeno;

5) Grandes craques tiveram sua "copa" porque suas seleções jogaram em função dele e por sua imposição de líder incontestes. Dado fundamental todos já tinha maturidade no futebol (algo em torno do 26 a 30 anos);

6) Em  1986, revi ontem no SporTv, seleção argentina jogou para Maradona,que já tinha 26 anos, era tarimbado, bocudo, contou com apoio de todos foi estupendo;

7) Em 1994 Brasil estava na seca há 24 anos, Romário(28anos) era o gênio da area, tinha levado o Barcelona a um título sensacional,  se impôs aos burrocratas da CBF e comissão técnica: era ele ou a derrota. Jogou-se para que ele brilhasse e muito, ele foi espetacular;

8 ) Em 2002 Ronaldo(26 anos)brilhava desde os 17, voltou do inferno, passara por duas gravíssimas contusões e fora dado como ex-jogador, mas foi ladeado por Rivaldo(30 anos) se superou incrivelmente. Gaúcho(22 anos) foi grande coadjuvante, teve participação decisiva no jogo mais complicado da copa (Brasil 2 x 1 Inglaterra);
9) Em 2006 Ronaldinho tinha tudo para ser o supercraque da copa, mas Parreira negou-lhe na Seleção o que ele tinha no Barcelona, um time montado em função dele.  Faltou ambição e postura ao Gaúcho de exigir para si esta condição. Seleção intimida, exceto Romário que se impôs em 1994;

10) Voltando ao Messi,  este é problema enfrentado por ele na Argentina:Será que haverá humildade para jogarem para que ele brilhe intensamente?Terá Messi personalidade de exigir de Maradona seleção para si?se não, penso que se perde no meio do esquema da Argentina, não é certo que brilhará;

11) Messi(22 anos) é muito novo, é excepcional, mas se não for líder, Argentina não lhe dará a chance de brilhar intensamente;

Espero que Messi brilhe intensamente, gosto de futebol, mas estou pessimista, não sei se Maradona vai facultar a chance de que Messi torne-se maior que ele.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Tecnologia - Nokia e Samsung - Exemplos para o Brasil

Chegamos mais uma vez a período eleitoral nacional e entramos no debate sobre projetos políticos, ideológicos, agora muito mais com a dupla queda dos muros:Berlim x Washington, abre-se uma oportunidade impar de discutirmos o futuro para nosso país. Gostaria de introduzir aqui uma reflexão que fiz em 2002,mas que vejo que está bem atualizada, sobre tecnologia e como o Brasil pode se inserir neste novo marco mundial, superando as mazelas de nosso passado recente.
Trago dois casos  na área de Telecomunicações, em que tenho mais familiaridade.Para tentarmos entender como países extremamente "secundário" no mercado mundial, conseguiram ter empresas tão importantes, tornando-se marcas vencedoras em determinados campos que olhando a bem pouco tempo nem se imaginaria ocuparem este espaço.


Nokia – A Finlândia no mundo





No início dos anos 90, a Nokia não passava de uma empresa secular de papel e celulose da fria e
distante Finlândia. Nem o país , muito menos esta empresa seria notícia em qualquer jornal de tecnologia. Como em poucos mais de 6 anos eles mudaram de foco e viraram a verdadeira força motriz deste país? A primeira sem dúvida foi a decisão estratégica do governo finlandês de focar boa parte do seu dinheiro de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, numa área que se
expandiria como nenhum outra na história da humanidade em tão pouco tempo,como foram a Telefonia Celular e a Internet. Com esta visão eles concentraram todo seu aporte na Nokia, com incentivos fiscais, ajuda logística e científica e transformou-a na empresa que todos nós conhecemos e admiramos, no caso onde governo e iniciativa privada, mudaram a realidade
de um país e de um povo em tão pouco tempo. Hoje a Finlândia e a Nokia são sinônimos de tecnologia, inovação, modernidade, esquecemos até o quanto é fria a realidade deles, eles estão presentes em praticamente em todo o mundo. Neste aspecto o GSM como padrão majoritário internacionalmente foi fundamental, mas principal lição é esta: O Governo Finlandês apostou no novo e transformou o país.

Samsung – A Coréia do Sul

O segundo caso é o da Samsung, mais precisamente o caso Coréia do Sul, este país dividido, em semi-ocupação, vindo de uma guerra terrível, subjugado seguidamente por vários séculos, ou por ocupação chinesa ou japonesa, consegue finalmente ser "livre", porém logo a seguir mergulha em nova guerra e se divide, surgindo duas Coreias. A do sul entra num modelo de acumulação de capital e desenvolvimento seguindo a "proteção" americana, porém com uma
profunda consciência nacional, de que só com a resolução de suas mazelas (fome, miséria extrema, pais atrasadíssimo, cuja única importância era localização geográfica, nas disputas geopolíticas de outrora), fizeram uma verdadeira revolução. Ao contrário da Finlândia, lá eles não tinham desenvolvimento econômico que pudessem fazer aquela "virada" deles.

Aqui eles construiram passo-a-passo o seu modelo, gastaram todas as suas economias na educação, com suas jornadas de até 10 horas por dia de aula e 300 dias letivos. Os vários governos priorizaram os 10 maiores conglomerados econômicos do país e lá fundiram iniciativas públicas e privadas, para que a Coréia superasse a sua defasagem histórica em pouco mais de 20 anos eles hoje têm uma vida mais digna. Calma pessoal, estou dando o panorama geral
coreano, porque muito nos lembra do nosso, estou chegando no caso Samsung.

Em 1993 houve uma profunda crise nos tigres asiáticos que quase abateu a experiência coreana, após grande ajuste o Governo e iniciativa privada voltam-se para escolher onde investir e com certeza de retorno para o país.

A Samsung é um dos Players eleita para esta nova fase, a empresa passa de apenas produção de manufaturados à grande desenvolvedora de chips e componentes. Sua virada mais significa se dará nas telecomunicações, a ação que o GSM teve para Nokia, o CDMA foi o motor para Samsung, eles rapidamente desenvolveram infraestrutura, e investiram em Aparelhos, com sofisticação e sempre à frente de todos os outros concorrente(CDMA), todo e qualquer novo chipset Qualcomn encontraram vida e função nos aparelhos da Samsung. O design ousado
a inventividade, a tecnologia com olhos no futuro, lembro que 2002 eles colocaram em funcionamento o EVDO(3G modelo americano), antes da copa do mundo, e foi uma jogada de mestre, porque eles foram vistos por todo o mundo como povo inovador, criativo, superando a imagem de produto "segunda linha" do Japão, e hoje com a perspectiva do CDMA (WCDMA, CDMA2000) ser a tecnologia da telefonia obviamente eles estão com um pé à frente.
Brasil: Qual caminho?



Apresentei dois casos apenas para mostrar  que o Brasil pode também mudar sua realidade,nós juntamos num mesmo país características da Finlândia e da Coréia, temos que dar um "salto" para que possamos chegar no mesmo estágio deles, como???

Arriscaria umas 4 áreas de tecnologia de ponta:
  1. Área de Telecomunicações ( TV Digital, Software aplicado);
  2. Área química ( exploração e refino de petróleo);
  3. Área de pesquisas Genéticas ( Projeto Genoma, medicina ortomulecular, células tronco,Biodiversidade);
  4. Área ambiental (novamente a biodiversidade, água potável, turismo ecológico, produção agrícola com                       proteção ambienta)

Por fim vejo que sempre podemos ter lições mais profundas de fenômenos e se tivermos a ousadia de fazer diferente, em 20 anos este será um país muito mais desenvolvido e mais justo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Rearmamento Teórico

Pós-muro de Berlim: a grande melancolia da Esquerda

As imagens da queda do muro de Berlim, mostradas e reprisadas à exaustão foi um baque imenso na Esquerda mundial, havia dois sentimentos nas principais correntes de pensamento:

1)       Estupor: Por parte dos grupos que tinham vínculos históricos político-afetivos com a URSS, em particular correntes Stalinistas e não-trotskistas em geral. Aquele profundo desanimo de repensar a vida e valores morais, culturais, fé e utopia;

2)      Euforia: Por parte das correntes Trotskista, que viram na queda a justeza de que sempre tiveram razão de que lá não era Socialismo e mais ainda que uma nova revolução estava em curso, os trabalhadores não aceitariam à volta do “capitalismo”.

Sabemos as profundas conseqüências deste comportamento. Na parte não-trotskista e stalinista, muitos companheiros se quebraram, moralmente abatidos, era uma paulada atrás da outra, todos os sonhos ruíram de forma rápida e inequívoca, praticamente Todos os projetos de esquerda no mundo foram desarticulados, a vitória histórica foi acachapante.

Do lado trotskista a ficha demorou a cair se é que efetivamente caiu para alguns, de que eles também não teriam público para continuar a revolução, a própria análise de que o leste não era Socialista, mas mesmo assim os trabalhadores de lá não iam aceitar o Capitalismo é uma flagrante contradição.

Houve uma tentativa meio “tateado às cegas” de fazer balanços históricos de se entender o que passara nos 72 anos de URSS, os grandes erros, o que levar de lição da revolução. Porém faltaram “audiência” e disposição moral para ir até o fim.

Na metade dos anos 90 a atomização da esquerda revolucionária era fato, com a integração do PT ao regime, as experiências de PSTU e mais recente PSOL, ainda não tem dimensão de massas e não conseguiram discutir um programa capaz de empolgar o ideário revolucionário. Permanecendo assim o PT ainda dentro de um campo de debates de idéias e suas de experiências de administrações dentro dos marcos burgueses são referência para o conjunto da classe.

Pós-queda de Wall Street: a grande melancolia da Direita

Setembro de 2008 é o marco da queda do castelo Neoliberal, a bancarrota de toda a lógica de acumulação de capital dominante da última do Século XX e a década inicial deste século tem efeito político-ideológico similar à queda do muro de Berlim.

Ruiu a visão de que a História tinha acabado, de que o Estado não era mais necessário, de as organizações coletivas eram peças de museu. Todo arcabouço ideológico foi “triturado” pela crise.

As ações dos frágeis Governos nacionais foram em busca do receituário do passado, ninguém propôs menos estado, por que será? O estado virou a salvação de todos os pecados, aquele mesmo que fora “demonizado” nos áureos tempos Reagan, veio como o Salvador, não deve passar despercebido que a mídia fechou os olhos para esta heresia.

Óbvio que o desmonte feito no Estado em alguns países foi de uma violência tamanha, que nem a possibilidade de uma ação mínima foi tentada. Nações inteiras faliram, exemplos piores na periferia foi México, Argentina e Turquia. Nas economias centrais os seus déficits públicos e endividamento estatal foram ao espaço, noticias de hoje dão conta de que: Grécia, Espanha, Portugal e Itália estão na completa insolvência. Caricato é Dubai ilha artificial da burguesia de mau gosto também faliu.

Hoje lendo o Blog do Luis Nassif me deparei com um artigo do Bresser Pereira e José Luis Oreiro:  “Keynesianismo vulgar e o novo desenvolvimento “(http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/02/05/keynesianismo-vulgar-e-novo-desenvolvimentismo/) que me chamou a atenção para o fato de que a Direita está sem rumo, não sabe em que se pegar, revive velhas políticas, está parecida conosco nos anos 90, a diferença é que não alternativa ao Neoliberalismo nem à Esquerda nem à Direita.

Interessante debate, mas buraco é mais embaixo, no post anterior do Blog "Apogeu e queda do Neoliberalismo" (http://arnobiorocha.wordpress.com/2010/02/04/apogeu-e-queda-do-neoliberalismo/ ) busquei mostrar que, assim como a Esquerda ficou desarmada pós-muro, vejo que a Direita agora está sem terra sob os seus pés.A saída da esquerda foi buscar seus teóricos(Marx,Lenin) agora a Direita busca keynes assombradamente, como uma miragem.



Um novo debate de projeto de mundo

Este jogo de projetos alternativos volta ao mundo depois de 19 anos de massacre e pensamento único, a Direita tinha seu projeto e era incontestável, hoje ela não tem projeto, apenas administra (mal e porcamente) a crise gigantesca, mas ainda não achou um novo cabedal político e ideológico a ancorar.

A esquerda na sua longa crise letargia ainda não forjou um novo paradigma na luta contra o capital, aqueles(trostkistas) que achavam que a revolução se abria não conseguiu encontrar seus "novos/velhos Soviets" nem a Direita achará seu "Estado de Bem estar Social".

A questão é complexa para os dois lados, buscar teoria já testada é necessário, porém mundo não é o mesmo de 1917 e nem anos pós-guerra. Este é desafio da Direita e o nosso da Esquerda: entender o mundo parece secundário, mas ambos (direita e esquerda) dão respostas com receituário velho para novas doenças. Agora empatamos o jogo, estamos sem armas e certezas absolutas

Claro que a situação é melhor já não sofremos o massacre político-ideológico destes últimos 20 anos, mas também não nos conforta saber que fomos incapazes de repensar nossos conceitos, nem o velho Marx conseguimos entender. Neste tempo todo não termos feito nada de concreto, alternativo, apenas resistir é muito pouco.

A Direita tem tempo, dinheiro, quadros, controle da conjuntura para se repensar, cooptar alguns dos nossos, torná-los dóceis e usáveis, mas não demonstrou nada global que substitua o modelo Reagan.

É um mundo novo cheio de significados e mistérios, propício às novas idéias será que somos capazes de conquistá-lo?