segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Revista Época: ou o tiro que saiu pela culatra







Fomos surpreendidos na madrugada do sábado com a chegada as bancas da edição semanal da Revista Época, das Organizações Globo. Sabíamos do alto grau de vilania desta organização, talvez a que mais tenha se beneficiado da Ditadura, deram um mergulho sem volta ao passado, de forma vil e covarde na tentativa desesperada de salvar seu candidato José Serra que vai de serra a baixo.

Enquanto Dilma e tantos companheiros morreram ou foram torturados barbaramente, Roberto Marinho (GLOBO) enriquecia com Governo Militar, recebeu a missão de servir como propagandista dos valores da Ditadura transmitidos via Jornal Nacional e os programas globais. Este Monstro, a Globo, foi gestada e depois alimentada no seio da Ditadura, hoje trasveste-se de independente, Reavivemos a memória em respeito aos que tombaram naquela luta desigual.

Muitos questionam a luta armada, mas não nos cabe julgá-los com os olhos de hoje, mas refletir sob quais condições eles foram para luta. Fácil hoje, como faz Gabeira, um renegado, de achar que todos eram tolos, eles foram heróis deram o bom combate e se hoje falamos o que queremos devemos isto a eles.

Criação de um Ícone


Revista Época criou a imagem Iconoclasta antifascista quando tentou destruir Dilma, nos deu a imagem perfeita de nossa luta. Temos q agradecer imagem da @dilmabr guerreira, pois teve efeito contrário ao desejado, nos apaixonamos mais pela Mulher, reforçou nossa convicção na sua candidatura, Se algum combatente da democracia, justiça social ainda tinha dúvida em relação à @dilmabr a capa da Época dissipou-a. Somos Todos Guerreiros.

Época/Globo/Serra queriam provocar MEDO com a reportagem, despertou PAIXÃO... Além de espalhar de forma "viral" a campanha de @dilmabr. Desespero de Serra e seus aliados: não passarão. Dilma não se curvará diante desta campanha fascista... Fizeram um decálogo de dúvida sobre Dilma.. Nós faremos um decálogo das certezas das relações promíscuas GLOBO e Ditadura Militar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

“Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”

Outro dia no twitter debatemos sobre a questão do Irã, em relevo a questão do apedrejamento, pude notar o senso comum arraigado, imposto e difundido. Muitas vezes não nos damos o trabalho de reflexão, e apenas repetimos as frases feitas e os preconceitos estabelecidos. Óbvio que não concordamos com o apedrejamento ou qualquer forma de pena de morte, ainda em vigor em muitos países, inclusive os EUA e China, não havendo qualquer diferenciação ideológica na aplicação da pena.

Mas por que a questão do apedrejamento virou foco central? É que, quem acusa o Irã, é um país que jamais viola os Direitos Humanos, ou por acaso os Americanos não matem Guantánamo e até outro dia tinha Abu Garabi? como somos civilizados, né?

Mas a civilização ocidental faz bem pouco tempo queimava as "bruxas" em fogueiras para que purgassem seus pecados. Ou quantos silêncios obséquio impôs o Santo Ofício? Galileu, Giovanni Bruno(acabou queimado por recusar o silêncio), recentemente Leonardo Boff foi proibido de ensinar ou dar palestras como forma de mater silêncio sobre a Teologia da Libertação. Mas saudamos com justiça o heroísmo de Salman Rushdie por enfrentar a fúria dos aiatolás.

Porque presidente do Irã é o monstro da vez e Bush/Obama são heróis?ok, eles matam "terroristas" e "protegem" o mundo "Livre". Por que para cada morto no WTC EUA matou 100, na imensa maioria execução sumária, e não vejo indignação do Serra e seu acólitos da mídia?Quantos milhares de iraquianos e afegãos estão sendo mortos por não aceitarem presença americana e só temos o silêncio ensurdecedor?

Algumas observações sobre a surrada tática de criar “demônios” e eixos do mal:

1)Demonizar é uma arte típica dos cristãos, o daemon não tinha esta conotação na Grécia/Roma antiga,aliás Hades/Infernum( a mansão dos mortos) era apenas um plano na cosmogonia Greco-romana;

2) No prórpio "Credo",está escrito que Jesus desceu  "Mansão dos mortos"(hades/Infernum), mas nós cristãos resolvemos criar o medo,o demônio,pecado e a culpa;

3)pós-Cristo,houve sincretismo religioso,absorvemos cultos pagãos e "aprofundamos" a noção de culpa e pecado,e a prática maniqueísta do bem/mal;

4)Desta cultura religiosa trouxemos para vida privada e amplamente nas relações sociais e políticas.Demonizem seus "inimigos" mais fácil destruí-los,virou norma comportamental e regra política;

5) Assim fizemos na idade média com os judeus,com os mulçumanos. Depois com os reformistas, hereges e qualquer um que ameaçasse a nossa fé católica em cristo;

6) Hitler usou sua máquina para demonizar e dizimar os judeus, ciganos,comunistas;

7) Americanos hoje apenas usam deste artifício "pedagógico"para identificar o "mal. Reagan cunhou a frase do “Império do Mal”sobre a combalida URSS;

8) Hoje Osama Bin Laden é o mal,em 1980 era um príncipe herói financiado pela CIA para destruir o "Mal" do império Soviético;

9) Saddam foi também herói em 1980, recebeu armas e suporte para fazer guerra ao "Mal": os iranianos dos Aiatolás(com poder sob o “nosso” petróleo);

10)Puxa em 1991 Saddam virou "Mal",já não nos serve mais no Iraque.

Será q somos tão tolos assim?Os inimigos dos USA são também os nossos inimigos, por quê?

Teria ainda dezenas de exemplos desta manipulação desta demonização como forma de luta na história, mas na sociedade de ampla informação não podemos aceitar estas coisas sem pelo menos questionar.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Cultura - O maior legado Grego

Nossas ações estão nos deuses nos arquétipos eles na verdade são representação da nossa psique, nossa personalidade, por mais que nos achemos "modernos", nosso ser continua meio animal... meio humano...não adianta Iphone, Ipod, Internet...a nossa mente continua lá na Grécia, nossos valores, conceitos, preconceitos, gostos, refinamento...cultura ocidental raramente há fenômenos em que não se tenha uma linha de pensamento que não venha da Grécia.

Eros x Afrodite



Nascimento de Afrodite



Eros

A dualidade amor/sexo já era definida na Grécia tinha dois deuses: um amor sexual, carnal, e outro o fraternal. Eros, o amor perfeito, fraternal... Quase assexuado, ou duplamente sexuado - Afrodite, que significa em Grego: Amor-do-Pênis o amor da ejaculação, do gozo, do prazer.

Afrodite é a personificação do sexo.. antes dela, os gregos só conheciam Eros e para eles todos os seres tinham os 2 sexos e copulavam entre si. A função sexual era apenas mecânica e reprodutora não havia beleza, leveza ou prazer carnal.

Eros o mais belo dos imortais nos é apresentado como Deus primevo, junto com Caos,  a Terra e o Tártaro. Ele vem para presidir os amores fraternos com função sexual ou não, mas fundamentalmente a idealização do amor, que incluía amor entre iguais, de mesmo sexo, numa versão posterior.

Quando Cronos decepa o pênis do Pai, Urano, da ejaculação nasce Afrodite, daí o nome Amor-do-Pênis. Mas isto não se dar num nível abstrato é a criação dos desejos, que uma sociedade que vivia, antes, apenas pra o trabalho e agora passa a viver também do prazer das artes da leitura do ócio E no ócio, tem coisa melhor do que o SEXO?

Então criativamente surge Afrodite a deusa do amor agora os seres não têm os dois sexos,porém para uma melhor aceitação das novas funções do sexo nada melhor do que uma explicação Divina.

Apolo x Dionísio





Apolo o deus da cultura protetor das artes, da engenharia, das construções, do homem que cria cidades e civilizações, age politicamente, usa da força para dominar a natureza e aos seus. Surge como fonte para o esplendor da alta cultura grega.

As cidades criadas, os templos, a lógica, a matemática inspiração do grande Apolo que vira uma espécie de primeiro-ministro de Zeus dando aos homens toda a criatividade para seu pleno desenvolvimento, é a ruptura com a sociedade matriarcal ligada umbilicalmente à agricultura, as deusas de amplos e fartos seios, da fertilidade dão espaço à cidade a beleza, as curvas o refinamento. O auge da alta cultura grega que se expande para Europa ocidental levando seus valores trazidos da Ásia e do Egito.

Deste florescimento cultural nasce Dionísio fruto da relação de Zeus com a mortal Sêmele, mas que vira deus pois foi gerado na coxa de Zeus,depois que Sêmele pede para ver Zeus em sua forma,mas a luz emanada dele a queima. Zeus salva o filho e o nutrirá em sua coxa.

Dionísio nasce e fica na terra, valores divinos desconhece, sua função é a alegria, as odes, a festa e o prazer. Incorpora ao mundo grego a poesia, o verso, o teatro e principalmente o vinho,daí o nome Baco.

Ele espalha para sociedade careta que não basta só construir cidades, templos, mas é preciso viver ter sonhos sem compromissos formais. As bacantes que suas seguidoras devotas vão levar a luxúria e os mistérios de Eleusis para as ruas e dar outro colorido ao mundo Grego.

Se Apolo representa a lógica, a forma apurada, o método, Dionísio no legará o ócio criativo, o teatro, a sátira. São irmãos que abriram ao homem ocidental a dualidade de sua alma, de sua psique. Compromisso, noção de responsabilidade e o outro lado prazer, desrepressão.

São apenas reflexões para os incautos e incultos que acham que o mundo nasceu na Intenet, que mal sabem que apenas, na maioria das vezes apenas repetem o que já se fazia há 2500 anos.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lênin não morreu, viva a contra-revolução humana!







Debatendo bobagens e coisas sérias, trocando idéias e impressões do mundo no twitter muitas coisas hoje proporcionou, inclusive a elaboração desta pequena reflexão sobre as eleições seus personagens, alguns cômicos outros francamente trágicos.

Logo cedo vi a incrível e caricata entrevista do Vice do Serra, ali ao seu lado e fiquei imaginando como se sente Serra naquele instante? Apenas 46 anos atrás ele era Presidente da UNE fez um famoso discurso no centro do Rio de Janeiro,em 13 de março de 1964, que a Direita raivosa usou como desculpa para o golpe.

Ali no mesmo RJ ao seu lado um representante da juventude neo fascista, Lacerdista, mas sem a inteligência e a verve daquele, será que não passou um filme na cabeça do Serra? De presidente da UNE que defendia o Governo Jango, pelas reformas de bases à ladear a TFP revivida, que trajetória.

Talvez o jovem Da Costa tenha tido a coragem, e o mérito, de dizer tudo aquilo que o Velho Serra não teve a hombridade de fazê-lo, aquele discurso rancoroso, típico da Direita mais abjeta, de ver comunista em cada rosto, agora com novo nome (Petistas), da frase "inocente" trololó Petistas , de lembrar o terror, o medo, que sempre caracteriza às classes dominantes nestes momentos. Será que não sobrou uma réstia de decência para interromper as palavras tão loucas e fora de época? Parece que não, sem constrangimento, sem contragosto, apenas o desconforto de ver-se refém da velha UDN, daqueles mesmos que lhe impuseram o exílio, que atrasaram o Brasil por tantos séculos e teimam em voltar.

Quero agradecer ao Serra por ter nos dado um Vice saído direto do túnel do tempo, naquele tempo em que"comunista (não padre) comia criancinha" Esta campanha seria muito modorrenta se não fosse o Vice "guerra-fria" do Serra. Voltamos ao tempo do Medo, da insegurança da ameaça COMUNISTA. Senti-me pré-muro de Berlim, aquele clima, os vermelhos chegando, ouro de moscou,que adrenalina,obrigado Serra e seu vice fiquei tão empolgado que só ando agora com Manifesto Comunista no netbook. Inclusive voltei a usar codinome, reuniões secretas. a paisagem do "Adeus,Lênin" foi recriada pelo Vice do Serra,agora sim voltamos a viver perigosamente..brasa..mora..valeu bicho.

Duas figuras que se fundem tragicamente Serra e seu Vice. Resta-nos apenas lamentar e tirar algum humor disto tudo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Os doze trabalhos de Hércules,digo Serra







Depois de ler sobre tantas coisas “by Serra” resolvi pesquisar no Google e na imprensa isenta do Brasil e descobri a imensa e imortal obra deste cidadão, espanta-me sua modéstia em querer ser apenas Presidente do Brasil, com tão vasto currículo o céu não seria o limite, senão vejamos:

1) Criou e idealizou as Pirâmides do Egito, o Pathernon, os templos Maias;

2) Ensinou: Lógica, Álgebra aos filósofos gregos,alunos diretos - Sócrates,Platão e Aristóteles;

3) Preparou e treinou nas artes das guerras e política: Alexandre Magno e Júlio César;

4) Anunciou a vinda de Jesus a Maria e deu umas aulinhas de milagres ao infante,inclusive aquela parte de andar sobre as águas;

5) Derrubou o Império Romano, sozinho;

6) Foi o grande mecenas do Renascentismo e dava aulas a Dante,Galileu,Da Vinci, deixando que estes assinasse as obras,mesmo sendo TODAS by Serra;

7) Em Portugal fundou a escola de Sagres e incentivou a construção de caravelas, conheceu um tal Camões e por amizade deu os originais dos "Lusíadas"(by Serra,claro);

8 ) Para comprovar o funcionamento das caravelas veio ensinando a Cabral como chegar ao Brasil celebrou a primeira missa e ainda converteu o primeiro Indio,não era o "Da Costa";

9) Criou as capitanias hereditária, descobriu a cana de açúcar, comercializou o Pau Brasil e descobriu o Ouro;

10) Foi a maior figura imperial,tendo atuação destacada no parlamento, são de sua modesta lavras:lei do ventre livre,dos Sexagenários e por fim a lei Áurea;

11) Fez de tudo na República: deu aulas ao Rui Barbosa,ensinou política externa ao Rio Branco, deu a Getúlio os projetos: CLT, CSN, Petrobrás. Foi dele a idéia de construir Brasília cedida à JK. Por fim deu umas viajadas ,mas voltou firme ao Brasil criando e doutrinando figuras de proa do tucanato, suas crias: FHC, Montoro, Covas. E não satisfeito criou o capítulo dos direitos sociais da CF de 1988. Fez os genéricos, o real e criou o Governo Lula;

12) Por fim cunhou a maior das frase para afastar qualquer questionamento: "o Trololó Petista"

Cheguei a conclusão que tudo foi :Serra que fez, papai quero meu DNA

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ser ou não ser...pequena reflexão sobre nós mesmos

I -  Cronos de curvo pensar: A força da natureza



Na teogonia Grega, Cronos de “curvo pensar” numa ação refletida decepa o pênis do pai maldito, Urano, o pai do céu, tomando-lhe o poder, tornando-se o senhor dos deuses. Ao decepar pênis este se ejacula e no mar nascem as ondas e no meio destas Afrodite, que em grego significa “amor-do-pênis”.


De um mesmo ato, psicologicamente, Cronos livra-se da opressão paterna, sucedendo-o simbolicamente com a nova energia criadora que se estabelece e ainda dar, no âmbito da psique, a separação do amor fraternal, representado por Eros, e o amor sexual, agora personificado em Afrodite.

Este deus(Cronos), ou homem desta época histórica é ligado à fúria à força da natureza primeva, desprovido de sofisticação, toda as suas demandas são revolvidas pelo ethos da hybris. Medir forças e o mais forte vencer é uma imposição da natureza adversa em que se vivia, não havia tempo para reflexões filosóficas da necessidade de mediar à disputa de forma a debater-se e decidir-se de forma pacífica os conflitos. Mais ainda a definição daquele que deve liderar o grupo não pode haver dúvida de seu poder, inclusive o sexual de dar a reprodução não apenas às mulheres, mas o exemplo à natureza.

II - Hamelet - O príncepe Filósofo



Com Hamelet teremos a oportunidade de acompanhar uma sucessão traumática de duplo caráter, o jovem tem de matar não somente o pai(morto, mas insepulto, um fantasma a lhe assombrar), rei velho, mas também aquele que o matou, seu tio e corrompeu sua mãe.


O duplo fantasma: do pai que lhe exige vingança e do “novo” pai(seu tio Claudio) que lhe exige fidelidade ao seu reinado. Nesta confusão de sentimentos o príncipe filósofo, posto numa rude Dinamarca, solta talvez a mais crua e forte reflexão sobre as dúvidas que mais assolam a alma humana:

“Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes?

Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se.

Morrer.., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando ao fim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos.

É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados?

De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem.…” (ATO III , Cena I)





Muitos de nós conhecemos os trechos iniciais do ..ser ou não ser... Raramente sabemos o momento em que são pronunciadas e as fatais conseqüências. O monólogo dar-se no momento crítico do livro, Hamelet já sabedor de que seu pai fora morto, sabe que seu novo “pai” é o assassino, mas a inação lhe consume e tira este longo debate de seu ser. No fundo o homem que aparece agora é o do renascimento que carrega o saber grego da alta cultura, mas agora é irresoluto, domina sua hybris, mas se revolta por não ser mais primitivo e dar cabo aos seus sofrimentos, que no fundo é o mesmo de Cronos, que de forma simplificada resolveu seus traumas em relação ao pai.

Porém este novo homem, mesmo vivendo na Dinamarca, já não “mata” o pai, ou os pais no caso, de forma literal, a sofisticação lhe impede de um simples ato morte, é mais complexo e sutil, agora ele reflete, pondera, tem medo dos seus atos e de suas conseqüências funestas, mas ao mesmo tempo lhe enche de ódio e revolta não dar cabo a sua angústia. Deste longo debate da consciência moral x consciência primitiva, nascerá o novo homem, que guerreia disputa poder, mas não é mais produto da natureza irracional.

Neste momento de tormenta que passo, lembrei vivamente deste monólogo, foi uma forma que encontrei de voltar a escrever, me abstrair das coisas que vivo intensamente. Estas reflexões que Hamelet fez, martelam na minha cabeça diariamente, tem coisa mais atual do isto?

Aos que querem conhecer mais profundamente a obra segue o link para baixá-la gratuitamente:


As análises mais interessantes que conheço são as de Harold Bloom, ele analisou o Hamelet em duas obras: Shakespeare - A Invenção do Humano e Hamlet - Poema Ilimitado.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mundo Novo x Velhos Conflitos

Conflitos externos dos EUA: a tensão necessária



Este texto tenta apenas elencar elementos para entendimento da crescente onda de conflitos e tensões no mundo. Este fato é fundamental para vermos onde o Brasil se localiza na atual conjuntura e que política pode aplicar para este momento. As questões que desejo pontuar são:

1)    Quem realmente manda no Governo Americano Obama ou Hillary?

2)    Quais os desacordos entre eles?

3)    Qual a importância da indústria bélica americana para alavancar o crescimento do país?

4)    Por que é importante manter o tensionamento externo, em particular com o Irã?

5)    Qual papel do Brasil?

Pequeno recuo histórico



1)    Reagan e a vitória neoliberal



O ciclo neoliberal mais forte e ideológico americano deu-se durante o duro governo Reagan, que foi amplamente vitorioso na luta ideológico ao império soviético, como diz  Macbeth depois das revelações das bruxas”tudo que nos parecia sólido sumiu ao ventos como nossos anelos”.

Reagan conseguiu eleger seu vice, Bush Pai, respaldado pela vitória anti-comunista, sem inimigos claros no mundo. A base da economia americana no pós-guerra era a indústria bélica, bilhões de orçamento público era gasto para deter o inimigo vermelho, com seu fim ela em si perderia a razão lógica de existir. Se não havia contraponto no mundo para que manter algo surreal como ela?

Ledo engano, a pretexto de proteger suas posições no Golfo Pérsico, em 1991, Bush invadi o Iraque, seus leiais aliados de combate anti-iraniano. A mal sucedida invasão, do ponto de vista militar, pois não derrubou Sadam Hussein, reanimou a economia, não o suficiente para garantir um segundo mandato a Bush.

2)    Clinton e os anos dourados do neoliberalismo



Uma surpresa total para EUA foi a vitória de Clinton, ex-governador de Arkansas, estado pequeno e secundário nos EUA. Com uma trajetória de militância política em causas sociais, Clinton chega a Casa Branca e lidera por 8 longos anos um dos maiores crescimentos da economia americana, sem que houvesse um grande conflito externo. Favorecido pela liderança única americana no cenário mundial impôs uma política de expansão das empresas e influência americana baseada no dólar e no mercado financeiro.

Caminhava para garantir um terceiro mandato com Al Gore, seu vice, mas foi atingindo pelo escândalos sexuais, a direita americana pudica até uma tentativa de impedimento cogitou, safando-se por muito pouco. Esta perda de confiança fez com que não tivesse a coragem suficiente de enfrentar a fraude da família Bush na Flórida.

3)    Bush Filho a volta dos senhores da guerra



O episódio de vencer, sem ganhar, levou a uma mudança completa de atitude do Governo Americano, que experimentou uma defensiva externa, questionamento e foi atacado pela primeira vez em seu solo. Os episódios do 11 de Setembro de 2001 foi uma dura resposta tardia a presença americana no oriente médio.

Novo recrudescimento interno e externo deu uma nova guerra ao Iraque a família Bush, detentora de petróleo e amplamente financiada pelos lobbies da indústria bélica. O medo extremo imposto ao estilo de vida americano deu ao Bush Filho seu segundo mandato. Este porém foi um fiasco total, atolados numa guerra sem saída, a economia sem responder, foram 4 anos penosos, um novo “inimigo” crescendo silenciosamente(China) a financiar seu crescente déficit fiscal, culmina com um novo quase 11 de Setembro, 15/09, a quebra de todo o sistema financeiro americano.

4)    Obama o herdeiro do império

Obama surge do nada, ganha da favorita Hillary a indicação do Partido Democrata. Uma hipótese pouco cogitada leva um negro à presidência. Vitória de um outsider total. Sem um pé na máquina partidária, dominada pelos Clintons, Obama faz um acordo cruel, entrega a Secretária de Estado, ministério mais importante americano, a sua adversária Hillary.

Enfrentando uma crise sem precedentes, Obama mais ou menos dividiu seu Governo em dois, no front interno liderado por ele, tenta aprovar reformas na saúde e recompor a economia em frangalhos. No front externo entregue a Hillary e os falcões mais reacionários, como boa conhecedora da máquina de guerra, Hillary tem seu desempenho facilitada pelos crescentes conflitos advindo da ampla crise financeira mundial.

A dura visão do Departamento de Estado, dominado pela Direita dos democratas, escolhe seus “inimigos”, o principal deles o Irã, mesmo com o refluxo no Iraque a aventura no oriente médio ainda é prioritária, atende a demanda da indústria bélica, do setor petrolífero, do militares e dos falcões de Israel.

5)    Os novos atores



A crise mundial atingiu em cheio o coração das economias centrais, numa proporção ainda não medida totalmente, o fantasma de que a crise não passou e ameaça mais fica evidente com a quebra seqüencial de Grécia, provavelmente Espanha, Portugal e Irlanda. A Zona do Euro enfraquecia, abriu uma janela para que país como o Brasil com uma política externa agressiva brilhe no cenário mundial.

O mundo mudou rapidamente nestes dois anos, era inimaginável que um país absolutamente secundário no tabuleiro internacional como o Brasil, agora tenha um papel de protagonista, virou uma espécie de terceira via, diante de EUA, com sua visível débâcle e a China de amplo crescimento, sustentáculo da produção de base mundial.

Esta busca por um pólo democrático longe dos impérios pode e deve ser aproveitado pelo Brasil, até o momento tem sido muito bem ocupado este espaço, aparecendo na questão do Irã e sendo referência nas relações com seus parceiros mais pobres tanto na América Latina como na África.

6)    O que pode vir?



Desenha-se um conflito cada vez mais próximo, não com armas, mas com bastantes tensões entre nações como as coréias, conflitos internos fortes como na Grécia pela não aceitação dos ajustes econômicos impostos pelo Euro. A questão palestina hoje virou mais uma vez assunto devido a agressão do estado de Israel com a devida conivência americana.

Cada vez mais a presença destes novos atores ganhará importância se eles efetivamente apresentarem solução para crise e para crescimento, não adianta apenas belas palavras, tem que ter saída econômica efetivamente, nova base de produção e troca de mercadorias.

Engana-se quem acha que só o campo diplomático está em jogo, o Brasil não foi ao Irã apenas pelo acordo nuclear, aproveitou e fechou parcerias econômicas com Turquia e Irã, esta deve ser a dinâmica a ser adotada pelo Brasil se realmente quiser ser ator importante no novo mundo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Édipo Rei ou a maldição dos Labdacidas

Édipo Rei ou a maldição dos Labdacidas



Cadmo e os Dentes do dragão




(Cadmo e o Dragão)

O Rei de Tebas Laio descende de uma família amaldiçoada, desde seu bisavô, Cadmo, fundador da cidade/estado, que matara um dragão de Ares (Deus da Guerra). Dos dentes do dragão plantados por Cadmo, nasceram gigantes chamados Spartói , os “semeados”. Espertamente Cadmo colocou-os em luta sobrevivendo apenas 5 de quem se torna amigo e juntos fundam a cidade.

O primeiro “pecado” da família cometido por Cadmo, morte do Dragão, foi expiado quando fez-se escravo de Ares por 8 anos(miticamente é um Rito Iniciático do Guerreiro). Casa-se com Harmonia e tem quatro filhos: Ino, Agave, Sêmele e Polidoro. Sua filja Agave casa-se com o Gigante Equíon, sendo mãe de Penteu, que seria o sucessor de Cadmo, porém sua hybrys contra Dionísio(Baco) foi sua desgraça, ao mandar aprisionar o Deus do Vinho, este faz com que Agave uma de suas bacantes mate o prórpio filho.

Polidoro irmão de Agave tem um filho, Lábdaco, que será o candidato ao trono do avô, mas como era muito jovem, seu tio Nicteu assume o trono, mas pouco depois se mata, sendo substituído pelo jovem Lábdaco. Este ao assumir trono também se rebela contra o culto a Dionísio e suas Bacantes, mais uma vez o deus faz com que suas seguidoras despedacem um Rei que não lhe era fiel.


(As bacantes)

Novamente o trono fica à deriva e Lico, um tio de Lábdaco assume interinamente até o Laio, possa tomar às rédeas da cidade. Um guerra entre Lico e os filhos de Nicteu (Anfião e Zeto) fez com que Laio foi exilado em  na corte de Pélops, o amaldiçoado filho de Tântalo.

Laio herda as mazelas de caráter religioso de seus antepassados, em especial de Cadmo que matara o Dragão de Ares e de Lábdaco que opôs ao culto do Deus do êxtase e do entusiasmo, mas para complicar mais ainda ofende a Pélops quando lhe rapta o filho Crísipo e o seduz, de uma só vez atariu a ira de Zeus deus da hospitalidade e a Hera dos amores “legítmos”.(inaugura miticamente a pederastia na Grécia).

Édipo, de pés inchados


(Laio e Jocasta)

Laio volta à Tebas e assume o trono casando-se com Jocasta, mas desde logo sabendo que carrega contra si as maldições, manda consultar o oráculo de Delfos sobre seu futuro a resposta é direta, se tiver filhos com Jocasta, este o matara e desposará a mãe. Mesmo ciente disto Laio e Jocasta têm um filho,a quem renegam, entregando-o a um escravo para que o abandonasse nas montanhas com pés atados, segundo outras versões ele é colocado dentro de um cofre e jogado ao mar.

O escravo condoído com o destino da pobre criança leva-o a monte Citerão e o dá a um outro escravo da cidade de Corinto. Este leva a criança e o entrega a Mérope, rainha da cidade, esposa do Rei Pólibo, que não tinha filhos. Ao  recebê-lo dão-lhe o nome de  Édipo (Oidípus – Pés Inchados).

Édipo cresce feliz em Corinto e próximo a completar maioridade resolve consultar o oráculo de Delfos e lá a pitonisa o amaldiçoa dizendo que ele matará o pai e desposará a mãe. Diante de  terrível vaticínio resolve fugir para longe de Corinto, para não cumpri seu destino.


(A morte de Laio por Édipo)

Próximo a Tebas o jovem é interpelado por uma parelha dirigido por um senhor que tentar agredir-lhe, ele se defende e na luta mata o homem e seus escravos que o seguia. Ao chegar na entrada da cidade uma terrível Esfinge interpõe-lhe o caminho anunciando um enigma, que é completado com a frase : “Decifra-me ou devoro-te”. Édipo decifra e mata a esfinge.


Ao entrar na cidade é saudado como libertador. É levado a presença da Rainha, que perdera tragicamente o marido, morto segundo se comenta por salteadores fora da cidade. Rapidamente o jovem é feito esposo da rainha e do seu enlace, nascem quatro filhos(Polinices,Eteócles,Ismênia e  Antígone). Vivem felizes até aparecer novo mal à cidade de Tebas. Uma terrível peste assola a cidade e nada do que se planta consegue-se colher. Édipo manda consultar o oráculo de Delfos.

Leva a presença de Édipo, Tirésias o adivinho dos mistérios de Delfos, tem como resposta de que o assassínio de Laio não fora vingado e a cidade estava corrompida pelo incesto. Provocado pelo Rei ele diz que Édipo é o pecador. Este não lhe dá crédito. Chega um mensageiro de Corinto anunciando a morte de Pólibo e que Édipo deve assumir-lhe o trono. Satisfeito por não ter matado o pai e triste por sua morte, Édipo pergunta ao mensageiro sobre seu passado em Corinto, este conta-lhe que fora ele quem o tinha encontrado bebê no monte Citerão.


Desesperado, Édipo chama os antigos escravos que lhe confirmam a desgraça. Jocasta que a tudo assistia se mata. Édipo fura os olhos e exila-se na cidade sagrada de Colono, cercanias de Atenas, pois ele lá não podia entrar.

Comentários sobre a Tragédia das tragédias



Apesar se tema muito corrente e popularizado pelo que Freud denominou: Complexo de Édipo, esta tragédia tem ângulos muito maiores e mais densos, não podendo ser entendido apenas por esta interpretação.

Uma primeira visão é entender que o teatro, poesia grega, era largamente usado para dar amalgama a cultura, laços e identidade da civilização helênica. Portanto esta função de educar, passar valores é fundamental como bem observa Jagger na Paidéia.

Depois o teatro servia como forma de disseminar as leis e práticas toleradas pelas cidades-estado. A condenação ao parricídio e crimes de sangue bem como o combate às relações incestuosas foram leis publicadas por Solón. Os escritores eram convocados a escreverem para o estado sobre temas de interesses da sociedade.

Freud foi brilhante na identificação do conflito estabelecido, partindo de uma visão dos desejos sexuais primevos que a criança tem com a mãe e o ódio em relação o pai. Destes dois vetores chegaremos ao âmago da tragédia edipiana.

Já Jung, não despreza os elementos da libido, porém acha que esta quando represada vai refluir para outros canais (o tempo fático de mais de 20 anos entre o nascimento e as primeiras relações sexuais entre Jocasta e Édipo, dar-lhe razão). Em passant, a ruptura entre ambos esta calcada nesta diferença de interpretação.

Cabe lembrar ainda que a luta entre o Rei velho, que já não tem energia para “fecundar” a natureza, contra o jovem príncipe, para que a “força mágica”, vigor sexual, esteja acesa e mantenha o progresso da sociedade são coisas ainda hoje observadas largamente. Aqui também deve se salientar a mudança da sociedade matriarcal para uma de clara orientação patriarcal. A disputa pelo poder dar-se-á de forma violenta e fratricida.

O mais interessante é que 2500 anos depois nos pegamos a discutir uma tragédia tão magnificamente escrita, que traz muito do que somos, de como fomos educados, em quais elementos culturais nos baseamos, nossos valores, éticos, políticos e religiosos.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Será que você é mesmo Alice?


A estória de Alice no país das maravilhas, ou melhor, a versão desta feita por Tim Burton tem suscitado polêmica sobre a qualidade do filme, da decepção causada devida à grande expectativa criada, desde quando se anunciou o filme. Gostei muito do filme, contrariando opiniões de amigos que viram e acharam-no fraco, sem roteiro, sem nexo e para algum enfadonho. Resolvi escrever algumas idéias sobre a obra.

A pergunta que se repete em todo o filme é esta: "Será que você é mesmo Alice?" é sem dúvida o caminho para ver com outros olhos a pequena grande ousadia do filme: fazer Alice sem ser Alice, usar os elementos de Alice e fazer outra Alice. Esta jogada de frases e imagens que constroem e desconstroem a obra de Alice é mensagem fundamental que consegui tirar do filme.

Para mim há três níveis em no filme sobre Alice:

(1) Rito iniciático clássico;

(2) Psique Menina/Mulher;

(3) Produção onírica;

Este conjunto é extremamente bem desenhado nas imagens de 3D, muito bem encaixadas para cada nível, o jogo das cores, as mudanças de conduta e atitude dos personagens e a variação das cores formam um todo que, a meu ver são grandiosos. Entrando em cada nível teremos a compreensão da obra:
  1. Rito iniciático clássico


Alice tem sua Catábase, ou catábasis (κατὰ do grego, "para baixo" βαίνω "ir") é uma descida de algum tipo. Catábase pode ser um movimento para baixo, um afundamento de ventos, um recuo militar, ou uma viagem ao submundo. Pode significar também uma viagem do interior de um país ao longo da costa, e tem significados relacionados com a poesia, a retórica e a psicologia moderna(Definição Wikipédia baseada na psicologia).

Nos ritos iniciáticos gregos antigos a necessidade de se descer a outro mundo é compreendido como a necessidade de romper com um estágio de vida, não apenas na idade, mas fundamentalmente psicológica. Os ritos de Eleusis que foram sufocados pela religião cristã, era exatamente esta passagem. Notadamente estes ritos são relacionados aos homens, mas os mistérios de Eleusis eram compreendidos também às mulheres. O que nos sobra são os fragmentos destes ritos na peças "As Bacantes".

Em outras culturas, como na judaica, homens têm seu Bar-Mitsvá aos 13 anos, passando de criança à Homem. As meninas se comprometem com Mitsvot aos 12 anos, relacionado com a Menarca (primeira menstruação), deixando de ser criança e virando Mulher.

Parece claro que a descida que Alice faz antes de aceitar ou não seu pedido de casamento com o rico asqueroso que lhe "compraria" a garantia de não ficar solteira, para ser apenas titia. Neste momento, ela, aos 19 anos, é posta à prova quando deve romper com seu mundo infanto-juvenil e virar mulher. Sua descida ao infernum (termo latim para mundo inferior) é um ato claro de revisão de vida.

As imagens são a combinação de alegria e apreensão, medo e felicidade, revisitar personagens que convivem com ela desde a tenra idade, e este sempre a lhe perguntar: Será que você é mesmo Alice?

2. Psique Menina/Mulher




Aqui entra a segunda parte do mesmo mito, a psique feminina. Tim Burton faz um filme de um universo feminino com grande sensibilidade, Alice vai oscilar entre A rainha vermelha e a branca, entre o Sexo, luxúria (vermelha) e a inocência, candura (branca). Por ambas ela será querida, a porção menina fala mais alto, a principio. Mas ambas propõe que ela mate seu dragão, a vermelha tenta lhe seduzir na convivência, porque ela detém o dragão, é mais sutil, pois tem certeza que logo ela será Mulher.

Já a rainha branca deixa-lhe claro, ela tem que matar seu dragão, libertar a si mesma. Alice vacila, tem repulsa a matar, questiona-se por que deve fazê-lo. Mas intimamente sabe que deve ser assim, e na última hora tem o significativo encontro com Absalem, a lagartixa, esta em transformação e mostra-lhe que TODOS deixam um corpo para ser outro, é a metamorfose natural da vida e da cabeça.

A luta é saída natural, a frágil menina é posta frente a frente com o dragão e tem que descobrir dentro de si como matá-lo, por mais improvável que seja ela o mata, a imagem é grandiosa, muito didática, bem construída.

A reflexão anterior à luta, os propósitos de menina, e depois o amadurecimento de mulher são evidentes, mais ainda o diálogo final dela com o chapeleiro, sua última reminiscência, pergunta-lhe se não quer ficar neste “mundo”? Óbvio que depois de matar o dragão não há mais volta

3. Produção onírica;


Talvez a grande crítica ao filme seja a questão do roteiro, que não há humor ou ação, que o andamento é caótico, não tem lógica e por ai desfiam-se as reclamações. Para esta questão, caberia perguntar: existe ordem nos sonhos? Controla-se o que se deve sonhar, como acontecer cada coisa?

O filme é baseado em Alice, mas não é Alice, está claro desde o início é um sonho, uma produção onírica, que o compromisso com a “realidade” é puramente circunstancial. As imagens, as viagens ao submundo da psique de Alice, seus monstros e seus objetos de desejos estão lá, envoltas em névoas psicodélicas.

A dificuldade de entender esta dinâmica do filme, talvez nos leve a menosprezar a grandeza da obra, ou nos contentarmos apenas com um ou outro aspecto da produção.

As fantásticas imagens em 3D nos levam ao mundo dos sonhos, diretamente à mente daquela jovem, que por acaso se chama Alice, mas que pode ser que não seja Alice.

sábado, 17 de abril de 2010

Institutos de Pesquisas,ou:onde estão os suíços

“Toda teoria é cinza, verde e frondosa é a árvore da vida" (Goethe)

Durante as duas grandes guerras a pequena Suíça manteve-se na posição de "neutralidade". Isso se deu pelo fato deste país ter em sua formação influência das principais culturas européias: França, Itália, Alemanha. Tornando impossível assumir um lado, bem, é assim que aprendemos romanticamente nos livros de história explicando a neutralidade suíça.

Dito isto passo ao assunto quente da semana, a Guerra de Pesquisas eleitorais. Alguns fatos para lembrarmos:

1) Em 1982 Globo e Ibope trabalharam intensamente pela derrota de Brizola ao Governo do RJ, isto levou a uma profunda perda de credibilidade do Ibope, que ficou marcado pela manipulação;

2) Em 1985 a menos de 10 dias da eleição, morava em Fortaleza na época, Maria Luíza Fontenelle, candidata do PT a prefeitura de Fortaleza aparecia com 4%, em quarto lugar, enquanto Paes de Andrade, Lucio Alcântara estava respectivamente com 35% e 27%. Sabemos quem ganhou a eleição;

3) Em 1988 Luiza Erundina aparecia apenas em terceiro lugar a uma semana da eleição e não ameaçava a vitória tranqüila de Maluf, sendo secundado por João Leiva candidato do Quércia;

4) Em 1989 Lula era quarto colocado e dificilmente chegaria ao segundo turno, de acordo com as pesquisas;

Poderia citar mais e mais exemplos para fundamentar minha pouca fé, para não dizer nenhuma em pesquisas. Mas elas são importantes na arena política, são supervalorizadas por partidos e candidatos e influem numa gama da população que decide o voto quase na hora de digitar.

Vindo para os dias atuais tivemos um quase consenso entre analistas políticos e dos grandes institutos de pesquisas de que a candidata do PT, Dilma Roussef, a Presidência, era uma total desconhecida e que perderia fácil as eleições. O Senhor Carlos Augusto Montenegro chegou a declarar em abril de 2009 de que ela mesma com apoio de Lula, o Presidente mais bem avaliado da história, segundo os institutos de pesquisas, não ultrapassaria os 15% e que a eleição estava decidida, Serra venceria no primeiro turno. Opinião não muito diferente dos arautos do DataFolha. Os institutos menores Sensus e Vox Populi não demonstraram esta "certeza" acaciana.

De janeiro de 2010 para cá explodiram pesquisas quase semanais, olhando de novembro de 2009 invarialvemente temos alguns pontos comuns:

1) Serra varia sempre em torno de 32% a 38%;

2) Dilma cresceu de 8% para ficar em torno de 28% a 32%;

Este fulgurante crescimento de Dilma tem atormentado não só a campanha de Serra, mas principalmente os pitonistas dos grandes institutos de pesquisas, sua credibilidade começam a ser questionada.

Luis Nassif publicou no seu site um pequeno post: "Para entender o caso DataFolha" ( http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/04/15/para-entender-o-caso-datafolha/ ) que fundamentalmente diz que houve um interesse muito grande em reinflar a candidatura Serra, pois pela tendência de todas as pesquisas Dilma ultrapassá-lo-ia, isto poderia lhe custar apoios na sua convenção que se aproximava.

Em conversa com um amigo  publicitário que trabalha em campanhas eleitorais, ele relata que existe muitas vezes uma necessidade de represar uma tendência de crescimento para não acabar a campanha do outro, e de que já fora vítima de algumas destas manipulações. Quando saí o resultado da eleição vem à famosa desculpa de que houve uma mudança de rumo "não capturada" pelo instituto.

No entanto houve um recrudescimento desta disputa, PSDB processa a tudo e a todos, mesmo espalhando aos quatro ventos que Serra esmagará Dilma nos debates, eles tem procurado judicalizar em demasia a eleição. Resolveu processar Sindicatos (Professores e Metarlúgicos), Centrais Sindicais e, insuflado pela Folha de SP, entrou com representação contra Sensus mostrou empate real entre Serra e Dilma e  que pôs em Xeque a pesquisa do DataFolha com aumento de vantagem de Serra.

TSE concedeu acesso às planilhas do Instituto Sensus, que acabou liberando para quem quiser ver. Será que teremos oportunidade de ver as do DataFolhas?

Por fim saiu mais uma pesquisa do DataFolha que "captura"  todo o bom momento de Serra, a saber:

1) Transmissão ao vivo da convenção do PSDB em todos os canais de TV;

2) Corte Stalinista da foto de FHC com Serra;

3) Beijo de Serra em Aécio e discurso deste em apoio;

4) Exploração da fala de Dilma sobre não fugir da luta, transformado em "fugir do Brasil"(saiu um " erramos 4 dias depois minúsculo interno), para este fato indico o post de Maurício Caleiros no seu excelente blog bastante crítico a fala: "Dilma e os fujões" (http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/2010/04/dilma-e-teimosia-burra.html

5) A aparente malograda viagem de Lula à cúpula atômica, Estadão e Folha publicaram uma incrível mesma manchete de capa dizendo que Obama ignorou Lula, fato desmentido depois, mas a capa já estava divulgada e repercutida;

6) Associação de Lula à tragédia das chuvas no RJ e ampla manipulação desta, esquecendo tudo o que foi escondido nas chuvas de SP,tratada como fato da natureza, enquanto nas  dos RJ foi omissão dos políticos em particular Lula. Chegaram a mandar Fátima Bernardes para Morro em Niterói, enquanto Jardim Pantanal em SP ficou alagado por 60 dias sem que eles o mostrassem;

7) Globo reforçando a posição da Folha e do PSDB diz que só dará números do DataFolha e Ibope, reforçando a tese de que Sensus e Vox Populi não têm credibilidade;

8 ) Notícia de ampla geração de emprego(657 mil em 3 meses) e crescimento da economia em torno de 6 a 7% foram preventivamente escondidas em cadernos e matérias secundárias;

Mesmo com todas estas boas notícias pró-Serra ele cresceu 1 ponto, se dermos crédito à pesquisa anterior. Estranho muito estranho.

Apenas para lembrar os suíços ficaram "neutros”, mas nunca se recusaram a legalizar as fortunas dos nazistas roubadas e pilhadas dos judeus mortos no holocausto... ou seja, neutralidade boa é a que beneficia alguém...