quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pequeno balanço do Governo Lula

Primeiro Governo Lula

Devemos lembrar-nos do ano de 2002, para entendermos o primeiro Governo Lula e o exato contexto de mudanças:

Situação Política e Econômica pré Lula:
  1. Janeiro de 1999 uma desastrada maxi-desavalorização do real elevou de 1, 12 para 2,17 em apenas uma semana;
  2. O governo privatista FHC se esgotou em 15 dias após a posse;
  3. Os três anos seguintes foram de extrema letargia, baixo crescimento e todos os “ganhos” das grandes privatizações foram consumidos no imenso déficit das contas públicas;
  4. O maior caos político-administrativo foi o apagão energético, com Ministério de Minas e Energia esvaziado sobreveio o maior vexame da história recente, país não podia crescer por falta de geração e/ou transmissão de energia produzida;
  5. Apesar da melhoria da economia em 2001 o governo politicamente estava derrotado;
  6. Iniciado o ano da sucessão a oposição comandada por Lula era amplamente favorita;
  7. Abril de 2002 o Dólar estava no cambio flutuante no valor de R$ 2,32. O risco país em torno de 800 pontos (dados do BC);
  8. A candidatura governista e da imprensa e dos empresários o Sr José Serra não alça vôo é uma candidatura que ruma ao fracasso;
  9. Em meados de abril/2002 o Sr Luiz Fernando Figueiredo Diretor de Política Monetária do Banco Central modifica a política de prefixação de rendimentos dos fundos de investimentos. Antecipando os vencimentos dos títulos públicos fixados em dólar;

10.  A medida, aparentemente técnica, na verdade revela-se uma tentativa de golpear a oposição, pois com ela todos os índices econômicos são alterados radicalmente;

11.  Em um mês o dólar salta pra três reais, o risco país vai a 1500 pontos. A imprensa pró-FHC e seu candidato espalham boatos que a culpa deste desarranjo é a expectativa de Lula ser Presidente;

12.  Este clima de terror eleitoral foi maligno para o país entre o primeiro e o segundo turno o dólar chegará a 4,04 e o risco pais a 2500 pontos, o IGPM que remunera alugueis e tarifas públicas vai a 30%;

Lula recebe a “herança maldita”

A maior herança do FHC foi um estado falido, sem reservas cambias, expectativa inflacionária crescente, havia previsões de até 30%(IGPM e INPC) em 2003, taxa de juros em 23,5%, cambio de 1 US$ equivalia R$ 4,04, risco país em 2400 pontos, a falência levara ao apagão por incapacidade produtiva. Os principais ministérios apenas cumpriam funções simbólicas, tendo o Estado sido “terceirizado” para agências reguladoras e todas as agências capturadas por aliados do antigo governo. O que sobrou do sucateado estado brasileiro tinha uma gama de terceirização escandalosa.

O país acaba pedindo 25 bilhões de dólar ao FMI em Dezembro de 2002 e aumenta a taxa de juros para 23,5% ao ano. O novo governo tem de lidar com um país saqueado, política de terra arrasada. Todos os planos de mudanças urgentes e estruturais serão adiados, pois se precisa primeiro não deixar o país falir de vez. Todo o esforço de Lula foi convencer aos empresários e investidores estrangeiros que ele não porá fogo ao país, não dará calote, não deixará de cumprir os contratos mesmo àqueles que foram draconianamente elaborados.

Destas breves linhas depreende-se que o novo governo começa administrar uma máquina que tem pouco controle e domínio, a própria inexperiência de Governo Central joga contra Lula. O grande desafio era não cair em 6 meses como maquinavam FHC e seus aliados, este só se mudou de Brasília em fins de junho de 2003, achando que o governo cairia e ele seria chamado para “salvar”o Brasil.

As grandes Expectativas

Lula chega ao poder central depois de 25 anos das grandes greves do ABC que o projetara como grande líder de massas, não forjado em escolas tradicionais de sindicalismo comunista. Ele forja-se como peão que cresce dentro de uma fábrica num regime de exceção cujas liberdades sufocantes é a mola mestra do crescimento econômico, mas na segunda metade dos anos 70 os militares já não davam conta nem do crescimento econômico, bombardeado pela crise do petróleo, muito menos das demandas sociais por liberdade política. A esmagadora vitória do MDB em 74 e 78 prepara um novo ambiente.

As greves de 78/79 lideradas pelo metalúrgico até então desconhecido, são o tiro que faltava para deflagrar o grande movimento pela anistia, liberdade política. Em 80 a ultima tentativa dos militares foi liberar os partidos, com claro objetivo de dividir as oposições, daí surge a grande novidade política do Brasil, o PT.

Sem muitas delongas, este não é objetivo aqui, o PT se forja como a opção vinda da classe trabalhadora mais vitoriosa do país, desde seu inicio identifica a necessidade de chegar ao poder, e nove anos depois chega ao segundo turno da eleição presidencial deixando para trás lideranças expressivas como Brizola e Ulisses. Lula se consolidará como alternativa de poder nas próximas eleições, carregando consigo todo um simbolismo de lutas sócias e transformações.

Talvez lidar com estas grandes expectativas seja a parte mais complexa da montagem do governo inicial, como atender demandas reprimidas num ambiente econômico tão ruim?

2003-2005 Apenas lutar para sobreviver

Desde a montagem da equipe e de algumas medidas houve acertos óbvios e erros clamorosos inoperantes. A equipe econômica não poderia fugir da lógica do mercado, não havia qualquer espaço de manobra e as medidas tomadas foram coerentes com o momento para dar fôlego futuro: 1) Exportações; 2) controle da inflação; 3) aumento do salário mínimo acima da inflação, nada mais podia ser feito de substancial.

Do ponto de vista social o grande acerto foi o lançamento da “Fome Zero” era mais que uma marca, um compromisso para aquele tempo, mas faltaram gestores que entendessem profundamente como montar um programa social tão amplo.

Do ponto de vista político a não vinda do PMDB ao governo causou graves transtornos ao governo mesmo sendo vitorioso na eleição majoritária o governo era ampla minoria no congresso o bloco efetivo que venceu a eleição só tinha 192 deputado e pouco mais 20 senadores.

Os operadores políticos de Lula foram para tática de ganhar apoio no varejo e em bases partidárias que não tinham compromissos algum com o projeto, a troca de favores e futuros financiamentos de campanha virou a moeda de troca, notadamente com o PTB de Roberto Jefferson, que foi o partido escolhido para desembarcar estes “apoios”. A lógica traçada por Zé Dirceu deste tipo frágil de apoio desembocará no Mensalão, o valerioduto criado pelo PSDB mineiro, foi amplamente usado pelos operadores Petistas, a grande diferença é que, no caso mineiro não havia interesse em denunciá-lo. No caso de Brasília tornou-se o escândalo nacional, a mídia amplificou as denuncias, CPIs e toda sorte.

Por um erro tático de FHC e aliados, que achavam que Lula iria sangrar em praça publica e desagregar seu governo, ele não foram à frente com o impeachment. Por esta lógica qualquer candidatura de oposição bateria Lula no primeiro turno, este foi refresco melhor que Lula poderia receber.

2005-2006 A grande virada

Com a saída de Zé Dirceu do Governo, Lula teve as rédeas totais do seu destino, não sei se consciente ou não, mas as escolhas para reconstruir o governo foram decisivas, em particular a de Dilma para Casa Civil.

Fator Dilma

Ninguém prestou atenção quando Lula nomeou Dilma para Minas e Energia, o único fato relevante era que ela fora guerrilheira, presa política, torturada e que depois no RS se tornara economista e tinha sido uma importante gestora do Governo Olívio Dutra.

No Ministério da Minas e Energia revelar-se uma grande gestora, do país sem energia, com déficit absurdo que fazia com quem não se pudesse ousar em qualquer crescimento econômico, pois a energia estava sob racionamento, ela consegue reverter o quadro de forma rápida e eficaz, sem prejudicar a população, pois esta não foi chamada para pagar a conta, diferentemente dos impostos anti-apagão de FHC.

A ida dela à Casa Civil muda completamente a lógica de funcionamento do Governo, sua dinâmica, perspicácia, dureza começa a dar outra cara administrativamente ao governo. Na pratica Dilma converte-se em Ministra chefe, liberando Lula das tarefas cotidianas e sendo a figura publica necessária ao seu governo.

Segundo Governo Lula e grande crise de 2008

2007-2008 PAC e Crescimento sustentado



Novo Governo Lula é totalmente diferente do primeiro, se livra de vez de todas as heranças malditas e passa a pensar o país mais em longo prazo, o maior acerto foi o PAC, que é um conjunto de iniciativas articuladas por todos os entes federativos visando alavancar o crescimento sustentado.

Por iniciativa da Casa Civil foram listadas todas as obras, projetos, combinando orçamento da União evitando desperdício e usando uma lógica de combate ao desemprego, articulação de setores da economia e preocupação social. Em particular os recursos são destinados para saneamento, infraestrutura(estradas, portos, aeroportos),habitação, hospitais. Foram dois anos de intenso crescimento econômico, geração de emprego e renda.

A queda do muro de Wall Street – Setembro de 2008

A lógica de produzir fortunas a qualquer custo, em particular às alavancagens bancárias, foram criando ondas especulativas em a “riqueza virtual” superava em até 10 vezes a riqueza real. A necessidade crescente de guerras e conflitos para revigorar a produção de capital a emissão de moedas e o endividamento do USA, combinado com a inversão de fluxo de capital dos países periféricos para o centro criou o caldo de cultura para a futura crise.

A redistribuição da produção, privilegiando China e Índia, com a visão de barateamento ao extremo dos custos, leva conseqüentemente à desindustrialização dos grandes centros, começa um ciclo de sobrevivência das famílias através de empréstimos bancários cada vez mais “generosos”, uma bolha de consumo nunca vista na história ameaça todo o sistema. Grandes corporações americanas passam a ter mais “lucros” com atividades interbancárias de empréstimos do que com o produto vendido, caso exemplar da GM, Ford.

Os bancos como bombeadores do sistema com seus imensos créditos sem lastro vão à bancarrota de forma inacreditável, no espaço de 45 dias as maiores instituições bancárias do mundo falem sincronizadamente.

Socorro neoliberal pelo Velho ESTADO

Seria cômico se não fosse trágico, mas o Estado vilipendiado pelo neoliberalismo virou o socorro às estas almas carentes de fé na sua ideologia, todas as práticas e discursos foram esquecidos e como na música do Chico a fila para Geni salvar tinham todos os personagens.

Em poucos dias o USA elegeu Obama, quase 30% da economia americana foi formalmente estatizada, a dívida líquida e o déficit público as jóias da coroa neoliberal foram enfiadas no saco, a prova cabal de que a ideologia e a política não resistem a dinâmica de crise econômica produzida pelo capital.

O Brasil e o neoliberalismo

Como falamos acima nenhum projeto político ficou imune a lógica Neoliberal, o do PT de Lula se adaptou a este mundo, mas por uma condição particular de extrema miséria e às doses cavalares do receituário neoliberal aplicados aqui, já se começava a gestar iniciativas tímidas de tentativas de fazer algo diferente à política dominante.

Dois fatores, para mim foram fundamentais:

1)       Diminuição da dependência americana, busca de novos parceiros comerciais;

2)      Rompimento com a política de privatizações, que preservou o Banco do Brasil a CEF e a Petrobras;

Mesmo sob críticas ferozes Lula buscou desde 2003 remar lentamente contra a maré, fez um excelente política externa coordenada por Celso Amorim, aproximando da China, da África e uma aliança estratégica com a Europa, em particular com a França.

Impulsionou o G20 grupo que passou a ter voz ativa na OMC e fazer frente às demandas  dos países centrais de maior exploração dos recursos destas nações e imposição de seus interesses de privatização e invasão de seus produtos.

A segunda política, a de parar as privatizações salvou um pouco do patrimônio público e deu margem de manobra para impulsionar uma política de desenvolvimento incentivado pelo Estado.

A Petrobrás que quase fora privatizada por US$ 3 bilhões em 1999, em janeiro 2003 tinha seu patrimônio em US$ 20 Bilhões, em janeiro de 2010 ela vale US$ 200 Bilhões e movimenta cerca de 10% do PIB, sendo hoje a quarta maior petroleira do mundo. Os ganhos do Pré-Sal podem definitivamente tirar o Brasil da miséria endêmica.

O Brasil e a grande crise

Aos primeiros sinais da crise Lula, falou que ela seria uma “marolinha”, quase foi massacrado pela mídia e seus acólitos no parlamento. Porém ele jogou todo seu patrimônio político no combate a crise, enfrentou-a de peito aberto, com o significativo pronunciamento no natal de 2008.

Lula jogou todas as suas forças e recursos do Estado para que o Brasil fosse pouco atingido pelos efeitos da crise, importante lembrar os coveiros (Miriam Leitão, Sardenberg, PSDB e DEM) que torciam entusiasmados com a possibilidade de derrotar o governo, todo dia eles comemoravam um número ruim que saiam, em abril chegaram a dizer que o desemprego iria explodir em 2009, que a geração de novos empregos seriam nulas. No parlamento a ‘“marolinha” era motivo de chacota, os programas eleitorais do DEM/PSDB/PPS repetiam as piadas sobre a crise.

Logo em junho a situação se reverteu, o pior passara, o crescimento seria ZERO, mas o mundo todo em média seria de -4%, ou seja, estávamos no Lucro. A previsão de geração de emprego foi de 1 milhão.

Lula passou a ser visto no mundo como o “CARA” nas palavras de Obama, sua rapidez de agir, firmeza e principalmente a confiança de que só nós podíamos vencer a crise convenceu a população de que era possível.

A mídia e os resultados de 2009

Olhando a tabela acima sobre os números da economia mundial e comparando com os do Brasil abaixo:

Dívida Publica x PIB

Em Dez/2008 = 37,3 % do

Em Dez/2009 = 42,96%

Supervit da Contas Públicas X PIB

Em 1999 = 3,26%

Em 2000 = 3,46%

Em 2001 = 3,64%

Em 2002 = 3,89%

Em 2003 = 4,32%

Em 2005 = 4,85%

Em 2008 = 3,54%

Em 2009 = 2,06

Mesmo com toda crise nossos números são extremamente favoráveis, mas lógico que donas Miriam, Sardenberg da vida e PSDB/DEM acham que estamos no casos pois geramos só 995 mil empregos(5 mil a menos do que previsto), que nossa dívida publica aumento e o superávit caiu.

Como há muitos incautos é bom comparar com o mundo e ver o porquê Lula foi agraciado em Davos e nossos brilhantes “economistas” (não seria apenas torcedores?) não entendem nada de nada. Ademais a oposição entra em pânico ante os números das pesquisas.

Vendo isto hoje, vejo que precisamos urgente de um filme “Adeus, Reagan”, duro é saber quem faria o papel da velhinha Neoliberal, sugestões?

2010 auspicioso crescimento

Chegamos a Setembro de 2010 com uma perspectiva de crescimento vigoroso de 7,3%, todos os indicadores econômicos em alta, vejamos a herança que Lula deixará para seu sucessor:

1)    14 milhões de novos empregos, taxa de desemprego mais baixa da história;

2)    De Janeiro de 2003 a Junho de 2010 43% a mais de empregos formais;

3)    Classe média aumentos em 24 milhões de pessoas;

4)    32 milhões de pessoas saíram da linha da miséria;

5)    Classe C tem mais poder de consumo de A+B juntas. Classe D emergindo e entrando firme no mercado;

6)    Salário mínimo foi de US $ 65 para 295 e quebrou a versão de que se aumentasse salário previdência e empresas iriam a falência;

7)    Brasil é 3º país  no ranqking de investimentos mundiais;

8)    Petrobras fará a maior capitalização da América Latina por uma empresa, algo em torno de 25 Bilhões de Dólares, Pré-Sal vira realidade;

9)    Contas públicas em ordem;

10)  Diminuição da carga de 36,1 para 33,58% do PIB em plena crise;

11)  8ª Economia mundial e perspectiva de ser a 5ª em 5 anos;

12)  Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016, abrindo ampla perspectiva de investimentos, obras e empregos;

Muito há que se fazer, dívida social é imensa, falta mais reforma agrária, falta resolver o problema do câmbio, combater a desindustrialização, diminuir impostos, política de inclusão social. Melhorar educação e saúde pública. Mas sem dúvida muito foi feito apesar de todas as dúvidas de 2002.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quando Nasce uma Paixão?

Pequena homenagem ao meu Corinthians


Quando Dante tinha 8 anos de idade conheceu Beatriz e foi seu amor pelo resto da vida, ele foi ao inferno atravessou todos os círculos,passou pelo purgatório apenas para vê-la no Paraíso, uma paixão que não se explica, apenas acontece.


Por uma coincidência poética, Eu também tinha 8 anos e morava em Bela Cruz, nos confins do Ceará e numa noite,13 de Outubro de 1977, vi uma aglomeração reunida em frente a pequena TV preto e branco, da praça pública, disputando espaço homens e mulheres simples naquela aparelho que emitia  algo que parecia imagem em meio a chiados e lista pretas. Era inaudível e pouco se via, mas aquele povo lá, tenso tentando ver e ouvir algo despertou minha curiosidade

Era muito pequeno não entendia nada do que acontecia, o certo é que lá pelas tantas a praça irrompeu-se em uma alegria que nunca vira na minha pouca idade, gente se abraçando gritando, foguetes estourando naquele povoado simples e os mais gaiatos ligando os motores de jipes e fusquinhas saíram em carreata. Ali nasceu meu maior amor da vida, nem sabia bem os porquês de tudo aquilo, mas aquela paixão me invadiu e fui batizado pela religião, fé e coragem algo tão abstrato como concreto chamado: Corinthians.

Estas lembranças 33 anos depois e agora prestes de completar 100 anos renovam o coração e a alma, a complexidade deste sentimento incomum de escolher um amor para toda vida é intrigante e inexplicável, vivi muitas coisas emocionantes, grandes vitórias, amargas derrotas, mas jamais o amor e paixão diminuíram. Entrar no Pacaembu ainda me faz ficar arrepiado, ver aquele povo todo reunido: ricos, pobres, brancos, pretos, Cristãos, Ateus, judeus, palestinos. Mas ali dentro todos nós somos apenas um, somos Corinthians, nossa Vida, Nossa História, Nosso AMOR. Só quem é sabe o que é ser parte deste sentimento.

Obrigado CORINTHIANS por tudo que você me faz.

República Popular do Corinthians


(Publicado originalmente no Blog do Menon http://blogdomenon.blogspot.com/ )

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Tempestade (W Shakespeare)





"Somos da mesma substância que os sonhos."(ato IV,cena I)





Tema: Comédia (Traição, Vingança e Magia)

O Livro


Próspero, Duque de Milão, era um homem muito estudioso que muitas vezes preferia livros à administrar a cidade. Aproveitando-se de sua passividade, seu irmão Antonio conspira contra ele em aliança a Alonso, rei de Nápoles. A empreitada é exitosa e eles derrubam Próspero do poder e o deportam, com a ajuda do fiel Gonçalo consegue levar consigo seus maiores bens os Livros e a pequena filha, Miranda, de 3 anos.

Próspero chega a uma pequena ilha cheia de magias que é dominada pela Bruxa Sicorax, porém com bastante esperteza e ajuda de seus livros ele a derrota, liberta Ariel, um espírito do ar, ente mágico que voa e passa a criar o monstruoso Calibã, filho da bruxa. Calibã quando adulto tenta estuprar Miranda, sendo castigado com expulsão do convívio da casa e tornando-se escravo de Próspero.

Muito tempo depois Próspero dominando poderes mágicos adquiridos com suas leituras provoca uma tempestade que causa o naufrágio do barco do Rei de Nápoles, que voltava da África, vindo do casamento de sua filha. No barco estavam Antonio, o traidor irmão, Ferdinando filho do rei de Nápoles e velho amigo Gonçalo.

Com a ajuda de Ariel, Ferdinando chega a casa de Próspero e logo se apaixona por Miranda, que lhe corresponde ao amor. Próspero finge não querer o romance. Os outros náufragos passam a vagar pela ilha sem esperança, Próspero vai manipulando a situação preparando o encontro final.

Comentário sobre o Livro

Este texto foi um fichamento que fiz em 1992, tinha a boa mania de ler e resumir livros, como não existia blog eu escrevia à mão e repassava para alguns amigos incentivando-os a lerem. Do Shakespeare fichei quase todos seus escritos, bons tempos aquele. Este Livro diz muito sobre quem ama literatura, arte, fala diretamente sobre tudo que estou sentindo e passando.

Esta ilha de magia foi o último trabalho de Shakespeare é uma espécie de redenção, pois foi escrito depois de uma longa seqüência de terríveis tragédias, ele escreve uma fantasia lindíssima, onde Próspero é o próprio autor encarnado na estória, que se reconciliará com seus inimigos. Preste atenção as falas, a poética, talvez as mais doces e belas escritas pelo bardo.


A tempestade é uma obra muito revisitada tanto no cinema como na música, Peter Greenaway fez uma bela versão chamada “Prospero's Books” muito interessante ambientação e modo de ver o livro.


Na música Legião Urbana fez um disco em homenagem a peça.


Recentemente o Angra lançou também um disco conceitual cujo tema é este livro.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Revista Época: ou o tiro que saiu pela culatra







Fomos surpreendidos na madrugada do sábado com a chegada as bancas da edição semanal da Revista Época, das Organizações Globo. Sabíamos do alto grau de vilania desta organização, talvez a que mais tenha se beneficiado da Ditadura, deram um mergulho sem volta ao passado, de forma vil e covarde na tentativa desesperada de salvar seu candidato José Serra que vai de serra a baixo.

Enquanto Dilma e tantos companheiros morreram ou foram torturados barbaramente, Roberto Marinho (GLOBO) enriquecia com Governo Militar, recebeu a missão de servir como propagandista dos valores da Ditadura transmitidos via Jornal Nacional e os programas globais. Este Monstro, a Globo, foi gestada e depois alimentada no seio da Ditadura, hoje trasveste-se de independente, Reavivemos a memória em respeito aos que tombaram naquela luta desigual.

Muitos questionam a luta armada, mas não nos cabe julgá-los com os olhos de hoje, mas refletir sob quais condições eles foram para luta. Fácil hoje, como faz Gabeira, um renegado, de achar que todos eram tolos, eles foram heróis deram o bom combate e se hoje falamos o que queremos devemos isto a eles.

Criação de um Ícone


Revista Época criou a imagem Iconoclasta antifascista quando tentou destruir Dilma, nos deu a imagem perfeita de nossa luta. Temos q agradecer imagem da @dilmabr guerreira, pois teve efeito contrário ao desejado, nos apaixonamos mais pela Mulher, reforçou nossa convicção na sua candidatura, Se algum combatente da democracia, justiça social ainda tinha dúvida em relação à @dilmabr a capa da Época dissipou-a. Somos Todos Guerreiros.

Época/Globo/Serra queriam provocar MEDO com a reportagem, despertou PAIXÃO... Além de espalhar de forma "viral" a campanha de @dilmabr. Desespero de Serra e seus aliados: não passarão. Dilma não se curvará diante desta campanha fascista... Fizeram um decálogo de dúvida sobre Dilma.. Nós faremos um decálogo das certezas das relações promíscuas GLOBO e Ditadura Militar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

“Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”

Outro dia no twitter debatemos sobre a questão do Irã, em relevo a questão do apedrejamento, pude notar o senso comum arraigado, imposto e difundido. Muitas vezes não nos damos o trabalho de reflexão, e apenas repetimos as frases feitas e os preconceitos estabelecidos. Óbvio que não concordamos com o apedrejamento ou qualquer forma de pena de morte, ainda em vigor em muitos países, inclusive os EUA e China, não havendo qualquer diferenciação ideológica na aplicação da pena.

Mas por que a questão do apedrejamento virou foco central? É que, quem acusa o Irã, é um país que jamais viola os Direitos Humanos, ou por acaso os Americanos não matem Guantánamo e até outro dia tinha Abu Garabi? como somos civilizados, né?

Mas a civilização ocidental faz bem pouco tempo queimava as "bruxas" em fogueiras para que purgassem seus pecados. Ou quantos silêncios obséquio impôs o Santo Ofício? Galileu, Giovanni Bruno(acabou queimado por recusar o silêncio), recentemente Leonardo Boff foi proibido de ensinar ou dar palestras como forma de mater silêncio sobre a Teologia da Libertação. Mas saudamos com justiça o heroísmo de Salman Rushdie por enfrentar a fúria dos aiatolás.

Porque presidente do Irã é o monstro da vez e Bush/Obama são heróis?ok, eles matam "terroristas" e "protegem" o mundo "Livre". Por que para cada morto no WTC EUA matou 100, na imensa maioria execução sumária, e não vejo indignação do Serra e seu acólitos da mídia?Quantos milhares de iraquianos e afegãos estão sendo mortos por não aceitarem presença americana e só temos o silêncio ensurdecedor?

Algumas observações sobre a surrada tática de criar “demônios” e eixos do mal:

1)Demonizar é uma arte típica dos cristãos, o daemon não tinha esta conotação na Grécia/Roma antiga,aliás Hades/Infernum( a mansão dos mortos) era apenas um plano na cosmogonia Greco-romana;

2) No prórpio "Credo",está escrito que Jesus desceu  "Mansão dos mortos"(hades/Infernum), mas nós cristãos resolvemos criar o medo,o demônio,pecado e a culpa;

3)pós-Cristo,houve sincretismo religioso,absorvemos cultos pagãos e "aprofundamos" a noção de culpa e pecado,e a prática maniqueísta do bem/mal;

4)Desta cultura religiosa trouxemos para vida privada e amplamente nas relações sociais e políticas.Demonizem seus "inimigos" mais fácil destruí-los,virou norma comportamental e regra política;

5) Assim fizemos na idade média com os judeus,com os mulçumanos. Depois com os reformistas, hereges e qualquer um que ameaçasse a nossa fé católica em cristo;

6) Hitler usou sua máquina para demonizar e dizimar os judeus, ciganos,comunistas;

7) Americanos hoje apenas usam deste artifício "pedagógico"para identificar o "mal. Reagan cunhou a frase do “Império do Mal”sobre a combalida URSS;

8) Hoje Osama Bin Laden é o mal,em 1980 era um príncipe herói financiado pela CIA para destruir o "Mal" do império Soviético;

9) Saddam foi também herói em 1980, recebeu armas e suporte para fazer guerra ao "Mal": os iranianos dos Aiatolás(com poder sob o “nosso” petróleo);

10)Puxa em 1991 Saddam virou "Mal",já não nos serve mais no Iraque.

Será q somos tão tolos assim?Os inimigos dos USA são também os nossos inimigos, por quê?

Teria ainda dezenas de exemplos desta manipulação desta demonização como forma de luta na história, mas na sociedade de ampla informação não podemos aceitar estas coisas sem pelo menos questionar.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Cultura - O maior legado Grego

Nossas ações estão nos deuses nos arquétipos eles na verdade são representação da nossa psique, nossa personalidade, por mais que nos achemos "modernos", nosso ser continua meio animal... meio humano...não adianta Iphone, Ipod, Internet...a nossa mente continua lá na Grécia, nossos valores, conceitos, preconceitos, gostos, refinamento...cultura ocidental raramente há fenômenos em que não se tenha uma linha de pensamento que não venha da Grécia.

Eros x Afrodite



Nascimento de Afrodite



Eros

A dualidade amor/sexo já era definida na Grécia tinha dois deuses: um amor sexual, carnal, e outro o fraternal. Eros, o amor perfeito, fraternal... Quase assexuado, ou duplamente sexuado - Afrodite, que significa em Grego: Amor-do-Pênis o amor da ejaculação, do gozo, do prazer.

Afrodite é a personificação do sexo.. antes dela, os gregos só conheciam Eros e para eles todos os seres tinham os 2 sexos e copulavam entre si. A função sexual era apenas mecânica e reprodutora não havia beleza, leveza ou prazer carnal.

Eros o mais belo dos imortais nos é apresentado como Deus primevo, junto com Caos,  a Terra e o Tártaro. Ele vem para presidir os amores fraternos com função sexual ou não, mas fundamentalmente a idealização do amor, que incluía amor entre iguais, de mesmo sexo, numa versão posterior.

Quando Cronos decepa o pênis do Pai, Urano, da ejaculação nasce Afrodite, daí o nome Amor-do-Pênis. Mas isto não se dar num nível abstrato é a criação dos desejos, que uma sociedade que vivia, antes, apenas pra o trabalho e agora passa a viver também do prazer das artes da leitura do ócio E no ócio, tem coisa melhor do que o SEXO?

Então criativamente surge Afrodite a deusa do amor agora os seres não têm os dois sexos,porém para uma melhor aceitação das novas funções do sexo nada melhor do que uma explicação Divina.

Apolo x Dionísio





Apolo o deus da cultura protetor das artes, da engenharia, das construções, do homem que cria cidades e civilizações, age politicamente, usa da força para dominar a natureza e aos seus. Surge como fonte para o esplendor da alta cultura grega.

As cidades criadas, os templos, a lógica, a matemática inspiração do grande Apolo que vira uma espécie de primeiro-ministro de Zeus dando aos homens toda a criatividade para seu pleno desenvolvimento, é a ruptura com a sociedade matriarcal ligada umbilicalmente à agricultura, as deusas de amplos e fartos seios, da fertilidade dão espaço à cidade a beleza, as curvas o refinamento. O auge da alta cultura grega que se expande para Europa ocidental levando seus valores trazidos da Ásia e do Egito.

Deste florescimento cultural nasce Dionísio fruto da relação de Zeus com a mortal Sêmele, mas que vira deus pois foi gerado na coxa de Zeus,depois que Sêmele pede para ver Zeus em sua forma,mas a luz emanada dele a queima. Zeus salva o filho e o nutrirá em sua coxa.

Dionísio nasce e fica na terra, valores divinos desconhece, sua função é a alegria, as odes, a festa e o prazer. Incorpora ao mundo grego a poesia, o verso, o teatro e principalmente o vinho,daí o nome Baco.

Ele espalha para sociedade careta que não basta só construir cidades, templos, mas é preciso viver ter sonhos sem compromissos formais. As bacantes que suas seguidoras devotas vão levar a luxúria e os mistérios de Eleusis para as ruas e dar outro colorido ao mundo Grego.

Se Apolo representa a lógica, a forma apurada, o método, Dionísio no legará o ócio criativo, o teatro, a sátira. São irmãos que abriram ao homem ocidental a dualidade de sua alma, de sua psique. Compromisso, noção de responsabilidade e o outro lado prazer, desrepressão.

São apenas reflexões para os incautos e incultos que acham que o mundo nasceu na Intenet, que mal sabem que apenas, na maioria das vezes apenas repetem o que já se fazia há 2500 anos.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lênin não morreu, viva a contra-revolução humana!







Debatendo bobagens e coisas sérias, trocando idéias e impressões do mundo no twitter muitas coisas hoje proporcionou, inclusive a elaboração desta pequena reflexão sobre as eleições seus personagens, alguns cômicos outros francamente trágicos.

Logo cedo vi a incrível e caricata entrevista do Vice do Serra, ali ao seu lado e fiquei imaginando como se sente Serra naquele instante? Apenas 46 anos atrás ele era Presidente da UNE fez um famoso discurso no centro do Rio de Janeiro,em 13 de março de 1964, que a Direita raivosa usou como desculpa para o golpe.

Ali no mesmo RJ ao seu lado um representante da juventude neo fascista, Lacerdista, mas sem a inteligência e a verve daquele, será que não passou um filme na cabeça do Serra? De presidente da UNE que defendia o Governo Jango, pelas reformas de bases à ladear a TFP revivida, que trajetória.

Talvez o jovem Da Costa tenha tido a coragem, e o mérito, de dizer tudo aquilo que o Velho Serra não teve a hombridade de fazê-lo, aquele discurso rancoroso, típico da Direita mais abjeta, de ver comunista em cada rosto, agora com novo nome (Petistas), da frase "inocente" trololó Petistas , de lembrar o terror, o medo, que sempre caracteriza às classes dominantes nestes momentos. Será que não sobrou uma réstia de decência para interromper as palavras tão loucas e fora de época? Parece que não, sem constrangimento, sem contragosto, apenas o desconforto de ver-se refém da velha UDN, daqueles mesmos que lhe impuseram o exílio, que atrasaram o Brasil por tantos séculos e teimam em voltar.

Quero agradecer ao Serra por ter nos dado um Vice saído direto do túnel do tempo, naquele tempo em que"comunista (não padre) comia criancinha" Esta campanha seria muito modorrenta se não fosse o Vice "guerra-fria" do Serra. Voltamos ao tempo do Medo, da insegurança da ameaça COMUNISTA. Senti-me pré-muro de Berlim, aquele clima, os vermelhos chegando, ouro de moscou,que adrenalina,obrigado Serra e seu vice fiquei tão empolgado que só ando agora com Manifesto Comunista no netbook. Inclusive voltei a usar codinome, reuniões secretas. a paisagem do "Adeus,Lênin" foi recriada pelo Vice do Serra,agora sim voltamos a viver perigosamente..brasa..mora..valeu bicho.

Duas figuras que se fundem tragicamente Serra e seu Vice. Resta-nos apenas lamentar e tirar algum humor disto tudo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Os doze trabalhos de Hércules,digo Serra







Depois de ler sobre tantas coisas “by Serra” resolvi pesquisar no Google e na imprensa isenta do Brasil e descobri a imensa e imortal obra deste cidadão, espanta-me sua modéstia em querer ser apenas Presidente do Brasil, com tão vasto currículo o céu não seria o limite, senão vejamos:

1) Criou e idealizou as Pirâmides do Egito, o Pathernon, os templos Maias;

2) Ensinou: Lógica, Álgebra aos filósofos gregos,alunos diretos - Sócrates,Platão e Aristóteles;

3) Preparou e treinou nas artes das guerras e política: Alexandre Magno e Júlio César;

4) Anunciou a vinda de Jesus a Maria e deu umas aulinhas de milagres ao infante,inclusive aquela parte de andar sobre as águas;

5) Derrubou o Império Romano, sozinho;

6) Foi o grande mecenas do Renascentismo e dava aulas a Dante,Galileu,Da Vinci, deixando que estes assinasse as obras,mesmo sendo TODAS by Serra;

7) Em Portugal fundou a escola de Sagres e incentivou a construção de caravelas, conheceu um tal Camões e por amizade deu os originais dos "Lusíadas"(by Serra,claro);

8 ) Para comprovar o funcionamento das caravelas veio ensinando a Cabral como chegar ao Brasil celebrou a primeira missa e ainda converteu o primeiro Indio,não era o "Da Costa";

9) Criou as capitanias hereditária, descobriu a cana de açúcar, comercializou o Pau Brasil e descobriu o Ouro;

10) Foi a maior figura imperial,tendo atuação destacada no parlamento, são de sua modesta lavras:lei do ventre livre,dos Sexagenários e por fim a lei Áurea;

11) Fez de tudo na República: deu aulas ao Rui Barbosa,ensinou política externa ao Rio Branco, deu a Getúlio os projetos: CLT, CSN, Petrobrás. Foi dele a idéia de construir Brasília cedida à JK. Por fim deu umas viajadas ,mas voltou firme ao Brasil criando e doutrinando figuras de proa do tucanato, suas crias: FHC, Montoro, Covas. E não satisfeito criou o capítulo dos direitos sociais da CF de 1988. Fez os genéricos, o real e criou o Governo Lula;

12) Por fim cunhou a maior das frase para afastar qualquer questionamento: "o Trololó Petista"

Cheguei a conclusão que tudo foi :Serra que fez, papai quero meu DNA

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ser ou não ser...pequena reflexão sobre nós mesmos

I -  Cronos de curvo pensar: A força da natureza



Na teogonia Grega, Cronos de “curvo pensar” numa ação refletida decepa o pênis do pai maldito, Urano, o pai do céu, tomando-lhe o poder, tornando-se o senhor dos deuses. Ao decepar pênis este se ejacula e no mar nascem as ondas e no meio destas Afrodite, que em grego significa “amor-do-pênis”.


De um mesmo ato, psicologicamente, Cronos livra-se da opressão paterna, sucedendo-o simbolicamente com a nova energia criadora que se estabelece e ainda dar, no âmbito da psique, a separação do amor fraternal, representado por Eros, e o amor sexual, agora personificado em Afrodite.

Este deus(Cronos), ou homem desta época histórica é ligado à fúria à força da natureza primeva, desprovido de sofisticação, toda as suas demandas são revolvidas pelo ethos da hybris. Medir forças e o mais forte vencer é uma imposição da natureza adversa em que se vivia, não havia tempo para reflexões filosóficas da necessidade de mediar à disputa de forma a debater-se e decidir-se de forma pacífica os conflitos. Mais ainda a definição daquele que deve liderar o grupo não pode haver dúvida de seu poder, inclusive o sexual de dar a reprodução não apenas às mulheres, mas o exemplo à natureza.

II - Hamelet - O príncepe Filósofo



Com Hamelet teremos a oportunidade de acompanhar uma sucessão traumática de duplo caráter, o jovem tem de matar não somente o pai(morto, mas insepulto, um fantasma a lhe assombrar), rei velho, mas também aquele que o matou, seu tio e corrompeu sua mãe.


O duplo fantasma: do pai que lhe exige vingança e do “novo” pai(seu tio Claudio) que lhe exige fidelidade ao seu reinado. Nesta confusão de sentimentos o príncipe filósofo, posto numa rude Dinamarca, solta talvez a mais crua e forte reflexão sobre as dúvidas que mais assolam a alma humana:

“Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes?

Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se.

Morrer.., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando ao fim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos.

É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados?

De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem.…” (ATO III , Cena I)





Muitos de nós conhecemos os trechos iniciais do ..ser ou não ser... Raramente sabemos o momento em que são pronunciadas e as fatais conseqüências. O monólogo dar-se no momento crítico do livro, Hamelet já sabedor de que seu pai fora morto, sabe que seu novo “pai” é o assassino, mas a inação lhe consume e tira este longo debate de seu ser. No fundo o homem que aparece agora é o do renascimento que carrega o saber grego da alta cultura, mas agora é irresoluto, domina sua hybris, mas se revolta por não ser mais primitivo e dar cabo aos seus sofrimentos, que no fundo é o mesmo de Cronos, que de forma simplificada resolveu seus traumas em relação ao pai.

Porém este novo homem, mesmo vivendo na Dinamarca, já não “mata” o pai, ou os pais no caso, de forma literal, a sofisticação lhe impede de um simples ato morte, é mais complexo e sutil, agora ele reflete, pondera, tem medo dos seus atos e de suas conseqüências funestas, mas ao mesmo tempo lhe enche de ódio e revolta não dar cabo a sua angústia. Deste longo debate da consciência moral x consciência primitiva, nascerá o novo homem, que guerreia disputa poder, mas não é mais produto da natureza irracional.

Neste momento de tormenta que passo, lembrei vivamente deste monólogo, foi uma forma que encontrei de voltar a escrever, me abstrair das coisas que vivo intensamente. Estas reflexões que Hamelet fez, martelam na minha cabeça diariamente, tem coisa mais atual do isto?

Aos que querem conhecer mais profundamente a obra segue o link para baixá-la gratuitamente:


As análises mais interessantes que conheço são as de Harold Bloom, ele analisou o Hamelet em duas obras: Shakespeare - A Invenção do HumanoHamlet - Poema Ilimitado.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mundo Novo x Velhos Conflitos

Conflitos externos dos EUA: a tensão necessária



Este texto tenta apenas elencar elementos para entendimento da crescente onda de conflitos e tensões no mundo. Este fato é fundamental para vermos onde o Brasil se localiza na atual conjuntura e que política pode aplicar para este momento. As questões que desejo pontuar são:

1)    Quem realmente manda no Governo Americano Obama ou Hillary?

2)    Quais os desacordos entre eles?

3)    Qual a importância da indústria bélica americana para alavancar o crescimento do país?

4)    Por que é importante manter o tensionamento externo, em particular com o Irã?

5)    Qual papel do Brasil?

Pequeno recuo histórico



1)    Reagan e a vitória neoliberal



O ciclo neoliberal mais forte e ideológico americano deu-se durante o duro governo Reagan, que foi amplamente vitorioso na luta ideológico ao império soviético, como diz  Macbeth depois das revelações das bruxas”tudo que nos parecia sólido sumiu ao ventos como nossos anelos”.

Reagan conseguiu eleger seu vice, Bush Pai, respaldado pela vitória anti-comunista, sem inimigos claros no mundo. A base da economia americana no pós-guerra era a indústria bélica, bilhões de orçamento público era gasto para deter o inimigo vermelho, com seu fim ela em si perderia a razão lógica de existir. Se não havia contraponto no mundo para que manter algo surreal como ela?

Ledo engano, a pretexto de proteger suas posições no Golfo Pérsico, em 1991, Bush invadi o Iraque, seus leiais aliados de combate anti-iraniano. A mal sucedida invasão, do ponto de vista militar, pois não derrubou Sadam Hussein, reanimou a economia, não o suficiente para garantir um segundo mandato a Bush.

2)    Clinton e os anos dourados do neoliberalismo



Uma surpresa total para EUA foi a vitória de Clinton, ex-governador de Arkansas, estado pequeno e secundário nos EUA. Com uma trajetória de militância política em causas sociais, Clinton chega a Casa Branca e lidera por 8 longos anos um dos maiores crescimentos da economia americana, sem que houvesse um grande conflito externo. Favorecido pela liderança única americana no cenário mundial impôs uma política de expansão das empresas e influência americana baseada no dólar e no mercado financeiro.

Caminhava para garantir um terceiro mandato com Al Gore, seu vice, mas foi atingindo pelo escândalos sexuais, a direita americana pudica até uma tentativa de impedimento cogitou, safando-se por muito pouco. Esta perda de confiança fez com que não tivesse a coragem suficiente de enfrentar a fraude da família Bush na Flórida.

3)    Bush Filho a volta dos senhores da guerra



O episódio de vencer, sem ganhar, levou a uma mudança completa de atitude do Governo Americano, que experimentou uma defensiva externa, questionamento e foi atacado pela primeira vez em seu solo. Os episódios do 11 de Setembro de 2001 foi uma dura resposta tardia a presença americana no oriente médio.

Novo recrudescimento interno e externo deu uma nova guerra ao Iraque a família Bush, detentora de petróleo e amplamente financiada pelos lobbies da indústria bélica. O medo extremo imposto ao estilo de vida americano deu ao Bush Filho seu segundo mandato. Este porém foi um fiasco total, atolados numa guerra sem saída, a economia sem responder, foram 4 anos penosos, um novo “inimigo” crescendo silenciosamente(China) a financiar seu crescente déficit fiscal, culmina com um novo quase 11 de Setembro, 15/09, a quebra de todo o sistema financeiro americano.

4)    Obama o herdeiro do império

Obama surge do nada, ganha da favorita Hillary a indicação do Partido Democrata. Uma hipótese pouco cogitada leva um negro à presidência. Vitória de um outsider total. Sem um pé na máquina partidária, dominada pelos Clintons, Obama faz um acordo cruel, entrega a Secretária de Estado, ministério mais importante americano, a sua adversária Hillary.

Enfrentando uma crise sem precedentes, Obama mais ou menos dividiu seu Governo em dois, no front interno liderado por ele, tenta aprovar reformas na saúde e recompor a economia em frangalhos. No front externo entregue a Hillary e os falcões mais reacionários, como boa conhecedora da máquina de guerra, Hillary tem seu desempenho facilitada pelos crescentes conflitos advindo da ampla crise financeira mundial.

A dura visão do Departamento de Estado, dominado pela Direita dos democratas, escolhe seus “inimigos”, o principal deles o Irã, mesmo com o refluxo no Iraque a aventura no oriente médio ainda é prioritária, atende a demanda da indústria bélica, do setor petrolífero, do militares e dos falcões de Israel.

5)    Os novos atores



A crise mundial atingiu em cheio o coração das economias centrais, numa proporção ainda não medida totalmente, o fantasma de que a crise não passou e ameaça mais fica evidente com a quebra seqüencial de Grécia, provavelmente Espanha, Portugal e Irlanda. A Zona do Euro enfraquecia, abriu uma janela para que país como o Brasil com uma política externa agressiva brilhe no cenário mundial.

O mundo mudou rapidamente nestes dois anos, era inimaginável que um país absolutamente secundário no tabuleiro internacional como o Brasil, agora tenha um papel de protagonista, virou uma espécie de terceira via, diante de EUA, com sua visível débâcle e a China de amplo crescimento, sustentáculo da produção de base mundial.

Esta busca por um pólo democrático longe dos impérios pode e deve ser aproveitado pelo Brasil, até o momento tem sido muito bem ocupado este espaço, aparecendo na questão do Irã e sendo referência nas relações com seus parceiros mais pobres tanto na América Latina como na África.

6)    O que pode vir?



Desenha-se um conflito cada vez mais próximo, não com armas, mas com bastantes tensões entre nações como as coréias, conflitos internos fortes como na Grécia pela não aceitação dos ajustes econômicos impostos pelo Euro. A questão palestina hoje virou mais uma vez assunto devido a agressão do estado de Israel com a devida conivência americana.

Cada vez mais a presença destes novos atores ganhará importância se eles efetivamente apresentarem solução para crise e para crescimento, não adianta apenas belas palavras, tem que ter saída econômica efetivamente, nova base de produção e troca de mercadorias.

Engana-se quem acha que só o campo diplomático está em jogo, o Brasil não foi ao Irã apenas pelo acordo nuclear, aproveitou e fechou parcerias econômicas com Turquia e Irã, esta deve ser a dinâmica a ser adotada pelo Brasil se realmente quiser ser ator importante no novo mundo.