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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Crise Mundial e um Novo Mundo


Os elementos da Crise



Segundo matéria do caderno de Economia do Estadão deste domingo, 24/04/2011, “A dívida de um punhado de países ricos aumentou em US$ 16 trilhões (mais que o PIB americano) desde 2007, e atinge hoje US$ 42 trilhões, ou 61% do PIB global, representando uma das principais ameaças à recuperação da economia mundial”.

Ora, estamos vivendo um novo momento da crise iniciada em Setembro de 2008, mais precisamente a apresentação da conta salgada do resgate dos bancos e corporações feitas pelos planos de Bush I e II, e os três ajustes de Obama nos Estados Unidos. Apenas Bush injetou no sistema bancário americano combalido cerca de 1,5 Trilhões de Dólares que foi reforçado por Obama ainda na transição e nos seguidos ajustes de 2009, 2010 e o último agora de 2011.

Na Europa, na Zona do Euro - França, Alemanha e Inglaterra – também participaram do “salvamento” do sistema bancário mundial, numa cota menor, mas não menos significativa, algo como 1 Trilhão de Euros. O Japão vem ano a ano num processo crescente de endividamento público, agravado com a crise de 2008, também pagou sua cota com 800 bilhões.

A dívida pública que havia fechado 2007 em 26 trilhões, algo próximo a 47% do PIB mundial explodiu em menos de 3 anos para 42 Trilhões, apenas neste trio: EUA/ EU e Japão. Chegando assim a 61% da produção de riqueza anual de todos os países do planeta.

Ainda segundo o estadão: “O problema americano é que, com a crise global de 2008 e 2009 - e os grandes déficits públicos que foram usados como alavanca para relançar a economia -, a dívida pública explodiu.

Segundo os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida bruta do governo americano saltou de 62% do PIB em 2007 para projetados 99,5% em 2011 (e deve chegar a 112% em 2016). “Hoje, a dívida está entre US$ 14 trilhões e US$ 15 trilhões.”

País


Divida Pública 2007


Divida Pública 2011


%PIB 2007


%PIB 2011


EUA


8,7


15,2


62


99,5


Zona do Euro


8,2


11,3


66


87


Japão


8,2


13,3


188


229


Fonte FMI



Economias falidas

O reflexo deste imenso endividamento é a degola das economias mais periféricas, como Grécia, Portugal, Irlanda e mais presente Espanha. Estes países que receberam grande inversão de capitais para se adequarem à zona do Euro, hoje estão totalmente insolventes, tecnicamente falidos, vivendo da esperança de aporte da Alemanha e do FMI.

As imensas subvenções européias ao sistema financeiro fez saltar o déficit publico de 3,3% em 2007 para 6% em 2009 e 2010, com cortes orçamentários para 2011 reduzir para 4,4%, sobrando assim pouco alento em salvar estes países que irremediavelmente sofrem todas as conseqüências do desastre econômico, apenas Espanha tem hoje 22,5% da população economicamente ativa desempregada. Portugal numa crise de governabilidade.

Esta realidade catastrófica é exposta neste momento de aparente calmaria, depois do colapso profundo de 2008 e 2009, 2010 ficou numa zona de baixa turbulência, pois o EUA provocou uma guerra cambial terrível despejando apenas ano passado 600 bilhões de dólares no mercado mundial sobrevalorizando moedas e tornando suas mercadorias competitivas.

Porém estas imensas dívidas pública, que provoca um déficit fiscal de 10% ano nos EUA, ameaça qualquer perspectiva, em curto prazo, de uma leve recuperação, o custo social é altíssimo, programas sociais, incentivos aos trabalhadores e desempregados são cortados e, paradoxalmente, produziu uma ampliação dos bilionários nos EUA nos últimos 3 anos. O resgate estatal se deu justamente para socorrer os mais ricos.

Estado de Bem estar Social dos Ricos

Ideologicamente chega a ser risível, todo o floreado do ultra liberalismo, teve sua morte na prática, não no discurso, no socorro do ESTADO aos ricos. Todos os anos de pregação contra o Estado, pelo seu fim, não resistiu à grande crise, todos os bancos que fizeram a maior ciranda financeira da história foi salvo com dinheiro público, com a possibilidade remota de um dia o Estado receber qualquer coisa de volta. Nem mesmo os famosos bônus milionários foram cortados nos pacotes de ajuda aos bancos e grandes empresas, daí se explicam o crescente número de bilionário na crise.

O próximo conflito interno americano será a eleição presidencial de 2010, Obama já se lançou, em algo inédito para padrão americano, um ano e meio antes do pleito. "O compromisso (entre os partidos) é a única alternativa ao suicídio econômico, portanto ele virá: a única pergunta é: depois de quanta deterioração?" - resume para o Estado o economista Barry Eichengreen, da Universidade da Califórnia em Berkeley.(Fonte: Estadão).

Logo no seu relançamento Obama prometeu cortar 4 trilhões da dívida em 4 anos e reduzir o déficit público para 3,5% até 2016, como bem definiu Clinton em 1994 na luta contra Bush Pai: “é a economia estúpido”  que explica a vitória ou derrota de um candidato presidente, assim será mais uma vez com Obama.

Porém a bolsa de apostas das agências de riscos e especuladores é que este interregno da crise terá seu fim em 2013 com uma nova e mais profundo crise de ajuste global, reduzindo em muitos os ciclos de grandes crises: "Os investidores estão preocupados com 2013, não com hoje, e foi também sobre 2013 que a S&P falou - estamos a dois anos da crise, em outras palavras", nota Einchengreen.

Marx define a Crise como sendo a “Pletora do capital” a sua expansão, abundancia é que leva a crise não sua falta. A superprodução de bens e capitais é a característica principal do ápice da crise, uma leitura vulgar, pensa que o contrário que leva à crise capitalista. A injeção dos Bilhões do FED combinado com o estoque de títulos por China e Japão (dois trilhões de dólares) é o epicentro da próxima crise global que se avizinha.

BRICS – Um mundo Novo


Quase um mundo à parte é a realidade dos BRICS( Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), mesmo depois da sacudida provocada pela crise de 2008, este conjunto de países que na prática pôs abaixo o G7 em nome do G20, experimenta uma situação econômica distinta e torna-se cada dia mais um modelo de expansão e crescimento à despeito da crise.


A iniciativa deste conjunto de países de buscar modelos alternativos ao capitalismo central, tem se demonstrado correta, mesmo na maior crise econômica mundial desde 1929, o abalo provocado foi relativamente baixo. Aproveitando-se de uma dinâmica econômica diferente, apostando em suas economias locais, cada um a seu modo enfrentou/enfrenta bravamente a crise sem reflexos graves aos seus povos.

A China que lidera o crescimento mundial neste novo século combina sua imensa população que oferece mão de obra abundante e relativamente barata, com um alto nível educacional, rapidamente se tornou a segunda maior economia mundial, é a grande compradora e vendedora do comercio mundial, uma agressiva estratégia levou que as empresas chinesas passassem de mera manufatura à grande produtora de valor agregado, com a introdução moderna parque tecnológico. Este imenso mercado é também hoje o maior consumidor de commodities mundial.

Suas imensas reservas, que hoje gira em 3,03 trilhões de dólares, fez dela a maior credora americana, apenas de títulos americanos os chineses têm 1,3 trilhões, cerca de 10% da dívida dos EUA. O BC chinês pensa em formar um fundo de investimento que pode potencializar ainda mais a economia chinesa, abreviando longos anos para alcançar a hegemonia mundial.

Fato que a falta de democracia para uma imensa classe média que se forma na China será um entrave no futuro, regime ultra centralizado do PC e sua velha burocracia será cobrado muito em breve, apenas em 2010 houve 13 milhões de petições diretas sobre abusos e desrespeitos aos direitos, é uma face invisível desta nova geração que vai querer poder.

A Rússia que era vista apenas por seu potencial bélico e suas imensas reservas de petróleo, também cresceu a taxas significativas até 2008, foi o elemento dos BRICS mais atingindo pela crise, pois sua economia depende diretamente das exportações para Europa e EUA, baseadas em petróleo. Mas os acordos com a China em 2009/2010, num grande movimento de aproximação voltou a crescer e espantar a crise. Grande problema russo continua sendo a pouca estrutura democrática e poucos dirigentes capazes de liderar o país.

A Índia é o país que aproveitou muito sua população com domínio do Inglês e virou uma grande plataforma de serviços globais, empregos de suporte técnico de grandes empresas, com imensos call centers se estabeleceram lá trazendo empregos e crescimento. Além disto, indústrias de software têm na Índia hoje uma das maiores plataformas mundiais, produz valor e inteligência. Há um amplo crescimento interno que sustenta suas taxas de PIBs, mesmo na Crise.

Sobre Brasil, tentarei escrever esta dinâmica em artigo autônomo, mas apenas para constar em consonância com os BRICS, o Governo Lula sem dúvida impulsionou as principais iniciativas do combate a crise, tanto no âmbito interno, como no front externo. A rápida e dinâmica recuperação de sua economia é objeto de estudo e debates no mundo, sua população e dimensão continental que combina crescimento, distribuição de renda com uma democracia ampla é o elemento mais destacado nos BRICS. Claro que há atrasos cruciais na Educação, Saúde, Infraestrutura, mas o país experimenta um dos mais longos e duradouros período de prosperidade, mais de 30 milhões saíram da miséria em poucos mais de 6 anos, a nova classe média já responde por 53% do PIB. Todos estes fatores serão trabalhados posteriormente com mais acura.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

FHC: A Democracia sem Povão

O mais novo deboche que FHC fez ao povo brasileiro foi inaugurar uma nova fase na cultura política de seu partido: A Democracia sem Povo, ou em suas palavras – Povão – esta massa ignara que tem pouco ou nenhum discernimento político que é a presa fácil para partidos de esquerda. (ver Blog do Nassif - FHC: o político à procura de um discurso ). A Folha de S  Paulo lhe deu amplo destaque, pois , é a preparação de FHC lançar seu Portal de Política - ou seja - vai ensinar a fazer : Política sem Povo.

Por este raciocínio faz todo sentido, prescinde-se de “povão”, o ideal é concentrar esforços na elite, nas classes médias gerenciais, a partir delas se deve apenas indicar os números nas urnas eletrônicas que esta massa inculta votará. Por esta lógica para que eleição? Ou para que ir votar, libera-se e incute-se nas cabeças que a democracia não faz sentido algum, pois os ignorantes não a entendem.

Num clássico rompimento com as conquistas elementares de representação popular o príncipe da sociologia brasileira faz sua melhor reflexão, expondo a nu todo seu elitismo, sua visão autoritária e aristocrática de condução de uma nação. Os laços, até liberais, dos ideais da revolução francesa, são quebrados no novo modelo partidário e de conquista do poder. Ao escolher o caminho da “democracia” sem “povão” se despreza o sujeito social que é fim último de qualquer democracia real ou formal.

Ler mais um conjunto de obviedades, trasvestidas de pompa de intelectual pobre e burlesca, parecem um último suspiro do combalido PSDB e de seu maior representante. Mesmo na loucura, ele revela um método, nos diz Shakespeare, que é a busca diuturna para se criar uma casta, uma elite - política, intelectual e gerencial - que prescinda do Povão, foi assim em todo seu governo, em particular no desastrado segundo mandato, assacado na ameaça da desvalorização do real e medo de que Lula poria fogo no Brasil.

Rupturas no PSDB



Em significativa entrevista de rompimento com o PSDB, Bresser Pereira,( via Blog do Nassif Bresser-Pereira deixa o PSDB) fundador e um de seus maiores intelectuais, diz claramente qual a opção política e intelectual que norteou o governo FHC e seus desdobramentos sinistros com a perda da identidade nacional, era uma apologia cega ao mercado, uma certeza inútil de que a globalização no abriria o mundo.

Os primeiros anos dourados do Real deram lugar à crueza das crises dos tigres asiáticos e posterior crise russa, que abalou definitivamente a fé no mercado, com um agravante, os instrumentos de estado, tinham sido completamente destruídos, levou o Brasil a passar 4 anos de profunda agonia (Janeiro de 1999 a Setembro de 2003).

A herança maldita, a que Lula se referia, era uma combinação de estado desmobilizado com uma profunda crise econômica. Dívida pública astronômica, déficit publico, exportações engessadas e falta de iniciativa de buscar novos mercados. Setores inteiros completamente destruídos, como setor elétrico, com apagão e pouca expectativa de melhoria.

O artigo vai à contramão das maiores conquistas dos últimos anos, que foi a ampla incorporação de parcela significativa dos trabalhadores que vivia à margem do mercado, sem renda ou cidadania. Este “povão”, que FHC despreza, é que hoje faz a diferença do Brasil no mundo, é o legado de Lula.

A busca do discurso pela oposição já gerou seu primeiro fiasco, apesar do amplo destaque que a mídia dócil ao ex-presidente, afasta mais ainda a oposição da vida real da maioria da população brasileira. Continuam fazendo, agora assumidamente, política sem Povão, para uma elite bem determinada. Enfraquece a democracia de qualquer maneira a falta de maior qualificação do debate e do embate político e programático.


Brasil x China - modelos de desenvolvimento de Telecomunicações comparados

A revolução das comunicações

No início dos anos 90 o mundo, além da queda do muro de Berlim, se preparava para uma nova era na área de comunicações - a tecnologia de telefonia celular, por volta de 1992 os principais padrões mundiais foram definidos: Na Europa – o GSM, nos EUA – o CDMA. Ambas tecnologias prometiam a digitalização da voz libertando das interferências, quedas de chamadas, e o pior a insegurança da comunicação.

Este novo cenário fez com que as maiores players de equipamentos telefonia fixa passassem a investir pesado na nova revolução, e buscaram novos locais no mundo para baratear a produção e garantia de presença em novos mercados. Países investiram firme para se capacitar e receber estes investimentos e criar novas indústrias mundiais. Dois exemplos deste esforço foram: Finlândia com a Nokia e Coréia do Sul com Samsung e LG.(tratei destes casos no post: Tecnologia – Nokia e Samsung – Exemplos para o Brasil)



Modelo Chinês

Em 1995 a China decide participar efetivamente deste novo momento, a nova política econômica aprovado pelo Governo chinês foi atrair as grandes empresas de Telecomunicações, dando-lhes acesso ao seu mercado, porém com a contrapartida de que eles tivessem acesso à tecnologia e pudessem compartilhar licenças e patentes de produtos.

Coordenado pelo ministério da indústria e de comunicações, a China montou grandes laboratórios para que os equipamentos dos grandes fabricantes fossem montados e interconectados aos protótipos chineses. Por exemplo uma Central de Comutação de fabricante X é conectada ao agregador de Estação de Rádio base chinês, ou vice-versa. Esta estratégia rapidamente deu grandes frutos, as duas empresas chinesas fomentadas pelo governo Huawei e ZTE aprenderam muito rápido a lógica de funcionamento fim a fim e começou a desenhar seus produtos com alta tecnologia.

Ontem Dilma assinou acordos de um grande laboratório de pesquisas da Huawei para funcionar em Campinas, investimento em torno de US$ 350 milhões, mas poucos sabem quem é a empresa chinesa. A Huawei é uma empresa chinesa que em menos 10 anos se tornou a vice-líder mundial em Telecomunicações, atrás apenas da Secular Ericsson, com Alta tecnologia e inovação

Em 15 anos a Huawei e ZTE são casos de sucessos, política de estado, que os neoliberais odeiam. Os chineses foram geniais: tinham projeto, estratégia, academia, desejo de aprender, certeza que dominariam a arte em pouco tempo. Eles literalmente saíram do Zero em Telefonia não produziam nada decente, conheci os primeiros protótipos de centrais telefônicas chinesas eram ruins demais, bem piores que os que fazíamos no Brasil. Em pouco tempo lançaram, o que considero, as melhores centrais telefônica do mundo, com a vantagem sobre os demais, sem legado pra administrar, ousaram produzir modernas NGN(next Generation).

Brasil perdeu o bonde da tecnologia

Se ao invés de entregarmos as empresas de telecomunicações tivéssemos política industrial nacional, hoje poderia o Brasil ter um fabricante com expressão mundial, mas não tem. Erros graves de uma política entreguista foi o legado de FHC, perdemos o bonde histórico de tecnologia de ponta em vários setores, em Telecomunicações é bem nítido.

Mesmo os grandes fabricantes instalados no Brasil, abandonaram o desenvolvimento e passaram apenas a importar e no máximo montar partes dos equipamentos, houve perda de empregos e de qualidade dos empregos, alguns fabricantes se foram, maior exemplo é a Nec, que chegou a ser a maior empresa de equipamentos de telefonia do Brasil.

Havia capital abundante no mundo, busca de novos mercados para produção e desenvolvimento, FHC preferiu o capital especulativo. Perdemos a vez ali, por volta de 97 a 99. O dinheiro abundante, as grandes empresas querendo ir para novos mercados. Podíamos e tínhamos como fazer até melhor que os chineses, mas não tínhamos projeto de Nação (aquilo que o Bresser falou na entrevista ao valor Econômico).

O modelo de privatização sem contrapartida nacional, de incentivo a indústria de telecomunicações, pouca articulação para que as compras fossem feitas prioritariamente baseadas no que aqui se produziam, fez com que rapidamente se desmontasse o setor.

Apresentar resultado dos milhões de celulares muitas vezes mascara o fracasso de sermos apenas consumidores de produtos que não se faz aqui, que não geram empregos de melhor qualidade, entraremos na 4ª geração de telefonia celular ( ver artigo Celulares: Ontem, hoje e amanhã ) e continuaremos fora do circuito. Mesmo a universalização da Banda Larga, efetivamente não se dará numa articulação de setores de serviços de Telecomunicações com a de fabricação nacional destes produtos.

Governo Lula pouco alterou deste cenário de terra arrasada em telecomunicações , acertadamente,  priorizou a Petrobrás, mas não acredito que teremos desenvolvimento e importância no mercado mundial apenas em cima do petróleo,  que é muito, mas precisamos  buscar terreno em tecnologia e alternativas.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Obama e seus fracassos

“Deixai toda esperança ó vós que entrais.

Inferno 3:9”(Inferno – Dante Alighieri)


A visita de Barack Obama ao Brasil coincide com um momento muito particular da política americana: sua imensa crise que vai pra os 30 meses sem que haja a perspectiva de solução. O governo Obama sofreu fragorosa derrota nas recentes eleições parlamentares, perdendo a maioria na Câmara e o poder de decisão unilateral no Senado.

Enfrenta também crise de credibilidade pelos documentos tornados públicos pelo Wikileaks, numa clara divisão interna de comando no Departamento de Estado. Aos olhos do mundo, Obama é visto cada vez mais como decepção e sem rumo, muitas políticas dos governos republicanos foram continuadas e, até em alguns casos, pioradas.

O texto abaixo busca fazer um balanço desde a vitória de Obama até sua recente derrota eleitoral, que coloca em xeque sua reeleição no próximo ano.

Um link com Roosevelt

A primeira coisa de que me lembro com Obama na presidência é de outro grande presidente americano, talvez o maior e mais singular deles, Franklin Delano Roosevelt. Herdeiro da catástrofe econômica de 29, assumiu a presidência em 32 vencendo a máquina partidária e com um programa de amplas reformas; rompeu com o liberalismo predominante e implementou fundamentalmente um programa keynesiano clássico, de intervenção estatal pesada. O New Deal foi centrado nos seguintes itens:
  • Controle sobre bancos e instituições financeiras;
  • Construção de obras de infraestrutura para a geração de empregos e aumento do mercado consumidor;
  • Concessão de subsídios e crédito agrícola a pequenos produtores familiares;
  • Criação de Previdência Social, que estipulou um salário mínimo, além de garantias a idosos, desempregados e inválidos;
  • Controle da corrupção no governo;
  • Incentivo à criação de sindicatos para aumentar o poder de negociação dos trabalhadores e facilitar a defesa dos novos direitos instituídos.

Roosevelt, apesar de vir do seio da burguesia americana – seu primo Theodore havia sido presidente em 1908 –, foi sempre taxado de comunista, esquerdista, e enfrentou oposição terrível do início ao fim do mandato; tudo em sua vida era motivo de exploração nos jornais. Espertamente ele resolveu fazer comunicação direta com o povo falando em cadeia de rádio sem intermediário, e assim rompeu o cerco que a mídia (jornais) tentou lhe impor. Para quem tiver curiosidade sobre esta época ler “Anos dourados” (Gore Vidal), romance que localiza bem a luta política enfrentada.

Fator Obama


Coincidência ou não, o motor da chegada de Obama à Casa Branca foi o desastre Bush Jr. Sem isto, ouso afirmar, jamais um negro, com família com vínculos ao islã, lá chegaria. Sua ascensão é algo extraordinário, inimaginável há 10 anos, quem de nós conseguiria vislumbrar algo tão luminar?

Obama surge do nada, ganha da favorita Hillary a indicação do Partido Democrata. Uma hipótese pouco cogitada seis meses antes, um negro na presidência. Vitória de um outsider total, sem um pé na máquina partidária, dominada pelos Clintons.

Obama faz um acordo cruel, entrega a Secretaria de Estado, ministério mais importante americano, a sua adversária Hillary. Enfrentando uma crise sem precedentes, mais ou menos dividiu seu governo em dois: no front interno liderado por ele, tenta aprovar reformas na saúde e recompor a economia em frangalhos. O front externo é entregue a Hillary e aos falcões mais reacionários. Como boa conhecedora da máquina de guerra, Hillary tem seu desempenho facilitado pelos crescentes conflitos advindos da ampla crise financeira mundial.

Assume a presidência naquela que é considerada a segunda maior grande depressão da história do capitalismo, o país mergulhado num atoleiro no Iraque e no Afeganistão, com pouquíssimo espaço de manobra, uma herança mais do que MALDITA, sob desconfiança da elite reacionária, que aceitou a derrota na batalha, mas prolonga a guerra via mídia. Neste contexto, no próprio Partido Democrata Obama tem poucos aliados confiáveis, é obrigado a montar um ministério de composição com as alas conservadoras e ainda manter um presidente do FED comprometido ainda com o neoliberalismo.

Estes fatores combinados, recessão violenta, desemprego, sensação de decadência, duas guerras no front, uma mídia hostil deixam pouco, ou quase nada, espaço de manobra para Obama se movimentar. Para nós que estamos de fora apontar o dedo de por que ele continua as guerras é fácil, por que ele não enfrenta os lobbies armamentistas, grupos poderosos etc. Seu próprio chanceler Hilary Clinton sabota-lhe  o trabalho: negociou com os golpistas hondurenhos, por exemplo, mas são as concessões inevitáveis de governo novo no meio do caos. Aqui não quero justificar os erros de conduta de Obama, mas tentar explicar os fatos com isenção.



Economia continua em crise, desemprego piorou muito nestes anos


Houve uma piora sensível nas condições políticas e de governabilidade, acentuada agora pela imensa derrota nas eleições congressuais bianuais, com a perda da maioria na Câmara e redução na maioria do Senado.

Os grandes bancos receberam pesados recursos do Tesouro, sendo salvos os banqueiros, os megainvestidores, mas nada sobrou para os endividados em hipotecas: passou a idéia de que é melhor salvar os ricos, sem se preocupar com quem realmente perdeu tudo.

As 400 maiores fortunas nos EUA têm mais dinheiro do que 155 milhões de americanos, uma brutal concentração de renda típica de “terceiro mundo”, que se aprofundou mais no governo Obama. Depois da “crise”, em recente pesquisa foi constatado que aumentou o número de americanos com mais de US$ 1 milhão em investimentos, situação contraditória numa crise sem precedentes.

Mas na outra ponta da economia há aumento no índice de desemprego e mais ainda o aumento drástico da população que recebe os Food Stamps (programa equivalente ao Bolsa Família (no pé do texto há um link sobre o programa): de fevereiro de 2010 a outubro passou de 39 milhões a 42,4 milhões de pessoas (quase 10%).

De acordo com o United States Department of Agriculture, as estatísticas para o programa de assistência alimentar são os seguintes:
  • 51 por cento de todos os participantes são crianças (17 anos ou menos), e 65 por cento deles vivem em famílias monoparentais.
  • 55 por cento dos domicílios do vale-refeição incluem crianças.
  • 9 por cento de todos os participantes são idosos (60 anos ou mais).
  • 79 por cento de todos os benefícios vão para as famílias com filhos, 14 por cento vão para as famílias com pessoas com deficiência e sete por cento vão para as famílias com pessoas idosas.
  • 36 por cento dos agregados familiares com crianças eram chefiadas por uma mãe solteira, a esmagadora maioria dos quais eram mulheres.
  • O tamanho médio do agregado familiar é de 2,3 pessoas.
  • A renda bruta média mensal por agregado familiar do vale-refeição é de R $ 640.
  • 41 por cento dos participantes são brancos, 36 por cento são Africano-americanos, não-hispânicos, 18 por cento são hispânicos; 3 por cento são asiáticos, 2 por cento são indígenas, e 1 por cento são de raça ou etnia desconhecida.

Neste ambiente Obama jogou todo o seu peso para aprovar uma espécie de SUS, plano de saúde público, pois cerca de 45 milhões de americanos não tinham nenhuma proteção hospitalar e assistência médica (número coincidente com participantes do Food Stamps). O custo do seguro saúde é muito alto: a precarização do emprego e mesmo do subemprego impediam que esta faixa da população tivesse atendimento médico.

Porém o custo político foi desastroso, Obama foi pintado como “bolchevique”, socialista que quer acabar com a livre iniciativa. A dura batalha no Congresso foi divorciada da sociedade; um movimento protofascista, o Tea Party, cresceu de forma assustadora, elegeu inclusive representantes no novo Congresso.

Política externa desastrosa ruim com de perda de poder e influência no mundo



A dura visão do Departamento de Estado, dominado pela direita dos democratas, escolhe seus “inimigos”, o principal deles o Irã. Mesmo com o refluxo no Iraque a aventura no oriente médio ainda é prioritária, atende às demandas da indústria bélica, do setor petrolífero, dos militares e dos falcões de Israel.

Parece que nada mudou desde Bush Jr. A Sra. Clinton continua sua escalada de medo e ódio pelo mundo, Obama quase nada se diferencia, sua submissão é total ao que Hillary faz e desfaz.

Neste contexto, cada dia mais a China cresce como pólo aglutinador de forças econômicas e alternativa de investimentos, em particular no chamado 3º mundo. Com 5 trilhões de reservas cambiais, a China hoje é o principal credor americano, boa parte do destino do dólar está nas mãos dos chineses.

Esta sensação de perda do poder hegemônico mundial é mais uma derrota do governo Obama. A extrema dificuldade de dialogar com o mundo leva ao isolamento, e o império apenas é reconhecido pelo poder militar.

Mesmo em relação ao G20, Obama e Hillary nada fizeram para se aproximar e quebrar a influência chinesa. É inconcebível que Obama não tenha visitado o Brasil, o articulador mais dinâmico do G20. Este desprezo pelas relações diplomáticas torna a saída da crise americana mais distante ou em condições piores.

A recente desvalorização do dólar apenas reforça a visão equivocada de G2 (EUA-China) fechando os olhos para o resto do mundo. Ao comprar a guerra cambial com a China, Obama fecha as portas para qualquer diálogo com o restante do G20, em particular com Brasil, Índia, Rússia e África do Sul.

Falta de enfrentamento político com adversários

O surgimento de um movimento de extrema-direita nos EUA é reflexo da falta de combatividade de Obama, a complexa situação da economia, o empobrecimento crescente vistos a olho nu fizeram surgir no seio da classe média americana a Hybris do ódio e do ressentimento.

Consubstanciado no caricato Tea Party, algo parecido com típicos movimentos protofascistas que surgem na ebulição de grandes crises, em síntese são os ultraliberais contra o governo, o de Obama em particular, contra impostos, saúde pública, que querem resgatar o “sonho americano”. No fundo não passa de mais um pesadelo.

Aqui mais uma vez houve a maior falha de Obama: ele não tomou para si as rédeas de seu governo, foi bombardeado internamente pelos Clintons, por Nancy Pelosi e outros falcões democratas. Do lado de fora, o combalido Partido Republicano ressurgiu mais forte e mais à direita, galvanizando a letargia e, por que não, a covardia do governo Obama de enfrentar seus inimigos.

A imensa derrota nas eleições foi a maio senha de que Obama precisa agir com firmeza, afastar os adversários de dentro do governo, ir ter com o povo diretamente, sem meias medidas. Talvez este momento seja muito parecido com o que Lula viveu na crise do mensalão. Daquele momento em diante Lula assumiu seu destino. Será que Obama assumirá o seu? Parece que caminha para ser um novo Jimmy Carter.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Prazer,sou Dilma: Valeu Agripino!!

Ontem o finado DEM elegeu seu coveiro, Agripino Maia, Ex-Arena,Ex-PDS,Ex-PFL, em breve em Ex-DEM. Lembrei de como involuntariamente ele lançou definitiva Dilma como candidata a Presidente.

O dia 07 de maio de 2008 será conhecido no futuro como a data que a Ex-torturada política se vingou do seu algoz em praça pública.Agripino Maia lançou Dilma Presidenta..Valeu agripino!!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Governo Dilma nem começou e já tem epitáfio?

Polêmica boa entre companheiros que preservam o respeito e buscam construir um diálogo saudável no seio da esquerda é fundamental para entendermos o momento atual, a conjuntura política e econômica. A dinâmica da luta de classes e a posição daqueles que se advogam de esquerda e revolucionária.

A maioria sabe dos meus últimos dias, que não me permitiram dialogar com o companheiro Maurício  Caleiro. Tentei fazer isto com ele e a Maria Frô de forma limitada no texto anterior (“O mundo é um moinho” – a política também).

Porém, durante o carnaval, o companheiro foi mais fundo nas críticas ao governo Dilma Dilma e o retrocesso que a direita adora, agora não mais pontuais e sim globais, mais trabalhadas na Tréplica ao Alexandre Porto. Apresento as minhas considerações gerais de resposta aos dois textos do Caleiro.

Dilma e o retrocesso que a direita adora ou Esquerdismo do jardim da infância

Estivemos lado a lado na campanha por três motivos que Caleiro apontou

1)   Defesa do governo Lula e suas conquistas;

2)   Derrotar Serra e seu programa de extrema-direita;

3)   Derrotar definitivamente o neoliberalismo;

Particularmente concordo com as questões e elencaria mais outros, sendo o principal destes a falta de alternativa consistente à esquerda programática que rompesse com o sistema, o que nos reuniu no projeto pequeno-burguês radical do PT.

É preciso ter claro: o PT não se propôs em nenhum momento, nem em 2010, 2006, 2002, 1998 ou 1994, a romper com a institucionalidade burguesa, exceto em 1989, que tinha ainda um programa anticapitalista. Desde 1992, com o refluxo do Leste europeu, a queda do Muro de Berlim, a esquerda revolucionária refluiu no PT ou rompeu com ele, fundando pequenos partidos como PSOL e PSTU, que se propuseram como alternativas, mas que no fundo gravitam na órbita do PT, com suas famosas “exigências e denúncias”, a formulação trotskista inócua que impediu objetivamente uma conformação política programática forte e alternativa anticapitalista.

Já em 2003, nos primeiros meses do governo Lula, alguns parlamentares liderados por Heloísa Helena e Luciana Genro romperam com Lula, por acreditar que este traíra o programa histórico – pequeno erro, não leram ou não se deram o trabalho de perceber que tinha já 12 anos que o PT não se propunha algo diferente do que administrar o Estado burguês com mais “competência”, numa visão democrática e popular. Surgiu o PSOL que pouco ou nada de alternativa política programática, a meu ver, trouxe para o cenário político de esquerda.

Portanto, ao apoiar um governo de um partido como o PT é preciso ter claro: ele NÃO ROMPERÁ os laços com o grande capital. Tentará sempre que possível conciliar estes interesses em luta, procurará ampliar os espaços de participação política, mas muito se frustrará quem acha quem será totalmente distinto de um governo burguês comum.

Quem milita na esquerda não pode vir com um papo de “traição”, pois ou não leu o programa ou, pior. leu e não o entendeu. Fatalmente cairá no esquerdismo tardio, típico do jardim de infância. Alguns fundam outros partidos (PSOL, PSTU), que sem política global viram seitas ou grupamentos de tendências em lutas permanentes.

Economicismo, o que seria isto?

Caleiro corretamente aponta o corte de R$ 50 bilhões no orçamento como questão preocupante por seus impactos na vida do cidadão comum. No novo texto fala do aumento da taxa Selic e suas consequências de restrição ao consumo e ao crescimento. Vamos às questões para entendermos se realmente este é um retrocesso ou um recuo normal na economia.

Desde a grande crise, em setembro de 2008, o governo Lula apontou que saída seria o investimento pesado do Estado, incentivando o crescimento com desoneração fiscal (IPI, PIS, Cofins), gerando compras corporativas estatais com grandes obras (PAC), apostando que num horizonte de curto prazo a economia mundial volte a crescer.

Os resultados todos sabem: em 2009, praticamente tivemos um trimestre de forte retração e logo a seguir um período virtuoso de crescimento que culminou em 2010 com a taxa de 7,5%. Esta dinâmica foi conseguida graças ao grande trabalho do Estado, do governo federal, a ação positiva de Lula de ir a campo e liderar a retomado do crescimento, em desalinho ao que acontecia no mundo.

Porém, em longo prazo este crescimento isolado do Brasil, este vigoroso movimento, sem o devido acompanhamento externo, não se sustentaria: já em agosto de 2010, ainda sob Lula, teve início um movimento para frear a economia devido ao componente inflacionário, que em última análise pune os mais pobres. A dinâmica econômica era contida para um crescimento mais moderado que impedisse a volta da inflação, apostando numa retomado do mercado mundial.

Óbvio que Dilma, a grande gestora de todos os grandes programas de crescimento do governo Lula (PAC, Minha Casa, Minha Vida) é sabedora de todos os percalços e da necessidade de se redefinirem as prioridades do crescimento e a adequação do orçamento, que sempre vem “vitaminado” com emendas parlamentares, muitas, fisiológicas.

É preciso ter responsabilidade fiscal, que garanta, repito, nos marcos da administração do estado burguês, a gestão coerente, que possibilite no futuro ainda maior inclusão social.

Que Dilma honre os compromissos que a elegeram – em dois meses?

Fico espantando com a pressa de que Dilma cumpra seus compromissos, tudo em dois meses; esta mesma pressa levou muitos companheiros ao PSOL, queimou pontes e hoje amargam isolamento político – muitos ficam apenas gravitando eternamente na órbita da estrela maior.

As medidas econômicas duras, ao contrário do que se diz, já estavam sendo tomadas no governo Lula: o ministro da Fazenda é mesmo, o BC, aliás, melhorou com a saída de Meireles. Este período de ajuste é necessário e, dando crédito ao que diz Mantega, no segundo semestre começa a mudar.

Mas a pressa ou as frustrações imediatas muitas vezes falam mais alto do que a razão – mesmo que o companheiro não aceite o argumento histórico, vivemos de análise da dinâmica histórica. O governo Lula também sofreu no começo com a herança de FHC, péssima em todos os sentidos, mas o horizonte de crescimento mundial também nos favoreceu. Agora estamos numa situação inversa: a herança de Lula é boa, mas o horizonte externo é nebuloso e complicado.

Outra coisa engraçada é que só se reforça o que aparentemente é ruim no “economicismo” ou nos ministério que têm retrocessos. Mas por que nada se fala do aumento das verbas para saúde? aumento do piso dos professores com repasse de 1 bilhão do Fundeb? Ou da mudança de comando da Funasa, de Furnas, dos ministérios da saúde e de comunicações?

Sinceramente, nunca ouvi de Erundina que romperá com o governo Dilma porque Kassab ou Katia Abreu (esta nunca ouvi dizendo que nos apoiará) fundarão partido para irem para a base de apoio. Base de apoio a governos centrais é “rede de arrasto”, vêm apoios os mais cretinos possíveis. Por exemplo, Maluf é da base, Collor, Sarney, mas a pergunta é bem objetiva: são estes que dão a dinâmica do governo??

Mais uma vez apelo à razão, à calma na análise: sei que a dinâmica do debate não é ruptura, mas determinados argumentos assacados são francamente impróprios pelo pouco tempo de governo. Vamos ficar jogando água quente na fervura por que mesmo? Temos outro projeto político a construir? Outras forças sociais surgiram nestes dois meses que nos permitam apontar uma ruptura?

quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnaval e Serra acabam nas "cinzas"

Depois de 10 dias extremamente complicados, com nova internação da minha filha, acabamos saindo do hospital no domingo de carnaval e curtimos as nossas visitas.

Hoje voltei ao combate diário, estamos mais uma vez no hospital para quimioterapia semanal. Aproveitei para volta a escrever no blog, mas antes ao ler o excelente Blog da Maria Fro deparei-me com o post sobre o comportamento da oposição na última eleição, em particular a subserviência dela ao cônsul americano e seus encontros privados com o "líder" da oposição, o "provinciano e desinformado" Serra, nas palavras do americano.

Interessante também observar noutro post do blog os "jornalistas de aluguel" do Serra, quando muitas vezes os criticamos, todo uma gama de leitores torcem o nariz achando que exageramos, mas o esclarecedor Memo do Wikileaks mostra Mainadi, Merval e Carlos Eduardo Lins prestando favores ao candidato da oposição e ao governo americano.

Leiamos o Memo principal e nos deliciemos com a vergonha alheia, ridículos

WikiLeaks

241953/ 12/29/2009/ 16:5309 SAOPAULO667/ Consulate Sao Paulo/ CONFIDENTIAL

Excertos dos itens “confidenciais” do telegrama 09SAOPAULO667.





A íntegra do telegrama não está disponível

ASSUNTO: Em São Paulo, líderes políticos expõem preocupações sobre o governo do Brasil ao Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela

1. (C) RESUMO: No trecho final de sua visita de uma semana ao Cone Sul, o Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela encontrou-se com figuras expressivas da política local e observadores econômicos em São Paulo, os quais manifestaram preocupações com a política externa do Brasil, gastos públicos e manobras políticas com vistas às eleições de outubro de 2010.

Em encontro posterior, privado, com AV [Arturo Valenzuela], o governador de São Paulo, que está na dianteira das pesquisas de intenção de voto Jose Serra alertou para o fato de que a radicalização e a corrupção crescem no Partido dos Trabalhadores (PT), no governo e sugeriu que, como presidente, conduzirá política exterior mais afinada com os EUA. FIM DO RESUMO.

Em Sao Paulo, observadores políticos e econômicos

2. (C) Concluindo sua visita à região com rápida passagem por SP no sábado, dia 18/12, Arturo Valenzuela participou de almoço oferecido pelo Cônsulo Geral e nove especialistas e observadores políticos e econômicos, entre os quais o ex-ministro de Relações Exteriores Celso Lafer, o ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa, e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Jose Goldemberg. Valenzuela apresentou panorama genérico de sua viagem e destacou a alta prioridade que o governo dos EUA dá ao relacionamento bilateral. Identificou a cooperação com o Brasil em questões regionais, inclusive Honduras, como tendo “importância crítica”.

3. (C) Todos os convidados brasileiros criticaram a política exterior do governo Lula, manifestaram preocupações sobre a crescente radicalização do Partido dos Trabalhadores e destacaram a deterioração das contas públicas. O ex-ministro RE descreveu a posição do Brasil em relação ao Irã como “o pior erro” da política exterior de Lula. O embaixador Barbosa citou o papel do Brasil em Honduras como grande fracasso. Todos criticaram a atenção que o Brasil está dando em questões internacionais com as quais o Brasil pouco tem a ver e nada a fazer (Irã, conflito Israel-palestinos, Honduras etc.), ao mesmo tempo em que se ignoram questões mais próximas, inclusive as relações com o Mercosul.

4. (C) Roberto Teixeira da Costa, vice-presidente da empresa Brazilian Center for International Relations (CEBRI) e o professor Goldemberg questionaram especialmente o interesse no Irã, dado o pequeno volume de negócios e pobres perspectivas comerciais e a improbabilidade de qualquer cooperação nuclear. [NOTA: Em conversa particular com o encarregado, Goldemberg, que também é renomado físico nuclear, disse que o Brasil nada tem a oferecer ao Irã, no campo dos combustíveis nucleares, dado que o Irã está muito a frente do Brasil na campacidade para centrifugar. Além disso, registrou que muito apreciou recente advertência da secretária Clinton, sobre países que estejam trabalhando muito próximos do Irã. E que o Brasil deveria levar mais a sério aquela advertência. FIM DA NOTA.]

O assessor-secretário Valenzuela destacou que um Irã, cada dia mais isolado, está à caça de qualquer oportunidade, como a que o governo Lula lhe deu, para esconder a ausência de cooperação e a impopularidade na comunidade internacional.

5. (C) No plano doméstico, os participantes brasileiros explicaram a estratégia do PT de tornar as próximas eleições nacionais um referendum para o governo Lula, que será apresentado como avanço em relação do governo de Cardoso. E todos alertaram para a intenção do PT, de conduzir campanha agressiva. Essa via, disseram todos, pode conseguir apresentar Jose Serra como candidato de Cardoso e ajudará a transferir uma parte da popularidade de Lula para Dilma Rousseff – que jamais concorreu a cargo público e até agora tem mostrado pouco carisma como candidata.

O Ombudsman da Folha de Sao Paulo (sic) Carlos Eduardo Lins da Silva, também presente, destacou que o PT terá força econômica que jamais teve antes, para a campanha eleitoral, depois de oito anos de governo. E o cientista político Bolivar Lamounier disse que um PT cada dia mais radical provavelmente fará campanha negativa contra a oposição. O ombudsman da Folha de Sao Paulo, Lins da Silva, acrescentou que, no caso de o PT não vencer as eleições presidenciais de 2010, com certeza usará a riqueza recém adquirida para trabalha como oposição agressiva.

6. (C) Economicamente, Teixeira da Costa disse que a percepção pública sobre o Brasil estava sendo super otimista e que os mercados despencarão rapidamente, caso a situação internacional se deteriore. Ricardo Sennes, Diretor de negócios internacionais da empresa de consultoria Prospectiva, concordou com a avaliação e disse que as contas públicas estão sob forte e crescente stress. Que a economia brasileira continuava a ser não competitiva no longo prazo, por causa da fraca infraestrutura, alta carga tributária e políticas trabalhistas rígidas. Mas todos concordaram que a forte performance da economia brasileira nos últimos oito anos e a recuperação pós-crise econômica global ajudarão na campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Sobre o papel de destaque que o Brasil teve na recente Conferência sobre o Clima, em Conference (COP-15), o professor Goldemberg disse que a performance do presidente Lula foi medíocre. E fez piada, dizendo que o Brasil deixou em Copenhague a impressão de que o Brasil desenvolveu-se muito nas duas últimas semanas. Mas elogiou muito a apresentação da secretária Clinton e disse que os países de ponta deveriam reunir-se em pequenos grupos (não como no G-77) para conseguir fazer avançar questões de financiamento e fiscalização.

O governador de São Paulo, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais

7. (C) Em encontro de 90 minutos, privado, no Palácio do Governo, Jose Serra disse praticamente a mesma coisa sobre tendências da política nacional, corrupção crescente, gastos públicos e política externa.

Serra contou ao secretário-assessor Valenzuela que o Partido dos Trabalhadores está fazendo todos os esforços para construir uma base de poder de longo prazo, agora que conseguiu chegar ao governo. Serra alertou que o Brasil está alcançando níveis nunca vistos de corrupção e que o PT e a coalizão que o apóia usam os crescentes gastos públicos para construir uma máquina eleitoral para as próximas eleições. Por isso, e porque seu partido (PSDB), segundo o governador, é partido relativamente mais pobre, Serra não pareceu muito firmemente convencido de que chegará à presidência em outubro de 2010.

8. (C) Além de toda a política doméstica, Serra criticou a política externa do governo Lula e sugeriu que, se eleito, dará ao Brasil direção mais internacionalista. Serra citou Honduras como exemplo específico de fracasso do governo Lula, culpando o governo brasileiro e o presidente Zelaya por não deixarem que se construa solução viável. E falou muito positivamente de seu próprio engajamento, em questões de clima, com o estado da California, como exemplo de oportunidade para trabalho conjunto em questões complexas. Mas, reiterando a posição que tem assumido publicamente, Serra criticou a tarifa que os EUA impuseram ao etanol importado do Brasil, a qual, para ele, seria economicamente ilógica.

9. (C) Sobre o crescente populismo na região, Serra disse que a presidente da Argentina Cristina Kirchner pareceu-lhe “cordial e esperta” e sugeriu que, se o governo dos EUA está preocupado com as políticas populistas de Kirchner, muito mais preocupado ficará com a candidata Dilma Rousseff do PT. Alertou também que as referências que o governo dos EUA tem feito sobre uma “relação especial” com o presidente Lula não soa bem em todos os segmentos no Brasil e pode ser manipulada pelo PT. [COMENTÁRIO: À parte a Argentina, Serra pareceu em geral mal informado ou desinformado sobre recentes desdobramentos no cone sul, inclusive sobre a situação política do presidente Lugo do Paraguai, parecendo imerso, principalmente na política brasileira provinciana. FIM DO COMENTÁRIO.]

No final, Serra disse que está trabalhando em vários artigos para jornal, nos quais articulará suas críticas à política externa do governo Lula, a serem publicados nos próximos meses.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A herança ideológica que nos embrutece

"Meu caro amigo,toda a teoria é névoas; auriverde só a árvore da vida" ( Fausto - Goethe)

Mídia tradicional X patrulhamento ideológico

A perda de credibilidade da mídia tradicional, em particular no Brasil, deve-se não apenas por sua ideologia política, mas fundamentalmente por abandonar a busca da “verdade factual” – ela prioriza muito mais a sua ideologia a informar fatos e seus desdobramentos e significados na vida. Perde assim o monopólio da informação ou a fonte mais corriqueira de busca sobre os fatos.

Ao perder este monopólio, o que levou à perda de audiência, venda de jornais e revistas, cai o fundamental: receita. Por conseguinte, blogs, portais estão sendo alvos constantes do patrulhamento político e ideológico da velha mídia.

No entanto, do lado de cá estamos estreitando diálogo com setores e pessoas no mesmo patrulhamento político, ideológico e comportamental: ler os jornais ou ver TV é motivo de chacota e policiamento, como se conseguíssemos superar nossos próprios limites informativos ou produzir algo estruturado o suficiente para fazer-lhes frente.

Questão intelectual hoje

O pessoal comemora o sumiço do Diogo Mainardi da Veja, mas deveria entender que ele é apenas reflexo do refluxo intelectual dos dois lados. A direita teve intelectuais brilhantes, hoje se contenta com histriônicos como Reinaldo Azevedo, Merval Pereira, Miriam Leitão, Waak, Jabor, Sardenberg, pior, leva-os a sério.

Estou muito preocupado com nossa formação intelectual à esquerda, vivemos uma época muito pobre  intelectualmente, reflexo direto das quedas dos muros, Berlim e Wall Street. Os dois lados perderam pesadamente. Mas, do nosso “lado” a coisa continua mais complicada de se retomar, vejamos:

1)  A velha esquerda trotskista que se julgou vencedora com a queda do Muro de Berlim foi incapaz de apresentar qualquer projeto de sociedade socialista e democrática que animasse aqueles países da justeza de suas críticas ao stalinismo;

2) A velha esquerda stalinista, quase enterrada em 89, ressurge pós-queda de Wall Street, mas também não traz projeto de sociedade socialista que rompa com seu passado de crimes e erros na ex-URSS;

3) A direita que nadou de braçada nos anos 90/00 vive uma crise sem precedente, mas mantém controle social por falta de alternativa absoluta e não surgimento de uma nova esquerda;

4) Vivemos a contradição de termos uma vaga histórica à esquerda aberta, desde 2008, mas não temos projetos alternativos;

Portanto, não adianta festejar a crise da direita se não somos capazes de ocupar este espaço, faltam-nos teoria e prática revolucionária. Aqui as nossas heranças, trotskista ou stalinista, impedem qualquer avanço; a dificuldade de dialogar e o sectarismo tornam pejorativo o debate. Caímos muitas vezes nos jargões e estigmatizamos e, qualquer pensamento crítico, os que discordam destas correntes, estreitas e medíocres, são logo qualificados de “direita”.

Volto mais uma vez ao mestre William Shakespeare e a sua mais profunda obra, Hamlet. Neste dialogo entre Horácio e Hamlet, este critica fortemente certos costumes do povo dinamarquês – bem, parece que ouço no meu ouvido as mesmas palavras sobre os nossos próprios costumes:

Horácio – Já? Não ouvi; então não falta muito para

que o fantasma volte a aparecer-nos.

(Toque de trombetas e tiros de canhão atrás da

cena.)

Que significa esse barulho, príncipe?

Hamlet – O rei está acordado e dá banquete. Bebe a

valer, rodando tudo em torno. Cada gole de Reno é

por trombetas e timbales marcado, que o triunfo do

brinde lhe proclamam.

Horácio – É costume?

Hamlet – É, de fato. Mas a meu ver – embora aqui eu

tivesse o berço e a educação – é um desses hábitos

cuja quebra honra mais do que a observância. Essas

orgias torpes nos difamam de leste a oeste, junto aos

outros povos. Só nos chamam de bêbedos, alcunha

que nos deprime, por privar os nossos

empreendimentos, ainda os mais brilhantes, da

essência medular de nosso mérito. Isso acontece às

vezes noutros meios: se nasce alguém com algum

defeito ingênito – do que não é culpado, porque a

origem para si não escolhe a natureza, pelo excesso

de sangue, que, por vezes, os fortes da razão e os

diques rompem, ou somente por hábito, que estraga

a moral cotidiana – esse coitado, que leva pela vida

tal defeito, seja mancha do acaso ou vestimenta da

natureza, embora suas virtudes sejam tão puras

quanto a graça e em número infinito, no máximo de

nossa capacidade, perde no conceito geral por essa

falha. A massa nobre se torna recalcada e diminuída

pelo grão do defeito.



Os grifos são meus, para ressaltar que temos que romper com velhos hábitos, frutos de uma herança que nada nos dignifica, só nos empobrece, quando não nos embrutece mais ainda. Construir uma nova esquerda, um novo pensamento, uma nova prática, nos livrando de um passado funesto. Retomar o velho Marx, seus textos, que cada dia menos conhecem, abrir nossas mentes para a cultura, nos livrar do “Google” e dedicar mais tempo à teoria e a pratica humanista.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dilma e os seus primeiros desafios

"Deus me acuda! A arte é longa, a vida breve." (Fausto- Goethe)





“Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”, era assim que o grande Fiori Giglioti iniciava sua narração dos jogos esportivos, e é assim que vivemos este inicio do governo Dilma: estamos com 1 minuto do 1º tempo e já tem torcedor chorando a derrota. Normal se fossem os derrotados do ano passado, mas, pior, é parte dos vencedores.

Governo de coalizão é um estica e puxa, as peças do tabuleiro foram mudadas, algumas excelentes mudanças que podem confirmar uma ótima expectativa, tais como:

1)   Ministério das Comunicações com Paulo Bernardo e a trupe da Banda Larga, que pôs no debate já a questão da nova lei dos meios. Mudanças na ECT, que foi sempre o calo do governo Lula;

2)   Ministério da Saúde com Alexandre Padilha, que chegou montando uma renovada equipe e com substancial aumento no orçamento, de 66,9 bilhões para 77 bilhões (previsão), e também sinalizou a necessidade de valorizar o SUS. Troca de comando na Funasa, fonte de corrupção;

3)   Mudanças em Furnas, antigo feudo que também era fonte de problemas graves no governo Lula;

4)   Educação: a continuidade de Haddad, que faz excelente trabalho no MEC, mantendo e aumentando seu orçamento, ampliando o Fies e as vagas do Enem.

Mas há mudanças que nos preocupam:

1)   Previdência entregue a Garibaldi Alves, depois de excelente trabalho de José Pimentel;

2)   SAE entregue ao Moreira Franco;

3)   Cultura: depois dos acertos de Juca Ferreira houve uma mudança de linha com Ana de Hollanda, que tanto tem ouriçado os companheiros do Creative Commons;

4)   Relações Exteriores: saída de Celso Amorin deixa um vácuo pelo excelente trabalho e sua imensa capacidade dar respostas às crises internacionais; faltou no episódio do Egito e das revoluções em curso no mundo árabe;

Claro que este começo é tudo muito novo, mas esta nova equipe vem em sua maioria de uma ótima experiência sob a batuta de Lula, e agora terá que mostrar serviço com a presença de Dilma. Recentemente o ministro Paulo Bernardo, no #navaranda, definiu bem as diferenças de estilo entre ambos, dizendo que Lula cobrava muito, desde a época do PT, e que na presidência passou parte desta cobrança para Dilma. Agora que ela é a presidenta, naturalmente delegará provavelmente a Palocci esta missão, de saber o dia a dia dos ministérios.

Nos primeiros embates de formação da equipe Dilma sinalizou uma mudança na relação com o PMDB, tirando-lhe funções estratégicas e problemáticas (ECT, Furnas, Funasa), gerando estresse já nos primeiros dias; a imensa maioria dos cargos continua sem nomeação, mostrando uma disposição de não se negociar no varejo, mas uma perspectiva mais clara de partilhamento do governo feitas em cima de compromissos e projetos.

Episódio recente da tentativa de Moreira Franco de controlar o IPEA, numa suposta demissão, via imprensa, de Marcio Pochmann, serve para deixar claro quem está no comando, como se constrói a autoridade.

Visões à  Esquerda e à  Direita

"Vibra meu canto agora a ignota multidão,

cujo aplauso, ai de mim! me aperta o coração;

e os a quem meu cantar outrora foi jucundo,

erram, se inda alguns há, dispersos pelo mundo"

(Fausto - Goethe )

Direita e mídia tentam fazer um contraponto Dilma x Lula, com a clara visão de diminuir o papel de Lula, ou de jogar um com o outro. Sintomático que o Invejoso FHC tenha dito que “só em não ver Lula todo dia na TV” se sentia “melhor” (ato falho de inveja mais descarado que vi na vida). Todo dia um “colonista” escreve loas a Dilma como forma de desancar Lula -- claro que Lula e Dilma devem estar dando risadas, pois ambos trabalham afinadamente desde 2003.

Os mais apressados à esquerda já condenam como governo de retrocesso, alguns até votaram em Dilma, a maioria no fundo sempre fez oposição ao governo Lula: não esperaria nem dois dias para “marcar posição”. Engraçado que elogiam Lula em detrimento de Dilma...

Apenas para relembrar: o PT e parcela significativa da esquerda chegaram ao Governo, não exatamente tomou o Poder, administra o Estado burguês. Claro que estão suscetíveis a vacilações, às pressões à direita e à esquerda. Cabe a nós sempre polarizar para políticas públicas que avancem na consciência e luta dos trabalhadores, criticar e dialogar francamente, compreender passo a passo cada conjuntura, cada cenário que se apresenta, para uma intervenção política mais forte e classista.

Nossa agenda


Aos apoiadores de Dilma, que estão no campo da continuidade das mudanças começadas com Lula: temos muito, mas muito a fazer, temos que elencar a nossa real agenda, e sair deste tiroteio de 3º turno inexistente. A agenda “Mico” não pode substituir a nossa real preocupação com o futuro.

Eis alguns temas candentes:
1)  Relação do Brasil com G20;
2) Questão da nova guerra cambial/comercial;
3) Recomposição de forças no cenário nacional, novo pacto federativo com reforma tributária;
4) Pré-Sal e seus ganhos para a sociedade: Educação, Saúde e erradicação da pobreza;
5) Reforma política e relação partidária no Congresso;
6) Tecnologia: PNBL, AI5 Digital;
7) Marco regulatório das comunicações;
8) Voltar aos padrões civilizatórios de convivência social, condenação cabal às manifestações neofascistas, com punição exemplar a quem as pratica;

São grandes temas que discutiremos pouco e darão o corte no novo momento que passaremos a viver. A perspectiva de Dilma fazer um governo mais “técnico” com composição mais preparada para dar respostas políticas, mas principalmente técnicas aos grandes temas, deveria ser nosso norte.