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terça-feira, 10 de maio de 2011

Crônicas do Japão XVII: Kyoto IV – O caminho da Iluminação


A cidade de Kyoto combina magnificamente o passado glorioso de capital imperial por mais de 1000 anos com a preservação de seus templos de castelos com o desenvolvimento moderno, com belas avenidas, prédios novos e imponentes, dão ar a esta cidade de 1,5 milhões de habitantes.

Os posts anteriores foram dedicados aos templos históricos e marcantes, mas como falei anteriormente esta cidade tem 1200 templos suas avenidas e ruas sempre podem aparecer uma surpresa de passado medieval ao lado de prédios futuristas, convivendo lado a lado e a cultura sendo respeitada.


Esta coisa de respeitar o passado é tão impressionante que uma imensa avenida central em Kyoto de repente acaba e vira uma viela minúscula que lado a lado antigas casas medievais foram transformadas em mercado e restaurantes, uma coisa linda demais.


Vale a pena ver ainda três belíssimas edificações do passado, por sua grandiosidade e significado particular.

Heian

Heian Jingu Shrine

O castelo da dinastia Heian, fundadora da cidade, hoje conhecido como palácio das lanternas que até pouco tempo era usado como palácio de veraneio pela família imperial, tem um jardim majestoso que dizem que a própria imperatriz cuidava.

Por três séculos ele foi a sede política e administrativa do Japão, o conjunto de prédio que faziam parte do complexo era meticulosamente distribuído em salas privadas e salões de recepção que fazia uso o imperador no trato da administração pública. Num destes prédios era dedicado a residência e aposentos imperiais.

Heian Jingu Shrine Chinese Bridge

Após vários incêndios e mudanças de sede administrativa, uma parte apenas do antigo palácio foi reconstruído, dando uma visão da construção original, seu belo jardim, a combinação perfeita de flores, pedras, o lago. Causando contraste com as paredes brancas e as colunas vermelhas.

Heian Jingu Lily Pond

Nijo-Jo

Arquivo: Castle.jpg Nijo

O famoso castelo construído pelo Xogum Tokugawa no início do século XVII é uma obra de grande porte que impressiona e a engenharia, parte do complexo, são dois palácios o de Ninomaru e Honmaru, foi deslocada de outras cidades peças inteira como o pórtico gigantesco (Karamon) da entrada principal.

Arquivo: NinomaruPalace.jpg

O conjunto arquitetônico fica numa área central que ocupa 275 mil metros quadrados com 8 mil metros construídos e amplos jardins, fontes de pedras, pomares de cereja e ameixas. O mais belo destes jardins/lago é o Ninomaru, que foi delicadamente desenhado e executado por paisagistas, inclusive com o apoio de um mestre de Chá.

Arquivo: NijojoGarden3317.jpg

O pé direito é altíssimo, as obras de artes de pinturas no teto dão um tom de sofisticação aos castelos, as amplas salas de cerimoniais, como a de reuniões do xoguns com seus vassalos, a construção da hierarquia dele fica num tatame só que mais elevado, tudo detalhadamente planejado.

Arquivo: Nijojo-roka-tenjo2.jpg

O castelo foi amplamente usado como sede administrativa e política da realeza até 1939, inclusive em 1928 o imperador Hiroito foi coroado neste castelo demonstrando a sua importância para o povo japonês, o passado de glória do xogunato não foi enterrado pelo capitalismo florescente naquela época.

Arquivo: Taisehokan.jpg

Ryoan-Ji

 

O templo do Dragão em paz (Ryoan-Ji) é bem pequeno, mas de grande significado, pois é o mais famoso templo Zen do mundo. Era residência da Família Fujiwara, mas foi desapropriado após a Guerra Onin, o clã Hosokawa tomou a propriedade e mandou destruir a construção original, erguendo em seu lugar o famoso templo, que serviu de cemitério para os imperadores desta dinastia.

As sete tumbas dos imperadores Hosokawa: - Uda , Kazan , Ichijō , Go-Suzaku , Go-Reizei , Go-Sanjo e Horikawa  foram lá enterrados como símbolo da humildade após a morte. A Tsukubai (agachar) local da bacia de água que cai e o visitante se curva para lavar as mãos e boca para se purificar, o modo como foi construído obriga o gesto de semi-ajoelhar. No topo está escrito: "o que se tem é tudo que se precisa" É o ensinamento básico e anti-materialista do budismo.

Arquivo: Tsukubai2.JPG

Mas, o que mais impressiona mesmo é o jardim das pedras, uma pequena arquibancada de três batentes ao longo do jardim é o local que cada um deve se sentar e tentar ver todas as pedras de uma única vez. Só aquele que se concentra e atinge a iluminação consegue vê-las todas juntas. Esta contemplação, mais que um desafio, é a busca da reflexão, da necessidade de se abstrair do mundo material e se conectar com o etéreo. Olhamos e vemos rapidamente ao mesmo instante 14 pedras, mas a 15ª sempre nos escapa. Esta é a essência do lugar, a humildade de saber reconhecer nossos limites.


Este jardim de pedra seca é amplamente estudado, gerando vários estudos sobre eixo de simetria e eixo medial. Ao se atingir grande grau de concentração as 15 pedras formam uma imagem nova, uma projeção cerebral totalmente diferente do imaginado.

20070726_Ryoan-ji_veranda.jpg

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Crônicas do Japão XV: Kioto II - Ginkakuji (Templo de Prata)

Ficheiro:Ginkakuji.jpg

Ginkakuji – O templo de Prata

O templo de Prata é a expressão de um momento da vida e cultura de Kyoto depois do século de Ouro, que teve no Kinkakuji( templo de Ouro) seu auge, a nova Era,porém de austeridade e de grande incerteza.

Yoshimasa Ashikaga, era neto do grande Xogum Yomishimitsu, resolveu construir o templo de prata para que fosse símbolo dos novos tempos em Kyoto, a simplicidade e delicadeza do templo, contrastando com o tempo anterior de riqueza e glória.

As guerras e a disputa do poder punham em risco a sobrevivência da sociedade japonesa, os valores de hierarquia e obediência estavam sendo quebrados, tempos difíceis de conflitos incessante que puseram fim a uma era, quase duzentos anos de decadência se seguiram.



Yoshimasa era um amante das artes e escreveu poesias tipo Tanka e um destes permanece na entrada do templo: "Minha casa ao pé do monte Tsukimachi, aguardando a noite de luar." A cerimônia do chá (sadō) também foi uma arte cultuada naquela casa.



O Ginkakuji é um templo austero, sóbrio, seria uma quase residência de um poderoso que ao morrer deixou-o para virar um templo budista, passando à posterioridade a imagem do seu criador, seus belos jardins que combinam pedrinhas com arbustos faz nos sentirmos andando em bonsais.

A sensação de grande harmonia e equilíbrio entre a natureza que circunda o templo e as intervenções humanas é de tirar o fôlego. A Beleza da construção com a lâmina de prata, uma tentativa de brilhar a lua na escuridão que sobreveio à sociedade naquela época. O templo parece flutuar sobre o pequeno lago que o circunda.



A beleza do Koyo( a floração avermelhada do outono) e as pedras do jardim, ambiente apropriado para meditação do Zen-budismo.

Crônicas do Japão XIV: Kyoto I-Kiyomizudera(Templo da Água)

Arquivo: Kyoto01.jpg

Rumo a Kyoto



Vindo de Hiroshima/Miyajima num moderno Shinkansen(trem bala) e entrando à noite não dar para reparar direito o que nos espera da cidade que se revela à luz do sol, bem como ao anoitecer. Uma grande cidade com excelente transporte coletivo articulado por trens da JR, assim como Tókio que apesar de antigos vagões, são limpos e pontuais.

A viagem a Kyoto é antes de tudo uma volta ao passado e um ato de fé na vida, a cidade reúne o passado feudal preservado nos templos e castelos combinada com uma arquitetura de presente e de prédios futuristas. Chegar à cidade é ter certeza que você entrou quase num cenário de filme.

Kyoto foi capital do Japão por mais de 1000 anos, sofreu destruições nas várias guerras dos samurais, foi palco da glória dos Xogunatos e da longa dinastia de Heian. Kyoto significa capital, vem do nome Kyō ( 京 ), sendo ToKYO ( capital do Oriente). A longa história da cidade e sua preservação encanta que a visita.

Saímos da estação central depois de um Noriakai (baldeação) do Shinkansen para o trem urbano, chegamos com rapidez e segurança ao Hotel, dia muito cansativo cheio de emoções, só deu tempo de tomar um banho de ofurô (ninguém, é de ferro) e cair direto na cama, noutro dia seria muito longo.

Logo muito cedo saímos do hotel rumo ao templos e tempos de Kyoto, a cidade tem incríveis 1200 templos, que vão desde pequenos oratórios numa pequena porta aos majestosos Kiyomizudera (Templo da Água pura), templo de Prata (Ginkakuji), passando pelo Heian(Templo das Laternas - antigo palácio Imperial) ao mais espetacular de todos que via na vida: Kinkakuji – o templo de Ouro.

Kiyomizudera – a água da vida

Ficheiro:Kiyomizu-dera.jpg

O Kiyomizudera é uma ampla instalação, construída no final do VIII que continua lindamente preservado, sendo na verdade um conjunto de templos dos Hosso uma das seitas mais antigas do Budismo.

É um templo afastado do centro de Kyoto, numa encosta de um monte, se chega de carro até determinado ponto e depois se segue a pé. A caminhada é entre belos arbustos extremamente bem cuidados, os cortes são tão perfeitos que parecem terem sido feitos por uma máquina que o esquadrinhasse. A Entrada é ampla, com uma construção central ao pé da encosta do morro.

Ficheiro:Japan Kyoto KiyoMizuDera temple from afar DSC00653.jpg

Neste primeiro templo são feitas as orações e se amarra os pedidos em pequenas tabuletas, o aroma de fumaça se eleva a todos, um cheiro gostoso que purifica a alma e abre a mente para o lugar que se visita. Por uma alameda se saí rumo aos outros templos do conjunto, só ali são 12 templos diferentes e com significados próprios.

O principal templo é o da água pura, que devemos tomar para termos saúde e disposição, uma fonte de água caí e uma pequena caneca é usada para recolher a água e tomá-la.