terça-feira, 22 de março de 2011

Formação Humana


Introdução



Pós-muro de Berlim, aqueles que militavam no campo da esquerda passaram a viver num mundo estranho, todos os sonhos e ideologia postos em xeque, a crueza do leste revelada em sua plenitude, houve dois movimentos no começo dos 90 muito significativos na militância:

1) Abandono da perspectiva socialista;

2) Reflexão e volta aos clássicos;

Por volta de 91 e 92 participava de um pequeno grupo, que se propôs a fazer esta reflexão para compreender o que houve no leste europeu, maioria de nós era “pró-soviético” oriundos do PCB. Teve companheiro que em 1986 chegou a dizer que bom mesmo não era Gorbachev, mas sim o prefeito de Moscou, Boris Yeltsin, o verdadeiro revolucionário, sabemos hoje no que deu.

Esta cegueira advinha de uma crença quase religiosa na revolução, em particular na interpretação russa do escritos de Marx, que teve em Lênin grande continuador, mas adstrito a realidade russa, mas que foi tomada como universal.

Aquele impacto de ruir todo o leste europeu fez com que vários companheiros simplesmente abandonarem a luta política, acreditando que aquela era a experiência definitiva do que se convencionou chamar de “socialismo real”. Honestamente derrotados, incapaz de continuarem a militar, se recolheram, trancaram a vida para qualquer nova reflexão.

Como sempre ocorre nestes períodos de crise, um setor que sempre militou quase como 5ª coluna, aderiu de vez ao ideário burguês, no Brasil a ruptura do PCB, já em frangalhos, liderados por Bob Freire, cria o PPS, todos sabemos os seus passos posteriores de traição e alianças preferenciais à direita (PSDB e DEM).

Volta aos clássicos

Vários de nós, em pequenos grupos e círculos intelectuais, voltaram aos estudos dos clássicos, não apenas os escritos de Marx, mas de toda a tradição humanista, revisitar os filósofos gregos, os cânones literários, as fontes únicas do pensamento humano.

Esta dolorosa tarefa no meio militante é sempre muito complicada, cheia de barreiras, parte dos dirigentes despreza a ampliação do conhecimento, pois as tarefas diárias se impõem. A baixa compreensão, da formação política e intelectual também se torna adversário deste “mergulho”.

Fizemos um roteiro longo em que buscávamos ampliar os horizontes para além da teoria política, inserindo novos desafios de entender o homem sob uma perspectiva histórica, filosófica e cultural, que abarcasse a Teoria do conhecimento humano em todos seus vastos campos.






(Texto de Introdução - escrito em 1992)






Origem dos Homens



O Comunismo Primitivo

O início dos tempos tem diversas explicações, desde a dos cristãos, segundo a qual Deus (Jeová) criou o mundo e depois o homem, a partir do barro ( Adão) e de sua costela, a mulher (Eva). Estes entes pecam perante Deus e são expulsos do paraíso – começa propriamente dita a procriação, sendo estes marcados pelo pecado original.

Já para Gregos, Egípcios e Romanos o surgimento do homem é produto dos deuses e semideuses, estes foram criados para adorá-los. Sua relação com os deuses, porém, não é a do medo (como cristãos) do pecado original – homens e mulheres mantêm relações íntimas com estes deuses. Por exemplo, Aquiles, herói grego da guerra de tróia, era filho de Tétis, uma deusa do mar com Peleu, um rei de Ftia (região grega).

Na visão dos materialistas (marxistas ou não) o homem surge, assim como o universo, do produto das transformações da matéria, sendo seu estágio mais elaborado o homem e seu cérebro, pois este foi capaz de criar condições para sua própria existência e transformação. Este processo durou milhões de anos, tendo o homem passado por diversos estágios até chegar ao que é hoje.

Alguns avanços foram fundamentais para este desenvolvimento, como a descoberta do fogo, a linguagem e o começo da vida coletiva. Logo a seguir, a descoberta da roda, as primeiras divisões do trabalho, a caça e a pesca, e depois a lavoura, tudo isso feito por todos em conjunto, talvez não por um desejo consciente de união, mas como único meio de sobrevivência. A este período conhecido vulgarmente como pré-história ou idade da pedra, nós damos o nome de

Sociedade Comunista Primitiva



A Divisão dos Homens

A sociedade de classes, o escravagismo, o primeiro estágio

O homem se desenvolve continuamente e surge a grande divisão social do trabalho, que passa a ser o motor de um acelerado desenvolvimento da vida: o trabalho intelectual versus trabalho manual.

Alguns homens começam a se apropriar do excedente da agricultura, pecuária e pesca, e percebem que é melhor pensar como melhor produzir e outros continuarem produzindo. No mesmo instante, nas guerras de tribos já não se libertam os presos inimigos, os quais passam a ser mão-de-obra escrava dos vencedores, dando o poder econômico maior a alguns membros.

As respostas aos fenômenos da natureza, como a lua, sol, rios etc. levam o homem a adorá-los e sendo alguns destacados para organizar estes cultos, o germe do estado-religião começa a ser plantado, as decisões coletivas já não dão respostas às novas fases de produção.

Começam a se gestar decisões individuais, e aqueles que têm seus escravos de tribo inimiga agora escravizam homens de sua própria tribo; os primeiros conflitos desta divisão precisam de autoridades para resolvê-los – eis nosso “poder” de estado em conjunto com os dos sacerdotes estruturam o estado. Em uma palavra, a revolução social está completa.

Nós devemos entender como foi importante esta divisão, pois permitiu ao homem se desenvolver em escala nunca experimentada, se desenvolvem as ciências – a medicina, a astronomia, a matemática, a física – surgem os primeiros filósofos, literatos, historiadores. O mundo se livra da ameaça simples de destruição catastrófica produzida pela natureza, que o homem passa a dominar. É o senhor dos mares, das terras e dos ares.

É neste contexto que vamos estudar a sociedade escravagista: Sua literatura, a história e filosofia da época, a política e a economia

Estudo da Teoria do Conhecimento Humano (corte ocidental)


Parte I

Sociedade Escravagista



Modulo I – Literatura

Homero: Ilíada e Odisséia

A) Épicos                   Virgílio: Eneida

Heródoto: História

B) Mitologia     Hesíodo: Teogonia e O trabalho e os dias

C) Costumes    Suetônio: A vida dos doze Césares

Modulo II – Teatro

Sófocles: Prometeu Acorrentado

Ésquilo: Oréstia

Eurípedes: As Bacantes

Modulo III - Filmes

Fellini: Satirycon

Pasollini: Medeia

Roma (mini serie – acrescida hoje)

Stanley Kubrick: Spartacus

Modulo IV – Filosofia

Platão: Fedro

Aristóteles: Ética a Nicômaco

Modulo V – Política e Estado

Plutarco: Alexandre e César, vidas comparadas

Tácito: Os anais

quinta-feira, 17 de março de 2011

Obama e seus fracassos

“Deixai toda esperança ó vós que entrais.

Inferno 3:9”(Inferno – Dante Alighieri)


A visita de Barack Obama ao Brasil coincide com um momento muito particular da política americana: sua imensa crise que vai pra os 30 meses sem que haja a perspectiva de solução. O governo Obama sofreu fragorosa derrota nas recentes eleições parlamentares, perdendo a maioria na Câmara e o poder de decisão unilateral no Senado.

Enfrenta também crise de credibilidade pelos documentos tornados públicos pelo Wikileaks, numa clara divisão interna de comando no Departamento de Estado. Aos olhos do mundo, Obama é visto cada vez mais como decepção e sem rumo, muitas políticas dos governos republicanos foram continuadas e, até em alguns casos, pioradas.

O texto abaixo busca fazer um balanço desde a vitória de Obama até sua recente derrota eleitoral, que coloca em xeque sua reeleição no próximo ano.

Um link com Roosevelt

A primeira coisa de que me lembro com Obama na presidência é de outro grande presidente americano, talvez o maior e mais singular deles, Franklin Delano Roosevelt. Herdeiro da catástrofe econômica de 29, assumiu a presidência em 32 vencendo a máquina partidária e com um programa de amplas reformas; rompeu com o liberalismo predominante e implementou fundamentalmente um programa keynesiano clássico, de intervenção estatal pesada. O New Deal foi centrado nos seguintes itens:
  • Controle sobre bancos e instituições financeiras;
  • Construção de obras de infraestrutura para a geração de empregos e aumento do mercado consumidor;
  • Concessão de subsídios e crédito agrícola a pequenos produtores familiares;
  • Criação de Previdência Social, que estipulou um salário mínimo, além de garantias a idosos, desempregados e inválidos;
  • Controle da corrupção no governo;
  • Incentivo à criação de sindicatos para aumentar o poder de negociação dos trabalhadores e facilitar a defesa dos novos direitos instituídos.

Roosevelt, apesar de vir do seio da burguesia americana – seu primo Theodore havia sido presidente em 1908 –, foi sempre taxado de comunista, esquerdista, e enfrentou oposição terrível do início ao fim do mandato; tudo em sua vida era motivo de exploração nos jornais. Espertamente ele resolveu fazer comunicação direta com o povo falando em cadeia de rádio sem intermediário, e assim rompeu o cerco que a mídia (jornais) tentou lhe impor. Para quem tiver curiosidade sobre esta época ler “Anos dourados” (Gore Vidal), romance que localiza bem a luta política enfrentada.

Fator Obama


Coincidência ou não, o motor da chegada de Obama à Casa Branca foi o desastre Bush Jr. Sem isto, ouso afirmar, jamais um negro, com família com vínculos ao islã, lá chegaria. Sua ascensão é algo extraordinário, inimaginável há 10 anos, quem de nós conseguiria vislumbrar algo tão luminar?

Obama surge do nada, ganha da favorita Hillary a indicação do Partido Democrata. Uma hipótese pouco cogitada seis meses antes, um negro na presidência. Vitória de um outsider total, sem um pé na máquina partidária, dominada pelos Clintons.

Obama faz um acordo cruel, entrega a Secretaria de Estado, ministério mais importante americano, a sua adversária Hillary. Enfrentando uma crise sem precedentes, mais ou menos dividiu seu governo em dois: no front interno liderado por ele, tenta aprovar reformas na saúde e recompor a economia em frangalhos. O front externo é entregue a Hillary e aos falcões mais reacionários. Como boa conhecedora da máquina de guerra, Hillary tem seu desempenho facilitado pelos crescentes conflitos advindos da ampla crise financeira mundial.

Assume a presidência naquela que é considerada a segunda maior grande depressão da história do capitalismo, o país mergulhado num atoleiro no Iraque e no Afeganistão, com pouquíssimo espaço de manobra, uma herança mais do que MALDITA, sob desconfiança da elite reacionária, que aceitou a derrota na batalha, mas prolonga a guerra via mídia. Neste contexto, no próprio Partido Democrata Obama tem poucos aliados confiáveis, é obrigado a montar um ministério de composição com as alas conservadoras e ainda manter um presidente do FED comprometido ainda com o neoliberalismo.

Estes fatores combinados, recessão violenta, desemprego, sensação de decadência, duas guerras no front, uma mídia hostil deixam pouco, ou quase nada, espaço de manobra para Obama se movimentar. Para nós que estamos de fora apontar o dedo de por que ele continua as guerras é fácil, por que ele não enfrenta os lobbies armamentistas, grupos poderosos etc. Seu próprio chanceler Hilary Clinton sabota-lhe  o trabalho: negociou com os golpistas hondurenhos, por exemplo, mas são as concessões inevitáveis de governo novo no meio do caos. Aqui não quero justificar os erros de conduta de Obama, mas tentar explicar os fatos com isenção.



Economia continua em crise, desemprego piorou muito nestes anos


Houve uma piora sensível nas condições políticas e de governabilidade, acentuada agora pela imensa derrota nas eleições congressuais bianuais, com a perda da maioria na Câmara e redução na maioria do Senado.

Os grandes bancos receberam pesados recursos do Tesouro, sendo salvos os banqueiros, os megainvestidores, mas nada sobrou para os endividados em hipotecas: passou a idéia de que é melhor salvar os ricos, sem se preocupar com quem realmente perdeu tudo.

As 400 maiores fortunas nos EUA têm mais dinheiro do que 155 milhões de americanos, uma brutal concentração de renda típica de “terceiro mundo”, que se aprofundou mais no governo Obama. Depois da “crise”, em recente pesquisa foi constatado que aumentou o número de americanos com mais de US$ 1 milhão em investimentos, situação contraditória numa crise sem precedentes.

Mas na outra ponta da economia há aumento no índice de desemprego e mais ainda o aumento drástico da população que recebe os Food Stamps (programa equivalente ao Bolsa Família (no pé do texto há um link sobre o programa): de fevereiro de 2010 a outubro passou de 39 milhões a 42,4 milhões de pessoas (quase 10%).

De acordo com o United States Department of Agriculture, as estatísticas para o programa de assistência alimentar são os seguintes:
  • 51 por cento de todos os participantes são crianças (17 anos ou menos), e 65 por cento deles vivem em famílias monoparentais.
  • 55 por cento dos domicílios do vale-refeição incluem crianças.
  • 9 por cento de todos os participantes são idosos (60 anos ou mais).
  • 79 por cento de todos os benefícios vão para as famílias com filhos, 14 por cento vão para as famílias com pessoas com deficiência e sete por cento vão para as famílias com pessoas idosas.
  • 36 por cento dos agregados familiares com crianças eram chefiadas por uma mãe solteira, a esmagadora maioria dos quais eram mulheres.
  • O tamanho médio do agregado familiar é de 2,3 pessoas.
  • A renda bruta média mensal por agregado familiar do vale-refeição é de R $ 640.
  • 41 por cento dos participantes são brancos, 36 por cento são Africano-americanos, não-hispânicos, 18 por cento são hispânicos; 3 por cento são asiáticos, 2 por cento são indígenas, e 1 por cento são de raça ou etnia desconhecida.

Neste ambiente Obama jogou todo o seu peso para aprovar uma espécie de SUS, plano de saúde público, pois cerca de 45 milhões de americanos não tinham nenhuma proteção hospitalar e assistência médica (número coincidente com participantes do Food Stamps). O custo do seguro saúde é muito alto: a precarização do emprego e mesmo do subemprego impediam que esta faixa da população tivesse atendimento médico.

Porém o custo político foi desastroso, Obama foi pintado como “bolchevique”, socialista que quer acabar com a livre iniciativa. A dura batalha no Congresso foi divorciada da sociedade; um movimento protofascista, o Tea Party, cresceu de forma assustadora, elegeu inclusive representantes no novo Congresso.

Política externa desastrosa ruim com de perda de poder e influência no mundo



A dura visão do Departamento de Estado, dominado pela direita dos democratas, escolhe seus “inimigos”, o principal deles o Irã. Mesmo com o refluxo no Iraque a aventura no oriente médio ainda é prioritária, atende às demandas da indústria bélica, do setor petrolífero, dos militares e dos falcões de Israel.

Parece que nada mudou desde Bush Jr. A Sra. Clinton continua sua escalada de medo e ódio pelo mundo, Obama quase nada se diferencia, sua submissão é total ao que Hillary faz e desfaz.

Neste contexto, cada dia mais a China cresce como pólo aglutinador de forças econômicas e alternativa de investimentos, em particular no chamado 3º mundo. Com 5 trilhões de reservas cambiais, a China hoje é o principal credor americano, boa parte do destino do dólar está nas mãos dos chineses.

Esta sensação de perda do poder hegemônico mundial é mais uma derrota do governo Obama. A extrema dificuldade de dialogar com o mundo leva ao isolamento, e o império apenas é reconhecido pelo poder militar.

Mesmo em relação ao G20, Obama e Hillary nada fizeram para se aproximar e quebrar a influência chinesa. É inconcebível que Obama não tenha visitado o Brasil, o articulador mais dinâmico do G20. Este desprezo pelas relações diplomáticas torna a saída da crise americana mais distante ou em condições piores.

A recente desvalorização do dólar apenas reforça a visão equivocada de G2 (EUA-China) fechando os olhos para o resto do mundo. Ao comprar a guerra cambial com a China, Obama fecha as portas para qualquer diálogo com o restante do G20, em particular com Brasil, Índia, Rússia e África do Sul.

Falta de enfrentamento político com adversários

O surgimento de um movimento de extrema-direita nos EUA é reflexo da falta de combatividade de Obama, a complexa situação da economia, o empobrecimento crescente vistos a olho nu fizeram surgir no seio da classe média americana a Hybris do ódio e do ressentimento.

Consubstanciado no caricato Tea Party, algo parecido com típicos movimentos protofascistas que surgem na ebulição de grandes crises, em síntese são os ultraliberais contra o governo, o de Obama em particular, contra impostos, saúde pública, que querem resgatar o “sonho americano”. No fundo não passa de mais um pesadelo.

Aqui mais uma vez houve a maior falha de Obama: ele não tomou para si as rédeas de seu governo, foi bombardeado internamente pelos Clintons, por Nancy Pelosi e outros falcões democratas. Do lado de fora, o combalido Partido Republicano ressurgiu mais forte e mais à direita, galvanizando a letargia e, por que não, a covardia do governo Obama de enfrentar seus inimigos.

A imensa derrota nas eleições foi a maio senha de que Obama precisa agir com firmeza, afastar os adversários de dentro do governo, ir ter com o povo diretamente, sem meias medidas. Talvez este momento seja muito parecido com o que Lula viveu na crise do mensalão. Daquele momento em diante Lula assumiu seu destino. Será que Obama assumirá o seu? Parece que caminha para ser um novo Jimmy Carter.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Prazer,sou Dilma: Valeu Agripino!!

Ontem o finado DEM elegeu seu coveiro, Agripino Maia, Ex-Arena,Ex-PDS,Ex-PFL, em breve em Ex-DEM. Lembrei de como involuntariamente ele lançou definitiva Dilma como candidata a Presidente.

O dia 07 de maio de 2008 será conhecido no futuro como a data que a Ex-torturada política se vingou do seu algoz em praça pública.Agripino Maia lançou Dilma Presidenta..Valeu agripino!!

terça-feira, 15 de março de 2011

Antígone - Liberdade ou Morte

“O tempo que terei para agradar aos mortos, é bem mais longo do que consagrado aos vivos...hei-de jazer eternamente!”


Tema: Tragédia, Autoritarismo e Heroísmo



Resumo: Antígone guiou seu pai Édipo, que furara os olhos, por longos anos no exílio até seu descanso final em Colono. Ao voltar para Tebas e ficar noiva de seu primo Hêmon, seus irmãos Polinice e Etéocles lutam pelo poder.

Passado Anterior

Jocasta ao saber que casara como próprio filho, Édipo, se suicida com os lençóis do leito pecaminoso. Édipo ao entrar nos aposentos e ver que a esposa/mãe se matara pega um broche que prende a roupa fura seus olhos para punir seus pecados.

Édipo vai para o Exílio em Colono, cidade próxima à Atenas, seus passo são guiados desde Tebas por sua filha Antígone, que acompanhará suas ultimas reflexões, vendo que a maldição que o pai sofreu, não sendo aceito em nenhum lugar sagrado. Cego e doente é condenado a viver nas proximidades de Atenas.


O Livro




Creonte, o irmão de Jocasta, assume o Trono de Tebas, enquanto os irmãos Polinice e Etéocles crescem para no futuro decidir que será o rei. Já adulto os irmão decidem que se revezaram anualmente no trono, primeiro Etéocles depois a vez de Polinice .

Entretanto Etéocles não cede a vez ao irmão, este busca exílio em Argos, sendo recebido por Adrasto, rei da cidade, que dará uma de suas filhas em casamento. Polinice , com o apoio das tropas do sogro, decide reivindicar o trono de Tebas. Cerca a cidade fazem um acordo de um duelo singular entre os irmãos o vencedor ficará com o trono. Porém, mais uma vez a maldição dos Labdacida( Édipo Rei - ou a maldição dos Labdacidas ) acontece e ambos morrem.

Creonte mais uma vez assume o trono e determina que apenas Etéocles receba as exéquias mortais, enquanto Polinice  seja condenado a ter seu corpo devorado pelas aves de rapina na praia (o maior castigo ao morto).

Antígone, que voltara do exílio após a morte de Édipo, não aceita a decisão de Creonte, tenta convencer Ismênia sua irmã, a não ajudá-la, com medo ela recusa-se. Antígone não se intimida e escondida durante a noite, faz as exéquias do irmão, enterrando-o com as honras necessárias.

Creonte ao saber que o corpo de Polinice  foi enterrado resolveu punir o culpado por desobedecer à ordem e será condenado à morte. Logo descobre que foi Antígone, sua sobrinha e futura nora, ela era noiva de Hêmon filho mais velho de Creonte. Como havia decretada manda que os guardas levem Antígone para morrer de fome e sede sob um conjunto de rochas fora da cidade.

A notícia do castigo a jovem princesa se espalha e uma revolta na cidade se estabelece. Creonte com receio da repercussão de seu ato, manda chamar Tirésias, o adivinho, pra saber o que os deuses acham de sua decisão. Este, ao chegar, diz que o crime de Creonte será purgado com sangue de sua própria família se ele não reparar a tempo o erro cometido.

Creonte temeroso pela previsão de Tirésias manda buscar Antígone, porém, ao chegar na rocha os guardas encontram-na morta junto a ela Hêmon, ambos se suicidaram por não puderem casar. Por fim Eurídice, esposa de Creonte, também se mata.

Comentário sobre o Livro


A maldição do Labdacida tem seu fechamento com as últimas vítimas dela: Antígone, Hêmon e Eurídice. A peça Antígone é uma das mais significativas das que chegaram até nossos dias, pois traz a síntese das tragédias abertas por Édipo Rei e sua antítese representada por Édipo em Colono.

Antígone virou o símbolo da luta contra o despotismo dos governos autoritário, que vai além da Grécia, na época dirigida pelos tiranos. Toda vez que há um governo déspota a peça se agiganta, se impõe nesta luta pela liberdade, ainda que a morte seja o castigo.

Há várias leituras possíveis, como tratamos na analise de Édipo Rei, interessante um pequeno comentário feito por Junito se Souza Brandão que une analise psicológica e política, muito bem localizada, no tema central do livro:

“Do ponto de vista simbólico, todavia, a cegueira que Édipo se infligiu possui um sentido mais profundo. As trevas externas geram a luz interna. A αναγνώριση (anagnórisis), "a ação de reconhecer" e de reconhecer-se começa efetivamente a existir quando se deixa de olhar de fora para dentro e se adquire a visão de dentro para fora. Mergulhado externamente nas trevas, o herói se encontrou. Se Édipo, porque sabia, conquistou o poder, a hipertrofia desse mesmo poder sufocou-lhe o saber. Sua cegueira estabeleceu em definitivo a ruptura entre o saber e o poder: cego, o herói agora sabe, mas não pode. Não mais, como deixa claro Foucault, estamos na época dos týrannoi, dos tiranos, mas na era de Péricles, no século da democracia, que não sabe, mas pode. Tanto que em Édipo Rei os únicos a saber, além dos deuses e os adivinhos, são os humildes, os pastores, que não podem, mas sabem. Por isso mesmo, em sua tragédia Antígona, que é um confronto entre a consciência individual e o despotismo sofistico, Sófocles mostrou com muita clareza que a característica básica de sua personagem central, Antígona, é o direito de opor uma verdade sem poder a um poder sem verdade.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Governo Dilma nem começou e já tem epitáfio?

Polêmica boa entre companheiros que preservam o respeito e buscam construir um diálogo saudável no seio da esquerda é fundamental para entendermos o momento atual, a conjuntura política e econômica. A dinâmica da luta de classes e a posição daqueles que se advogam de esquerda e revolucionária.

A maioria sabe dos meus últimos dias, que não me permitiram dialogar com o companheiro Maurício  Caleiro. Tentei fazer isto com ele e a Maria Frô de forma limitada no texto anterior (“O mundo é um moinho” – a política também).

Porém, durante o carnaval, o companheiro foi mais fundo nas críticas ao governo Dilma Dilma e o retrocesso que a direita adora, agora não mais pontuais e sim globais, mais trabalhadas na Tréplica ao Alexandre Porto. Apresento as minhas considerações gerais de resposta aos dois textos do Caleiro.

Dilma e o retrocesso que a direita adora ou Esquerdismo do jardim da infância

Estivemos lado a lado na campanha por três motivos que Caleiro apontou

1)   Defesa do governo Lula e suas conquistas;

2)   Derrotar Serra e seu programa de extrema-direita;

3)   Derrotar definitivamente o neoliberalismo;

Particularmente concordo com as questões e elencaria mais outros, sendo o principal destes a falta de alternativa consistente à esquerda programática que rompesse com o sistema, o que nos reuniu no projeto pequeno-burguês radical do PT.

É preciso ter claro: o PT não se propôs em nenhum momento, nem em 2010, 2006, 2002, 1998 ou 1994, a romper com a institucionalidade burguesa, exceto em 1989, que tinha ainda um programa anticapitalista. Desde 1992, com o refluxo do Leste europeu, a queda do Muro de Berlim, a esquerda revolucionária refluiu no PT ou rompeu com ele, fundando pequenos partidos como PSOL e PSTU, que se propuseram como alternativas, mas que no fundo gravitam na órbita do PT, com suas famosas “exigências e denúncias”, a formulação trotskista inócua que impediu objetivamente uma conformação política programática forte e alternativa anticapitalista.

Já em 2003, nos primeiros meses do governo Lula, alguns parlamentares liderados por Heloísa Helena e Luciana Genro romperam com Lula, por acreditar que este traíra o programa histórico – pequeno erro, não leram ou não se deram o trabalho de perceber que tinha já 12 anos que o PT não se propunha algo diferente do que administrar o Estado burguês com mais “competência”, numa visão democrática e popular. Surgiu o PSOL que pouco ou nada de alternativa política programática, a meu ver, trouxe para o cenário político de esquerda.

Portanto, ao apoiar um governo de um partido como o PT é preciso ter claro: ele NÃO ROMPERÁ os laços com o grande capital. Tentará sempre que possível conciliar estes interesses em luta, procurará ampliar os espaços de participação política, mas muito se frustrará quem acha quem será totalmente distinto de um governo burguês comum.

Quem milita na esquerda não pode vir com um papo de “traição”, pois ou não leu o programa ou, pior. leu e não o entendeu. Fatalmente cairá no esquerdismo tardio, típico do jardim de infância. Alguns fundam outros partidos (PSOL, PSTU), que sem política global viram seitas ou grupamentos de tendências em lutas permanentes.

Economicismo, o que seria isto?

Caleiro corretamente aponta o corte de R$ 50 bilhões no orçamento como questão preocupante por seus impactos na vida do cidadão comum. No novo texto fala do aumento da taxa Selic e suas consequências de restrição ao consumo e ao crescimento. Vamos às questões para entendermos se realmente este é um retrocesso ou um recuo normal na economia.

Desde a grande crise, em setembro de 2008, o governo Lula apontou que saída seria o investimento pesado do Estado, incentivando o crescimento com desoneração fiscal (IPI, PIS, Cofins), gerando compras corporativas estatais com grandes obras (PAC), apostando que num horizonte de curto prazo a economia mundial volte a crescer.

Os resultados todos sabem: em 2009, praticamente tivemos um trimestre de forte retração e logo a seguir um período virtuoso de crescimento que culminou em 2010 com a taxa de 7,5%. Esta dinâmica foi conseguida graças ao grande trabalho do Estado, do governo federal, a ação positiva de Lula de ir a campo e liderar a retomado do crescimento, em desalinho ao que acontecia no mundo.

Porém, em longo prazo este crescimento isolado do Brasil, este vigoroso movimento, sem o devido acompanhamento externo, não se sustentaria: já em agosto de 2010, ainda sob Lula, teve início um movimento para frear a economia devido ao componente inflacionário, que em última análise pune os mais pobres. A dinâmica econômica era contida para um crescimento mais moderado que impedisse a volta da inflação, apostando numa retomado do mercado mundial.

Óbvio que Dilma, a grande gestora de todos os grandes programas de crescimento do governo Lula (PAC, Minha Casa, Minha Vida) é sabedora de todos os percalços e da necessidade de se redefinirem as prioridades do crescimento e a adequação do orçamento, que sempre vem “vitaminado” com emendas parlamentares, muitas, fisiológicas.

É preciso ter responsabilidade fiscal, que garanta, repito, nos marcos da administração do estado burguês, a gestão coerente, que possibilite no futuro ainda maior inclusão social.

Que Dilma honre os compromissos que a elegeramem dois meses?

Fico espantando com a pressa de que Dilma cumpra seus compromissos, tudo em dois meses; esta mesma pressa levou muitos companheiros ao PSOL, queimou pontes e hoje amargam isolamento político – muitos ficam apenas gravitando eternamente na órbita da estrela maior.

As medidas econômicas duras, ao contrário do que se diz, já estavam sendo tomadas no governo Lula: o ministro da Fazenda é mesmo, o BC, aliás, melhorou com a saída de Meireles. Este período de ajuste é necessário e, dando crédito ao que diz Mantega, no segundo semestre começa a mudar.

Mas a pressa ou as frustrações imediatas muitas vezes falam mais alto do que a razão – mesmo que o companheiro não aceite o argumento histórico, vivemos de análise da dinâmica histórica. O governo Lula também sofreu no começo com a herança de FHC, péssima em todos os sentidos, mas o horizonte de crescimento mundial também nos favoreceu. Agora estamos numa situação inversa: a herança de Lula é boa, mas o horizonte externo é nebuloso e complicado.

Outra coisa engraçada é que só se reforça o que aparentemente é ruim no “economicismo” ou nos ministério que têm retrocessos. Mas por que nada se fala do aumento das verbas para saúde? aumento do piso dos professores com repasse de 1 bilhão do Fundeb? Ou da mudança de comando da Funasa, de Furnas, dos ministérios da saúde e de comunicações?

Sinceramente, nunca ouvi de Erundina que romperá com o governo Dilma porque Kassab ou Katia Abreu (esta nunca ouvi dizendo que nos apoiará) fundarão partido para irem para a base de apoio. Base de apoio a governos centrais é “rede de arrasto”, vêm apoios os mais cretinos possíveis. Por exemplo, Maluf é da base, Collor, Sarney, mas a pergunta é bem objetiva: são estes que dão a dinâmica do governo??

Mais uma vez apelo à razão, à calma na análise: sei que a dinâmica do debate não é ruptura, mas determinados argumentos assacados são francamente impróprios pelo pouco tempo de governo. Vamos ficar jogando água quente na fervura por que mesmo? Temos outro projeto político a construir? Outras forças sociais surgiram nestes dois meses que nos permitam apontar uma ruptura?

quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnaval e Serra acabam nas "cinzas"

Depois de 10 dias extremamente complicados, com nova internação da minha filha, acabamos saindo do hospital no domingo de carnaval e curtimos as nossas visitas.

Hoje voltei ao combate diário, estamos mais uma vez no hospital para quimioterapia semanal. Aproveitei para volta a escrever no blog, mas antes ao ler o excelente Blog da Maria Fro deparei-me com o post sobre o comportamento da oposição na última eleição, em particular a subserviência dela ao cônsul americano e seus encontros privados com o "líder" da oposição, o "provinciano e desinformado" Serra, nas palavras do americano.

Interessante também observar noutro post do blog os "jornalistas de aluguel" do Serra, quando muitas vezes os criticamos, todo uma gama de leitores torcem o nariz achando que exageramos, mas o esclarecedor Memo do Wikileaks mostra Mainadi, Merval e Carlos Eduardo Lins prestando favores ao candidato da oposição e ao governo americano.

Leiamos o Memo principal e nos deliciemos com a vergonha alheia, ridículos

WikiLeaks

241953/ 12/29/2009/ 16:5309 SAOPAULO667/ Consulate Sao Paulo/ CONFIDENTIAL

Excertos dos itens “confidenciais” do telegrama 09SAOPAULO667.





A íntegra do telegrama não está disponível

ASSUNTO: Em São Paulo, líderes políticos expõem preocupações sobre o governo do Brasil ao Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela

1. (C) RESUMO: No trecho final de sua visita de uma semana ao Cone Sul, o Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela encontrou-se com figuras expressivas da política local e observadores econômicos em São Paulo, os quais manifestaram preocupações com a política externa do Brasil, gastos públicos e manobras políticas com vistas às eleições de outubro de 2010.

Em encontro posterior, privado, com AV [Arturo Valenzuela], o governador de São Paulo, que está na dianteira das pesquisas de intenção de voto Jose Serra alertou para o fato de que a radicalização e a corrupção crescem no Partido dos Trabalhadores (PT), no governo e sugeriu que, como presidente, conduzirá política exterior mais afinada com os EUA. FIM DO RESUMO.

Em Sao Paulo, observadores políticos e econômicos

2. (C) Concluindo sua visita à região com rápida passagem por SP no sábado, dia 18/12, Arturo Valenzuela participou de almoço oferecido pelo Cônsulo Geral e nove especialistas e observadores políticos e econômicos, entre os quais o ex-ministro de Relações Exteriores Celso Lafer, o ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa, e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Jose Goldemberg. Valenzuela apresentou panorama genérico de sua viagem e destacou a alta prioridade que o governo dos EUA dá ao relacionamento bilateral. Identificou a cooperação com o Brasil em questões regionais, inclusive Honduras, como tendo “importância crítica”.

3. (C) Todos os convidados brasileiros criticaram a política exterior do governo Lula, manifestaram preocupações sobre a crescente radicalização do Partido dos Trabalhadores e destacaram a deterioração das contas públicas. O ex-ministro RE descreveu a posição do Brasil em relação ao Irã como “o pior erro” da política exterior de Lula. O embaixador Barbosa citou o papel do Brasil em Honduras como grande fracasso. Todos criticaram a atenção que o Brasil está dando em questões internacionais com as quais o Brasil pouco tem a ver e nada a fazer (Irã, conflito Israel-palestinos, Honduras etc.), ao mesmo tempo em que se ignoram questões mais próximas, inclusive as relações com o Mercosul.

4. (C) Roberto Teixeira da Costa, vice-presidente da empresa Brazilian Center for International Relations (CEBRI) e o professor Goldemberg questionaram especialmente o interesse no Irã, dado o pequeno volume de negócios e pobres perspectivas comerciais e a improbabilidade de qualquer cooperação nuclear. [NOTA: Em conversa particular com o encarregado, Goldemberg, que também é renomado físico nuclear, disse que o Brasil nada tem a oferecer ao Irã, no campo dos combustíveis nucleares, dado que o Irã está muito a frente do Brasil na campacidade para centrifugar. Além disso, registrou que muito apreciou recente advertência da secretária Clinton, sobre países que estejam trabalhando muito próximos do Irã. E que o Brasil deveria levar mais a sério aquela advertência. FIM DA NOTA.]

O assessor-secretário Valenzuela destacou que um Irã, cada dia mais isolado, está à caça de qualquer oportunidade, como a que o governo Lula lhe deu, para esconder a ausência de cooperação e a impopularidade na comunidade internacional.

5. (C) No plano doméstico, os participantes brasileiros explicaram a estratégia do PT de tornar as próximas eleições nacionais um referendum para o governo Lula, que será apresentado como avanço em relação do governo de Cardoso. E todos alertaram para a intenção do PT, de conduzir campanha agressiva. Essa via, disseram todos, pode conseguir apresentar Jose Serra como candidato de Cardoso e ajudará a transferir uma parte da popularidade de Lula para Dilma Rousseff – que jamais concorreu a cargo público e até agora tem mostrado pouco carisma como candidata.

O Ombudsman da Folha de Sao Paulo (sic) Carlos Eduardo Lins da Silva, também presente, destacou que o PT terá força econômica que jamais teve antes, para a campanha eleitoral, depois de oito anos de governo. E o cientista político Bolivar Lamounier disse que um PT cada dia mais radical provavelmente fará campanha negativa contra a oposição. O ombudsman da Folha de Sao Paulo, Lins da Silva, acrescentou que, no caso de o PT não vencer as eleições presidenciais de 2010, com certeza usará a riqueza recém adquirida para trabalha como oposição agressiva.

6. (C) Economicamente, Teixeira da Costa disse que a percepção pública sobre o Brasil estava sendo super otimista e que os mercados despencarão rapidamente, caso a situação internacional se deteriore. Ricardo Sennes, Diretor de negócios internacionais da empresa de consultoria Prospectiva, concordou com a avaliação e disse que as contas públicas estão sob forte e crescente stress. Que a economia brasileira continuava a ser não competitiva no longo prazo, por causa da fraca infraestrutura, alta carga tributária e políticas trabalhistas rígidas. Mas todos concordaram que a forte performance da economia brasileira nos últimos oito anos e a recuperação pós-crise econômica global ajudarão na campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Sobre o papel de destaque que o Brasil teve na recente Conferência sobre o Clima, em Conference (COP-15), o professor Goldemberg disse que a performance do presidente Lula foi medíocre. E fez piada, dizendo que o Brasil deixou em Copenhague a impressão de que o Brasil desenvolveu-se muito nas duas últimas semanas. Mas elogiou muito a apresentação da secretária Clinton e disse que os países de ponta deveriam reunir-se em pequenos grupos (não como no G-77) para conseguir fazer avançar questões de financiamento e fiscalização.

O governador de São Paulo, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais

7. (C) Em encontro de 90 minutos, privado, no Palácio do Governo, Jose Serra disse praticamente a mesma coisa sobre tendências da política nacional, corrupção crescente, gastos públicos e política externa.

Serra contou ao secretário-assessor Valenzuela que o Partido dos Trabalhadores está fazendo todos os esforços para construir uma base de poder de longo prazo, agora que conseguiu chegar ao governo. Serra alertou que o Brasil está alcançando níveis nunca vistos de corrupção e que o PT e a coalizão que o apóia usam os crescentes gastos públicos para construir uma máquina eleitoral para as próximas eleições. Por isso, e porque seu partido (PSDB), segundo o governador, é partido relativamente mais pobre, Serra não pareceu muito firmemente convencido de que chegará à presidência em outubro de 2010.

8. (C) Além de toda a política doméstica, Serra criticou a política externa do governo Lula e sugeriu que, se eleito, dará ao Brasil direção mais internacionalista. Serra citou Honduras como exemplo específico de fracasso do governo Lula, culpando o governo brasileiro e o presidente Zelaya por não deixarem que se construa solução viável. E falou muito positivamente de seu próprio engajamento, em questões de clima, com o estado da California, como exemplo de oportunidade para trabalho conjunto em questões complexas. Mas, reiterando a posição que tem assumido publicamente, Serra criticou a tarifa que os EUA impuseram ao etanol importado do Brasil, a qual, para ele, seria economicamente ilógica.

9. (C) Sobre o crescente populismo na região, Serra disse que a presidente da Argentina Cristina Kirchner pareceu-lhe “cordial e esperta” e sugeriu que, se o governo dos EUA está preocupado com as políticas populistas de Kirchner, muito mais preocupado ficará com a candidata Dilma Rousseff do PT. Alertou também que as referências que o governo dos EUA tem feito sobre uma “relação especial” com o presidente Lula não soa bem em todos os segmentos no Brasil e pode ser manipulada pelo PT. [COMENTÁRIO: À parte a Argentina, Serra pareceu em geral mal informado ou desinformado sobre recentes desdobramentos no cone sul, inclusive sobre a situação política do presidente Lugo do Paraguai, parecendo imerso, principalmente na política brasileira provinciana. FIM DO COMENTÁRIO.]

No final, Serra disse que está trabalhando em vários artigos para jornal, nos quais articulará suas críticas à política externa do governo Lula, a serem publicados nos próximos meses.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"O mundo é um moinho" - a política também

"Ainda é cedo, amor
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar"
(O Mundo é Um Moinho -  Cartola )



Nestes dias, apesar dos graves problemas que tenho enfrentado li os post nos excelentes blogs e no Twitter dos companheiros Maria Frô (este inclusive da voz a Leandro forte para consubstanciar sua posição) e de Maurício Caleiro, aí esta música do Cartola não me saia da cabeça, não conseguia acreditar que valorosos companheiros que juntos demos o bom combate contra a Direita raivosa nas últimas eleições sucumbissem a coisas tão secundárias, do meu ponto de vista, claro.

Pensei em escrever um contraponto, pois respeito e admiro demais os meus amigos, mas vi que seria melhor relembrar o cenário pós-vitória de Lula em 2002, talvez ajude a baixar a fervura.


As grandes Expectativas em Lula e Dilma





As grandes expectativas que existiam na vitória de Lula, o ineditismo de um operário sem formação universitária chegou ao poder empolgaram toda uma esquerda de longa trajetória de luta, desde as célebres greves do ABC. Estas mesmas expectativas foram redobradas com o fim de um governo de mais acertos do que erros e que consegui mudar a cara do Brasil nos últimos 8 anos, com a vitória de Dilma, uma mulher que nunca tinha sido candidata a nada, vencer as eleições presidenciais foi algo formidável.

Passado dois meses um serie de polêmicas se estabeleceu no seio da esquerda organizada, e certa impaciência com os rumos de seu governo. Decidi relembrar um pouco do que foram os 2 primeiros anos, vejam não 2 meses, digo anos, do Governo Lula, apenas pra refrescar nossa memória e refletir melhor o momento.

Lula: o filho do ABC



Lula chega ao poder central depois de 25 anos das grandes greves do ABC que o projetara como grande líder de massas, não forjado em escolas tradicionais de sindicalismo comunista. Ele forja-se como peão que cresce dentro de uma fábrica num regime de exceção cujas liberdades sufocantes é a mola mestra do crescimento econômico, mas na segunda metade dos anos 70 os militares já não davam conta nem do crescimento econômico, bombardeado pela crise do petróleo, muito menos das demandas sociais por liberdade política. A esmagadora vitória do MDB em 74 e 78 prepara um novo ambiente.

As greves de 78/79 lideradas pelo metalúrgico até então desconhecido, são o tiro que faltava para deflagrar o grande movimento pela anistia, liberdade política. Em 80 a ultima tentativa dos militares foi liberar os partidos, com claro objetivo de dividir as oposições, daí surge a grande novidade política do Brasil, o PT.

Sem muitas delongas, este não é objetivo aqui, o PT se forja como a opção vinda da classe trabalhadora mais vitoriosa do país, desde seu inicio identifica a necessidade de chegar ao poder, e nove anos depois chega ao segundo turno da eleição presidencial deixando para trás lideranças expressivas como Brizola e Ulisses. Lula se consolidará como alternativa de poder nas próximas eleições, carregando consigo todo um simbolismo de lutas sócias e transformações.

Talvez lidar com estas grandes expectativas seja a parte mais complexa da montagem do governo inicial, como atender demandas reprimidas num ambiente econômico tão ruim?

2003-2005 Lula era um “traidor”?



Desde a montagem da equipe e de algumas medidas houve acertos óbvios e erros clamorosos inoperantes. A equipe econômica não poderia fugir da lógica do mercado, não havia qualquer espaço de manobra e as medidas tomadas foram coerentes com o momento para dar fôlego futuro: 1) Exportações; 2) controle da inflação; 3) aumento do salário mínimo acima da inflação (1,46%), nada mais podia ser feito de substancial.

Estabeleceu-se uma grande polêmica a ida de Henrique Meireles para o Banco Central. Meireles tinha sido Presidente do Bank Boston e depois eleito Deputado Federal pelo PSDB-GO, como todas estas credenciais uma área estratégica do governo foi entregue a um “adversário”.

A prioridade zero do início do Governo Lula foi a Reforma da Previdência II, um aprofundamento da primeira conduzida pelo Governo FHC, no movimento sindical e na esquerda petista houve grave comoção, inclusive Heloisa Helena, Babá e Luciana Genros foram expulsos do PT, vindo formar o PSOL.

José Dirceu que liderava a Casa Civil foi incensado pela imprensa como o homem forte do Governo, chegando a ser eleito a personalidade do ano. Era o interlocutor do grandes jornais, entrevistas nas principais revistas e TVs, a mídia estava apaixonada pelo governo que não lhe era hostil.

Do ponto de vista social o grande acerto foi o lançamento da “Fome Zero” era mais que uma marca, um compromisso para aquele tempo, mas faltaram gestores que entendessem profundamente como montar um programa social tão amplo.

Do ponto de vista político a não vinda do PMDB ao governo causou graves transtornos ao governo mesmo sendo vitorioso na eleição majoritária o governo era ampla minoria no congresso o bloco efetivo que venceu a eleição só tinha 192 deputado e pouco mais 20 senadores.

Os operadores políticos de Lula foram para tática de ganhar apoio no varejo e em bases partidárias que não tinham compromissos algum com o projeto, a troca de favores e futuros financiamentos de campanha virou a moeda de troca, notadamente com o PTB de Roberto Jefferson, que foi o partido escolhido para desembarcar estes “apoios”. A lógica traçada por Zé Dirceu deste tipo frágil de apoio desembocará no Mensalão, o valerioduto criado pelo PSDB mineiro, foi amplamente usado pelos operadores Petistas, a grande diferença é que, no caso mineiro não havia interesse em denunciá-lo. No caso de Brasília tornou-se o escândalo nacional, a mídia amplificou as denuncias, CPIs e toda sorte.

Por um erro tático de FHC e aliados, que achavam que Lula iria sangrar em praça publica e desagregar seu governo, ele não foram à frente com o impeachment. Por esta lógica qualquer candidatura de oposição bateria Lula no primeiro turno, este foi refresco melhor que Lula poderia receber.

Que conjuntura é esta?

"Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos"

Vai reduzir as ilusões a pó

Em recente Post coloquei minha visão sobre o Governo Dilma e seus primeiros desafios, não pretendo ditar a verdade, mas abrir um debate sempre franco com esta parte da esquerda que pensa com mais com estrategia o futuro, que dar o bom combate, que não se furta de criticar, não diz amém. Mas ao mesmo tempo não é sectária e estreita, que sabe dos percalços de um governo de esquerda dentro da lógica capitalista.

Os desafios estão colocados, vamos abrir o debate, não acredito que depois de vencer a Direita agora abramos mão do Governo que nós elegemos, ao contrário do Maurício acho que a "primavera digital" nem se abriu no Brasil, temos muito a percorrer. Voltemos à razão cada um aqui tem sua importância política, mas não somos os donos da verdade, esqueçamos os excessos causados por um debate desgastante e sigamos juntos e em frente. Abraços fraternos e camaradas sempre.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A herança ideológica que nos embrutece

"Meu caro amigo,toda a teoria é névoas; auriverde só a árvore da vida" ( Fausto - Goethe)

Mídia tradicional X patrulhamento ideológico

A perda de credibilidade da mídia tradicional, em particular no Brasil, deve-se não apenas por sua ideologia política, mas fundamentalmente por abandonar a busca da “verdade factual” – ela prioriza muito mais a sua ideologia a informar fatos e seus desdobramentos e significados na vida. Perde assim o monopólio da informação ou a fonte mais corriqueira de busca sobre os fatos.

Ao perder este monopólio, o que levou à perda de audiência, venda de jornais e revistas, cai o fundamental: receita. Por conseguinte, blogs, portais estão sendo alvos constantes do patrulhamento político e ideológico da velha mídia.

No entanto, do lado de cá estamos estreitando diálogo com setores e pessoas no mesmo patrulhamento político, ideológico e comportamental: ler os jornais ou ver TV é motivo de chacota e policiamento, como se conseguíssemos superar nossos próprios limites informativos ou produzir algo estruturado o suficiente para fazer-lhes frente.

Questão intelectual hoje

O pessoal comemora o sumiço do Diogo Mainardi da Veja, mas deveria entender que ele é apenas reflexo do refluxo intelectual dos dois lados. A direita teve intelectuais brilhantes, hoje se contenta com histriônicos como Reinaldo Azevedo, Merval Pereira, Miriam Leitão, Waak, Jabor, Sardenberg, pior, leva-os a sério.

Estou muito preocupado com nossa formação intelectual à esquerda, vivemos uma época muito pobre  intelectualmente, reflexo direto das quedas dos muros, Berlim e Wall Street. Os dois lados perderam pesadamente. Mas, do nosso “lado” a coisa continua mais complicada de se retomar, vejamos:

1)  A velha esquerda trotskista que se julgou vencedora com a queda do Muro de Berlim foi incapaz de apresentar qualquer projeto de sociedade socialista e democrática que animasse aqueles países da justeza de suas críticas ao stalinismo;

2) A velha esquerda stalinista, quase enterrada em 89, ressurge pós-queda de Wall Street, mas também não traz projeto de sociedade socialista que rompa com seu passado de crimes e erros na ex-URSS;

3) A direita que nadou de braçada nos anos 90/00 vive uma crise sem precedente, mas mantém controle social por falta de alternativa absoluta e não surgimento de uma nova esquerda;

4) Vivemos a contradição de termos uma vaga histórica à esquerda aberta, desde 2008, mas não temos projetos alternativos;

Portanto, não adianta festejar a crise da direita se não somos capazes de ocupar este espaço, faltam-nos teoria e prática revolucionária. Aqui as nossas heranças, trotskista ou stalinista, impedem qualquer avanço; a dificuldade de dialogar e o sectarismo tornam pejorativo o debate. Caímos muitas vezes nos jargões e estigmatizamos e, qualquer pensamento crítico, os que discordam destas correntes, estreitas e medíocres, são logo qualificados de “direita”.

Volto mais uma vez ao mestre William Shakespeare e a sua mais profunda obra, Hamlet. Neste dialogo entre Horácio e Hamlet, este critica fortemente certos costumes do povo dinamarquês – bem, parece que ouço no meu ouvido as mesmas palavras sobre os nossos próprios costumes:

Horácio – Já? Não ouvi; então não falta muito para

que o fantasma volte a aparecer-nos.

(Toque de trombetas e tiros de canhão atrás da

cena.)

Que significa esse barulho, príncipe?

Hamlet – O rei está acordado e dá banquete. Bebe a

valer, rodando tudo em torno. Cada gole de Reno é

por trombetas e timbales marcado, que o triunfo do

brinde lhe proclamam.

Horácio – É costume?

Hamlet – É, de fato. Mas a meu ver – embora aqui eu

tivesse o berço e a educação – é um desses hábitos

cuja quebra honra mais do que a observância. Essas

orgias torpes nos difamam de leste a oeste, junto aos

outros povos. Só nos chamam de bêbedos, alcunha

que nos deprime, por privar os nossos

empreendimentos, ainda os mais brilhantes, da

essência medular de nosso mérito. Isso acontece às

vezes noutros meios: se nasce alguém com algum

defeito ingênito – do que não é culpado, porque a

origem para si não escolhe a natureza, pelo excesso

de sangue, que, por vezes, os fortes da razão e os

diques rompem, ou somente por hábito, que estraga

a moral cotidiana – esse coitado, que leva pela vida

tal defeito, seja mancha do acaso ou vestimenta da

natureza, embora suas virtudes sejam tão puras

quanto a graça e em número infinito, no máximo de

nossa capacidade, perde no conceito geral por essa

falha. A massa nobre se torna recalcada e diminuída

pelo grão do defeito.



Os grifos são meus, para ressaltar que temos que romper com velhos hábitos, frutos de uma herança que nada nos dignifica, só nos empobrece, quando não nos embrutece mais ainda. Construir uma nova esquerda, um novo pensamento, uma nova prática, nos livrando de um passado funesto. Retomar o velho Marx, seus textos, que cada dia menos conhecem, abrir nossas mentes para a cultura, nos livrar do “Google” e dedicar mais tempo à teoria e a pratica humanista.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

#VazaKassab - SP 6 anos sem prefeito

Este blog não pretendia fazer análise de conjuntura ou de temas do cotidiano, dos 72 post publicados, pouco mais de 15% trata de temática corrente, porém devido ao caos generalizado que a cidade de São Paulo foi submetida nestes últimos seis anos resolvi através de fotos e recorte jornais  mostrar minha indignação com a indiGestão Demotucana.


(foto via celular na Faria Lima por  DanielaAF 16/02/2011)


(Foto via Celular 16/02/2011 21:00 Caos no trânsito, dois sinais atrás marrozinhos multando tranquilamente)


(Sinal de Trânsito quebrado num cruzamento da Av Indianopólis , sem ninguém para orientar..seja o que deus quiser)

A indiGestão DemoTucana

Durante a campanha para prefeito em 2004, Serra assinou documento e disse no debate na Band:


Claro todos sabemos que ele usou a prefeitura como mero trampolim, ficando apenas 1 e 3 meses no cargo, assim como no Governo de SP que também não cumpriu mandato. Ora, ao ficar temporariamente na prefeitura Serra nunca se inteirou dos problemas efetivos da cidade, montou uma equipe de "transição" para novos vôos e no fim deixou um "presente de grego" ao povo paulistano:  Gilberto Kassab.


(criador e criatura)

Kassab é cria de Guilherme Afif Domingos, herdeiro do espólio da Arena e malufismo, foi secretário de planejamento(???) da gestão, advinhem..Celso Pitta, ou seja, teve grandes professores na sua formação de "administrador" público. Recebeu o cargo de Serra e foi tutelado pelo Tucanato que manteve o controle das principais secretárias, virou uma espécie de rainha da Inglaterra e desde o Palácio dos Bandeirantes,  Serra mandava na prefeitura.

Num gesto de total desrespeito ao seu próprio partido, Serra apoiou a reeleição de Kassab, mesmo Alckmin sendo candidato do PSDB. Com uso violento das máquinas estaduais e municipais, somada a mídia camarada e contando com o ranço anti-petista, Kassab, assim como Pitta, um ilustre desconhecido, torna-se prefeito eleito da maior cidade do país. São Paulo é pródiga em eleger a Direita mais raivosa, Jânio, Maluf, Pitta e por fim Kassab.

A desconstrução de Marta

A indiGestão Serra(o breve) e Kassab é uma mistura de incompetência e arrogância. Logo quando assumem tentaram acabar com o Bilhete Único, um dos mais bem sucedidos programas sociais de inclusão do Brasil. Como houve grande rejeição desistiram, não sem antes diminuir o alcance cortando de 4 horas o uso para 1:30, depois próximo a nova eleição novamente aumentado para 3 horas.

Esta dupla ainda acabou com as ampliações do corredores de ônibus que fez diminuir o tempo de deslocamento da população da periferia rumo ao centro da cidade e a prioridade das vias para transporte coletivo em detrimento do individual. A visão liberal radical que prioriza o individuo fez que abandonassem o projeto de grande alcance social.  O preço exorbitante da passagem de ônibus demonstra a falta de compromisso com a população que depende deste meio de transporte.  A frota envelhecida quebrada e lotada compõe este cenário triste.

Houve ainda o abandono dos CEU, a grande obra de educação da gestão Marta, em nome do "controle de gastos" mais uma vez o social foi abandonado. Os CEU projetados foram sendo paulatinamente esquecidos, os existentes perderam o fôlego e as constantes atividades culturais e de inclusão foram sendo cortadas sistematicamente. A merenda escolar de qualidade, os uniformes , livros, tudo isto foi sendo cortado ano a ano.


(fonte Agora)

As obras de combate às chuvas, os piscinões foram deixados de lado, a varrição foi diminuída, até a coleta seletiva de lixo não está sendo feita de forma séria. O que se ver hoje das inundações na cidade em qualquer chuva, além do fato de chuvas em excessos tem o componente de abandono da política de combate as mesmas. As ruas nunca estiveram tão esburacadas, os sinais de trânsitos quebram em qualquer chuva, pequena ou grande. A CET é orientada pra multar, chega a ser revoltante o sinal quebrado e os marronzinhos com a caneta multando sem controlar o trânsito.


A demagogia da campanha de 2004 de acusação midiática de "martaxa" em particular na Taxa do Lixo, esta foi suspensa, mas os valores foram incorporados ao IPTU. Para pior houve uma política de aumento violento no IPTU com a correção da base do valor venal, nos últimos 6 anos o aumento do valor é espantoso, em alguns casos em mais 100%. Houve um abandono da política do imposto progressivo, e na base liberal de que todos são "iguais" se cobra por inteiro, não na medida das desigualdades.


As políticas sociais e até as reformas urbanas mais simples foram trocadas por empreendimentos imobiliários, a situação do centro de SP é vexatória, a cracolândia é uma mácula no coração da cidade, os prédios abandonados, feios e sujos e o pior uma grande população que não tem onde morar. Na periferia e nas favelas muitos incêndios pra lá de criminosos, foram mais de 70 ocorridos apenas em 2010. As enchentes nos bairros pobres fruto da irresponsabilidade do fechamento de comportas pela Sabesp para não inundar a marginal Tietê deixou dois bairros alagados por mais de 100 dias.


(Jardim Pantanal)

São Paulo tem prefeito??

Nesta triste situação chega-se a um impasse na cidade de São Paulo e a uma pergunta SP tem prefeito? Minha modesta opinião desde 2005 esta figura não existe, mesmo nos bairros mais ricos é visível a decadência dos serviços públicos, está mais do na hora de SP se levantar e Gritar: #VazaKASSAB  a cidade não dará conta de mais 1 ano e 9 meses sem gestão pública.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dilma e os seus primeiros desafios

"Deus me acuda! A arte é longa, a vida breve." (Fausto- Goethe)





“Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”, era assim que o grande Fiori Giglioti iniciava sua narração dos jogos esportivos, e é assim que vivemos este inicio do governo Dilma: estamos com 1 minuto do 1º tempo e já tem torcedor chorando a derrota. Normal se fossem os derrotados do ano passado, mas, pior, é parte dos vencedores.

Governo de coalizão é um estica e puxa, as peças do tabuleiro foram mudadas, algumas excelentes mudanças que podem confirmar uma ótima expectativa, tais como:

1)   Ministério das Comunicações com Paulo Bernardo e a trupe da Banda Larga, que pôs no debate já a questão da nova lei dos meios. Mudanças na ECT, que foi sempre o calo do governo Lula;

2)   Ministério da Saúde com Alexandre Padilha, que chegou montando uma renovada equipe e com substancial aumento no orçamento, de 66,9 bilhões para 77 bilhões (previsão), e também sinalizou a necessidade de valorizar o SUS. Troca de comando na Funasa, fonte de corrupção;

3)   Mudanças em Furnas, antigo feudo que também era fonte de problemas graves no governo Lula;

4)   Educação: a continuidade de Haddad, que faz excelente trabalho no MEC, mantendo e aumentando seu orçamento, ampliando o Fies e as vagas do Enem.

Mas há mudanças que nos preocupam:

1)   Previdência entregue a Garibaldi Alves, depois de excelente trabalho de José Pimentel;

2)   SAE entregue ao Moreira Franco;

3)   Cultura: depois dos acertos de Juca Ferreira houve uma mudança de linha com Ana de Hollanda, que tanto tem ouriçado os companheiros do Creative Commons;

4)   Relações Exteriores: saída de Celso Amorin deixa um vácuo pelo excelente trabalho e sua imensa capacidade dar respostas às crises internacionais; faltou no episódio do Egito e das revoluções em curso no mundo árabe;

Claro que este começo é tudo muito novo, mas esta nova equipe vem em sua maioria de uma ótima experiência sob a batuta de Lula, e agora terá que mostrar serviço com a presença de Dilma. Recentemente o ministro Paulo Bernardo, no #navaranda, definiu bem as diferenças de estilo entre ambos, dizendo que Lula cobrava muito, desde a época do PT, e que na presidência passou parte desta cobrança para Dilma. Agora que ela é a presidenta, naturalmente delegará provavelmente a Palocci esta missão, de saber o dia a dia dos ministérios.

Nos primeiros embates de formação da equipe Dilma sinalizou uma mudança na relação com o PMDB, tirando-lhe funções estratégicas e problemáticas (ECT, Furnas, Funasa), gerando estresse já nos primeiros dias; a imensa maioria dos cargos continua sem nomeação, mostrando uma disposição de não se negociar no varejo, mas uma perspectiva mais clara de partilhamento do governo feitas em cima de compromissos e projetos.

Episódio recente da tentativa de Moreira Franco de controlar o IPEA, numa suposta demissão, via imprensa, de Marcio Pochmann, serve para deixar claro quem está no comando, como se constrói a autoridade.

Visões à  Esquerda e à  Direita

"Vibra meu canto agora a ignota multidão,

cujo aplauso, ai de mim! me aperta o coração;

e os a quem meu cantar outrora foi jucundo,

erram, se inda alguns há, dispersos pelo mundo"

(Fausto - Goethe )

Direita e mídia tentam fazer um contraponto Dilma x Lula, com a clara visão de diminuir o papel de Lula, ou de jogar um com o outro. Sintomático que o Invejoso FHC tenha dito que “só em não ver Lula todo dia na TV” se sentia “melhor” (ato falho de inveja mais descarado que vi na vida). Todo dia um “colonista” escreve loas a Dilma como forma de desancar Lula -- claro que Lula e Dilma devem estar dando risadas, pois ambos trabalham afinadamente desde 2003.

Os mais apressados à esquerda já condenam como governo de retrocesso, alguns até votaram em Dilma, a maioria no fundo sempre fez oposição ao governo Lula: não esperaria nem dois dias para “marcar posição”. Engraçado que elogiam Lula em detrimento de Dilma...

Apenas para relembrar: o PT e parcela significativa da esquerda chegaram ao Governo, não exatamente tomou o Poder, administra o Estado burguês. Claro que estão suscetíveis a vacilações, às pressões à direita e à esquerda. Cabe a nós sempre polarizar para políticas públicas que avancem na consciência e luta dos trabalhadores, criticar e dialogar francamente, compreender passo a passo cada conjuntura, cada cenário que se apresenta, para uma intervenção política mais forte e classista.

Nossa agenda


Aos apoiadores de Dilma, que estão no campo da continuidade das mudanças começadas com Lula: temos muito, mas muito a fazer, temos que elencar a nossa real agenda, e sair deste tiroteio de 3º turno inexistente. A agenda “Mico” não pode substituir a nossa real preocupação com o futuro.

Eis alguns temas candentes:
1)  Relação do Brasil com G20;
2) Questão da nova guerra cambial/comercial;
3) Recomposição de forças no cenário nacional, novo pacto federativo com reforma tributária;
4) Pré-Sal e seus ganhos para a sociedade: Educação, Saúde e erradicação da pobreza;
5) Reforma política e relação partidária no Congresso;
6) Tecnologia: PNBL, AI5 Digital;
7) Marco regulatório das comunicações;
8) Voltar aos padrões civilizatórios de convivência social, condenação cabal às manifestações neofascistas, com punição exemplar a quem as pratica;

São grandes temas que discutiremos pouco e darão o corte no novo momento que passaremos a viver. A perspectiva de Dilma fazer um governo mais “técnico” com composição mais preparada para dar respostas políticas, mas principalmente técnicas aos grandes temas, deveria ser nosso norte.