quarta-feira, 13 de abril de 2011

FHC: A Democracia sem Povão

O mais novo deboche que FHC fez ao povo brasileiro foi inaugurar uma nova fase na cultura política de seu partido: A Democracia sem Povo, ou em suas palavras – Povão – esta massa ignara que tem pouco ou nenhum discernimento político que é a presa fácil para partidos de esquerda. (ver Blog do Nassif - FHC: o político à procura de um discurso ). A Folha de S  Paulo lhe deu amplo destaque, pois , é a preparação de FHC lançar seu Portal de Política - ou seja - vai ensinar a fazer : Política sem Povo.

Por este raciocínio faz todo sentido, prescinde-se de “povão”, o ideal é concentrar esforços na elite, nas classes médias gerenciais, a partir delas se deve apenas indicar os números nas urnas eletrônicas que esta massa inculta votará. Por esta lógica para que eleição? Ou para que ir votar, libera-se e incute-se nas cabeças que a democracia não faz sentido algum, pois os ignorantes não a entendem.

Num clássico rompimento com as conquistas elementares de representação popular o príncipe da sociologia brasileira faz sua melhor reflexão, expondo a nu todo seu elitismo, sua visão autoritária e aristocrática de condução de uma nação. Os laços, até liberais, dos ideais da revolução francesa, são quebrados no novo modelo partidário e de conquista do poder. Ao escolher o caminho da “democracia” sem “povão” se despreza o sujeito social que é fim último de qualquer democracia real ou formal.

Ler mais um conjunto de obviedades, trasvestidas de pompa de intelectual pobre e burlesca, parecem um último suspiro do combalido PSDB e de seu maior representante. Mesmo na loucura, ele revela um método, nos diz Shakespeare, que é a busca diuturna para se criar uma casta, uma elite - política, intelectual e gerencial - que prescinda do Povão, foi assim em todo seu governo, em particular no desastrado segundo mandato, assacado na ameaça da desvalorização do real e medo de que Lula poria fogo no Brasil.

Rupturas no PSDB



Em significativa entrevista de rompimento com o PSDB, Bresser Pereira,( via Blog do Nassif Bresser-Pereira deixa o PSDB) fundador e um de seus maiores intelectuais, diz claramente qual a opção política e intelectual que norteou o governo FHC e seus desdobramentos sinistros com a perda da identidade nacional, era uma apologia cega ao mercado, uma certeza inútil de que a globalização no abriria o mundo.

Os primeiros anos dourados do Real deram lugar à crueza das crises dos tigres asiáticos e posterior crise russa, que abalou definitivamente a fé no mercado, com um agravante, os instrumentos de estado, tinham sido completamente destruídos, levou o Brasil a passar 4 anos de profunda agonia (Janeiro de 1999 a Setembro de 2003).

A herança maldita, a que Lula se referia, era uma combinação de estado desmobilizado com uma profunda crise econômica. Dívida pública astronômica, déficit publico, exportações engessadas e falta de iniciativa de buscar novos mercados. Setores inteiros completamente destruídos, como setor elétrico, com apagão e pouca expectativa de melhoria.

O artigo vai à contramão das maiores conquistas dos últimos anos, que foi a ampla incorporação de parcela significativa dos trabalhadores que vivia à margem do mercado, sem renda ou cidadania. Este “povão”, que FHC despreza, é que hoje faz a diferença do Brasil no mundo, é o legado de Lula.

A busca do discurso pela oposição já gerou seu primeiro fiasco, apesar do amplo destaque que a mídia dócil ao ex-presidente, afasta mais ainda a oposição da vida real da maioria da população brasileira. Continuam fazendo, agora assumidamente, política sem Povão, para uma elite bem determinada. Enfraquece a democracia de qualquer maneira a falta de maior qualificação do debate e do embate político e programático.


Brasil x China - modelos de desenvolvimento de Telecomunicações comparados

A revolução das comunicações

No início dos anos 90 o mundo, além da queda do muro de Berlim, se preparava para uma nova era na área de comunicações - a tecnologia de telefonia celular, por volta de 1992 os principais padrões mundiais foram definidos: Na Europa – o GSM, nos EUA – o CDMA. Ambas tecnologias prometiam a digitalização da voz libertando das interferências, quedas de chamadas, e o pior a insegurança da comunicação.

Este novo cenário fez com que as maiores players de equipamentos telefonia fixa passassem a investir pesado na nova revolução, e buscaram novos locais no mundo para baratear a produção e garantia de presença em novos mercados. Países investiram firme para se capacitar e receber estes investimentos e criar novas indústrias mundiais. Dois exemplos deste esforço foram: Finlândia com a Nokia e Coréia do Sul com Samsung e LG.(tratei destes casos no post: Tecnologia – Nokia e Samsung – Exemplos para o Brasil)



Modelo Chinês

Em 1995 a China decide participar efetivamente deste novo momento, a nova política econômica aprovado pelo Governo chinês foi atrair as grandes empresas de Telecomunicações, dando-lhes acesso ao seu mercado, porém com a contrapartida de que eles tivessem acesso à tecnologia e pudessem compartilhar licenças e patentes de produtos.

Coordenado pelo ministério da indústria e de comunicações, a China montou grandes laboratórios para que os equipamentos dos grandes fabricantes fossem montados e interconectados aos protótipos chineses. Por exemplo uma Central de Comutação de fabricante X é conectada ao agregador de Estação de Rádio base chinês, ou vice-versa. Esta estratégia rapidamente deu grandes frutos, as duas empresas chinesas fomentadas pelo governo Huawei e ZTE aprenderam muito rápido a lógica de funcionamento fim a fim e começou a desenhar seus produtos com alta tecnologia.

Ontem Dilma assinou acordos de um grande laboratório de pesquisas da Huawei para funcionar em Campinas, investimento em torno de US$ 350 milhões, mas poucos sabem quem é a empresa chinesa. A Huawei é uma empresa chinesa que em menos 10 anos se tornou a vice-líder mundial em Telecomunicações, atrás apenas da Secular Ericsson, com Alta tecnologia e inovação

Em 15 anos a Huawei e ZTE são casos de sucessos, política de estado, que os neoliberais odeiam. Os chineses foram geniais: tinham projeto, estratégia, academia, desejo de aprender, certeza que dominariam a arte em pouco tempo. Eles literalmente saíram do Zero em Telefonia não produziam nada decente, conheci os primeiros protótipos de centrais telefônicas chinesas eram ruins demais, bem piores que os que fazíamos no Brasil. Em pouco tempo lançaram, o que considero, as melhores centrais telefônica do mundo, com a vantagem sobre os demais, sem legado pra administrar, ousaram produzir modernas NGN(next Generation).

Brasil perdeu o bonde da tecnologia

Se ao invés de entregarmos as empresas de telecomunicações tivéssemos política industrial nacional, hoje poderia o Brasil ter um fabricante com expressão mundial, mas não tem. Erros graves de uma política entreguista foi o legado de FHC, perdemos o bonde histórico de tecnologia de ponta em vários setores, em Telecomunicações é bem nítido.

Mesmo os grandes fabricantes instalados no Brasil, abandonaram o desenvolvimento e passaram apenas a importar e no máximo montar partes dos equipamentos, houve perda de empregos e de qualidade dos empregos, alguns fabricantes se foram, maior exemplo é a Nec, que chegou a ser a maior empresa de equipamentos de telefonia do Brasil.

Havia capital abundante no mundo, busca de novos mercados para produção e desenvolvimento, FHC preferiu o capital especulativo. Perdemos a vez ali, por volta de 97 a 99. O dinheiro abundante, as grandes empresas querendo ir para novos mercados. Podíamos e tínhamos como fazer até melhor que os chineses, mas não tínhamos projeto de Nação (aquilo que o Bresser falou na entrevista ao valor Econômico).

O modelo de privatização sem contrapartida nacional, de incentivo a indústria de telecomunicações, pouca articulação para que as compras fossem feitas prioritariamente baseadas no que aqui se produziam, fez com que rapidamente se desmontasse o setor.

Apresentar resultado dos milhões de celulares muitas vezes mascara o fracasso de sermos apenas consumidores de produtos que não se faz aqui, que não geram empregos de melhor qualidade, entraremos na 4ª geração de telefonia celular ( ver artigo Celulares: Ontem, hoje e amanhã ) e continuaremos fora do circuito. Mesmo a universalização da Banda Larga, efetivamente não se dará numa articulação de setores de serviços de Telecomunicações com a de fabricação nacional destes produtos.

Governo Lula pouco alterou deste cenário de terra arrasada em telecomunicações , acertadamente,  priorizou a Petrobrás, mas não acredito que teremos desenvolvimento e importância no mercado mundial apenas em cima do petróleo,  que é muito, mas precisamos  buscar terreno em tecnologia e alternativas.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Celulares: Ontem, hoje e amanhã

"O que se ver, antes não era, e o que era, já não existe"(WS)


Pouco mais um ano escrevi um post em que debatia Teogonia x Tecnologia sobre nossa herança cultural ocidental e introduzindo o debate sobre Tecnologia,  numa tentativa de mostrar que as gerações dos antigos deuses(Apolo x Dionísio) estar muito presente na batalha Engenharia x Markenting. Neste novo post busco demonstrar a breve história da telefonia celular e suas implicações em nossas vidas.

Para que você usa o celular?



Todos nós usamos celulares, no Brasil o número de celulares no Brasil ultrapassou o número de habitantes, óbvio que muitos, me incluo nestes, possuem até 4 números consigo(meu caso tenho 1 Smartphone Vivo, 1 Celular da Tim e uma linha de Dados para uso no Galaxy Tab), claro que num uso explosivo e massivo há muitas reclamações sobre valores de contas, qualidade do serviço, promessas não cumprida e uma infinidade de outras mazelas. Abaixo os indicadores de Telecomunicações no Brasil.
Acessos(milhões)
Celulares 207,6 (Fev/11)
Fixos 42,0 (2010)
Banda Larga 13,8 (2010)
TV Assinatura 10,2 (Fev/11)

Particularmente estou satisfeito com o uso da tecnologia, pois tenho consciência do seu uso, seus limites, não comprei um Smartphone e uma linha de dados para o Galaxy Tab, esperando que a velocidade fosse a mesma de uma banda larga via cabo. O que me satisfaz é o uso imediato em qualquer lugar que esteja o fator velocidade, para mim, torna-se secundário, diante da facilidade de acesso sem precisar de cabos ou fios, a busca nos momentos em que não estou em casa ou escritório.

É verdade que as operadoras oferecem serviços que não têm como cumprir plenamente, propõem-se a ser alternativa à internet a cabo, mas a estabilidade e velocidade não serão iguais no atual estágio de desenvolvimento da Telefonia móvel. Detalhe, não é uma questão de ser no Brasil, é uma realidade mundial. No gráfico abaixo há uma evolução de Telefonia e seu futuro.(informações do excelente site http://www.teleco.com.br )





 
1G Sistemas analógicos como o AMPS.(1984 -EU e USA - No Brasil 1991)
2G Sistemas digitais como o GSM, CDMA (IS-95-A) ou TDMA IS-136.

CDMA - 1995 -Coréia do Sul e EUA no Brasil 1997

GSM - 1992 Europa - No Brasil 1999

O GSM e o CDMA possuem extensões que permitem a oferta de serviços de dados por pacotes sem necessidade de estabelecimento de uma conexão (conexão permanente) a taxas de até 144 kbps. As principais são o GPRS e o EDGE para o GSM e o 1XRTT para o CDMA.
3G Sistemas celulares que oferecem serviços de dados por pacotes e taxas maiores que 256 kbps. Os principias sistemas são o WCDMA/HSPA e o CDMA EVDO.  Japão 2000,Europa 2003  - Brasil 2007
4G O LTE Advanced é a unica tecnologia aceita como 4G pela ITU.

Este sistema possui menor custo com maiores taxas de dados, ele teve uma boa redução na latência, possui uma maior eficiência espectral com largura de banda de até 100MHz. Ele foi projetado para oferecer taxas de download de 100Mbps com o usuário em movimento e 1Gbps com o usuário parado. Ele possui também uma taxa de uplink de até 500Mbps.




 


As duas principais famílias de tecnologias do mundo são o GSM e o CDMA.


Origem GSM: Europa.Origem CDMA: EUA







Fonte: Teleco.com.br









"Navegar é preciso, viver não é preciso" (Fernando Pessoa)





Se observarmos os dados acima, em pouco menos de 20 anos saímos de sistemas de comunicações cheia de falhas, ruídos, quedas constantes, uso de voz exclusivamente, para sistemas mais complexos de comunicação rápida, que passou primeiro por envio de Mensagens de Textos, depois pequenos Browsers de acesso a portais e bancos, chegando a poderosos aparelhos hoje, capazes de  indicar rotas(GPS), acessar internet, ouvir música, ver TV e até usar para fazer chamadas de vídeo ou voz. Os novos aparelhos que trazem consigo as redes sociais como centro de suas atividades, os terminais sofisticados objeto de desejos como Iphone, Ipad da linha Apple ou a avalanche dos terminais que usam sistema Android do Google tais como Galaxy S e Tab, X10 - hoje o sistema operacional mais usando em smartphones.

Claro que sou entusiasta da tecnologia, ela aproxima as pessoas, reduz as diferenças, tem potencial imenso na universalização do conhecimento, combate o analfabetismo digital. Facilita a vida e modo de vida do cidadão, regiões que jamais seriam atendidas passam a ter contato mais direto, levando educação, saúde. Claro que a telefonia é um negócio obedecendo as "regras de mercado", as prioridades das empresas privadas, daí a necessidade do Governo ter meios reguladores fortes para fiscalizar, cobrar, multar, exigir que as metas de atendimento e de qualidade do serviço sejam prestadas pelas operadoras pois elas são concessão pública de serviço.

Para além de tudo isto há uma guerra por padrões e imposição de novas tecnologias, cada dia mais descartáveis, uma corrida muitas vezes irracionais, em busca de novos conceitos e parâmetros técnicos, li um artigo de um amigo sobre as evoluções tecnológicas no mundo, em apenas duas páginas ele linkou 45 artigos de suporte.

Pergunto-me, por fim, qual o limite tecnológico? onde vamos chegar, o HOMEM, é o centro de todas estas buscas ou apenas o mercado? o consumo consciente, a produção de imenso lixo tecnológico para onde irá? Velocidade de acesso incríveis são conseguidas, mas servirá para que mesmo? São dúvidas sem respostas

terça-feira, 5 de abril de 2011

Alceste: Amor ou Morte


Alceste

Eurípedes



“de sacrifícios sangrentos estão cheios os altares de todos os deuses. Mas não há remédio para os males!”



Tema: Tragédia. Amor.

Resumo: Admeto com ajuda do Deus Apolo escapa à morte, porém um ente querido deve substituí-lo, a única pessoa que aceita o sacrifício é sua esposa Alceste .

O Livro



Admeto grande rei da Tessália, por desejo dos deuses deve morrer, porém, neste ínterim ele hospeda o Deus Apolo, que como castigo tem que viver como empregado por um ano à serviço de um mortal. Como Admeto,  sem saber que se trata de um Deus, recebe muito bem seu empregado, Apolo, agradecido, sabendo do destino de Admeto engana as Parcas (emissários de Tânatos(Morte)).

Pouco depois o próprio Tânatos sabendo do ardil de Apolo aceita a troca de Admeto por um parente próximo, desde que aceito espontaneamente. Os pais de Admeto, mesmo idosos, recusam-se a morrer, Admeto não quer que os filhos pequenos cumpram a promessa, sua linda e jovem esposa, Alceste, por grande amor ao marido, oferece-se para cumprir o sacrifício.

(...)

Admeto Ergue-te, infeliz, não me abandones; aos deuses poderosos suplica misericórdia.

Alceste Eu vejo, eu vejo num lago um barco de dois remos; e o barqueiro dos mortos, com a mão na vara, Caronte, já me chama: “Por que esperas? Apressa-te; estás a demorar-me!”

Assim, impetuoso, ele incita-me.

Admeto Ai de mim! A viagem de que falas é cruel. Ó infeliz, quanto nós sofremos!

(Alceste, com um grito de terror, debate-se nos braços de Admeto.)

Alceste Levam-me, levam-me, levam-me – não vês? – para a morada dos mortos. Sob o azul escuro das sobrancelhas, olha-me Hades, alado. Deixa-me estar. Que fazes? Larga-me. Que caminho sigo eu, desgraçada!

Cumprindo-se o fúnebre destino Alceste morre deixando desolado esposo e filhos, uma grande tristeza abate-se sob a Tessália. Por este tempo de passagem rumo ao seu 8º trabalho, Heracles, passa em visita ao seu amigo Admeto, como sempre é muito bem recebido, apesar da tristeza, sem o revelar o motivo, oferece amplo banquete e pompa. Heracles fica mais uma vez encantando com a hospitalidade que Admeto lhe faz.

(...)

Admeto De modo nenhum, senhor! Que eu não tenha de sofre essa desgraça!

Héracles Na infelicidade, a chegada de um hóspede é importuna.

Admeto Quem morreu está morto. Entra, pois, em casa.

Héracles Não fica bem a ninguém banquetear-se junto de amigos que choram.

Admeto Levar-te-emos para os quartos de hóspedes, que são à parte



(...)

Coro Que fazes? No meio de tal desgraça, Admeto, tens coragem para acolher hóspedes? Porque essa loucura?

Admeto Acaso me louvarias mais se de casa e da cidade eu expulsasse o hóspede que chegou? Não, certamente, visto que a minha desgraça não se tornaria menor e faltaria aos deveres da hospitalidade. Aos meus males juntar-se-ia outro mal, se a minha casa ganhasse a fama de ser hostil aos hóspedes. Eu próprio tenho achado nele o melhor acolhimento, sempre que vou ao árido país de Argos.

Coro Por que motivo lhe escondeste então a presente desgraça, se vem como amigo, como tu próprio dizes?

Admeto Nunca ele quereria entrar em casa, se descobrisse algo dos meus sofrimentos. Haverá, bem sei, quem repute o meu ato insensato e pouco digno de louvor, mas o meu teto não sabe repelir nem desonrar hóspedes.

Durante a ceia Heracles percebe a tristeza generalizada dos criados e passa a inquirir sobre o fato, um deles conta-lhe que realmente todos sofrem pelo destino terrível da estrangeira morta que na verdade era Alceste a doce esposa de Admeto. Envergonhado com a situação, por não percebido o real mal que se abatera ao amigo, e ainda mais admirado pela acolhida num momento tão ruim, Heracles decide ir ao Hades trazer de volta a esposa do amigo.

(...)

Héracles (sozinho em cena.)

Ó coração que tanto tens suportado, e tu, meu braço, mostrai agora que filho deu Zeus a Tiríntia, nascida de Eléctrion, Alcmena. Preciso de salvar a mulher que morreu há pouco e de trazer de novo para esta casa Alceste, a fim de recompensar Admeto. Irei espiar a Morte, a senhora dos mortos de negro manto, e hei de encontrá-la, penso eu, junto do túmulo, a beber o sangue das vítimas. E se eu me precipitar do meu lugar de emboscada e a apanhar, envolvê-la-ei com os meus braços e não haverá ninguém capaz de libertar os seus flancos doloridos antes que me seja entregue a mulher. Mas se me falhar esta presa, se ela não se aproximar da oferenda sangrenta, descerei aos Infernos, às sombrias moradas de Core e do Senhor, e farei a minha súplica. Estou convencido de que trarei à luz do dia Alceste, para a entregar nas mãos do hospedeiro que me recebeu em sua casa, e não me repeliu, embora ferido por pesada desgraça, e que, num requinte de nobreza, me ocultou esses fatos, por respeito para comigo. Quem, entre os Tessálios, é mais hospitaleiro? Quem, entre os habitantes da Grécia? Nunca ele terá de dizer que usou com um homem perverso da sua generosidade

(...)

Usando de toda sua força Heracles toma Alceste da Morte, devolve ao amigo, não sem antes um grande dialogo entre eles, sem revelar de quem se tratava, Heracles oferece a jovem envolta de mantas ao amigo, dizendo-lhe que morta a mulher, melhor seria novo casamento, este se recusa terminantemente, sem a esposa nenhum mulher levará ao seu leito.


(...)

Héracles

Sim, o amor que se tem por quem morreu conduz às lágrimas.

Admeto

Fiquei destruído, mas do que poderia dizer.

Héracles

Perdeste uma nobre esposa. Quem o nega?

Admeto

De tal modo que já não tenho prazer na vida.

Héracles

O tempo suavizará o mal que agora está em pleno vigor.

Admeto

O tempo, sim, podes dizê-lo, se o tempo é sinônimo de morte.

Héracles

Uma mulher, outras núpcias te consolarão.

Admeto

Cala-te. Que dizes? Não quero acreditar.

Héracles

O quê? Não te casas mais, ficará vazio o teu leito?

Admeto

Nenhuma mulher ao meu lado se deitará.

Héracles

Julgas tu que isto tem alguma utilidade para a morta?

Admeto

Onde quer que ela esteja, devo honrá-la.

Héracles

Aprovo isso, sim, aprovo; ganharás fama de louco.

Admeto

Nunca me chamarás noivo.

Héracles

Louvo-te pelo amor fiel que tens pela tua esposa.

Admeto

Que eu morra, se a trair, embora ela já não exista.

(...)

Pequeno Comentário

“Quem está para morrer, é como se já estivesse morto, e quem morreu não existe.”

Fechando um ciclo que comecei com Antígone, depois Hipólito em que a Morte é o contraponto a algum bem, tão ou mais importante. Em Antígone foi à liberdade de fazer algo certo, dar às honras fúnebres ao irmão morto, enfrentando o edito proibitório do tio, a autoridade tirânica que é punida severamente. No caso de Hipólito sua castidade e devoção a deusa Ártemis é sua desgraça, pagando com a vida.

Neste novo caso é uma provação em que o Amor por excelência de Alceste ao marido faz com que ela prefira morrer em seu lugar, renunciando a vida, pelo amor, mesmo jovem, em flagrante contradição ao pai de Admeto, que mesmo idoso, não se dispõe a se sacrificar.

Tema subjacente é o da hospitalidade, mesmo diante de um mal terrível, Admeto recebe o herói Heracles, poupando-lhe de saber do que acontecia no palácio. A recompensa ao tratamento e ao seu imenso amor pela esposa faz com que Heracles lutasse contra Tânatos (Morte) pela vida de Alceste. Ela volta mais jovem e bela, o amor rejuvenesce.

Anexo - Livro em PDF: ALCESTE

quarta-feira, 30 de março de 2011

Hipólito - castidade e morte

Hipólito

Eurípedes



“Mister seria que os mortais tivessem uma prova segura da amizade e o poder de enxergar, nos corações, qual o amigo sincero e qual o falso! Deviam ter os homens duas vozes; uma, a da retidão, e outra qualquer; assim, a que servisse em seus malfeitos seria confundida pela honesta e nós nunca seríamos logrados..”



Tema: Tragédia. Traição.

Resumo: Hipólito filho de Teseu é casto e só rende oferendas a Ártemis, Deusa da castidade e da caça,ao mesmo tempo Afrodite(Cípris), a deusa do amor sexual, que se vingará terrivelmente do jovem.


O Livro




Teseu já em idade avançada casa-se com Fedra filha de Minós a quem Teseu derrotara em Creta. De outro casamento anterior Teseu era pai de Hipólito, com a Rainha das Amazonas Antíope.  O jovem Hipólito era muito belo, mas optara pela castidade, prestando culto a Ártemis, deusa da caça e da castidade, irmã de Apolo, filha de Zeus e Leto.

A opção pela castidade, combinada com o desprezo a Afrodite, deusa do amor sexual, faz com que a ela sinta-se enciumada e quer a todo custo vingar-se de Hipólito.

Com sua arte de sedução, Afrodite, faz com que Fedra fique perdidamente apaixonada pelo enteado. A paixão é devastadora, aproveitando que Teseu, ficara um ano no exílio como castigo, Fedra se aproxima mais do enteado e com ajuda de sua aia, declara-se ao rapaz.

Hipólito fica espantando com tal revelação, renega qualquer possibiidade de romance com a bela madrasta, mas ao mesmo tempo jura que jamais revelará o segredo ao seu pai Teseu.

(...)

“FEDRA - Juraste bem. Examinando tudo, deveras descobri, neste infortúnio, um único expediente que assegure aos filhos uma vida sem desaire e a mim a salvação desta desonra. Somente por amor de minha vida não é que hei de infamar meu lar de Creta

nem de encarar Teseu no meu pecado.

CORO - Planejas algum mal irremediável?

FEDRA - Morrer; eu própria escolherei o meio.

CORO - Não profiras palavras agourentas!

FEDRA - Se queres também tu aconselhar-me, que seja um bom conselho. Se hoje mesmo abandonar a vida, darei gosto a deusa Cípris, que me está perdendo; eu terei sucumbido a Amor cruel. Porém, inda serei, depois de morta, a ruína de alguém, para que saiba não se ufanar de minha desventura e aprenda a moderar o seu orgulho,sofrendo o seu quinhão nesta desgraça.”



Porém, ao retornar do exílio, Teseu encontra Fedra morta, ela se suicidara, não sem antes deixar um bilhete acusando o jovem Hipólito de ser o culpado de sua morte. Teseu com muito ódio convoca o filho, este explica que nada tem a ver com o fato.

(...)

TESEU - Ai de mim! Como sofro! Foi esta, povo meu, a máxima das minhas desventuras. Ó destino, pesado te abateste sobre mim e meu lar, qual mancha misteriosa impressa por um gênio vingador; pior, como ruína que me torna impossível viver daqui por diante. Na minha desventura, contemplo um mar tão vasto de infortúnios, que nunca poderei salvar-me a nado, nem ao menos vencer esta vaga fatal que ora me assalta. Mulher infortunada, nem sei com que palavras definir teu destino cruel. (...)

TESEU - Já não posso conter no limiar dos lábios o mal insuperável que me arrasta à ruína. Ah! Povo meu! Hipólito atreveu-se a violar pela força meu tálamo nupcial, sem respeito ao supremo olhar de Zeus. Portanto, ó Posidão, tu que és meu pai e um dia me outorgaste três desejos, ouve o primeiro e mata-me esse filho! Se são certos os votos outorgados, que não possa escapar ao dia de hoje!

CORO - (horrorizada) Pelos deuses, meu rei, retira a praga! Dia virá em que hás de compreender que cometeste um erro; dá-me ouvidos.

TESEU - Não retiro; demais, vou desterrá-lo para que o fira um de dois destinos: ou Posidão, cumprindo o meu desejo, morto o enviará para a mansão de Hades, ou, expulso daqui, há de, no exílio, errante, consumir a vida em dores.

CORO - Bem a propósito, eis que surge Hipólito; é teu filho em pessoa. Ó rei, aplaca tua daninha cólera e resolve o que melhor convenha a tua casa.

HIPÓLITO - (entra com pequena escolta) Ouvi teus brados, pai, e vim a pressa. Não sei o que lastimas neste instante; quero ouvi-lo de ti. Mas, oh! Que houve? Vejo morta, meu pai, a tua esposa?! Minha surpresa é imensa! Ainda há pouco, quando a deixei, podia ver a luz! Que se passou com ela? De que modo veio a morrer? Quero de ti ouvir. Meu coração, ansioso de saber, mesmo ante uma desgraça não disfarça sua ansiedade. Porém, tu te calas? De que serve o silêncio no infortúnio? Aos amigos, meu pai, aos mais que amigos não é justo que ocultes teus reveses.

TESEU - Ó homens, vós, que tantos erros vãos viveis a cometer, vós, que ensinais ciências incontáveis, vós, que tudo descobris e inventais, por que será que uma coisa ignorais, nem buscais nunca aprender, que é ensinar sabedoria àqueles que carecem de razão?”

(...)



Teseu o expulsa do palácio e irrefletidamente pede aos deuses que puna o filho com a morte. Hipólito sofre um acidente e morre. A Deusa Ártemis conta a Teseu que o jovem era inocente.

(...)

TESEU - Acaso algum flagelo inesperado as cidades irmãs terá ferido?

MENSAGEIRO - A bem dizer, Hipólito morreu. Inda contempla a luz, porém exala os derradeiros hálitos de vida.

TESEU - Quem o matou? Talvez alguém que o odeia, por lhe ter, como ao pai, violado a esposa?

MENSAGEIRO - Causou-lhe a morte a sua carruagem e mais a maldição com que invocaste contra teu filho o deus do mar, teu pai.

(...)

VOZ - Nobre filho de Egeu, convido-te a escutar-me. Sou Ártemis, a filha de Leto, que te chamo. Por que, infeliz Teseu, te rejubilas? Deste morte sacrílega a teu filho; a mensagem falaz de tua esposa te fez acreditar no que era incerto e agora tens tua desgraça certa. E não vais esconder tua vergonha afundando na terra até o Tártaro? Ou, mudando de espécie, não te evolas fugindo da miséria pelos ares? Já não deves prover a tua vida entre os homens de bem! Eis, Teseu, um balanço de teus males. Deveras, não adianta e te magoa, mas venho tornar clara a inocência da alma de teu filho, cuja morte quer glorificar, e a paixão louca - ou nobreza, talvez - de tua esposa. Sim, pois, pungida do aguilhão da deusa que entre os seres divinos mais odiamos quantas nos comprazemos em ser virgens, estava apaixonada de teu filho. Tentou com a razão vencer a Cípris, mas sucumbiu, mau grado seu, às artes da ama, que a teu filho, sob penhor de juramentos, tudo revelava. Ele, por ser honesto, repeliu as propostas da ama e, por piedoso, não traiu o segredo que jurara, mesmo quando o trataste ignobilmente. Temendo a convicção de seu pecado, Fedra compôs essa falaz mensagem, que arruinou a vida de teu filho. Era um embuste e nele acreditaste.

TESEU - Que desventura a minha!

Pequeno Comentário

Esta tragédia traz a luz vários sentimentos e casualidades próprias da vida humana, Junito de Souza Brandão nos lembra, acertadamente, “motivo Putifar” que é acusação infundada de adultério, tramada por uma mulher com a qual o injustamente acusado e, quase sempre punido, se recusou a ter relações sexuais. Este fato é em Gênesis 39,7-20, a respeito da inteireza, caráter e temor de Deus por parte de José.

“De qualquer forma, o motivo Putifar representa sempre um situação crítica para o herói, conjuntura essa que se resolve ora tragicamente, com a morte, no caso de Hipólito e Eunosto, com a cegueira, como na punição de Fênix; ora de maneira menos violenta, como prova superada através de riscos tremendos, como a exposição de Tenes; com o exílio e a vida ameaçada, no caso de Belerofonte ou, eventualmente, a vítima se vinga mais tarde, de modo cruel, de quem o caluniou, como Peleu, que esquartejou Astidamia”.

O ciúme de Afrodite por que Hipólito não lhe presta culto deve ser entendido também do ponto de vista reprodutivo, pouco natural que um jovem príncipe, futuro Rei, recuse-se a fecundar, tarefa obrigatória ao cargo, que inspira crescimento, fertilidade e longevidade, o ciclo “‘natural” da vida.

Lição dolorosa é a de Teseu que não verificando os fatos, julga e condena o próprio filho, o amaldiçoando. Mas aqui também há o germe da tensão própria do choque de gerações que se sobrepõe a sucessão da casa real, o velho rei que terá que ceder o trono ao jovem príncipe.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Dúvidas da Luana

Minha filha Luana tem nove anos, outro dia estava lendo a "Bíblia para criança", que ganhou de sua tia, aí  lascou três perguntas para mim:

1)   Por que deus castigou Moisés e não o deixou chegar na terra prometida, mesmo tendo sido ele quem libertou o povo de deus no Egito?


2)   Por que deus é tão bom, mas judiou tanto de Jó?


3)    E, por fim, a definitiva: Por que deus está fazendo isto com a minha irmã Letícia(#Leucemia : Quando ela bate na sua porta!)?

Tentei argumentar que Moisés e o povo que o seguia começou adorar o "Bezerro de Ouro"..aí ela diz e daí o Bezerro também não era criação dos filhos de Deus? Sobre Jó falei que Deus testava sua fé...Luana responde: Precisa judiar dele assim? Bem, complicado explicar "teste de fé".

Como sempre a parte mais difícil, pra ela, e para mim, falar sobre a doença da Letícia, Leucemia, com 13 anos, corpo judiado pelas 50 quimioterapia em 9 meses, perda completa de cabelos, duas vezes...Luana se revolta em ver a irmã assim, de não podermos planejar nada pelos próximos 2 anos. Claro que não entende os mistérios da vida, de Deus, dos homens, da natureza. Mas como assunto era Deus( castigos, privações, bondade) fica quase impossível uma resposta satisfatória que acalme seu coraçãozinho, suas angústia, aplacar sua rebeldia.

Hoje refiz as três perguntas e minha irmã, Luciete, muito religiosa e sábia, manda as respostas via facebook:

"Na verdade Deus dá o livre arbítrio

1)   Moisés duvidou;

2)    Na história de Jó Deus permitiu, pois o Diabo estava atiçando, mas em troca Jó prosperou em tudo sofreu, mas não se rendeu a tentação;

3)   Quanto a Letícia ele permite, não é a vontade dele, mas a gente passa por tribulações é difícil entender apenas digo que confie sem questionar e a tempestade vai passar."

Bem e você o que acha?

terça-feira, 22 de março de 2011

Formação Humana


Introdução



Pós-muro de Berlim, aqueles que militavam no campo da esquerda passaram a viver num mundo estranho, todos os sonhos e ideologia postos em xeque, a crueza do leste revelada em sua plenitude, houve dois movimentos no começo dos 90 muito significativos na militância:

1) Abandono da perspectiva socialista;

2) Reflexão e volta aos clássicos;

Por volta de 91 e 92 participava de um pequeno grupo, que se propôs a fazer esta reflexão para compreender o que houve no leste europeu, maioria de nós era “pró-soviético” oriundos do PCB. Teve companheiro que em 1986 chegou a dizer que bom mesmo não era Gorbachev, mas sim o prefeito de Moscou, Boris Yeltsin, o verdadeiro revolucionário, sabemos hoje no que deu.

Esta cegueira advinha de uma crença quase religiosa na revolução, em particular na interpretação russa do escritos de Marx, que teve em Lênin grande continuador, mas adstrito a realidade russa, mas que foi tomada como universal.

Aquele impacto de ruir todo o leste europeu fez com que vários companheiros simplesmente abandonarem a luta política, acreditando que aquela era a experiência definitiva do que se convencionou chamar de “socialismo real”. Honestamente derrotados, incapaz de continuarem a militar, se recolheram, trancaram a vida para qualquer nova reflexão.

Como sempre ocorre nestes períodos de crise, um setor que sempre militou quase como 5ª coluna, aderiu de vez ao ideário burguês, no Brasil a ruptura do PCB, já em frangalhos, liderados por Bob Freire, cria o PPS, todos sabemos os seus passos posteriores de traição e alianças preferenciais à direita (PSDB e DEM).

Volta aos clássicos

Vários de nós, em pequenos grupos e círculos intelectuais, voltaram aos estudos dos clássicos, não apenas os escritos de Marx, mas de toda a tradição humanista, revisitar os filósofos gregos, os cânones literários, as fontes únicas do pensamento humano.

Esta dolorosa tarefa no meio militante é sempre muito complicada, cheia de barreiras, parte dos dirigentes despreza a ampliação do conhecimento, pois as tarefas diárias se impõem. A baixa compreensão, da formação política e intelectual também se torna adversário deste “mergulho”.

Fizemos um roteiro longo em que buscávamos ampliar os horizontes para além da teoria política, inserindo novos desafios de entender o homem sob uma perspectiva histórica, filosófica e cultural, que abarcasse a Teoria do conhecimento humano em todos seus vastos campos.






(Texto de Introdução - escrito em 1992)






Origem dos Homens



O Comunismo Primitivo

O início dos tempos tem diversas explicações, desde a dos cristãos, segundo a qual Deus (Jeová) criou o mundo e depois o homem, a partir do barro ( Adão) e de sua costela, a mulher (Eva). Estes entes pecam perante Deus e são expulsos do paraíso – começa propriamente dita a procriação, sendo estes marcados pelo pecado original.

Já para Gregos, Egípcios e Romanos o surgimento do homem é produto dos deuses e semideuses, estes foram criados para adorá-los. Sua relação com os deuses, porém, não é a do medo (como cristãos) do pecado original – homens e mulheres mantêm relações íntimas com estes deuses. Por exemplo, Aquiles, herói grego da guerra de tróia, era filho de Tétis, uma deusa do mar com Peleu, um rei de Ftia (região grega).

Na visão dos materialistas (marxistas ou não) o homem surge, assim como o universo, do produto das transformações da matéria, sendo seu estágio mais elaborado o homem e seu cérebro, pois este foi capaz de criar condições para sua própria existência e transformação. Este processo durou milhões de anos, tendo o homem passado por diversos estágios até chegar ao que é hoje.

Alguns avanços foram fundamentais para este desenvolvimento, como a descoberta do fogo, a linguagem e o começo da vida coletiva. Logo a seguir, a descoberta da roda, as primeiras divisões do trabalho, a caça e a pesca, e depois a lavoura, tudo isso feito por todos em conjunto, talvez não por um desejo consciente de união, mas como único meio de sobrevivência. A este período conhecido vulgarmente como pré-história ou idade da pedra, nós damos o nome de

Sociedade Comunista Primitiva



A Divisão dos Homens

A sociedade de classes, o escravagismo, o primeiro estágio

O homem se desenvolve continuamente e surge a grande divisão social do trabalho, que passa a ser o motor de um acelerado desenvolvimento da vida: o trabalho intelectual versus trabalho manual.

Alguns homens começam a se apropriar do excedente da agricultura, pecuária e pesca, e percebem que é melhor pensar como melhor produzir e outros continuarem produzindo. No mesmo instante, nas guerras de tribos já não se libertam os presos inimigos, os quais passam a ser mão-de-obra escrava dos vencedores, dando o poder econômico maior a alguns membros.

As respostas aos fenômenos da natureza, como a lua, sol, rios etc. levam o homem a adorá-los e sendo alguns destacados para organizar estes cultos, o germe do estado-religião começa a ser plantado, as decisões coletivas já não dão respostas às novas fases de produção.

Começam a se gestar decisões individuais, e aqueles que têm seus escravos de tribo inimiga agora escravizam homens de sua própria tribo; os primeiros conflitos desta divisão precisam de autoridades para resolvê-los – eis nosso “poder” de estado em conjunto com os dos sacerdotes estruturam o estado. Em uma palavra, a revolução social está completa.

Nós devemos entender como foi importante esta divisão, pois permitiu ao homem se desenvolver em escala nunca experimentada, se desenvolvem as ciências – a medicina, a astronomia, a matemática, a física – surgem os primeiros filósofos, literatos, historiadores. O mundo se livra da ameaça simples de destruição catastrófica produzida pela natureza, que o homem passa a dominar. É o senhor dos mares, das terras e dos ares.

É neste contexto que vamos estudar a sociedade escravagista: Sua literatura, a história e filosofia da época, a política e a economia

Estudo da Teoria do Conhecimento Humano (corte ocidental)


Parte I

Sociedade Escravagista



Modulo I – Literatura

Homero: Ilíada e Odisséia

A) Épicos                   Virgílio: Eneida

Heródoto: História

B) Mitologia     Hesíodo: Teogonia e O trabalho e os dias

C) Costumes    Suetônio: A vida dos doze Césares

Modulo II – Teatro

Sófocles: Prometeu Acorrentado

Ésquilo: Oréstia

Eurípedes: As Bacantes

Modulo III - Filmes

Fellini: Satirycon

Pasollini: Medeia

Roma (mini serie – acrescida hoje)

Stanley Kubrick: Spartacus

Modulo IV – Filosofia

Platão: Fedro

Aristóteles: Ética a Nicômaco

Modulo V – Política e Estado

Plutarco: Alexandre e César, vidas comparadas

Tácito: Os anais

quinta-feira, 17 de março de 2011

Obama e seus fracassos

“Deixai toda esperança ó vós que entrais.

Inferno 3:9”(Inferno – Dante Alighieri)


A visita de Barack Obama ao Brasil coincide com um momento muito particular da política americana: sua imensa crise que vai pra os 30 meses sem que haja a perspectiva de solução. O governo Obama sofreu fragorosa derrota nas recentes eleições parlamentares, perdendo a maioria na Câmara e o poder de decisão unilateral no Senado.

Enfrenta também crise de credibilidade pelos documentos tornados públicos pelo Wikileaks, numa clara divisão interna de comando no Departamento de Estado. Aos olhos do mundo, Obama é visto cada vez mais como decepção e sem rumo, muitas políticas dos governos republicanos foram continuadas e, até em alguns casos, pioradas.

O texto abaixo busca fazer um balanço desde a vitória de Obama até sua recente derrota eleitoral, que coloca em xeque sua reeleição no próximo ano.

Um link com Roosevelt

A primeira coisa de que me lembro com Obama na presidência é de outro grande presidente americano, talvez o maior e mais singular deles, Franklin Delano Roosevelt. Herdeiro da catástrofe econômica de 29, assumiu a presidência em 32 vencendo a máquina partidária e com um programa de amplas reformas; rompeu com o liberalismo predominante e implementou fundamentalmente um programa keynesiano clássico, de intervenção estatal pesada. O New Deal foi centrado nos seguintes itens:
  • Controle sobre bancos e instituições financeiras;
  • Construção de obras de infraestrutura para a geração de empregos e aumento do mercado consumidor;
  • Concessão de subsídios e crédito agrícola a pequenos produtores familiares;
  • Criação de Previdência Social, que estipulou um salário mínimo, além de garantias a idosos, desempregados e inválidos;
  • Controle da corrupção no governo;
  • Incentivo à criação de sindicatos para aumentar o poder de negociação dos trabalhadores e facilitar a defesa dos novos direitos instituídos.

Roosevelt, apesar de vir do seio da burguesia americana – seu primo Theodore havia sido presidente em 1908 –, foi sempre taxado de comunista, esquerdista, e enfrentou oposição terrível do início ao fim do mandato; tudo em sua vida era motivo de exploração nos jornais. Espertamente ele resolveu fazer comunicação direta com o povo falando em cadeia de rádio sem intermediário, e assim rompeu o cerco que a mídia (jornais) tentou lhe impor. Para quem tiver curiosidade sobre esta época ler “Anos dourados” (Gore Vidal), romance que localiza bem a luta política enfrentada.

Fator Obama


Coincidência ou não, o motor da chegada de Obama à Casa Branca foi o desastre Bush Jr. Sem isto, ouso afirmar, jamais um negro, com família com vínculos ao islã, lá chegaria. Sua ascensão é algo extraordinário, inimaginável há 10 anos, quem de nós conseguiria vislumbrar algo tão luminar?

Obama surge do nada, ganha da favorita Hillary a indicação do Partido Democrata. Uma hipótese pouco cogitada seis meses antes, um negro na presidência. Vitória de um outsider total, sem um pé na máquina partidária, dominada pelos Clintons.

Obama faz um acordo cruel, entrega a Secretaria de Estado, ministério mais importante americano, a sua adversária Hillary. Enfrentando uma crise sem precedentes, mais ou menos dividiu seu governo em dois: no front interno liderado por ele, tenta aprovar reformas na saúde e recompor a economia em frangalhos. O front externo é entregue a Hillary e aos falcões mais reacionários. Como boa conhecedora da máquina de guerra, Hillary tem seu desempenho facilitado pelos crescentes conflitos advindos da ampla crise financeira mundial.

Assume a presidência naquela que é considerada a segunda maior grande depressão da história do capitalismo, o país mergulhado num atoleiro no Iraque e no Afeganistão, com pouquíssimo espaço de manobra, uma herança mais do que MALDITA, sob desconfiança da elite reacionária, que aceitou a derrota na batalha, mas prolonga a guerra via mídia. Neste contexto, no próprio Partido Democrata Obama tem poucos aliados confiáveis, é obrigado a montar um ministério de composição com as alas conservadoras e ainda manter um presidente do FED comprometido ainda com o neoliberalismo.

Estes fatores combinados, recessão violenta, desemprego, sensação de decadência, duas guerras no front, uma mídia hostil deixam pouco, ou quase nada, espaço de manobra para Obama se movimentar. Para nós que estamos de fora apontar o dedo de por que ele continua as guerras é fácil, por que ele não enfrenta os lobbies armamentistas, grupos poderosos etc. Seu próprio chanceler Hilary Clinton sabota-lhe  o trabalho: negociou com os golpistas hondurenhos, por exemplo, mas são as concessões inevitáveis de governo novo no meio do caos. Aqui não quero justificar os erros de conduta de Obama, mas tentar explicar os fatos com isenção.



Economia continua em crise, desemprego piorou muito nestes anos


Houve uma piora sensível nas condições políticas e de governabilidade, acentuada agora pela imensa derrota nas eleições congressuais bianuais, com a perda da maioria na Câmara e redução na maioria do Senado.

Os grandes bancos receberam pesados recursos do Tesouro, sendo salvos os banqueiros, os megainvestidores, mas nada sobrou para os endividados em hipotecas: passou a idéia de que é melhor salvar os ricos, sem se preocupar com quem realmente perdeu tudo.

As 400 maiores fortunas nos EUA têm mais dinheiro do que 155 milhões de americanos, uma brutal concentração de renda típica de “terceiro mundo”, que se aprofundou mais no governo Obama. Depois da “crise”, em recente pesquisa foi constatado que aumentou o número de americanos com mais de US$ 1 milhão em investimentos, situação contraditória numa crise sem precedentes.

Mas na outra ponta da economia há aumento no índice de desemprego e mais ainda o aumento drástico da população que recebe os Food Stamps (programa equivalente ao Bolsa Família (no pé do texto há um link sobre o programa): de fevereiro de 2010 a outubro passou de 39 milhões a 42,4 milhões de pessoas (quase 10%).

De acordo com o United States Department of Agriculture, as estatísticas para o programa de assistência alimentar são os seguintes:
  • 51 por cento de todos os participantes são crianças (17 anos ou menos), e 65 por cento deles vivem em famílias monoparentais.
  • 55 por cento dos domicílios do vale-refeição incluem crianças.
  • 9 por cento de todos os participantes são idosos (60 anos ou mais).
  • 79 por cento de todos os benefícios vão para as famílias com filhos, 14 por cento vão para as famílias com pessoas com deficiência e sete por cento vão para as famílias com pessoas idosas.
  • 36 por cento dos agregados familiares com crianças eram chefiadas por uma mãe solteira, a esmagadora maioria dos quais eram mulheres.
  • O tamanho médio do agregado familiar é de 2,3 pessoas.
  • A renda bruta média mensal por agregado familiar do vale-refeição é de R $ 640.
  • 41 por cento dos participantes são brancos, 36 por cento são Africano-americanos, não-hispânicos, 18 por cento são hispânicos; 3 por cento são asiáticos, 2 por cento são indígenas, e 1 por cento são de raça ou etnia desconhecida.

Neste ambiente Obama jogou todo o seu peso para aprovar uma espécie de SUS, plano de saúde público, pois cerca de 45 milhões de americanos não tinham nenhuma proteção hospitalar e assistência médica (número coincidente com participantes do Food Stamps). O custo do seguro saúde é muito alto: a precarização do emprego e mesmo do subemprego impediam que esta faixa da população tivesse atendimento médico.

Porém o custo político foi desastroso, Obama foi pintado como “bolchevique”, socialista que quer acabar com a livre iniciativa. A dura batalha no Congresso foi divorciada da sociedade; um movimento protofascista, o Tea Party, cresceu de forma assustadora, elegeu inclusive representantes no novo Congresso.

Política externa desastrosa ruim com de perda de poder e influência no mundo



A dura visão do Departamento de Estado, dominado pela direita dos democratas, escolhe seus “inimigos”, o principal deles o Irã. Mesmo com o refluxo no Iraque a aventura no oriente médio ainda é prioritária, atende às demandas da indústria bélica, do setor petrolífero, dos militares e dos falcões de Israel.

Parece que nada mudou desde Bush Jr. A Sra. Clinton continua sua escalada de medo e ódio pelo mundo, Obama quase nada se diferencia, sua submissão é total ao que Hillary faz e desfaz.

Neste contexto, cada dia mais a China cresce como pólo aglutinador de forças econômicas e alternativa de investimentos, em particular no chamado 3º mundo. Com 5 trilhões de reservas cambiais, a China hoje é o principal credor americano, boa parte do destino do dólar está nas mãos dos chineses.

Esta sensação de perda do poder hegemônico mundial é mais uma derrota do governo Obama. A extrema dificuldade de dialogar com o mundo leva ao isolamento, e o império apenas é reconhecido pelo poder militar.

Mesmo em relação ao G20, Obama e Hillary nada fizeram para se aproximar e quebrar a influência chinesa. É inconcebível que Obama não tenha visitado o Brasil, o articulador mais dinâmico do G20. Este desprezo pelas relações diplomáticas torna a saída da crise americana mais distante ou em condições piores.

A recente desvalorização do dólar apenas reforça a visão equivocada de G2 (EUA-China) fechando os olhos para o resto do mundo. Ao comprar a guerra cambial com a China, Obama fecha as portas para qualquer diálogo com o restante do G20, em particular com Brasil, Índia, Rússia e África do Sul.

Falta de enfrentamento político com adversários

O surgimento de um movimento de extrema-direita nos EUA é reflexo da falta de combatividade de Obama, a complexa situação da economia, o empobrecimento crescente vistos a olho nu fizeram surgir no seio da classe média americana a Hybris do ódio e do ressentimento.

Consubstanciado no caricato Tea Party, algo parecido com típicos movimentos protofascistas que surgem na ebulição de grandes crises, em síntese são os ultraliberais contra o governo, o de Obama em particular, contra impostos, saúde pública, que querem resgatar o “sonho americano”. No fundo não passa de mais um pesadelo.

Aqui mais uma vez houve a maior falha de Obama: ele não tomou para si as rédeas de seu governo, foi bombardeado internamente pelos Clintons, por Nancy Pelosi e outros falcões democratas. Do lado de fora, o combalido Partido Republicano ressurgiu mais forte e mais à direita, galvanizando a letargia e, por que não, a covardia do governo Obama de enfrentar seus inimigos.

A imensa derrota nas eleições foi a maio senha de que Obama precisa agir com firmeza, afastar os adversários de dentro do governo, ir ter com o povo diretamente, sem meias medidas. Talvez este momento seja muito parecido com o que Lula viveu na crise do mensalão. Daquele momento em diante Lula assumiu seu destino. Será que Obama assumirá o seu? Parece que caminha para ser um novo Jimmy Carter.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Prazer,sou Dilma: Valeu Agripino!!

Ontem o finado DEM elegeu seu coveiro, Agripino Maia, Ex-Arena,Ex-PDS,Ex-PFL, em breve em Ex-DEM. Lembrei de como involuntariamente ele lançou definitiva Dilma como candidata a Presidente.

O dia 07 de maio de 2008 será conhecido no futuro como a data que a Ex-torturada política se vingou do seu algoz em praça pública.Agripino Maia lançou Dilma Presidenta..Valeu agripino!!