sexta-feira, 15 de abril de 2011

Crônicas do Japão III: Mundo do Trabalho I

Ainda no Brasil



Um esclarecimento prévio trabalhava desde 1989 em empresas japonesas do grupo Nec, grande fabricante de equipamentos de Telecomunicações, mais especificamente trabalhava na área de engenharia, primeiro em implantação de centrais telefônicas rede fixa, morei em 8 estados do Brasil, depois com Telefonia Celular, trabalhava na parte de software aplicado, dados dinâmicos de centrais telefônicas.

A ida ao Japão foi devido à nova geração de centrais da Nec, o Brasil ainda participava deste processo de desenvolvimento de equipamento, éramos mais 100 engenheiros e técnicos a ajudar, aprender e participar da transferência de tecnologia, antes do Brasil virar apenas “maquiador” de produtos ou só implantar o que já vem fabricado.

Portanto o método de trabalho, a hierarquia, a lógica de funcionamento de uma empresa japonesa eu conhecia bastante, pois eles reproduziam a mesma filosofia aqui no Brasil. Claro que há sempre algo mais quando se está na casa deles.

Mitos e roupas


O primeiro mito que caiu por terra foi que as jornadas de trabalho no Japão eram longas, chegamos ao escritório as 7:30 como fazíamos no Brasil, prédio fechado, inicio do trabalho as 9:00, pensamos, deve ser compensado no fim do dia, talvez pelas distancias estas coisas, que nada, as 17:30 era encerrado o expediente, portanto jornada de 7 horas e meia por dia, uma hora e 18 minutos a menos do que no Brasil. Fenômeno das jornadas longas são as horas extras que muitos fazem para aumentar o salário, outros ficam no escritório enquanto o chefe está lá, abaixo falarei de hierarquia.

Outro impacto foi que tínhamos que trabalhar de paletó e gravata, não importava se era no escritório, no laboratório (em que manipulávamos cabos de centrais, remoção de placas, ajuste de fitas magnéticas), todos usavam com cores escuras, preto ou azul marinho, mais ousado cinza, camisa branca e gravatas discretas. Imaginem olhar e lembrar que aqui só chefe graduado usava vestimentas formais. Detalhe, chegamos bem no início do verão, vocês não tem idéia o que o verão japonês, temperatura alta, mais de 34 graus, constante e muito, mais muito úmido além de sujo, uma crosta de poluição a sensação de que você está sujo sempre, nas ruas os caras usavam uma toalhinha no pescoço que pela manhã era branca, para limpar o suor e a sujeira.

Por sorte o hotel ficava apenas duas quadras deste escritório de engenharia da empresa, em íamos fazer treinamento e desenvolver nossas atividades nos próximos meses, eventualmente iríamos para fábrica que ficava numa cidade próxima. Então no almoço às vezes ia tomar uma ducha.


No caminho passávamos pela estação de Kashiwa, aí sim a certeza que estávamos quase noutro mundo. A visão que tinha era de que todos se pareciam demais, Japão é um país muito homogêneo, pouquíssima mistura, o modo de se vestir para ir ao trabalho contribuía para esta aparência comum, homens de paletó e gravata, como falei escuro e camisa branca. As mulheres com vestidos quase sempre preto ou pastel, salto alto, com um número a mais, que dava a impressão que surfavam sobre eles e que cairiam a qualquer instante. Aquela multidão, já 1996, com milhões de celulares em suas mãos, era uma massa uniforme demais, para meus olhos.

Hierarquia


O escritório, ou a fábrica, é a síntese da sociedade japonesa hierarquizada a disposição das mesas e a distribuição dos funcionários reflete exatamente isto. No nosso caso era uma ampla sala quase o andar de um prédio médio, tipo 40 m por 25 m, longas mesas funcionavam como divisórias, quem se sentava à cabeceira era o Shunin (Chefe de seção) e quem se senta mais próximo dele é que lhe sucederá. Quanto mais longe dele, mais novo de empresa ou de função, eram os últimos da cadeia alimentar.

As mesas à frente destas mesas/divisórias, também revelam a hierarquia quanto mais central maior o cargo, as das extremidades eram de Katchos(Gerente acima dos chefes de seções) e se aproximando do centro as de Butchos (Diretores) até a central de RonButcho (Superintendente). Havia umas mesas isolada nas extremidades que eram ocupadas por aposentados, que se mantinham na ativa, muitas vezes sem remuneração, apenas para ir ao escritório e não ficar em casa.

O esta hierarquia social começa desde a escola, lá é incutida na criança a obediência, o garoto do 1º ano obedece ao do 2º e por ai vai. Isto facilita o controle social rígido a certeza de coesão e pouco ou quase nenhum questionamento, quer seja na escola ou no trabalho, muitas vezes via uns jovens, nas ruas, de cabelos espetados, roupas extravagantes, mas na segunda feira estavam lá sentados comportados no escritório.

A ascensão social na empresa era extremamente controlada, cargo a cargo, não tinha como “furar a fila”, mesmo que fosse mais brilhante, tinha que esperar as provas internas para se mudar de cargo, na época demorava até 9 anos para se subir de cargo. As provas para subir de cargos eram basicamente de língua japonesa, quanto maior cargo, mais e novas palavras tinham que ser incorporadas ao vocabulário, torna-se mais polido no trato entre si.

Espantava-me quando eles atendiam ao telefone e tinha uma seqüência de saudação: 1) Nome da Empresa somando ao sufixo San; Nome dele; 3) cargo que ocupava – pois isto definia a hierarquia da conversa, as palavras usadas e/ou a submissão de um ao outro, ou relação de iguais, inclusive até a hierarquia entre as empresas. Só uma observação atenta percebia-se estas sutis relações de poder e mando.

Outro costume que aprendemos é que aquele que visita tem que levar Omiaguê (presente) que também deve ser hierarquizado, não é pela razão de preferência sentimental e sim no âmbito corporativo de acordo com o cargo. Compramos vários litros de Uísque para os diretores, depois presentes menores até os tradicionais chocolates para os demais. Mas, não dar Omiaguê é uma ofensa.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Crônicas do Japão II: Kashiwa e Comida

Conhecendo a área


(Kashiwa Station)

Aqui estamos em Kashiwa Cho(cidade) em Chiba Ken(Província) o hotel SunGarden fica uma quadra da estação central de trem de Kashiwa (Kashiwa Station Map ) que fica sob uma praça grande com 3 shopping centers, o mais chique é o Takashimaya, tem também o Sogo e o Vat no lado oposto da entrada principal.

Na andança noturna descobri que o Takashimaya tem um relógio tipo um cuco grande que a noite sai personagens nas horas cheias ao som da música do Silvio Santos (para ser feliz é preciso ser...) pronto me senti em casa, afinal era domingo e o indefectível Silvio dava o ar de sua graça. (várias vezes chorei de saudade ouvindo a música, tão familiar)


(Relógio Cuco do Takashimaya)

Olhei as vitrines do belíssimo Takashimaya e vejo bolsa da Prada, Gucci, como não estava ainda familiarizado com preço e notações da moeda (Yene), além do fuso horário maluco, não percebi o valor delas, dias depois me dei conta do valor 750.000 Yenes (15 mil reais), quase caí para trás. Num dos andares tinha uma padoca(padaria chique) dava água na boca os doces, mas o preço dói na barriga. Num outro andar tinha um mini-mercado de frutas, verduras, leite, queijos etc. numa embalagem bem trabalhada dois pequenos papaias, preço 9000 Yene (180 reais), pensei seriam de ouro? Pensei caramba não vou comprar nada aqui.

Numa rua paralela logo achamos mais uma coisa que lembraria o Brasil, o Supamaka (supermercado) Ito-Yokado, o símbolo dele era duas pombas de lado parecida com o da Igreja Universal, bem nem preciso dizer que sempre falávamos: vamos passar no Supermercado do Edir Macedo.


Rapidamente descobrimos que cada loja/supermercado/restaurante fechava apenas um dia na semana, aleatório, o do Edir era dia de terça. Além disto, ele tinha uma coisa legal: hora do “pobre”, mais ou menos depois das 19:30 tudo que era perecível era vendido com grandes descontos, quase uma xepa.

Comer – um trauma e sempre caro



I - Café da Manhã





(café da manhã oriental)

No hotel o café da manhã era de dois tipos: Ocidental e Oriental – ambos custavam 25 reais e não era incluído na diária do hotel, surpresa para lá de desagradável, a diária do hotel custava uns 250 reais, mesmo morando lá não havia desconto, nem café incluído, canais de TV a cabo, tudo era a parte. O Café Oriental era uma refeição japonesa, arroz, missoshiro, conservas e peixe cozido, perfeito para um café da manhã! Quanto ao Café Ocidental era servido uma xícara café ralo que você via o fundo dela, um tablete de leite (10 ml) para misturar, mais parecia um creme de leite, uma fatia de “english Bread”, meio ovo mexido, uma fatia de laranja, dois cubinhos de melão, duas bolachas, era TUDO isto, ok tomei apenas no primeiro dia no hotel.

Passei a comprar mini caixa de leite (250 ml), e também achei Nescafé um tipo bem fino, chamado excella, fraco mais era café que você podia por mais. No quarto do hotel tinha uma “chapa” e um pequeno bule para fazer chá, esquentava o leite, o camareiro me xingava todo dia por esquentar leite nele. Comprava o pão de forma mais grosso, English Bread, que o Ito-Yokado vendia em pequenas porções, 2,4 ou 8 fatias, grande lástima não tinha pão francês. Coisa engraçada uma vez levei um belo pão, parecido de hot-dog, me empolguei comprei, quando mordi era recheado com feijão doce, morri...às vezes comprava um pão amanteigado no Takashimaya, quase 4 reais um pãozinho, mas era bom demais. Eventualmente tomava café numa lanchonete que fazia ovos, bacon, salsicha, não era muito bom, mas variava. Vendia queijos em fatias, mas cada fatia num plástico, hoje a polenguinho vende aqui, aquilo era novidade para mim.

II - Bentô – Almoço/Jantar



Almoço era sempre um problema, no escritório eles tinham um fornecedor de bentô, uma espécie de marmita, preço baixo, mas de gosto para lá de duvidoso, exceto o Gohan(arroz japonês), tudo vinha servido gelado, meia asinha de frango, um minúsculo pedaço de peixe, umas conservas de embrulhar o estômago e a parte pior, os croquetes de não sei o quê.

Primeiras semanas foram duras para almoçar, passava mal só de pensar o que viria no almoço, mas com o tempo descobri um restaurante italiano, bem pequeno, perto da empresa, salvou a pátria. A comida não era lá grandes coisas, mas parecia espetacular na frente do bentô. Preço era 3 ou 4 vezes mais caro. Nós tínhamos uma meta semanal, gastar muito pouco para poder viajar todo fim de semana, passagens de trem são muito caras, depois detalho isto, então melhor economizar de segunda a sexta.

No Jantar muitas vezes íamos a outro restaurante italiano próximo ao hotel, Capricciosa, muito macarrão com tuna(atum), fora que deixamos os garçons loucos, pois íamos vários brasileiros e lá não juntava mesas, configuração de 4 por mesa, aí sentávamos próximos e juntávamos, eles tremiam, damê, damê(não pode)...depois de um mês eles desistiram, quando chegávamos eles já vinham rindo e sabiam que as mesas seriam “desarrumadas” por nós. No fundo eles achavam aquele jeito bagunçado engraçado.

Eu era tão viciado neste restaurante que uma vez estávamos em Kyoto e procurando restaurante para jantar, andamos numa larga avenida que de repente se estreita e vira um beco com casas antigas, nada de ter restaurante ocidental, vimos uma placa em romangi(sem caractere japonês) fomos lá, bingo era um Capricciosa (Capricciosa Kyoto ), os caras que estavam comigo não acreditaram, até aqui você vai comer nele, risos, mera e boa coincidência.


Muito tempo depois descobrimos o restaurante do Careca, ex-jogador da seleção, que ainda jogava lá no Kashiwa Reisol, também jogava o Edilson, capetinha e Wagner Mancini. Algumas vezes encontrei-os no Capricciosa. O restaurante do Careca servia um PF brasileiro com carne, feijão tinha até garaná(Guaraná Antártica ) aquilo era um sonho, uns 100 reais, mas de vez em quando valia a pena ir. Assim como a churrascaria Barbacoa em Tókio que tinha um "rodízio" de 6 tipos de carne e uma hora e meia para você comer, servido por garçons brasileiros, um sonho.

PS: Alertado pela Marinilda Carvalho, no Japão tem comida de todo tipo e de todos os lugares do mundo, mas como fomos lá a trabalho e economizávamos o máximo possível para poder viajar nos fins de semana, comíamos o que o trabalhador comum come normalmente.

Crônicas do Japão I: A viagem


(Monte Fuji - ou como dizem Fuji San )

Vou publicar algumas memórias sobre os meses que morei no Japão, entre Junho e Novembro de 1996, se não tiver preguiça vou "scanear" fotos dos lugares, tenho cerca de 700 fotos, naquela época ainda não existia máquina digital, mas fundamentalmente vou falar das minhas impressões sobre a terra do sol nascente. Incentivado pela minha amiga Cilmara Bedaque, que se diz completamente apaixonado pelo Japão e que noutra encarnação nasceu samurai, resolvi começar aos poucos estas crônicas. Texto inicial é como é que fui parar no Japão

A viagem



(Tori de Miyajima - vizinho a Hiroshima - lindo demais)

Era uma brincadeira de escritório, por volta do inicio de maio de 1996, quem queria ir passar uma temporada no Japão? Eu tinha acabado de chegar ao trabalho e, logo, disse claro que eu iria afinal com quase 7 anos de trabalho numa empresa japonesa tinha muita curiosidades de lá, além do que a convivência com a cultura nipônica acabamos por incorporar algo deles, algumas palavras(palavrões né?), gosto pela rica cozinha japonesa, até valores de vida e trabalho .

Meu amigo Renato, pega liga para o nosso chefe e diz que eu topava a ida ao Japão, na hora achei que ele estivesse fingindo falar ao fone. Meia hora depois o chefe me liga e pergunta: “Você quer mesmo ir ao treinamento no Japão?” – gelei, mas respondi que sim.

Um mês depois, eles tinham providenciado passaporte, visto japonês, passagens, um curso básico de sobrevivência de japonês. Numa sexta em 15 de Junho estava espantado entrando num avião da Varig rumo a Los Angeles e de lá para Narita, Aeroporto Internacional de Tóquio. 24 horas de uma longa viagem, cheio de dúvidas e medos.


(Narita Aeroporto - 66 km de Tókio)

O primeiro impacto ao desembarcar em Narita é a grandiosidade do Aeroporto, as longas filas da imigração, as perguntas são no inglês bem japonês, ou seja, você não entende quase nada, exceto as perguntas de praxe sobre: drogas, comidas, bebidas e surpresa... Material pornográfico, proibido, por exemplo, de entrar com uma “inocente” Playboy que tenha nu frontal, lá o nu tem um “tapa-sexo”, chamado "Mosaic", inclusive em filmes pornôs.

As linhas de trem e metrô que servem aos usuários chegam ao aeroporto, como estávamos com muita bagagem pegamos um taxi, todos Toyota corolla,  automático novos, o motorista de paletó, gravata e luva. Apesar do aeroporto ficar a mais ou menos 45 km de Kashiwa, na província de Chiba, pegamos umas duas autopistas com 3 pedágios. Incríveis 200 dólares o preço da corrida de taxi. É a senha pra saber logo de cara que se trata de um país muito caro.


(Linhas de trens (JR - Japan Rail) Aeroporto de Narita)

Chegamos num domingo umas 13 horas no aeroporto, até entrarmos no hotel era por volta das 17 horas, fome, cansaço e muita curiosidade. Outra coisa estranha, não era comum no Brasil em 1996, todo comércio aberto, facilitou de alguma maneira a saída para conhecer a área que iríamos habitar nos próximo seis meses. Dormi nem pensar, pois estávamos com o fuso do Brasil, tínhamos que esperar ficar tarde e tentar dormir e se adaptar o mais rápido possível, pois na segunda já teríamos trabalho e as “boas” vindas.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

FHC: A Democracia sem Povão

O mais novo deboche que FHC fez ao povo brasileiro foi inaugurar uma nova fase na cultura política de seu partido: A Democracia sem Povo, ou em suas palavras – Povão – esta massa ignara que tem pouco ou nenhum discernimento político que é a presa fácil para partidos de esquerda. (ver Blog do Nassif - FHC: o político à procura de um discurso ). A Folha de S  Paulo lhe deu amplo destaque, pois , é a preparação de FHC lançar seu Portal de Política - ou seja - vai ensinar a fazer : Política sem Povo.

Por este raciocínio faz todo sentido, prescinde-se de “povão”, o ideal é concentrar esforços na elite, nas classes médias gerenciais, a partir delas se deve apenas indicar os números nas urnas eletrônicas que esta massa inculta votará. Por esta lógica para que eleição? Ou para que ir votar, libera-se e incute-se nas cabeças que a democracia não faz sentido algum, pois os ignorantes não a entendem.

Num clássico rompimento com as conquistas elementares de representação popular o príncipe da sociologia brasileira faz sua melhor reflexão, expondo a nu todo seu elitismo, sua visão autoritária e aristocrática de condução de uma nação. Os laços, até liberais, dos ideais da revolução francesa, são quebrados no novo modelo partidário e de conquista do poder. Ao escolher o caminho da “democracia” sem “povão” se despreza o sujeito social que é fim último de qualquer democracia real ou formal.

Ler mais um conjunto de obviedades, trasvestidas de pompa de intelectual pobre e burlesca, parecem um último suspiro do combalido PSDB e de seu maior representante. Mesmo na loucura, ele revela um método, nos diz Shakespeare, que é a busca diuturna para se criar uma casta, uma elite - política, intelectual e gerencial - que prescinda do Povão, foi assim em todo seu governo, em particular no desastrado segundo mandato, assacado na ameaça da desvalorização do real e medo de que Lula poria fogo no Brasil.

Rupturas no PSDB



Em significativa entrevista de rompimento com o PSDB, Bresser Pereira,( via Blog do Nassif Bresser-Pereira deixa o PSDB) fundador e um de seus maiores intelectuais, diz claramente qual a opção política e intelectual que norteou o governo FHC e seus desdobramentos sinistros com a perda da identidade nacional, era uma apologia cega ao mercado, uma certeza inútil de que a globalização no abriria o mundo.

Os primeiros anos dourados do Real deram lugar à crueza das crises dos tigres asiáticos e posterior crise russa, que abalou definitivamente a fé no mercado, com um agravante, os instrumentos de estado, tinham sido completamente destruídos, levou o Brasil a passar 4 anos de profunda agonia (Janeiro de 1999 a Setembro de 2003).

A herança maldita, a que Lula se referia, era uma combinação de estado desmobilizado com uma profunda crise econômica. Dívida pública astronômica, déficit publico, exportações engessadas e falta de iniciativa de buscar novos mercados. Setores inteiros completamente destruídos, como setor elétrico, com apagão e pouca expectativa de melhoria.

O artigo vai à contramão das maiores conquistas dos últimos anos, que foi a ampla incorporação de parcela significativa dos trabalhadores que vivia à margem do mercado, sem renda ou cidadania. Este “povão”, que FHC despreza, é que hoje faz a diferença do Brasil no mundo, é o legado de Lula.

A busca do discurso pela oposição já gerou seu primeiro fiasco, apesar do amplo destaque que a mídia dócil ao ex-presidente, afasta mais ainda a oposição da vida real da maioria da população brasileira. Continuam fazendo, agora assumidamente, política sem Povão, para uma elite bem determinada. Enfraquece a democracia de qualquer maneira a falta de maior qualificação do debate e do embate político e programático.


Brasil x China - modelos de desenvolvimento de Telecomunicações comparados

A revolução das comunicações

No início dos anos 90 o mundo, além da queda do muro de Berlim, se preparava para uma nova era na área de comunicações - a tecnologia de telefonia celular, por volta de 1992 os principais padrões mundiais foram definidos: Na Europa – o GSM, nos EUA – o CDMA. Ambas tecnologias prometiam a digitalização da voz libertando das interferências, quedas de chamadas, e o pior a insegurança da comunicação.

Este novo cenário fez com que as maiores players de equipamentos telefonia fixa passassem a investir pesado na nova revolução, e buscaram novos locais no mundo para baratear a produção e garantia de presença em novos mercados. Países investiram firme para se capacitar e receber estes investimentos e criar novas indústrias mundiais. Dois exemplos deste esforço foram: Finlândia com a Nokia e Coréia do Sul com Samsung e LG.(tratei destes casos no post: Tecnologia – Nokia e Samsung – Exemplos para o Brasil)



Modelo Chinês

Em 1995 a China decide participar efetivamente deste novo momento, a nova política econômica aprovado pelo Governo chinês foi atrair as grandes empresas de Telecomunicações, dando-lhes acesso ao seu mercado, porém com a contrapartida de que eles tivessem acesso à tecnologia e pudessem compartilhar licenças e patentes de produtos.

Coordenado pelo ministério da indústria e de comunicações, a China montou grandes laboratórios para que os equipamentos dos grandes fabricantes fossem montados e interconectados aos protótipos chineses. Por exemplo uma Central de Comutação de fabricante X é conectada ao agregador de Estação de Rádio base chinês, ou vice-versa. Esta estratégia rapidamente deu grandes frutos, as duas empresas chinesas fomentadas pelo governo Huawei e ZTE aprenderam muito rápido a lógica de funcionamento fim a fim e começou a desenhar seus produtos com alta tecnologia.

Ontem Dilma assinou acordos de um grande laboratório de pesquisas da Huawei para funcionar em Campinas, investimento em torno de US$ 350 milhões, mas poucos sabem quem é a empresa chinesa. A Huawei é uma empresa chinesa que em menos 10 anos se tornou a vice-líder mundial em Telecomunicações, atrás apenas da Secular Ericsson, com Alta tecnologia e inovação

Em 15 anos a Huawei e ZTE são casos de sucessos, política de estado, que os neoliberais odeiam. Os chineses foram geniais: tinham projeto, estratégia, academia, desejo de aprender, certeza que dominariam a arte em pouco tempo. Eles literalmente saíram do Zero em Telefonia não produziam nada decente, conheci os primeiros protótipos de centrais telefônicas chinesas eram ruins demais, bem piores que os que fazíamos no Brasil. Em pouco tempo lançaram, o que considero, as melhores centrais telefônica do mundo, com a vantagem sobre os demais, sem legado pra administrar, ousaram produzir modernas NGN(next Generation).

Brasil perdeu o bonde da tecnologia

Se ao invés de entregarmos as empresas de telecomunicações tivéssemos política industrial nacional, hoje poderia o Brasil ter um fabricante com expressão mundial, mas não tem. Erros graves de uma política entreguista foi o legado de FHC, perdemos o bonde histórico de tecnologia de ponta em vários setores, em Telecomunicações é bem nítido.

Mesmo os grandes fabricantes instalados no Brasil, abandonaram o desenvolvimento e passaram apenas a importar e no máximo montar partes dos equipamentos, houve perda de empregos e de qualidade dos empregos, alguns fabricantes se foram, maior exemplo é a Nec, que chegou a ser a maior empresa de equipamentos de telefonia do Brasil.

Havia capital abundante no mundo, busca de novos mercados para produção e desenvolvimento, FHC preferiu o capital especulativo. Perdemos a vez ali, por volta de 97 a 99. O dinheiro abundante, as grandes empresas querendo ir para novos mercados. Podíamos e tínhamos como fazer até melhor que os chineses, mas não tínhamos projeto de Nação (aquilo que o Bresser falou na entrevista ao valor Econômico).

O modelo de privatização sem contrapartida nacional, de incentivo a indústria de telecomunicações, pouca articulação para que as compras fossem feitas prioritariamente baseadas no que aqui se produziam, fez com que rapidamente se desmontasse o setor.

Apresentar resultado dos milhões de celulares muitas vezes mascara o fracasso de sermos apenas consumidores de produtos que não se faz aqui, que não geram empregos de melhor qualidade, entraremos na 4ª geração de telefonia celular ( ver artigo Celulares: Ontem, hoje e amanhã ) e continuaremos fora do circuito. Mesmo a universalização da Banda Larga, efetivamente não se dará numa articulação de setores de serviços de Telecomunicações com a de fabricação nacional destes produtos.

Governo Lula pouco alterou deste cenário de terra arrasada em telecomunicações , acertadamente,  priorizou a Petrobrás, mas não acredito que teremos desenvolvimento e importância no mercado mundial apenas em cima do petróleo,  que é muito, mas precisamos  buscar terreno em tecnologia e alternativas.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Celulares: Ontem, hoje e amanhã

"O que se ver, antes não era, e o que era, já não existe"(WS)


Pouco mais um ano escrevi um post em que debatia Teogonia x Tecnologia sobre nossa herança cultural ocidental e introduzindo o debate sobre Tecnologia,  numa tentativa de mostrar que as gerações dos antigos deuses(Apolo x Dionísio) estar muito presente na batalha Engenharia x Markenting. Neste novo post busco demonstrar a breve história da telefonia celular e suas implicações em nossas vidas.

Para que você usa o celular?



Todos nós usamos celulares, no Brasil o número de celulares no Brasil ultrapassou o número de habitantes, óbvio que muitos, me incluo nestes, possuem até 4 números consigo(meu caso tenho 1 Smartphone Vivo, 1 Celular da Tim e uma linha de Dados para uso no Galaxy Tab), claro que num uso explosivo e massivo há muitas reclamações sobre valores de contas, qualidade do serviço, promessas não cumprida e uma infinidade de outras mazelas. Abaixo os indicadores de Telecomunicações no Brasil.
Acessos(milhões)
Celulares 207,6 (Fev/11)
Fixos 42,0 (2010)
Banda Larga 13,8 (2010)
TV Assinatura 10,2 (Fev/11)

Particularmente estou satisfeito com o uso da tecnologia, pois tenho consciência do seu uso, seus limites, não comprei um Smartphone e uma linha de dados para o Galaxy Tab, esperando que a velocidade fosse a mesma de uma banda larga via cabo. O que me satisfaz é o uso imediato em qualquer lugar que esteja o fator velocidade, para mim, torna-se secundário, diante da facilidade de acesso sem precisar de cabos ou fios, a busca nos momentos em que não estou em casa ou escritório.

É verdade que as operadoras oferecem serviços que não têm como cumprir plenamente, propõem-se a ser alternativa à internet a cabo, mas a estabilidade e velocidade não serão iguais no atual estágio de desenvolvimento da Telefonia móvel. Detalhe, não é uma questão de ser no Brasil, é uma realidade mundial. No gráfico abaixo há uma evolução de Telefonia e seu futuro.(informações do excelente site http://www.teleco.com.br )





 
1G Sistemas analógicos como o AMPS.(1984 -EU e USA - No Brasil 1991)
2G Sistemas digitais como o GSM, CDMA (IS-95-A) ou TDMA IS-136.

CDMA - 1995 -Coréia do Sul e EUA no Brasil 1997

GSM - 1992 Europa - No Brasil 1999

O GSM e o CDMA possuem extensões que permitem a oferta de serviços de dados por pacotes sem necessidade de estabelecimento de uma conexão (conexão permanente) a taxas de até 144 kbps. As principais são o GPRS e o EDGE para o GSM e o 1XRTT para o CDMA.
3G Sistemas celulares que oferecem serviços de dados por pacotes e taxas maiores que 256 kbps. Os principias sistemas são o WCDMA/HSPA e o CDMA EVDO.  Japão 2000,Europa 2003  - Brasil 2007
4G O LTE Advanced é a unica tecnologia aceita como 4G pela ITU.

Este sistema possui menor custo com maiores taxas de dados, ele teve uma boa redução na latência, possui uma maior eficiência espectral com largura de banda de até 100MHz. Ele foi projetado para oferecer taxas de download de 100Mbps com o usuário em movimento e 1Gbps com o usuário parado. Ele possui também uma taxa de uplink de até 500Mbps.




 


As duas principais famílias de tecnologias do mundo são o GSM e o CDMA.


Origem GSM: Europa.Origem CDMA: EUA







Fonte: Teleco.com.br









"Navegar é preciso, viver não é preciso" (Fernando Pessoa)





Se observarmos os dados acima, em pouco menos de 20 anos saímos de sistemas de comunicações cheia de falhas, ruídos, quedas constantes, uso de voz exclusivamente, para sistemas mais complexos de comunicação rápida, que passou primeiro por envio de Mensagens de Textos, depois pequenos Browsers de acesso a portais e bancos, chegando a poderosos aparelhos hoje, capazes de  indicar rotas(GPS), acessar internet, ouvir música, ver TV e até usar para fazer chamadas de vídeo ou voz. Os novos aparelhos que trazem consigo as redes sociais como centro de suas atividades, os terminais sofisticados objeto de desejos como Iphone, Ipad da linha Apple ou a avalanche dos terminais que usam sistema Android do Google tais como Galaxy S e Tab, X10 - hoje o sistema operacional mais usando em smartphones.

Claro que sou entusiasta da tecnologia, ela aproxima as pessoas, reduz as diferenças, tem potencial imenso na universalização do conhecimento, combate o analfabetismo digital. Facilita a vida e modo de vida do cidadão, regiões que jamais seriam atendidas passam a ter contato mais direto, levando educação, saúde. Claro que a telefonia é um negócio obedecendo as "regras de mercado", as prioridades das empresas privadas, daí a necessidade do Governo ter meios reguladores fortes para fiscalizar, cobrar, multar, exigir que as metas de atendimento e de qualidade do serviço sejam prestadas pelas operadoras pois elas são concessão pública de serviço.

Para além de tudo isto há uma guerra por padrões e imposição de novas tecnologias, cada dia mais descartáveis, uma corrida muitas vezes irracionais, em busca de novos conceitos e parâmetros técnicos, li um artigo de um amigo sobre as evoluções tecnológicas no mundo, em apenas duas páginas ele linkou 45 artigos de suporte.

Pergunto-me, por fim, qual o limite tecnológico? onde vamos chegar, o HOMEM, é o centro de todas estas buscas ou apenas o mercado? o consumo consciente, a produção de imenso lixo tecnológico para onde irá? Velocidade de acesso incríveis são conseguidas, mas servirá para que mesmo? São dúvidas sem respostas

terça-feira, 5 de abril de 2011

Alceste: Amor ou Morte


Alceste

Eurípedes



de sacrifícios sangrentos estão cheios os altares de todos os deuses. Mas não há remédio para os males!



Tema: Tragédia. Amor.

Resumo: Admeto com ajuda do Deus Apolo escapa à morte, porém um ente querido deve substituí-lo, a única pessoa que aceita o sacrifício é sua esposa Alceste .

O Livro



Admeto grande rei da Tessália, por desejo dos deuses deve morrer, porém, neste ínterim ele hospeda o Deus Apolo, que como castigo tem que viver como empregado por um ano à serviço de um mortal. Como Admeto,  sem saber que se trata de um Deus, recebe muito bem seu empregado, Apolo, agradecido, sabendo do destino de Admeto engana as Parcas (emissários de Tânatos(Morte)).

Pouco depois o próprio Tânatos sabendo do ardil de Apolo aceita a troca de Admeto por um parente próximo, desde que aceito espontaneamente. Os pais de Admeto, mesmo idosos, recusam-se a morrer, Admeto não quer que os filhos pequenos cumpram a promessa, sua linda e jovem esposa, Alceste, por grande amor ao marido, oferece-se para cumprir o sacrifício.

(...)

Admeto Ergue-te, infeliz, não me abandones; aos deuses poderosos suplica misericórdia.

Alceste Eu vejo, eu vejo num lago um barco de dois remos; e o barqueiro dos mortos, com a mão na vara, Caronte, já me chama: “Por que esperas? Apressa-te; estás a demorar-me!”

Assim, impetuoso, ele incita-me.

Admeto Ai de mim! A viagem de que falas é cruel. Ó infeliz, quanto nós sofremos!

(Alceste, com um grito de terror, debate-se nos braços de Admeto.)

Alceste Levam-me, levam-me, levam-me – não vês? – para a morada dos mortos. Sob o azul escuro das sobrancelhas, olha-me Hades, alado. Deixa-me estar. Que fazes? Larga-me. Que caminho sigo eu, desgraçada!

Cumprindo-se o fúnebre destino Alceste morre deixando desolado esposo e filhos, uma grande tristeza abate-se sob a Tessália. Por este tempo de passagem rumo ao seu 8º trabalho, Heracles, passa em visita ao seu amigo Admeto, como sempre é muito bem recebido, apesar da tristeza, sem o revelar o motivo, oferece amplo banquete e pompa. Heracles fica mais uma vez encantando com a hospitalidade que Admeto lhe faz.

(...)

Admeto De modo nenhum, senhor! Que eu não tenha de sofre essa desgraça!

Héracles Na infelicidade, a chegada de um hóspede é importuna.

Admeto Quem morreu está morto. Entra, pois, em casa.

Héracles Não fica bem a ninguém banquetear-se junto de amigos que choram.

Admeto Levar-te-emos para os quartos de hóspedes, que são à parte



(...)

Coro Que fazes? No meio de tal desgraça, Admeto, tens coragem para acolher hóspedes? Porque essa loucura?

Admeto Acaso me louvarias mais se de casa e da cidade eu expulsasse o hóspede que chegou? Não, certamente, visto que a minha desgraça não se tornaria menor e faltaria aos deveres da hospitalidade. Aos meus males juntar-se-ia outro mal, se a minha casa ganhasse a fama de ser hostil aos hóspedes. Eu próprio tenho achado nele o melhor acolhimento, sempre que vou ao árido país de Argos.

Coro Por que motivo lhe escondeste então a presente desgraça, se vem como amigo, como tu próprio dizes?

Admeto Nunca ele quereria entrar em casa, se descobrisse algo dos meus sofrimentos. Haverá, bem sei, quem repute o meu ato insensato e pouco digno de louvor, mas o meu teto não sabe repelir nem desonrar hóspedes.

Durante a ceia Heracles percebe a tristeza generalizada dos criados e passa a inquirir sobre o fato, um deles conta-lhe que realmente todos sofrem pelo destino terrível da estrangeira morta que na verdade era Alceste a doce esposa de Admeto. Envergonhado com a situação, por não percebido o real mal que se abatera ao amigo, e ainda mais admirado pela acolhida num momento tão ruim, Heracles decide ir ao Hades trazer de volta a esposa do amigo.

(...)

Héracles (sozinho em cena.)

Ó coração que tanto tens suportado, e tu, meu braço, mostrai agora que filho deu Zeus a Tiríntia, nascida de Eléctrion, Alcmena. Preciso de salvar a mulher que morreu há pouco e de trazer de novo para esta casa Alceste, a fim de recompensar Admeto. Irei espiar a Morte, a senhora dos mortos de negro manto, e hei de encontrá-la, penso eu, junto do túmulo, a beber o sangue das vítimas. E se eu me precipitar do meu lugar de emboscada e a apanhar, envolvê-la-ei com os meus braços e não haverá ninguém capaz de libertar os seus flancos doloridos antes que me seja entregue a mulher. Mas se me falhar esta presa, se ela não se aproximar da oferenda sangrenta, descerei aos Infernos, às sombrias moradas de Core e do Senhor, e farei a minha súplica. Estou convencido de que trarei à luz do dia Alceste, para a entregar nas mãos do hospedeiro que me recebeu em sua casa, e não me repeliu, embora ferido por pesada desgraça, e que, num requinte de nobreza, me ocultou esses fatos, por respeito para comigo. Quem, entre os Tessálios, é mais hospitaleiro? Quem, entre os habitantes da Grécia? Nunca ele terá de dizer que usou com um homem perverso da sua generosidade

(...)

Usando de toda sua força Heracles toma Alceste da Morte, devolve ao amigo, não sem antes um grande dialogo entre eles, sem revelar de quem se tratava, Heracles oferece a jovem envolta de mantas ao amigo, dizendo-lhe que morta a mulher, melhor seria novo casamento, este se recusa terminantemente, sem a esposa nenhum mulher levará ao seu leito.


(...)

Héracles

Sim, o amor que se tem por quem morreu conduz às lágrimas.

Admeto

Fiquei destruído, mas do que poderia dizer.

Héracles

Perdeste uma nobre esposa. Quem o nega?

Admeto

De tal modo que já não tenho prazer na vida.

Héracles

O tempo suavizará o mal que agora está em pleno vigor.

Admeto

O tempo, sim, podes dizê-lo, se o tempo é sinônimo de morte.

Héracles

Uma mulher, outras núpcias te consolarão.

Admeto

Cala-te. Que dizes? Não quero acreditar.

Héracles

O quê? Não te casas mais, ficará vazio o teu leito?

Admeto

Nenhuma mulher ao meu lado se deitará.

Héracles

Julgas tu que isto tem alguma utilidade para a morta?

Admeto

Onde quer que ela esteja, devo honrá-la.

Héracles

Aprovo isso, sim, aprovo; ganharás fama de louco.

Admeto

Nunca me chamarás noivo.

Héracles

Louvo-te pelo amor fiel que tens pela tua esposa.

Admeto

Que eu morra, se a trair, embora ela já não exista.

(...)

Pequeno Comentário

“Quem está para morrer, é como se já estivesse morto, e quem morreu não existe.”

Fechando um ciclo que comecei com Antígone, depois Hipólito em que a Morte é o contraponto a algum bem, tão ou mais importante. Em Antígone foi à liberdade de fazer algo certo, dar às honras fúnebres ao irmão morto, enfrentando o edito proibitório do tio, a autoridade tirânica que é punida severamente. No caso de Hipólito sua castidade e devoção a deusa Ártemis é sua desgraça, pagando com a vida.

Neste novo caso é uma provação em que o Amor por excelência de Alceste ao marido faz com que ela prefira morrer em seu lugar, renunciando a vida, pelo amor, mesmo jovem, em flagrante contradição ao pai de Admeto, que mesmo idoso, não se dispõe a se sacrificar.

Tema subjacente é o da hospitalidade, mesmo diante de um mal terrível, Admeto recebe o herói Heracles, poupando-lhe de saber do que acontecia no palácio. A recompensa ao tratamento e ao seu imenso amor pela esposa faz com que Heracles lutasse contra Tânatos (Morte) pela vida de Alceste. Ela volta mais jovem e bela, o amor rejuvenesce.

Anexo - Livro em PDF: ALCESTE

quarta-feira, 30 de março de 2011

Hipólito - castidade e morte

Hipólito

Eurípedes



Mister seria que os mortais tivessem uma prova segura da amizade e o poder de enxergar, nos corações, qual o amigo sincero e qual o falso! Deviam ter os homens duas vozes; uma, a da retidão, e outra qualquer; assim, a que servisse em seus malfeitos seria confundida pela honesta e nós nunca seríamos logrados..”



Tema: Tragédia. Traição.

Resumo: Hipólito filho de Teseu é casto e só rende oferendas a Ártemis, Deusa da castidade e da caça,ao mesmo tempo Afrodite(Cípris), a deusa do amor sexual, que se vingará terrivelmente do jovem.


O Livro




Teseu já em idade avançada casa-se com Fedra filha de Minós a quem Teseu derrotara em Creta. De outro casamento anterior Teseu era pai de Hipólito, com a Rainha das Amazonas Antíope.  O jovem Hipólito era muito belo, mas optara pela castidade, prestando culto a Ártemis, deusa da caça e da castidade, irmã de Apolo, filha de Zeus e Leto.

A opção pela castidade, combinada com o desprezo a Afrodite, deusa do amor sexual, faz com que a ela sinta-se enciumada e quer a todo custo vingar-se de Hipólito.

Com sua arte de sedução, Afrodite, faz com que Fedra fique perdidamente apaixonada pelo enteado. A paixão é devastadora, aproveitando que Teseu, ficara um ano no exílio como castigo, Fedra se aproxima mais do enteado e com ajuda de sua aia, declara-se ao rapaz.

Hipólito fica espantando com tal revelação, renega qualquer possibiidade de romance com a bela madrasta, mas ao mesmo tempo jura que jamais revelará o segredo ao seu pai Teseu.

(...)

“FEDRA - Juraste bem. Examinando tudo, deveras descobri, neste infortúnio, um único expediente que assegure aos filhos uma vida sem desaire e a mim a salvação desta desonra. Somente por amor de minha vida não é que hei de infamar meu lar de Creta

nem de encarar Teseu no meu pecado.

CORO - Planejas algum mal irremediável?

FEDRA - Morrer; eu própria escolherei o meio.

CORO - Não profiras palavras agourentas!

FEDRA - Se queres também tu aconselhar-me, que seja um bom conselho. Se hoje mesmo abandonar a vida, darei gosto a deusa Cípris, que me está perdendo; eu terei sucumbido a Amor cruel. Porém, inda serei, depois de morta, a ruína de alguém, para que saiba não se ufanar de minha desventura e aprenda a moderar o seu orgulho,sofrendo o seu quinhão nesta desgraça.”



Porém, ao retornar do exílio, Teseu encontra Fedra morta, ela se suicidara, não sem antes deixar um bilhete acusando o jovem Hipólito de ser o culpado de sua morte. Teseu com muito ódio convoca o filho, este explica que nada tem a ver com o fato.

(...)

TESEU - Ai de mim! Como sofro! Foi esta, povo meu, a máxima das minhas desventuras. Ó destino, pesado te abateste sobre mim e meu lar, qual mancha misteriosa impressa por um gênio vingador; pior, como ruína que me torna impossível viver daqui por diante. Na minha desventura, contemplo um mar tão vasto de infortúnios, que nunca poderei salvar-me a nado, nem ao menos vencer esta vaga fatal que ora me assalta. Mulher infortunada, nem sei com que palavras definir teu destino cruel. (...)

TESEU - Já não posso conter no limiar dos lábios o mal insuperável que me arrasta à ruína. Ah! Povo meu! Hipólito atreveu-se a violar pela força meu tálamo nupcial, sem respeito ao supremo olhar de Zeus. Portanto, ó Posidão, tu que és meu pai e um dia me outorgaste três desejos, ouve o primeiro e mata-me esse filho! Se são certos os votos outorgados, que não possa escapar ao dia de hoje!

CORO - (horrorizada) Pelos deuses, meu rei, retira a praga! Dia virá em que hás de compreender que cometeste um erro; dá-me ouvidos.

TESEU - Não retiro; demais, vou desterrá-lo para que o fira um de dois destinos: ou Posidão, cumprindo o meu desejo, morto o enviará para a mansão de Hades, ou, expulso daqui, há de, no exílio, errante, consumir a vida em dores.

CORO - Bem a propósito, eis que surge Hipólito; é teu filho em pessoa. Ó rei, aplaca tua daninha cólera e resolve o que melhor convenha a tua casa.

HIPÓLITO - (entra com pequena escolta) Ouvi teus brados, pai, e vim a pressa. Não sei o que lastimas neste instante; quero ouvi-lo de ti. Mas, oh! Que houve? Vejo morta, meu pai, a tua esposa?! Minha surpresa é imensa! Ainda há pouco, quando a deixei, podia ver a luz! Que se passou com ela? De que modo veio a morrer? Quero de ti ouvir. Meu coração, ansioso de saber, mesmo ante uma desgraça não disfarça sua ansiedade. Porém, tu te calas? De que serve o silêncio no infortúnio? Aos amigos, meu pai, aos mais que amigos não é justo que ocultes teus reveses.

TESEU - Ó homens, vós, que tantos erros vãos viveis a cometer, vós, que ensinais ciências incontáveis, vós, que tudo descobris e inventais, por que será que uma coisa ignorais, nem buscais nunca aprender, que é ensinar sabedoria àqueles que carecem de razão?”

(...)



Teseu o expulsa do palácio e irrefletidamente pede aos deuses que puna o filho com a morte. Hipólito sofre um acidente e morre. A Deusa Ártemis conta a Teseu que o jovem era inocente.

(...)

TESEU - Acaso algum flagelo inesperado as cidades irmãs terá ferido?

MENSAGEIRO - A bem dizer, Hipólito morreu. Inda contempla a luz, porém exala os derradeiros hálitos de vida.

TESEU - Quem o matou? Talvez alguém que o odeia, por lhe ter, como ao pai, violado a esposa?

MENSAGEIRO - Causou-lhe a morte a sua carruagem e mais a maldição com que invocaste contra teu filho o deus do mar, teu pai.

(...)

VOZ - Nobre filho de Egeu, convido-te a escutar-me. Sou Ártemis, a filha de Leto, que te chamo. Por que, infeliz Teseu, te rejubilas? Deste morte sacrílega a teu filho; a mensagem falaz de tua esposa te fez acreditar no que era incerto e agora tens tua desgraça certa. E não vais esconder tua vergonha afundando na terra até o Tártaro? Ou, mudando de espécie, não te evolas fugindo da miséria pelos ares? Já não deves prover a tua vida entre os homens de bem! Eis, Teseu, um balanço de teus males. Deveras, não adianta e te magoa, mas venho tornar clara a inocência da alma de teu filho, cuja morte quer glorificar, e a paixão louca - ou nobreza, talvez - de tua esposa. Sim, pois, pungida do aguilhão da deusa que entre os seres divinos mais odiamos quantas nos comprazemos em ser virgens, estava apaixonada de teu filho. Tentou com a razão vencer a Cípris, mas sucumbiu, mau grado seu, às artes da ama, que a teu filho, sob penhor de juramentos, tudo revelava. Ele, por ser honesto, repeliu as propostas da ama e, por piedoso, não traiu o segredo que jurara, mesmo quando o trataste ignobilmente. Temendo a convicção de seu pecado, Fedra compôs essa falaz mensagem, que arruinou a vida de teu filho. Era um embuste e nele acreditaste.

TESEU - Que desventura a minha!

Pequeno Comentário

Esta tragédia traz a luz vários sentimentos e casualidades próprias da vida humana, Junito de Souza Brandão nos lembra, acertadamente, “motivo Putifar” que é acusação infundada de adultério, tramada por uma mulher com a qual o injustamente acusado e, quase sempre punido, se recusou a ter relações sexuais. Este fato é em Gênesis 39,7-20, a respeito da inteireza, caráter e temor de Deus por parte de José.

De qualquer forma, o motivo Putifar representa sempre um situação crítica para o herói, conjuntura essa que se resolve ora tragicamente, com a morte, no caso de Hipólito e Eunosto, com a cegueira, como na punição de Fênix; ora de maneira menos violenta, como prova superada através de riscos tremendos, como a exposição de Tenes; com o exílio e a vida ameaçada, no caso de Belerofonte ou, eventualmente, a vítima se vinga mais tarde, de modo cruel, de quem o caluniou, como Peleu, que esquartejou Astidamia”.

O ciúme de Afrodite por que Hipólito não lhe presta culto deve ser entendido também do ponto de vista reprodutivo, pouco natural que um jovem príncipe, futuro Rei, recuse-se a fecundar, tarefa obrigatória ao cargo, que inspira crescimento, fertilidade e longevidade, o ciclo “‘natural” da vida.

Lição dolorosa é a de Teseu que não verificando os fatos, julga e condena o próprio filho, o amaldiçoando. Mas aqui também há o germe da tensão própria do choque de gerações que se sobrepõe a sucessão da casa real, o velho rei que terá que ceder o trono ao jovem príncipe.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Dúvidas da Luana

Minha filha Luana tem nove anos, outro dia estava lendo a "Bíblia para criança", que ganhou de sua tia, aí  lascou três perguntas para mim:

1)   Por que deus castigou Moisés e não o deixou chegar na terra prometida, mesmo tendo sido ele quem libertou o povo de deus no Egito?


2)   Por que deus é tão bom, mas judiou tanto de Jó?


3)    E, por fim, a definitiva: Por que deus está fazendo isto com a minha irmã Letícia(#Leucemia : Quando ela bate na sua porta!)?

Tentei argumentar que Moisés e o povo que o seguia começou adorar o "Bezerro de Ouro"..aí ela diz e daí o Bezerro também não era criação dos filhos de Deus? Sobre Jó falei que Deus testava sua fé...Luana responde: Precisa judiar dele assim? Bem, complicado explicar "teste de fé".

Como sempre a parte mais difícil, pra ela, e para mim, falar sobre a doença da Letícia, Leucemia, com 13 anos, corpo judiado pelas 50 quimioterapia em 9 meses, perda completa de cabelos, duas vezes...Luana se revolta em ver a irmã assim, de não podermos planejar nada pelos próximos 2 anos. Claro que não entende os mistérios da vida, de Deus, dos homens, da natureza. Mas como assunto era Deus( castigos, privações, bondade) fica quase impossível uma resposta satisfatória que acalme seu coraçãozinho, suas angústia, aplacar sua rebeldia.

Hoje refiz as três perguntas e minha irmã, Luciete, muito religiosa e sábia, manda as respostas via facebook:

"Na verdade Deus dá o livre arbítrio

1)   Moisés duvidou;

2)    Na história de Jó Deus permitiu, pois o Diabo estava atiçando, mas em troca Jó prosperou em tudo sofreu, mas não se rendeu a tentação;

3)   Quanto a Letícia ele permite, não é a vontade dele, mas a gente passa por tribulações é difícil entender apenas digo que confie sem questionar e a tempestade vai passar."

Bem e você o que acha?

terça-feira, 22 de março de 2011

Formação Humana


Introdução



Pós-muro de Berlim, aqueles que militavam no campo da esquerda passaram a viver num mundo estranho, todos os sonhos e ideologia postos em xeque, a crueza do leste revelada em sua plenitude, houve dois movimentos no começo dos 90 muito significativos na militância:

1) Abandono da perspectiva socialista;

2) Reflexão e volta aos clássicos;

Por volta de 91 e 92 participava de um pequeno grupo, que se propôs a fazer esta reflexão para compreender o que houve no leste europeu, maioria de nós era “pró-soviético” oriundos do PCB. Teve companheiro que em 1986 chegou a dizer que bom mesmo não era Gorbachev, mas sim o prefeito de Moscou, Boris Yeltsin, o verdadeiro revolucionário, sabemos hoje no que deu.

Esta cegueira advinha de uma crença quase religiosa na revolução, em particular na interpretação russa do escritos de Marx, que teve em Lênin grande continuador, mas adstrito a realidade russa, mas que foi tomada como universal.

Aquele impacto de ruir todo o leste europeu fez com que vários companheiros simplesmente abandonarem a luta política, acreditando que aquela era a experiência definitiva do que se convencionou chamar de “socialismo real”. Honestamente derrotados, incapaz de continuarem a militar, se recolheram, trancaram a vida para qualquer nova reflexão.

Como sempre ocorre nestes períodos de crise, um setor que sempre militou quase como 5ª coluna, aderiu de vez ao ideário burguês, no Brasil a ruptura do PCB, já em frangalhos, liderados por Bob Freire, cria o PPS, todos sabemos os seus passos posteriores de traição e alianças preferenciais à direita (PSDB e DEM).

Volta aos clássicos

Vários de nós, em pequenos grupos e círculos intelectuais, voltaram aos estudos dos clássicos, não apenas os escritos de Marx, mas de toda a tradição humanista, revisitar os filósofos gregos, os cânones literários, as fontes únicas do pensamento humano.

Esta dolorosa tarefa no meio militante é sempre muito complicada, cheia de barreiras, parte dos dirigentes despreza a ampliação do conhecimento, pois as tarefas diárias se impõem. A baixa compreensão, da formação política e intelectual também se torna adversário deste “mergulho”.

Fizemos um roteiro longo em que buscávamos ampliar os horizontes para além da teoria política, inserindo novos desafios de entender o homem sob uma perspectiva histórica, filosófica e cultural, que abarcasse a Teoria do conhecimento humano em todos seus vastos campos.






(Texto de Introdução - escrito em 1992)






Origem dos Homens



O Comunismo Primitivo

O início dos tempos tem diversas explicações, desde a dos cristãos, segundo a qual Deus (Jeová) criou o mundo e depois o homem, a partir do barro ( Adão) e de sua costela, a mulher (Eva). Estes entes pecam perante Deus e são expulsos do paraíso – começa propriamente dita a procriação, sendo estes marcados pelo pecado original.

Já para Gregos, Egípcios e Romanos o surgimento do homem é produto dos deuses e semideuses, estes foram criados para adorá-los. Sua relação com os deuses, porém, não é a do medo (como cristãos) do pecado original – homens e mulheres mantêm relações íntimas com estes deuses. Por exemplo, Aquiles, herói grego da guerra de tróia, era filho de Tétis, uma deusa do mar com Peleu, um rei de Ftia (região grega).

Na visão dos materialistas (marxistas ou não) o homem surge, assim como o universo, do produto das transformações da matéria, sendo seu estágio mais elaborado o homem e seu cérebro, pois este foi capaz de criar condições para sua própria existência e transformação. Este processo durou milhões de anos, tendo o homem passado por diversos estágios até chegar ao que é hoje.

Alguns avanços foram fundamentais para este desenvolvimento, como a descoberta do fogo, a linguagem e o começo da vida coletiva. Logo a seguir, a descoberta da roda, as primeiras divisões do trabalho, a caça e a pesca, e depois a lavoura, tudo isso feito por todos em conjunto, talvez não por um desejo consciente de união, mas como único meio de sobrevivência. A este período conhecido vulgarmente como pré-história ou idade da pedra, nós damos o nome de

Sociedade Comunista Primitiva



A Divisão dos Homens

A sociedade de classes, o escravagismo, o primeiro estágio

O homem se desenvolve continuamente e surge a grande divisão social do trabalho, que passa a ser o motor de um acelerado desenvolvimento da vida: o trabalho intelectual versus trabalho manual.

Alguns homens começam a se apropriar do excedente da agricultura, pecuária e pesca, e percebem que é melhor pensar como melhor produzir e outros continuarem produzindo. No mesmo instante, nas guerras de tribos já não se libertam os presos inimigos, os quais passam a ser mão-de-obra escrava dos vencedores, dando o poder econômico maior a alguns membros.

As respostas aos fenômenos da natureza, como a lua, sol, rios etc. levam o homem a adorá-los e sendo alguns destacados para organizar estes cultos, o germe do estado-religião começa a ser plantado, as decisões coletivas já não dão respostas às novas fases de produção.

Começam a se gestar decisões individuais, e aqueles que têm seus escravos de tribo inimiga agora escravizam homens de sua própria tribo; os primeiros conflitos desta divisão precisam de autoridades para resolvê-los – eis nosso “poder” de estado em conjunto com os dos sacerdotes estruturam o estado. Em uma palavra, a revolução social está completa.

Nós devemos entender como foi importante esta divisão, pois permitiu ao homem se desenvolver em escala nunca experimentada, se desenvolvem as ciências – a medicina, a astronomia, a matemática, a física – surgem os primeiros filósofos, literatos, historiadores. O mundo se livra da ameaça simples de destruição catastrófica produzida pela natureza, que o homem passa a dominar. É o senhor dos mares, das terras e dos ares.

É neste contexto que vamos estudar a sociedade escravagista: Sua literatura, a história e filosofia da época, a política e a economia

Estudo da Teoria do Conhecimento Humano (corte ocidental)


Parte I

Sociedade Escravagista



Modulo I – Literatura

Homero: Ilíada e Odisséia

A) Épicos                   Virgílio: Eneida

Heródoto: História

B) Mitologia     Hesíodo: Teogonia e O trabalho e os dias

C) Costumes    Suetônio: A vida dos doze Césares

Modulo II – Teatro

Sófocles: Prometeu Acorrentado

Ésquilo: Oréstia

Eurípedes: As Bacantes

Modulo III - Filmes

Fellini: Satirycon

Pasollini: Medeia

Roma (mini serie – acrescida hoje)

Stanley Kubrick: Spartacus

Modulo IV – Filosofia

Platão: Fedro

Aristóteles: Ética a Nicômaco

Modulo V – Política e Estado

Plutarco: Alexandre e César, vidas comparadas

Tácito: Os anais